29/04/2017

Resenha: "Garota em Pedaços", de Kathleen Glasgow

Garota em pedaços
Kathleen Glasgow
Editora Outro Planeta
384 páginas
Além de enfrentar anos de bullying na escola, Charlotte Davis perde o pai e a melhor amiga, precisando então lidar com essa dor e com as consequências do Transtorno do Controle do Impulso - um distúrbio que leva as pessoas a se automutilarem. "Viver não é fácil". Quando o plano de saúde de sua mãe suspende seu tratamento numa clínica psiquiátrica - para onde foi após se cortar até quase ficar sem vida -, Charlotte Davis troca a gelada Minneapolis pela ensolarada Tucson, no Arizona (EUA), na tentativa de superar seus medos e decepções. Apesar do esforço em acertar, nessa nova fase da vida ela acaba se envolvendo com uma série de tipos não muito inspiradores.

Cansada de se alimentar do sofrimento, a jovem se imbui de uma enorme força de vontade e decide viver e não mais sobreviver. Para fugir do círculo vicioso da dor, Charlotte usa seu talento para o desenho e foca em algo produtivo, embarcando de cabeça no mundo das artes. Esse é o caminho que ela traça em busca da cura para as feridas deixadas por suas perdas e os cortes profundos e reais que imprimiu em seu corpo.

Não foi fácil ler esse livro, nem conhecer Charlie - a protagonista dessa história nada feliz. Tinha acabado de ler e assistir "13 reansos why" e a carga sobre esse assunto pesadíssimo estava ainda marcando minha alma e deixando meus pensamentos todos voltados pra esse tema, por isso resolvi começar logo a ler esse livro, apesar de agora achar que devia ter respirado mais um pouco antes.

Charlie sofre de Transtorno do Controle do Impulso e por isso, se automutila pra tentar encontrar alívio nas dores que carrega por dentro. Após quase se matar com cortes profundos nos braços e pernas, Charlie passa a viver em uma clínica psiquiátrica e apesar de lá ser conhecida como "Sue Silenciosa", por quase nunca falar com ninguém sobre coisa alguma, ela sente-se grata por estar lá e por pelo menos ter um teto sobre sua cabeça. Com apenas dezessete anos Charlie passou por traumas horríveis, perdeu o pai e a melhor amiga e desde então não tem uma relação agradável com a mãe. Já precisou morar na rua e apesar de ter amigos que a amassem, todos eles também tinham problemas grandes demais pra lidar.




Eu me corto porque não consigo lidar com as coisas. É simples assim. O mundo se torna um oceano, o oceano cai em cima de mim,
o som da água é ensurdecedor, a água afoga meu coração, meu pânico fica do tamanho do mundo. Preciso de libertação, preciso me machucar mais do que o mundo pode me machucar. Só assim posso me reconfortar.

Depois que o tratamento na clínica é suspenso, Charlie por um segundo acredita que talvez volte a morar com a mãe e ver as coisas dando certo, mas é só encontrá-la para perceber que essa relação seria impossível. Dessa forma, ajudada pelo amigo Mikey ela voa pela primeira vez rumo a Tucson, na tentativa de começar do zero.

Infelizmente Charlie encontra um mundo de novas decepções. Mikey tem uma namorada e o único emprego que consegue é lavando pratos, tendo que conviver com pessoas tão complicadas quanto ela. Riley, irmão da dona do café em que ela trabalha e também um dos empregados, é um dos sinais de que talvez ela não consiga chegar onde precisa e deseja.

As pessoas deviam saber sobre nós. Garotas que escrevem a dor que sentem nos corpos.

Esse livro é simplesmente incrível. Automutilação e suicídio são temas que ultimamente têm sido muito abordados, mas ainda não havia lido algo tão duro, cruel e forte quanto Garota em Pedaços. Não houve romantização, nem um final cem por cento feliz. É só a verdade nua e crua sobre esse tema tão triste e que precisa ser discutido e levado muitíssimo a sério. Muitas vezes senti vontade de abraçar Charlie, coloca-la no colo e dizer que ela era mais forte do que aquilo. E quão forte ela mostrou ser! Esse livrou marcou minha alma. Tornou-se favorito não por ser uma história bonita e feliz - talvez eu nunca consiga relê-lo - mas de fato não vou precisar, porque vai ser impossível esquecer essa história.

