30/03/2018

O fim


Muito antes de escrever o título desta postagem, pensei: "reformular ou finalizar essa etapa?" Tem horas que a gente começa a perceber que algumas coisas desgarraram das perspectivas e o que antes alegrava, começa a se tornar tropeço e a única justificativa para isso é: as mudanças. O Sete Coisas é um blog que tem a idade do meu irmão mais novo, exatamente sete anos - compartilhando aventuras literárias e outros assuntos desde o ensino médio. As mudanças constantes durantes esses anos resultaram em layouts novos e a desculpa de sempre "novos ares", essas soluções paliativas permitiram a duração do blog durante muito tempo, porém estou lendo um livro, O Essencialismo, que fala justamente sobre manter as coisas que são vitais e importantes para nós. Vale ressaltar que eu amo esse blog, amo todas as coisas que ele me ofereceu, as pessoas que conheci, os projetos que desenvolvi, mas sinto que ele já não mais me representa e a perspectiva desenhada há 7 anos já não faz mais jus.

Então se tornou decisivo: dizer um adeus para abrir porta para novos projetos e oportunidades mais autorais. E com um aperto, mas também alívio, no coração gostaria de agradecer a todos que passaram por aqui e pelo carinho, sem dúvidas, este blog me acrescentou muitas coisas significativas. Provavelmente não devo demorar a criar algo novo, preciso escrever, haha, mas enquanto isso me acompanhe no instagram e no Que seja nu, um projeto de nu artístico bacanudo.

29/03/2018

Resenha: "Noites de Sol", de Bruno Bucis

Quando cheguei na metade de "Noites de Sol" pensei  em como aquele era o livro que eu queria ter escrito há alguns anos, quando estava no ensino médio. E talvez, por se aproximar dessa época o livro tenha ganhado algumas notas a menos.



Na época em que havia acabado de me formar e recém calouro de Sistema, me surgiu algumas ideias para escrever livros, talvez precisasse escrever um que eternizasse todos os clichês hollywoodianos e um pouco da minha vida durante a época da escola, como uma banda de rock ou grupinhos parecidos com os descritos no começo de Meninas Malvadas, nesse mesmo livro precisaria de romance água com açucar, mas também de amigos para contar a qualquer hora. Sem dúvidas, Noites de Sol, foi o livro que quis escrever quando era mais novo e isso me trouxe uma nostalgia intensa.



Sentir essa nostalgia foi uma delícia, mas também percebi que me distanciei muito de como me posicionava perante a minha escrita e também ao que estava acostumado a ler. E acho que uma das coisas que mais me incomodou ao ler Noites de Sol foi porque ele é too much, contado no formato de diário, o livro reúne diversos recortes do o último ano letivo de Sol, quando digo que é too much é que o livro é justamente tudo o que eu queria ter vivido durante o meu ensino médio.

27/03/2018

Versos sobre poesia

Um dia irei escrever poesia
com palavras complexas
e versos que falam de amor
e falam de movimentos
dos nossos movimentos
nessa poesia irei cortar os versos corretamente
ou talvez não,
porque ela será tão intensa que os leitores nem perceberam a gafe
porque é poesia
e poesia só pelo fato de ser poesia é poesia
e não poderia ser outro tipo de texto para falar sobre você
e você nós
porque se você não é poesia, é as palavras complexas que há nela.

22/03/2018

Música qualquer

De longe nunca foi a favorita. Nem seria algum dia, se não fosse por você.

Apesar da letra bonita, de falar de amor de um modo clichê, não seria minha música favorita. Teria algum apreço, mas de longe, nunca seria inclusa numa playlist.



Se não fosse pela mesma letra cantada por sua voz, não seria a minha favorita. Que nem se tornou a minha favorita pela existência de ser ela, mas por você cantar ela.

Ele estava deitado, eu com a cabeça sobre pulmões, a voz saia meia tremida, porque cantar, como ele diz, requer trabalhar com a respiração. Nunca vi ninguém cantar deitado.

E ele cantou, porque insisti.

E talvez a música ainda não seja minha favorita, mas há um carinho agora, porque foi a primeira vez que realmente escutei. Que internalizou.

De longe nunca seria a favorita. Nem seria se um dia não tivesse insistido, naquela tarde, deitado sobre teu peito.

18/03/2018

Uma carta para as mulheres que me inspiram


Me tornei um grande fã de mulheres assim que comecei a assistir animes. Se você me perguntasse qual o personagem meu personagem preferido, eu responderia com algum nome feminino, mas não qualquer um, seria sobre uma mulher que lutasse e se mostrasse mais relevante que um homem, no caso, mais forte e mais espera que um. E percebi que a mulher ganhou destaque para mim em muitas outras vertentes artísticas, como quando a Juliette protagoniza uma série literária de arrepiar os pelos ou quando Lorraine Broughton luta em Atomic Blonde, se tornando o filme mais mentiroso em séculos, mas tão bom: porque é uma mulher que protagoniza.

