27/08/2017

Poderia ser


lembro-me daquele dia, ali na cafeteria de dona helena, quando você apareceu já era a segunda ou terceira vez que eu tomava um café pausado no final tarde; eu não me lembro bem porque os meus pensamentos não estavam focados na quantidade de vezes que fui, mas sim nas quantidades de vezes que eu iria, para olhar os seus olhos ou o jeito como ordena os copos sujos na bandeja para separar dos limpos - um sentimento que se preenchia de longe, acompanhado de admiração e nostalgia.

as tardes se preencheram numa rotina boa, dentre a leitura de três e quatros capítulos de um livro qualquer e o desvio meus olhos para acompanhar o ritmo que você rodopia no café de dona helena, com seu cabelo avermelhado e os óculos redondos como pequenas luas sobre a bochecha. assim foi se consolidando um sentimento durante as estações dos ipês que desabrochavam e lhe davam o dobro de trabalho.

claro que a rotina não poderia se estender por meses sem fim e nem acredito que se tornaria beijo com gosto de chá fermentado, doce de amora e bolo sem leite, mãos dadas e rosto escondido na curva do pescoço. ainda que eu não saiba a quantidade de vezes depois de ter de visto, presumo que é menor que a quantidade de vezes que quero te ver. porque é nesse teu cheiro de café e menta que meu coração faz morada.

25/08/2017

Resenha: "O lago das sanguessugas", de Lemony Snicket

O lago das sanguessugas
Desventuras em Série, livro 03
Lemony Snicket
Editora Seguinte
192 páginas
"Caro leitor,
Se você ainda não leu nada sobre os órfãos Baudelaire, é preciso que antes mesmo de começar a primeira frase deste livro fique sabendo o seguinte: Violet, Klaus e Sunny são legais e superinteligentes, mas a vida deles, lamento dizer, está repleta de má sorte e infelicidade. Todas as histórias sobre essas três crianças são uma tristeza e uma verdadeira desgraça, e a que você tem nas mãos talvez seja a pior de todas. Se você não tem estômago para engolir uma história que inclui um furacão, uma invenção para sinalizar pedidos de socorro, sanguessugas famintas, caldo frio de pepinos, um horrendo vilão e uma boneca chamada Perfeita Fortuna, é provável que se desespere ao ler este livro. Continuarei a registrar essas histórias trágicas, pois é o que sei fazer. Cabe a você, no entanto, decidir se verdadeiramente será capaz de suportar esta história de horrores.

Respeitosamente,
Lemony Snicket"

O Lago das Sanguessugas, é o terceiro livro da saga Desventuras em Série, narrado pelo narrador personagem Lemony Snicket - que diz ser responsável por contar a história triste e cheia de desventuras dos Órfãos Baudelaire. Desde o primeiro volume, somos alertados sobre o conteúdo dessa história, de como a vida dos órfãos - Violet, Klaus e Sunny - não passa de uma imensa maré de azar. Acontece, que as três crianças ficaram órfãos e sem abrigo, pois perderam seus pais e a casa onde moravam para um incêndio. Dessa forma, a vida dos três virou responsabilidade do Sr. Poe, bancário da família e agora responsável por encontrar um tutor para os três.



No primeiro e segundo volume da série, as tentativas de um novo lar para os Baudelaire foram frustradas. Infortúnios, azar, morte e todas essas desgraças ligadas a uma só pessoa: Conde Olaf, o terrível vilão que sonha em tornar-se tutor das crianças apenas para colocar suas mãos na fortuna que lhe fora deixada pelos pais. Nesse volume, Violet, Klaus e Sunny, conhecem tia Josephine, sua mais nova tutora. Com esperança de dessa vez conseguirem morar em um lugar adequado, com alguém que pudesse lhes oferecer amor e os cuidados que toda criança necessita, logo decepcionaram-se.


Tia Josephine morava em uma casa suspensa no alto de um monte, parecendo prestes a despencar no lago que encontrava ao redor da propriedade - O lago das sanguessugas. Viúva e extremamente medrosa, a nova tutora dos Baudelaire se mostra péssima, pois seu medo é tanto que até uma refeição quente lhes é negada. O motivo? Medo de usar o fogão. Apesar de tudo, as crianças tentavam sentir-se gratas, afinal, agora tinham um lugar para morar e alguém para olhar por eles. Mas claro, se falando dos órfãos Baudelaire, tudo estava bom demais para ser verdade - apesar dos pesares. Em uma viagem até o supermercado eis que surge o capitão Sham, com características de um pirata e até uma perna de pau, mas só convenceu a tia Josephine, pois logo de cara as crianças já sabiam que se tratava de conde Olaf, mais uma vez querendo roubar a fortuna que lhes pertencia.

