07/02/2018

Que os humanos não me tornem desumano


Esse tem se tornado um dos maiores medos, o de perder a humanidade, onde me acostumo com a indiferença por ser tão repetitiva e comum. Tenho medo porque às vezes me pego pensando em dar o troco na mesma moeda, como quando não seguram a minha mochila no ônibus e vou em pé até o meu destino com o peso nas costas, se não seguram a minha mochila quando estou em pé porque eu seguraria de alguém quando estou sentado? E ao mesmo momento que me pego pensando nisso, penso em outras coisas que vão deixando calejos: como relacionamentos mal sucedidos, como amizades fracassadas, como expectativas que acabam antes mesmo de chegarem a dar errado ou dar certo.

E às vezes a gente acaba se tornando insensível porque o mundo converge a ser assim, distante, onde a aproximação de sentimento se tornou sinal de fraqueza, que falar de amor se tornou raridade e também piegas. E me posiciono em relação a isso, porque olho as pessoas serem cada vez mais longínquas de afeto e carinho e reciprocidade. Às vezes quero devolver na mesma moeda, porque há imagem de que isso é bom, mas não é, e a gente vai se enganando, porque é comum, porque todos estão fazendo isso. Eu sinto falta de chorar. E eu quero chorar agora. E espero que chore daqui alguns minutos:

Por todas as coisas que carreguei, durante algum tempo, porque compreendi que não sou superior a qualquer pessoa, sou a junção de várias delas. E nessa junção a gente se perde um pouco e as coisas importante continuamente vão sendo esquecidas, como a essência e a liberdade. A gente entra num piloto automático e reproduz a mesma coisa que a grande massa, o que é um dentre milhares?

Tento, mas é difícil, me desapegar dessas desculpas esfarrapadas que damos ao incerto, seja por medo ou preguiça. Porque a única certeza que temos é dos dias que vivemos até o final, porque o amanhã é incerto e se não fizermos desse um lugar bom, ele nunca será.

Encher os olhos de água por algo que eu não deveria nem sentir, por amar quem eu nem conheço, mostra que ainda há humanidade aqui dentro, que talvez seja a solução, a minha própria solução. Mesmo podendo usar desculpas, mesmo as pessoas agindo estranhamente robóticas.  Porque sou um dentre milhares, mesmo sendo difícil.

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