18.6.17

Resenha: "Senhor D ", de Alan Lightman

Senhor D
Um romance sobre a origem do universo
Alan Lightman
Editora Companhia das Letras, 2017
176 páginas
Depois de uma longa existência no Vazio, o onipotente Senhor D. resolve experimentar e criar o tempo, o espaço e a matéria. Aos poucos, surgem também os astros celestes, as primeiras formas de vida e os seres pensantes. E com eles, os dilemas inesperados até mesmo para o Criador - que parecia ter tudo sob controle. Como lidar com os anseios e as incertezas dessas criaturas? Qual o sentido de sua existência? Até que ponto Ele consegue - e deve - intervir nesse novo mundo? Em Senhor D., Alan Lightman constrói um romance encantador e original sobre o surgimento do universo, narrado justamente pelo responsável por criá-lo. Uma fábula que discute com delicadeza questões de ciência, filosofia, religião e de nossa existência.

Ando buscando um tipo de leitura diferente do que estou acostumado, viajando entre livros clássicos e de leitura mais rebuscada ou uma pegada diferente que me faça refletir e não apenas me divertir, a vontade de ler Senhor D veio num logo quando vi a capa e o subtítulo "Um romance sobre a origem do universo". A origem do universo sempre foi algo que me fascinou, sempre tive dúvidas sobre as teoria de criacionismo e evolucionismo, porém Senhor D não é um livro que irá responder minhas perguntas e sim unir as duas teorias para criar um romance divertido e ao mesmo tempo reflexivo.


 Alan Lightman decidiu criar um romance que conta a história de Deus e a criação de algo novo, que nem mesmo o próprio Deus sabe o que é. Mostrando como é interação de Deus e o vazio do qual ele vive, Lightman acrescenta dois personagens logo no início da sua narrativa, Tio Deva e Tia Penélope, os tios do todo poderoso, que logo servirão para adicionar perspectivas que influenciaram o sobrinho na criação de um universo. 

Em Senhor D. somos presenteados com um grande desafio para o autor que é colocar Deus como um personagem (e não apenas como personagem, mas como) narrador e trabalhar com o poder divino da criação. Nessa busca de criar um personagem divido Alan cria um Deus onipotente, mas cheio de dúvidas e anseios, que não sabe o que poderá acontecer com suas criações, mesmo sabendo as possibilidade que poderá ocorrer, tais dúvidas aumentam ainda mais quando um novo personagem é acrescentado a história, o estranho Belhor.


Ao invés de Deus apenas criar a Terra, são criados diversos universos para testes, formas e dimensões, dentre esses milhares de universo Deus decide escolher um apenas para aperfeiçoar. Durante a criação, pelos olhos divinos, somos inseridos numa dimensão que o próprio Deus não sabia que poderia ocorrer, apesar de propor a criação de algo novo, não sabia o que poderia ocorrer, não sabia como a interação das coisas poderia interferir durante sua criação, como quando criou acidentalmente o tempo ou seres com consciência de si, os seres humanos - e ainda assim somos abortados com um Deus apaixonado por suas criações intencionais ou não.


O romance contém diversas referências físicas e técnicas, mas isso não impede de que o livro seja delicioso, aliás, esse é um livro com uma linguagem objetiva e que emociona o leitor ao ver Deus tão apaixonado por sua criação, a forma como ele descreve a criação das estrelas e de algo que nem ele mesmo conhece. É um romance que fala muito sobre amor ao desconhecido, sobre amar oque é nosso e que nem sempre iremos saber ter as melhores decisões, pois não sabemos as consequências que poderão ser geradas a partir de determinada escolha. É um livro curto, porém denso. 

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