Em meio a muita confusão, furacão, chuva, sanguessugas e resgate em alto mar, as crianças sofrem para desmascarar o novo personagem criado por conde Olaf. A leitura é bem leve e rápida, como nos primeiros volumes, com uma linguagem fácil e que agrada do mais jovem ao idoso. Apesar de as vezes sentir vontade de gritar com os adultos - já que as crianças são as únicas com bom senso da série - é uma aventura gostosa de ler e que em um dia livre é possível devorar.



Leia também os outros volumes da série:
Desventuras em Série #1: Mau Começo
Desventuras em Série #2: A Sala dos Répteis

***

Livro oferecido através de parceria com a Editora.

08/08/2017

Resenha: "Os filhos da tempestade", de Rodrigo de Oliveira

Os filhos da tempestade
Rodrigo de Oliveira
Editora Planeta
336 páginas
Uma aventura surpreendente, em um dos lugares mais misteriosos da terra. Um grupo de jovens deixa o Rio de Janeiro com destino aos Estados Unidos. O que seria apenas uma viagem de uma Turma do conservatório de música acaba ganhando os contornos de uma tragédia: ao sobrevoar a misteriosa região do Triângulo das Bermudas, o avião é atingido por uma violenta tempestade e cai no mar. Os sobreviventes agora se veem presos numa ilha deserta, perdendo o contato com o resto do mundo. Nesse lugar paradisíaco, habitado por uma força maligna ancestral e onde se esconde um terrível segredo envolvendo uma jovem bruxa do século XVII, os garotos precisarão lutar pela própria vida, superando grandes desafios e enfrentando seus piores medos. Rodrigo de Oliveira, autor da saga As crônicas dos mortos, traz em Filhos da tempestade uma história repleta de ação, suspense e terror, de conflitos e descobertas, envolvendo um improvável triângulo amoroso que desafia a própria morte.

Esse é um livro que merece ser compartilhado. "Os filhos da tempestade", conta uma história incrivelmente surpreendente, que me deixou apaixonada - e sim - querendo muito mais. A primeira coisa que me chamou atenção, antes de ler o livro, é que a história ambientava-se na região misteriosíssima do Triângulo das Bermudas e como a lenda terrível que ronda esse local é de que aviões e embarcações que passam por lá simplesmente somem - puf! - como um passe de mágica, minha curiosidade sobre como o autor construiria sua versão desse mistério me deixou eufórica para ler sua obra. E confesso, não me arrependi.



Rodrigo, o autor, conta a história de uma turma de garotos do Rio de Janeiro que viajaria para os Estados Unidos em busca de mais conhecimento no mundo que os unia - o mundo da música. Os garotos e garotas que estavam super ansiosos para conhecer o conservatório de música, acabaram conhecendo outra realidade, completamente diferente e apavorante. Acontece que durante a viagem, justando quando sobrevoavam sobre o Triângulo das Bermudas, o avião entra em pane e aparentemente não havia mais esperanças, pois eles estavam caindo e indo direto para o mar. Apavorados, os meninos e meninas que estavam à bordo viram muitos amigos morrerem e os que conseguiram sobreviver a queda, não tinham esperança alguma de salvamento, afinal estavam em meio ao mar aberto.




Como se as coisas não pudessem ficar piores, de um modo sobrenatural, começou a formar-se um redemoinho no meio do mar e todos eles foram sugados por ele. Após acreditarem ser o fim, acordaram em uma ilha em pleno dia e vivos. Felizes por estarem salvos mas desesperados para encontrar um meio de voltar pra casa, os garotos começam a vasculhar a ilha e encontram um morador - Juan, um argentino - que após o susto de encontrar outras pessoas, torna-se amigo deles e passa a ajudá-los. Porém, apesar de lhes dar comida, um teto para que pudessem dormir e água para beber, Juan lhes dá uma notícia que abalaria para sempre suas vidas - eles estavam na Ilha do Diabo e não conseguiriam voltar para casa nunca.

Os mistérios que envolvem a ilha são muitos - o que os garotos foram descobrindo aos poucos. A ilha era linda e eles simplesmente se sentiam gratos e felizes por estarem alí, sem entender o porque de nem quererem mais voltar pra casa. A força que a ilha exercia sobre eles os transformou e muita coisa ruim estava para acontecer. Juan tentou abrir os olhos dos jovens, mas mesmo com todos os conselhos, o inevitável aconteceu, dando uma reviravolta na vida de todos, dividindo o grupo e formando os Filhos da Tempestade.



Apesar de ter escrito muita coisa, não contei metade das surpresas que esse livro cativante e muito envolvente me fizeram sentir. Juro que o motivo é somente porque não quero deixar spoiler algum para nenhum de vocês, afinal, quero que se surpreendam tão positivamente como eu me surpreendi. É uma leitura gostosa, rápida e que me deixou com o coração acelerado. Muita ação, romance, suspense e até certo toque de terror, com um final surpreendente e muito inteligente, Rodrigo Oliveira me deixou cheia de vontade de ler mais obras dele e torcendo para haver continuação dessa em específico.

Livro oferecido através de parceria com a Editora.

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