Bloco de Notas IV

26 Jun 2017


Sempre houve uma facilidade em escrever sobre amor, sobre romanizar a despedida, tornar um sentimento triste em palavras bonitas e apaixonadas. Sempre houve a facilidade em lembrar das coisas boas e apaziguar o lado dolorido. Essa facilidade se veio com o tempo, ainda nos primeiros anos do ensino regular. Escrever sobre o incompreendido, me fez perceber a quantidade de pessoas que buscam e que desejam de alguma forma, indireta ou diretamente, um lugar para repousar o coração, a segurança de uma cama quente e os dedos entrelaçados em mais um pôr-do-sol.

E após anos falando sobre amor, a única certeza que tenho a dizer é: que não será fácil. Ninguém disse que iria. Não sei se a tecnologia modificou como as pessoas lidam com os sentimentos, assim como também não sei se no tempo dos meus avós eles se casavam por puro amor. Devo acrescentar minha própria experiência a esse texto e dizer que procurei amor em lábios superficiais, em palavras cheias de entusiasmos, em atitudes que me deixaram de boca aberta.

E se encontrei amor, eu não sei. Porque é algo inexplicável, não consigo entender o porquê uma mãe ama seu filho e seu filho a ama de volta, simplesmente acontece. Então é claro que há amor, existe amor nos beijos desconhecidos, nas frases pontuadas com reticências e nas tentativas de aceitar e ser aceito. Porque isso, que chamamos de amor, não se distingue perante o tempo de relacionamento, não há método e nem precisa haver regras, passa de pessoa para pessoa. Amor, aliás, é o que nos mantém vivo.

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