Jane Austen em Orgulho & Preconceito escreve sobre cinco irmãs que sonham em casar, o clichê daquela época, mas descreve Elizabeth como um ser a parte, que apesar também de se importar com casamento, está visível de que há personalidade e também um sentimento de empoderamento. Esse tem sido um sentimento que se alojou nos últimos dias desde essa leitura: o quanto há de mulheres fortes, grossas e amáveis, assim mesmo, tudo junto e misturado. 

Não tardou para que eu visse essas mesmas mulheres, agora sem poderes extraordinários, fazerem coisas poderosas na vida real. É olhando para as mães que acordam cinco horas da manhã em busca de dar o melhor aos seus filhos e que estão no mesmo ônibus que vou para o trabalho, é olhando para a personalidade dura e também amável da minha chefe de segurar as pontas e também ser doce, é quando minha mãe olha nos meus olhos e diz que vai ficar tudo bem.

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Cartas é um projeto para sair da zona de conforto que fiz juntamente com a Karol, caso sinta vontade de conhecer as outras cartas escritas basta clicar aqui.

12/03/2018

Memórias — Fevereiro, 2018

Memórias é aquela postagem de final de mês, onde ficam guardadas as boas (e por quê não as ruins?) memórias que valem a pena contar ou simplesmente refletir e agradecer. Se quiser, segue lá no instagram (@igormedeiroz) para ver mais fotinhas (selfies são bem raras)!

Fevereiro é o mês mais rápido do ano, começa na espera do feriado de carnaval e termina na recuperação do feriado, rs.


Mas me lembro que fevereiro começou com o amigo oculto do Foco Periférico, que por sinal foi uma realização muito grande, os presentes foram trocados há mais de 6 meses e nunca conseguimos marcar de abrir os presentes (meninas ansiosas que tiveram que esconder o presente para não abrir me add). Esqueci de falar, mas em janeiro lançamentos o projeto que busca fotografar toda semana algo diferente, clique aqui para conhecer mais.




Então teve, o famoso, aliás, os famosos bloquinhos de carnaval. Disse a mim mesmo que iria participar dos bloquinhos sim, que seria mais divertido do que o ano passado. Na sexta-feira de carnaval meus pais viajaram e ficariam uma semana fora, uma preguiça se dissipou na minha casa e no meu ser, que todos os dias profetizei ir aos blocos, mas não consegui, porque é disso que adulto gosta, casa arrumada, poder acordar e dormir a hora que quiser e, principalmente, silêncio.

Meu carnaval foi silencioso, acompanhado de La casa de papel, leituras e comidinha vegana. Foi bom, estou ansioso pelo próximo.



Minhas aulas de francês começaram e nunca estive tão animado para aprender uma nova língua, já havia feito um semestre antes e tive que começar novamente. Mas não faz mal, conheci uma menina muito engraçada, as aulas tem sido divertidas.

Nessa vibe de aprender coisas novas, fotografei minha primeira baladinha. Foi uma experiência nova, porque eu nunca tinha fotografado a noite. Foi legal, chorei, mas o resultados me agradaram no final de tudo.


A vida tem sido bem menos fotografada depois que troquei de celular, ainda não me acostumei com a câmera e isso faz com que tenha preguiça de mexer com fotografia nele. Mas em breve vou mudar isso!

11/03/2018

Projeto: Singularidades


Tem dias que sinto uma vontade de ler coisas com um gosto pessoal, com a intrinsidade de quem só viveu sabe. Tenho sentido saudade justamente da experiência das pessoas e blogs que são diários, onde fogem justamente daquele quesito "ser blogueirinha", hihi.  Para quem tem acompanhado aqui, já viu que nas duas últimas semanas tem saído postagens referentes a um projeto que desenvolvi juntamente com a Karol, o Singularidades

De uns tempos para cá sentimos que precisávamos falar mais sobre nós mesmos, sobre nossos dias e sobre as nossas tudo que fazemos que é particularmente nosso, que é singular. E assim surgiu esse projeto, que vai ao ar todos os sábados tanto aqui quanto no blog da Karol - e que convida você a participar também, ficaremos honrados em saber que outras pessoas gostam deste tipo de postagem e participam também por uma blogosfera mais pessoal. 

10/03/2018

3 apps favoritos do momento

Além dos aplicativos tradicionais como instagram, twitter e efeitos de foto existe alguns aplicativos que comecei a usar depois que troquei de celular, que são apps que conheci por acaso no store do Google.



Daylio: é meu app favorito dos três que vou falar hoje. É um app que não faz nada muito grandioso, apenas datar seu humor diariamente. Talvez isso seja muito Blackmirror, mas o app permite ter uma consolidação dos seus dias e humor. Será que você esteve mais triste ou mais feliz mês passado? A partir daí você sabe em que pontos consegue melhorar e ficar mais felizinho, porque o app permite também cadastrar atividades que você realizou no dia. É bem rápido de preencher e o app sempre te legal, de um jeito agradável, que tem que preenche-lo no dia.

