Um brinde à amnésia



Não é fácil pensar no futuro. Estaremos juntos? Teremos realizado todos os planos, sonhos, promessas e ambições? Não é o pensamento mais agradável do mundo, confesso. Mas ainda podemos conviver com o “o que vai ser?”. Porém, a armadilha que ninguém deveria cair é a de pensar no passado. Os amores dele do passado, os beijos dele do passado, as tantas bocas, roupas tiradas, mãos dadas e troca de olhares. Os destinos visitados com outras pessoas, as lembranças (principalmente as felizes) sem você. Os apelidos fofos trocados, os planos de ficarem juntos pra sempre - como seria a casa, quantos filhos, teriam cachorros?

Se eu não tivesse aparecido e te aberto os olhos. Se eu não tivesse te mostrado que aquilo não era tudo, que você merecia mais. Se eu não tivesse, por um impulso de loucura, te dito sim. Se não tivéssemos mergulhado um no outro, eu que nunca quis passar da tua superfície. Se não. Se...

Por tão pouco. Quase...

Ideal mesmo era apagar, começar do zero. Feliz é quem não é sugado pelo que já foi e que não se deixa maltratar pelo que será. Feliz é o que esquece, que se presenteia a amnésia pra tocar o presente e se sentir presenteado e só. Brindemos à amnésia - aos que se permitem recomeçar.

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