Resenha: "Um menino em um milhão", de Monica Wood

Um menino em um milhão
Monica Wood
Editora Arqueiro
352 páginas
Quinn Porter é um guitarrista de meia-idade que nunca conseguiu deslanchar na carreira. Enquanto aguardava sua grande chance na música, foi um marido e pai ausente, e jamais conseguiu estabelecer um vínculo afetivo com o filho, uma criança obcecada pelo Livro dos Recordes e algumas peculiares coleções.

Quando o menino morre inesperadamente, alguém precisa substituí-lo em sua tarefa de escoteiro: as visitas semanais à astuta Ona Vitkus, uma centenária imigrante lituana.

Quinn assume então o compromisso do filho durante os sete sábados seguintes e tenta ajudar Ona a obter o recorde de Motorista Habilitada Mais Velha. Através do convívio com a idosa, ele descobre aos poucos o filho que nunca conheceu, um menino generoso, sempre disposto a escutar e transformar a vida da sua inusitada amiga. Juntos, os dois encontrarão na amizade uma nova razão para viver.

Um Menino em Um Milhão é um livro sensível, poético e bem-humorado, formado por corações partidos e aparentemente sem cura, mas unidos por um elo de impressionante devoção pessoal.

Este é um livro sobre extremos. Um garoto muito jovem, apenas 11 anos, morto por uma doença rara - cercado de gente que o amava e outros que não o compreendiam. Do outro lado, uma senhora centenária, 104 anos, - sozinha e abandonada com suas memórias ainda tão vívidas apesar dos muitos anos vividos. Ambos peculiares, cheios de qualidades as vezes consideradas estranhas e com uma amizade que nem os muitíssimos anos de idade entre eles fez qualquer diferença. A história dos dois começa quando o menino entra para o grupo de escoteiro e descobre que precisará ajudar Ona Vitkus, todos os sábados durante algum tempo, para cuidar do seu jardim, dar comida aos pássaros e ajuda-la no que ela precisasse. Ona Vitkus era uma senhora muito velhinha, e morando sozinha, precisava da ajuda de todos os grupos que se dispusessem a ajudar. Foi daí que surgiu uma grande amizade entre os dois.

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Porém, em um dos sábados, o menino sempre tão pontual não apareceu. Ona preocupou-se, mas também ficou bastante irritada, afinal suas experiências com os jovens foram sempre frustadas, pois eles nunca cumpriam com o planejado. Dessa vez, a ideia de ser abandonada pelo menino a deixou ainda mais magoada, porque ele parecia ser diferente de todos os outros. Mas, Ona foi surpreendia por Quinn, o pai do menino - que apareceu durante um sábado, cheio de remorso e culpa, tentando terminar o trabalho do filho. O que Ona não sabia - e só saberia mais tarde, por meio dos jornais, - era que o menino havia falecido e o pai estava ali apenas por sentir-se culpado demais, afinal nunca foi um pai presente.

Por meio de Ona, Quinn começa a conhecer seu filho e percebe o quanto perdeu. Guitarrista sonhador, Quinn sempre colocou o sonho acima da família - e Belle, a mãe do menino e sua ex-mulher, não conseguiu suportar o casamento, já que sua vida na estrada parecia não ser apenas uma fase. Quinn nunca conseguiu compreender o menino e sempre questionava sua falta de jeito até pra andar e o modo como ele era apaixonado por contagens e o livro dos records. Ajudando Ona e conversando com ela, o laço entre os dois também começou a ser sólido e como pai ele finalmente conseguiu compreender o filho, apesar de ser tarde demais. Quinn também compreendeu que não podia ter controle sobre seus sentimentos e que Ona não seria apenas uma fase em sua vida, não poderia apenas terminar o trabalho do filho e deixa-la pra trás. Ona agora era sua amiga e após conhecer o sonho em conjunto dela e de seu filho de colocá-la no livro dos records, Quinn e Belle percebem que ainda podem fazer algo pelo menino e é assim que começa a aventura em busca de torna Ona imortal, dando a ela uma página no livro dos records.



Um menino em um milhão é um drama muito bem escrito, daqueles que nos prende do início ao fim e que tem uma mensagem tão bonita de amor e compreensão do outro, que me deixou emocionada e reflexiva em muitos momentos. Somos programados a achar que a vida tem um início e o fim vem com o tempo - crescemos, procriamos e só então, morremos. Com essa leitura, apesar de dolorosa muitas vezes, compreendemos que o tempo não é algo que controlamos e que devemos amar e cuidar das pessoas enquanto podemos.

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