Curiosity: eu sou a louca dos aplicativos de estudo e finanças, sem querer acabei conhecendo o Curiosity, que trabalha da mesma forma que o daylio, manda uma notificação de manhã e de noite (depende do horário que você agendar) com uma curiosidade sobre o mundo, seja animais, lugares, comidas, vivência - são milhares de temas que você pode cadastrar e receber. Acho muito útil também para quem está estudando inglês, porque os textos vem em ingles.



Google Keep: das positividades na troca de celular foi que quis deixar todas as minhas coisas sincronizadas com o Google, para ter um acesso fácil tanto do celular quanto de um computador. Utilizo o app para escrever postagens do blog, inclusive essa que você está lendo, fazer todo tipo de lista possível (viciados checklist me add), além de deixar algumas outras anotações que acho que precisarei futuramente - o app permite que as notas sejam arquivadas, sem necessariamente serem deletadas, assim se um dia precisar novamente, estará-la.

Existem alguns outros apps que gosto muito, mas pretendo falar deles em outro tópico, mas me diz, vocês gostariam de ver quais aplicativos uso para editar fotos e gerenciar minhas finanças (meus apps xodó, haha).


Singularidades é um mais um projeto criado juntamente com a Karol com o propósito de contar mais coisas pessoais em nossos blogs, se você sentir vontade em participar, fique a vontade, nós entendemos que algumas coisas precisam ser externadas ─ você pode ver mais postagens do projeto clicando aqui.

06/03/2018

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03/03/2018

Porque ser chamado de "viado" foi o pior xingamento

Quem me conhece há algum tempo sabe que nunca gostei de xingar, nem que xinguem enquanto conversa comigo, sempre senti que uns palavrões mal colocados pesariam a conversa, mas hoje consigo ver que alguns possam ser usados para deixar as conversas mais suaves, mas depende de quem o diz e como o diz.

Acredito que esse ranço por xingamento se concedeu há muito tempo, ainda quando era criança: fui xingado (e muito) quando nem sabia o que era xingamento e muito menos entendia o porque as pessoas faziam aquilo (ainda não entendo, rs). Mas como elas já fizeram, não há porque criar remorsos aqui, vamos tocando o barco e seguindo a maré. Não me lembro se aquilo realmente me afetava na época, mas lembro que dizia para minha mãe que meus colegas homens da escola ou da rua me chamavam de viado, ela dizia para eu mostrar a pinto e falar "olha aqui o viado". E eu mal sabia o que era viado, dessa forma, amizades masculinas nunca foram bem-vindas pra mim, porque mesmo não sabendo o que significava ser viado, entendia aquilo como algo ruim e negativo.

Compreendi o que era ser viado, gay, baitola ou bichona só quando estava nos anos finais do ensino fundamental e apenas após entrar na faculdade me assumi gay. Foram mais de 10 anos não compreendendo algo e não permitindo. E hoje, consigo perceber a demora da aceitação se rendeu de várias coisas, inclusive de: ter sido chamado de viado e sempre ter encarado isso como algo negativo.

Como eu poderia ser algo que ninguém gosta? Como poderia ser gay? Quando me assumi, algumas pessoas já disseram que não era nenhuma novidade porque sempre apresentei traços femininos (enquanto para mim era um mundo a descobrir). Era gay muito tempo antes de saber, quero dizer, lá no fundo algo dentro de mim sabia que gostava de outra coisa, mas nunca permitiu, porque as pessoas não permitiram. Porque eu era viado. E viados vão pro inferno.


Ser gay vai contra tudo o que aprendemos, seja na escola ou em casa, é um confronto enorme com a própria cultura que tivemos durante muito tempo até saber o que gostamos de fato. Ser xingado negativamente afetou na própria compreensão que tinha sobre os meus gostos e modos de agir. E tentamos falar que isso não deveria ligar ou se importar, mas o problema é que a gente se importa sim, a gente liga sim. Porque existem momentos em que somos pegos desprevenidos e são nessas fragilidades que acabamos permitindo que opiniões alheias faça com que nos escondemos, faz com que nos sentimos para baixo. 

Hoje eu mesmo me chamo de viado; vejo pessoas me chamarem de viado também, inclusive pessoas que não são do meu vínculo de amigos e penso: "será que está difícil perceber isso? será que não estou transparecendo corretamente que as pessoas tendem a me lembrar?". Sinto um pouco de mérito em falar que passei por essa limitação na minha vida, mas vejo muitas outras pessoas sofrendo porque outras pessoas não tem senso, nem vergonha, só língua afiada. 

A propósito, sou viado. E, bem, acho que não vou pro inferno. 

(E tenho orgulho disso). 



Singularidades é um mais um projeto criado juntamente com a Karol com o propósito de contar mais coisas pessoais em nossos blogs, se você sentir vontade em participar, fique a vontade, nós entendemos que algumas coisas precisam ser externadas ─ você pode ver mais postagens do projeto clicando aqui.


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