19.7.17

Resenha: "A Imortalidade", de Milan Kundera

A Imortalidade
Milan Kundera
Editora Companhia das Letras
408 páginas
A partir do gesto que uma mulher faz a seu professor de natação quando sai da piscina, a personagem Agnes surge na mente de um autor chamado Kundera. Como a Emma de Flaubert ou a Anna de Tolstoi, a Agnes de Kundera se torna objeto de fascínio e de uma busca insondável. Ao imaginar o cotidiano dessa personagem, o narrador-autor dá corpo a um romance em sete partes, que intercala as histórias de Agnes, seu marido Paul e sua irmã Laura com uma narrativa retirada da história da literatura: a relação de Goethe e Bettina von Arnim.

Com seus personagens reais e inventados, Kundera reflete sobre a vida moderna, a sociedade e a cultura ocidentais, o culto da sentimentalidade, a diferença entre essência individual e imagem pública individual, os conflitos entre realidade e aparência, as variedades de amor e de desejo sexual, a importância da fama e da celebridade, e a típica busca humana pela imortalidade.
Em um diálogo ficcional entre Goethe e Hemingway, este diz “Em vez de ler meus livros, escrevem livros sobre mim.”, ao que aquele responde: “A imortalidade é um eterno processo.”. Se a morte está presente na trajetória de Agnes, também está na inclusão desses personagens já mortos, mas imortais, do cânone literário. “A morte e a imortalidade”, diz Kundera, “formam uma dupla indivisível, mais bela que Marx e Engels, que Romeu e Julieta, que Laurel e Hardy”. Com a leitura de sua obra, que explora a fundo os grandes temas da existência humana, podemos afirmar que o autor de A insustentável leveza do ser já garantiu seu lugar no panteão dos imortais.

“Brilhante, mordaz, forte, hipnótico.” - The New York Times
​Quando comecei a ler "A Imortalidade", só havia um sentimento de euforia dentro de mim, afinal, tinha acabado de ler um livro (A Festa da Insignificância) do autor e adorado, logo as expectativas serem excedidas – assim pensava. Porém, sempre há alguns poréns, a obra foi se tornando pacata e um pouco confusa, o que foi me levando a algumas tentativas até abandona-lo, ainda que tenha começado outro livro do autor no mesmo período, o tão famoso "A insustentável leveza do ser".


Já aconteceu comigo, de pegar algumas fotos antigas da família e sair perguntando quem eram aqueles que estavam na foto, algumas vezes essas perguntas não recebiam respostas, porque aqueles pessoas já estavam mortas ou simplesmente porque caíram no esquecimento, como a morte por cima de outra morte. É óbvio que essas pessoas deixaram lembranças dentro de outra pessoas e até mesmo tenham feito algo em prol da sociedade, mas, que com que o tempo, está fadado ao esquecimento. Nesse romance o tema é totalmente o oposto, o autor deseja mostrar a nuance da, como o próprio título sugere, imortalidade.

"A Imortalidade" me fez amar suas 150 primeiras páginas, onde Kundera mostra ali a necessidade crível do homem em se tornar imortal, como escritores consagrados, detentores de conhecimento (físicos, matemáticos, blá blá blá), pintores, artistas, etc. Dessa forma o autor aborda uma história simples daquele que deseja alcançar a imortalidade, além de inserir, como de costume do Milan Kundera, histórias secundárias para enlaçar em apenas um enredo no final.


A medida em que o autor apresenta os personagens e decide intercalar entre o passado e o presente, o real e irreal, ficção e não ficção: em fatos corriqueiros normais, cenas simples e que nunca me deixam extasiados como os outros volumes do autor faziam. Claro, que, é uma obra densa e contém um conteúdo muito bom, mas apenas não funcionou para mim, os fatídicos se tornaram obsoletos a cada nova tentativa após as 150 páginas lidas, o sentimento filosófico perdeu o sentido para mim e não consegui mais engatar na história.

Odeio abandonar livros, contudo que o último livro que abandonei (e ainda consegui lê-lo) foi a Tormenta em 2013, mas senti que "A Imortalidade" estava me atrasando na vida literária, um embuste que estava carregando pela consciência de "não poder abandonar um clássico" e que já tinha oferecido o suficiente para seguir em frente com outras leituras – ainda acredito que uma dia retome a leitura e tenha uma ideia diferente, mas hoje é isso que ocorreu: abandonei. E o engraçado é que mesmo abandonando este livro, resolvi ainda na mesma semana começar outro livro do autor (que inclusive já terminei) e a sensação foi maravilhosa, uma leitura rica e cheia de lições para vida.

2 comentários

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