27/04/2017

Resenha: "Tudo que eu queria te dizer", de Martha Medeiros

Tudo o que eu queria te dizer
Martha Medeiros
Alfaguarda, 207
193 páginas
Em "Tudo que Eu Queria te Dizer", Martha Medeiros encarna personagens que assinam cartas reais, trágicas, por vezes cômicas, devastadas por sua dor. Em comum, as personagens deste livro têm a verdade de quem atravessa um ponto de virada em suas vidas e resolve colocar as cartas na mesa.
Conheço Martha Medeiros por causa do facebook, você provavelmente a conhece por aí também, todo mundo conhece Martha Medeiros e o trabalho que essa mulher faz com as palavras. Óbvio que quando surgisse uma oportunidade eu iria lê-la – e li.



Tudo que eu queria te dizer é uma "coletânea" de textos da autora, espécie de livro que contém diversas cartas sobre a vida, a vida dos outros e peculiaridades (ordinárias) de cada um. Eu gostei desse livro até metade, porque depois ele começa a decair e se tornar um pouquinho tenso. E quando digo tenso quero dizer chato. E quando digo chato quero dizer que quase abandonei:

Numa dessas conversas de ônibus em que sempre encontro uma amiga para fofocar ou refletir sobre a vida, cheguei ao ponto de que o homem tem uma facilidade muito grande para se nortear para o lado negativo, que ser sincero ganha destaque para falar mal ou revelar aquilo que sempre teve guardado. As cartas escritas sob diversas perspectivas me irritaram profundamente porque quase todas, se não todas, falavam da vida ou de momentos com um pesar nas palavras. Senti falta de uma carta feliz, que me fizesse rir ou que acalentasse o coração. Para mim, "tudo o que eu queria dizer" se remete a sinceridade e ser sincero não é apenas enxergar os momentos ruins, as decepções ou mandar alguém ir se f^#%* por estar com aquilo preso na garganta.



Eu ri em algumas páginas até que começou a ficar repetido demais, tragédias demais e eu percebi que nem sempre o autor acerta ou toca seus leitores da forma que planejou, pelo menos não me senti tocado por meia dúzia das cartas de Martha. A vida já está triste demais com essas guerras, com a tecnologia e com o capitalismo exacerbado, não quero ver novelas de filhos contra pais, não quero ver gente morrendo por besteira e não quero ler um livro de problemas alheios. Me desculpe Martha, mas não gostei do seu livro e você já deve ter percebido por essa resenha, que está mais para um desabafo.



Martha você escreve bem, muito bem aliás. As cartas são escritas por diversas perspectivas – que coincidem com diversos personagens e linguagens, algumas bruscas outras mais sensatas. Alguns "personagens" trazem até mesmo alguma familiaridade, pelo jeito que são descritos ou escrevem. Mas esse não é um livro que recomendo, porque não vejo como irá ajudar alguém algum dia, não é divertido (apenas no começo) e já sabemos que a vida não é divertida o tempo todo, não precisamos ler um livro para saber que todos temos problemas, nem ver um filme, novela, teatro para jogar na nossa cara que algumas coisas na vida são complicadas.

Obrigado, mas dessa vez vou deixar passar suas palavras, Martha. Isso era tudo o que eu queria te dizer.

25/04/2017

Resenha: "Hilda e o Troll", de Luke Pearson

Hilda e o Troll
Luke Pearson
Quadrinhos na Cia, 2017
40 páginas
Hilda adora aventuras, seja acampar numa noite chuvosa ou explorar a paisagem montanhosa nos arredores de casa. Durante uma expedição pelas colinas, ela encontra uma pedra muito suspeita: de dia, é apenas uma rocha engraçada, mas à noite se transforma num troll! Enquanto faz um desenho no caderno para registrar sua mais nova descoberta, Hilda acaba pegando no sono, e, ao acordar, o troll desapareceu. Agora, no caminho de volta para casa, Hilda terá de lidar com uma floresta assustadora, um gigante perdido, um homem de madeira misterioso e um sino tilintante. Inspirado no folclore nórdico, este quadrinho de cores vivas mistura realidade e fantasia para criar um universo deslumbrante, de onde crianças e adultos não vão querer sair.
Hilda e o troll é um daqueles quadrinhos leves e mega fofos, decidi lê-lo por causa da capa (o que não é novidade por aqui). A história é bem simples, com quarenta páginas fica complicado contar muita coisa, creio que esteja iniciando uma série de quadrinhos sobre a vida peculiar de Hilda.


