16.5.17

Resenha: "Vozes de Tchernóbil", de Svetlana Aleksiévitch

Vozes de tchernóbil
A história oral do desastre nuclear
Svetlana Aleksiévitch
Editora Companhia das Letras, 2016
384 páginas
"Em abril de 1986, uma explosão na usina nuclear de Tchernóbil, na Ucrânia então parte da finada União Soviética , provocou uma catástrofe sem precedentes: uma quantidade imensa de partículas radioativas foi lançada na atmosfera e a cidade de Pripyat teve que ser imediatamente evacuada. Tão grave quanto o acidente foi a postura dos governantes soviéticos, que expunham trabalhadores, cientistas e soldados à morte durante os reparos na usina. Pessoas comuns, que mantinham a fé no grande império comunista, pereciam após poucos dias de serviço. Por meio das vozes dos envolvidos na tragédia, Svetlana constrói este livro arrebatador, que tem a força das melhores reportagens jornalísticas e a potência dos maiores romances literários. Uma obra-prima do nosso tempo. "
Quando estudamos acontecimentos históricos não temos a dimensão de como aquele fato afetou cada indivíduo, ou como aquele acontecimento foi determinante e modificou as vidas afetadas. É esse um dos grandes trunfos de Vozes de Tchernóbil. Svetlana fez um grande trabalho jornalístico e de apuração para escrever o livro que conta em detalhes sobre o desastre nuclear de Tchernóbil em 1986. A autora recolheu relato de diversas pessoas, como passou a ser o cotidiano delas, como superaram, quais suas opiniões, e os desdobramentos da explosão que chocou o mundo, e principalmente a Ucrânia.

Alguns relatos trazem à tona a doçura dos sentimentos humanos, a esperança e a capacidade de resiliência dos seres humanos, enquanto outros, mostram de forma pungente as dores e tragédias da vida. Dessa forma, a obra traz diversas histórias, não se concentrando em um só personagem, mas sim em uma galeria de indivíduos e seus conflitos.
“Sempre que os venho ver, trago dois buquês: um para ele, o segundo eu ponho num cantinho para ela. Eu me arrasto pela tumba, sempre de joelhos... Eu a matei... Fui eu... Ela... Ela me salvou ... A minha filhinha me salvou. Recebeu todo impacto radioativo, foi uma espécie de receptor desse impacto. Tão pequenininha. Uma bolinha. Ela me salvou. Mas eu amava os dois. Será... Será possível matar com amor? Com um amor como esse! Por que andam juntos , amor e morte? Estão sempre juntos. Alguém pode explicar? Alguém tentaria?”

Em 2015, Svetlana recebeu o Prêmio Nobel da Literatura e em 2016 visitou o Brasil, fazendo parte da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), sendo o Vozes de Tchernóbil um dos livros mais vendidos da feira. Quem tiver interesse, existe um vídeo com a mesa que a autora participou e debateu sobre o processo de escrita, o livro e seu trabalho:



A leitura de Vozes de Tchernóbil é uma daquelas que transformam para sempre a visão sobre um tema, principalmente por mostrar histórias reais tão brutais e sobre um tema tão pouco explorado. Da mesma forma que Hiroshima de John Hersey entrou para a história do jornalismo literário e da literatura em si, Vozes de Tchernóbil também cumpre o papel de honrar a história de pessoas que sobreviveram a uma catástrofe sem precedentes, e que transmitem suas histórias através das páginas de uma obra primorosa.

Um comentário

  1. Claroooooo que o novo layout ficou lindo!!!! ehheheh amei blog de cara nova ;) beijos

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