Resenha: "A Festa da Insignificância", de Milan Kundera

28 Jun 2017

A Festa da Insignificância
Milan Kundera
Editora Companhia das Letras
136 páginas
A festa da insignificância foi aclamado pela crítica e despertou enorme interesse dos leitores na França e na Itália, onde logo figurava em todas as listas de best-sellers. Lembrando A grande beleza, filme de Paolo Sorrentino acolhido com entusiasmo pelo público brasileiro no mesmo ano, o novo romance de Milan Kundera coloca em cena quatro amigos parisienses que vivem numa deriva inócua, característica de uma existência contemporânea esvaziada de sentido. Eles passeiam pelos jardins de Luxemburgo, se encontram numa festa sinistra, constatam que as novas gerações já se esqueceram de quem era Stálin, perguntam-se o que está por trás de uma sociedade que, ao invés dos seios ou das pernas, coloca o umbigo no centro do erotismo. Na forma de uma fuga com variações sobre um mesmo tema, Kundera transita com naturalidade entre a Paris de hoje em dia e a União Soviética de ontem, propondo um paralelo entre essas duas épocas. Assim o romance tematiza o pior da civilização e lança luz sobre os problemas mais sérios com muito bom humor e ironia, abraçando a insignificância da existência humana. Mas será insignificante, a insignificância?
“A festa da insignificância” foi o meu primeiro contato com algo escrito por Milan Kundera. Não tenho como comparar com outros livros do autor, mas achei inusitada a maneira como ele aborda cenas apáticas e cotidianas de uma forma tão branda e simples, ressaltando algumas vertentes durante sua história.




Ambientado em Paris o livro aborda a vida de cinco amigos franceses, pessoas que frequentam jardins, observam filas em museus, vão a festas bizarras - fatos corriqueiros que não chamam tanta atenção, aliás, nem deveriam porque o que realmente importa são os diálogos e pensamentos que o autor aborda durante seu breve livro sobre insignificâncias.
“Nós compreendemos há muito tempo que não era mais possível mudar este mundo, nem remodelá-lo, nem impedir sua infeliz trajetória para a frente. Havia uma única resistência possível: não levá-lo a sério”
O livro contém humor, personagens cômicos e piadas, porém, creio, que seja apenas para disfarçar a densidade da história, como se fizéssemos exatamente a mesma coisa que um dos personagens faz quando está com um grande problema, apaziguar tal densidade com encantos e superficialidades.



Agora, a insignificância me parece sob um ponto de vista totalmente diferente de então, sob uma luz mais forte, mais reveladora. A insignificância, meu amigo, é a essência da existência. Ela está conosco em toda parte e sempre. Ela está presente mesmo ali onde ninguém quer vê-la: nos horrores, nas lutas sangrentas, nas piores desgraças. Isso exige muitas vezes coragem para reconhecê-la em condições tão dramáticas e para chamá-la pelo nome.



Ao mesmo tempo percebo que Kundera também queria explicitar a necessidade da insignificância em nossas vidas, como se nem tudo precisasse ser significativo ou memorável - de fato é um livro que abre diversas vertentes para um diálogo. É um leitura leve, mas com grande conteúdo, recomendo muito a leitura para quem procura um livro com uma escrita fluída, mas com assuntos bons para uma conversa, com fascínio fico pelos próximos livros. 

1 comentários:

  1. Eu não conhecia o livro, e também não tinha conhecimento sobre tal autor... Mas, me despertou curiosidade depois da sua resenha. Eu amo livros com vários personagens e ainda mais quando tem um foco com amizades. Vou procurar para ler, obrigada pela indicação.

    Daniele

    Dezesseis

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