Os cartoons são muito fofinhos, detalhados e possuem uma paleta de cores que eu amo – contraste de turquesa com vermelho, por exemplo. Desde a primeira até a última página encontramos uma harmonia, a história se desenrola com calma. E em breves páginas conhecemos um pouquinho da vida de Hilda, lendas que assustam a protagonista e o troll, obviamente.


Esse é um daqueles livros que coloco na segunda prateleira debaixo para cima, porque é onde meu irmão mais novo alcança e sempre conseguirá pegar essa fofura de exemplar para ler, rir e deixar os olhinhos brilhando com as cores das páginas – por mais que ele não saiba ler, ele se interessa e sei que devo ler esse livro mais duas ou três vezes para ele (e depois para minha irmã mais nova quando ela começar a entender o que estou dizendo hihi). Altamente recomendável para meninos de 1 à 80 anos, afinal, nunca é tarde demais para apreciar quadrinhos bem feitos, nunca será tarde demais para apreciar arte.


21/04/2017

it's birthday


my bday is your bday, c'mon. :)

20/04/2017

Resenha: "Sopa de Salsicha", de Eduardo Medeiros

Sopa de Salsicha
Eduardo Medeiros
Quadrinhos na Cia, 2016
170 páginas
Contando com uma legião de fãs na internet, Sopa de salsicha é a crônica do dia a dia de Eduardo Medeiros, um talentoso quadrinista metido em encrencas clássicas: aperto financeiro, mudanças de lar e um difícil projeto pela frente. O projeto é este romance gráfico, um trabalho de fôlego em que Medeiros narra, com ajuda da indefectível Baixinha e de outros quadrinistas, suas aventuras diárias e seus embates com o processo criativo, a vida nova em Florianópolis e as visitas de um Michael Bolton que talvez esteja tentando conquistar a sua mãe. Um dos mais talentosos nomes do novo quadrinho brasileiro numa história surpreendente sobre amadurecimento, mudanças importantes e chuveiros apertados.
Por mais que tenha lido e resenhado diversos quadrinhos aqui, nunca sei bem como começar a resenha. Talvez começar falando da diagramação, da capa, da arte, da historia ou até mesmo da palheta de cores. Sopa de Salsicha é um desses quadrinhos que quero falar de todas as coisas ao mesmo tempo, o livro conta a história de Eduardo Medeiros e seu grande processo criativo para escrever (ou desenhar) o livro que vos resenho.


A história vem pautada, além do próprio autor, com a esposa e alguns amigos da vida real. Conseguimos perceber aqui, com exatidão, a influencia de como pessoas que amamos tem sobre nossas artes ou processos criativos – uma coisa que tenho vivenciado diariamente. O livro, uma autobiografia, inicia com a apresentação de quem o escreve; continua com as mudanças de cidade ou a necessidade de encontrar algo sobre o que falar no livro dessa resenha.

É um livro esteticamente lindo e bem escrito, apesar de não ser uma história totalmente continua, o leitor consegue nas páginas uma sinceridade do autor. Sopa de Salsicha, é, riam (e desculpe pela piada), uma verdadeira sopa de momentos da vida do autor. Chega até mesmo ser um livro engraçado, sem motivo para ser escrito, mas apenas ter sido escrito – como quem precisa escrever uma carta de desabafo só para se sentir bem. Então o autor consegue apresentar uma simplicidade atoa na sua escrita/desenho, tornando esta obra um momento de lazer gostoso, que pode ser lido em poucas horas (ou minutos).



Comecei a ler Sopa de Salsicha por dois motivos, (1) é um quadrinho de capa muito bonita e (2) é de um autor brasileiro; o segundo motivo me deixou muito feliz, porque saber que o Brasil tem pessoas com uma técnica, conhecimento e vontade como Eduardo Medeiros, me deixa feliz. Quanto ao primeiro motivo, não é apenas a capa que é bonita os quadrinhos casam entre si, a palheta de cores parece ser escolhida com delicadeza. É um livro simples, sem uma grande história, porem é bonito e sincero, leia sem pretensão e não se arrependerá. Eu não me arrependi.

