// 27 Aug 2017

Poderia ser


lembro-me daquele dia, ali na cafeteria de dona helena, quando você apareceu já era a segunda ou terceira vez que eu tomava um café pausado no final tarde; eu não me lembro bem porque os meus pensamentos não estavam focados na quantidade de vezes que fui, mas sim nas quantidades de vezes que eu iria, para olhar os seus olhos ou o jeito como ordena os copos sujos na bandeja para separar dos limpos - um sentimento que se preenchia de longe, acompanhado de admiração e nostalgia.

as tardes se preencheram numa rotina boa, dentre a leitura de três e quatros capítulos de um livro qualquer e o desvio meus olhos para acompanhar o ritmo que você rodopia no café de dona helena, com seu cabelo avermelhado e os óculos redondos como pequenas luas sobre a bochecha. assim foi se consolidando um sentimento durante as estações dos ipês que desabrochavam e lhe davam o dobro de trabalho.

claro que a rotina não poderia se estender por meses sem fim e nem acredito que se tornaria beijo com gosto de chá fermentado, doce de amora e bolo sem leite, mãos dadas e rosto escondido na curva do pescoço. ainda que eu não saiba a quantidade de vezes depois de ter de visto, presumo que é menor que a quantidade de vezes que quero te ver. porque é nesse teu cheiro de café e menta que meu coração faz morada.

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