16/04/2017

Não compre qualquer chocolate



Agora que comecei a escrever esse texto, estou comendo o chocolate qualquer que comprei no começo da semana. A ideia de escrever esse texto me veio ontem, quando comi o primeiro pedaço de um chocolate que nem gosto tanto assim, porque ele é doce demais ao leite e eu prefiro chocolates amargos. E fiquei pensante ao estar comendo um chocolate que nem me atrai tanto assim, mas ter comprado mesmo assim para comer outro dia

Comprar um chocolate que não é o meu favorito me fez perceber como tenho levado as coisas no automático, como tenho pagado coisas, como tenho dado os mesmos bom dias, como tenho apenas vivenciado uma repetição finita das mesmas coisas. Consigo perceber que o chocolate é, agora, todas as coisas que compro ou deixo de comprar, não estou falando de coisas comestíveis por mais que seja taurino, estou falando das coisas que a gente decide comprar: como uma briga na fila de ônibus, como uma amizade baseada em negócios ou um relacionamento sem gosto.

Essas palavras não são sobre arrependimento por ter comprado o chocolate errado, pelo contrário, são palavras de quem olha para a própria decadência, de não conseguir filtrar as coisas que entram ou saem da minha vida. Algum dia iremos comprar um chocolate qualquer quase sem perceber, por estarmos arrasados com a vida, com os problemas mundiais ou por cansaço. O chocolate pode ser um amor meio bosta, uma amizade sem açúcar que você arrasta dentro da bolsa para o momento de diversão, um chocolate que não te preenche e nem te deixa satisfeito.

Quantos de nós já não comprou um chocolate errado por não conseguir escolher ou por não pensar direito? Você pode até palpitar: "chocolate é tudo a mesma coisa", mas sabemos que não: Hershey é diferente de Alpino, que é diferente de chocolate Belga, que é diferente de Garoto. E existe sempre um que a gente gosta mais, não tem como falar "qualquer um, por favor", (1) porque você está pagando e (2) você pode escolher. Quando tiver a oportunidade de escolher, como eu tive, escolha o chocolate que goste mais, o amargo no meu caso.

Escolha quanto é tempo, não compre um chocolate qualquer, não compre três que não goste por estar em promoção. Compre o que você quer, porque sem dúvidas, isso te fará bem.

13/04/2017

Resenha: "Segredos de Uma Noite de Verão", de Lisa Kleypas

Segredos de uma noite de verão
As quatro estações do amor, livro 01
Lisa Kleypas
Editora Arqueiro
288 páginas
Apesar de sua beleza e de seus modos encantadores, Annabelle Peyton nunca foi tirada para dançar nos eventos da sociedade londrina. Como qualquer moça de sua idade, ela mantém as esperanças de encontrar alguém, mas, sem um dote para oferecer e vendo a família em situação difícil, amor é um luxo ao qual não pode se dar. Certa noite, em um dos bailes da temporada, conhece outras três moças também cansadas de ver o tempo passar sem ninguém para dividir sua vida. Juntas, as quatro dão início a um plano: usar todo o seu charme e sua astúcia feminina para encontrar um marido para cada, começando por Annabelle. No entanto, o admirador mais intrigante e persistente de Annabelle, o rico e poderoso Simon Hunt, não parece ter interesse em levá-la ao altar apenas a prazeres irresistíveis em seu quarto. A jovem está decidida a rejeitar essa proposta, só que é cada vez mais difícil resistir à sedução do rapaz. As amigas se esforçam para encontrar um pretendente mais apropriado para ela. Mas a tarefa se complica depois que, numa noite de verão, Annabelle se entrega aos beijos tentadores de Simon... e descobre que o amor é um jogo perigoso. No primeiro livro da série 'As Quatro Estações do Amor', Annabelle sai em busca de um marido, mas encontra amizades verdadeiras e desejos intensos que ela jamais poderia imaginar.

Segredos de Uma Noite de Verão é o primeiro volume da série Quatro Estações do Amor, um romance de época que se passa em Londres e conta a história de quatro amigas - Annabelle, Lilian, Dayse e Evie. A caça aos maridos começou para elas, mas para as quatro essa empreitada anda bastante complicada de ser bem sucedida. Em um dos bailes, cansadas de estarem sempre sentadas sem ao menos serem convidadas à uma dança, elas resolvem unir-se e inventam um plano para que todas consigam um bom marido, de preferência um cavalheiro que pertencesse a nobreza. Por Anabelle ser a mais velha entre elas, decidem começar seus planos casamenteiros por ela.



Annabelle é belíssima e posta-se como uma dama, o problema é que não tem um dote para oferecer ao possível noivo, o que dificulta que qualquer homem aproxime-se dela. Desde que o pai faleceu, Annabelle, a mãe e o irmão vivem de forma precária. Seus vestidos estão todos gastos e velhos, a comida é escassa e, por esse motivo, a mãe precisa se submeter a situações inimagináveis para que as contas sejam pagas. Disposta a acabar com o sofrimento da mãe e continuar dando a oportunidade de estudo ao irmão, Annabelle deixa os sonhos de casar-se por amor de lado e se dispõem a fazer o que for preciso pra casar-se com um nobre e dar à família uma vida digna.




Apesar de os planos das amigas "solteironas" - como elas mesmo se intitularam - estarem indo muito bem, Simon Hunt - um homem riquíssimo, trabalhador e cheio de charme, porém sem um título da nobreza -, promete perturbar a cabeça e o coração de Annabelle. Tendo todos os convites de uma dança recusados por ela, Simon não desiste. Porém, apesar da grande atração que evidentemente sente por Annabelle, Simon deixa claro que suas intenções são apenas de serem amantes, pois não enxerga-se como marido, apesar de prometer proporcionar-lhe todo o dinheiro que ela precisasse. Obviamente, Annabelle jamais aceitaria a proposta de Simon. Até que, após acontecer um acidente com Annabelle, Simon mostra-se preocupadíssimo e ajuda a moça da melhor maneira possível, percebendo o quanto se importa com ela e deixando transparente seus sentimentos.

Com o desenrolar da história, pouco a pouco os muros construídos por Annabelle e Simon vão sendo derrubados e tensão sexual entre eles é gigantesca, quase como se um imã os puxassem e repelissem, na mesma proporção. É um romance muito bem construído e o que mais me deixou surpresa é que a história não tem um final convencional ou uma paixão arrebatadora que surge do nada. O amor foi sendo construído de uma forma tão bonita e verdadeira, que foi impossível não torcer muito pros dois se acertarem e ficarem bem. Estou bem ansiosa pros próximos volumes e pra ver todas as outras três amigas casadas e felizes.

10/04/2017

E não foi pelas quantidades de vezes que te amei que acabou


Eu que já pensava que não havia mais motivos para seguir com essa vida, não estou dizendo que você é o motivo, mas você foi um dos motivos. Chegou numa hora que estava cega, que precisava de atenção, então você veio com uma conversa meio sem graça, que ri por educação. Você forçou mais do que imaginei, estava empenhado em me conquistar naquela noite e se eu desse uma chance poderia até conhecer o cara legal que você é. E eu dei.

Fui surpreendida por aquele sorriso branco e uma mão quente, que abraçou meu corpo e minha alma. Aos poucos as conversas se prolongaram na semana, nos finais de semana, renderam alguns meses. Os beijos tomaram perspectiva e também surgia um silêncio entre a gente, um silêncio que parecia necessário; porque isso existe, não ter assunto, mas eu estava ali presente, mesmo que abrindo a conversa e tornando-a fechar naquela rede social que hoje se encontra desativada. 

O silêncio, uma vez, se prolongou por dias, até virar semanas. Parece abrupto, mas essa é a verdade, com nesse texto. Percebi que a mão quente estava fria e o sorriso mais apagado, você queria ir. E eu queria te amar, queria que você estivesse na manhã gelada de domingo ou na sexta a noite, quando eu chego cansada do trabalho ou estressada por causa da faculdade. E quanto mais você se distanciava, mas eu queria lhe trazer para perto, para onde eu estava, para onde eu poderia tornar seguro para você e, para mim.

Você se afugentou nas desculpas dos problemas caseiros, da correria diária, da falta de dinheiro. Mas a sua resposta ao meu amor era o seu silêncio, eu sabia. E não foi porque o amei demais, porque doei-me demais que acabou. Com o seu silêncio, aprendi que amar você é o problema meu e não lhe diz respeito. Porque amar o seu cabelo quando você acorda ou o cheiro da sua pele quando você sai do banho, o jeito como você folheia a revista ou como faz ondinhas enquanto dirijo porque você bebeu na festa de aniversário da minha amiga da quinta série. Porque amar você, secretamente, jamais faria com que você fosse embora. 

E por amar você e amar seu jeito estúpido de fazer antes de pensar, não consigo lhe prender a mim. Porque eu jamais seria feliz se você estivesse aqui apenas por minha causa. Não sei se um dia você irá voltar, espero que não volte. Porque estou arrumando os furos que você deixou, preenchendo minha rotina que você preenchia e encontrando alguns velhos amigos.  

Sinto que estou pronta para me deixar ir, em meses, para acabar com o silêncio que guardei para o meu amor. Um amor grande, por sinal, que você quase silenciou um dia, será dado a alguém que o queira ouvir.

09/04/2017

Uma (primeira) lista de desejados

Uma wishlist porque eu mereço um presentinho. E porque falta muito menos de um mês para o meu aniversário, presta atenção!



01. Contei pra vocês (engraçado falar isso) a minha trágica história de perda, com isso, para me recuperar, precisei acrescentar como desejados essa e essa maravilhosidades da UiGafas! // 02. Comprei uma calça preta há dois anos, ela esta cinza. Sem mas. // 03. Eu tinha um cachecol, mas ele sumiu. Nunca mais o encontrei, preciso de um novo! // 04. Pelo mesmo motivo, amo roupas de frio, então, um sobretudinho preto na lista // 05. 06. 08. Em busca de livros de fotografia: O Olhar do Fotógrafo, Gênesis e Magnum Stories // 07. Preciso de um novo moleskine para continuar minha colagem de plantas secas // 09. Esse é o mais caro, mas é meu sonho desde quando encostei numa mesa digitalizadora.

Nunca havia feito uma wishlist antes, mas adorei, juro que não acontecerá com tanta frequência.

Já está liberado, não precisa ter vergonha aceito qualquer.

06/04/2017

Resenha: "Princesa de Papel", de Erin Watt

Princesa de Papel
The Royals, livro 01
Erin Watt
Editora Essência
368 páginas
O primeiro livro da série The Royals, a nova sensação new adult dos EUA. Ella Harper é uma sobrevivente. Nunca conheceu o pai e passou a vida mudando de cidade em cidade com a mãe, uma mulher instável e problemática, acreditando que em algum momento as duas conseguiriam sair do sufoco. Mas agora a mãe morreu, e Ella está sozinha. É quando aparece Callum Royal, amigo do pai, que promete tirá-la da pobreza. A oferta parece tentadora: uma boa mesada, uma promessa de herança, uma nova vida na mansão dos Royal, onde passará a conviver com os cinco filhos de Callum. Ao chegar ao novo lar, Ella descobre que cada garoto Royal é mais atraente que o outro – e que todos a odeiam com todas as forças. Especialmente Reed, o mais sedutor, e também aquele capaz de baixar na escola o “decreto Royal” – basta uma palavra dele e a vida social da garota estará estilhaçada pelos próximos anos. Reed não a quer ali. Ele diz que ela não pertence ao mundo dos Royal. E ele pode estar certo.
Princesa de Papel é o primeiro volume da série The Royals, um livro totalmente apaixonante. Ella Harper tem apenas dezessete anos e desde que a perdeu a mãe para o câncer tem de se virar como pode para sobreviver. Pulando de escola em escola, guardando o segredo de que é órfã para não ser jogada em um abrigo, ela vive dos strip-teases que faz à noite. Usando os documentos da mãe, Ella Harper é uma striper de 34 anos muito bem conservada. Até que surge um novo cliente, uma dança particular, em um sala vip. O cliente, nada mais é, que Callum Royal, a quem Ella conheceu e descobriu ser seu tutor legal e um dos melhores amigos do pai que ela nunca conheceu - e que também já havia falecido.



Apesar de resistir bastante antes de ser levada por Callum, Ella o acompanha após ouvir a oferta daquele homem aparentemente milionário. Ele estava disposto a dar-lhe bastante dinheiro, casa, comida e roupa lavada. Tudo isso apenas para que ela estudasse e se formasse com louvor no ensino médio. Além do dinheiro, ele lhe ofereceu uma família, uma chance de viver bem, sem precisar submeter-se a nenhum risco.

Porém, ao chegar a mansão em que os Royal viviam, Ella conhece os cinco filhos de Callum. Os herdeiros Royal são simplesmente os garotos mais atraentes e sexys do mundo - ao menos do mundo de Ella. O problema é que eles não estão nada felizes com a nova irmã, pois acreditam que ela não passa de uma aproveitadora, interessada na fortuna do pai. Disposta a não perder tudo que lhe estava sendo oferecido - incluindo uma possível herança deixada pelo pai - ela decide ficar, mesmo sendo humilhada pelas pessoas da nova escola e pelos novos "irmãos", afinal já tinha enfrentado situações muito piores e sobreviveu.



Com o passar do tempo e da convivência, Ella vai ganhando a confiança dos Royal e podemos perceber o quão maravilhosos eles são. A proteção que ergueram para ela, a preocupação - muitas vezes mascarada - e o amor que foi surgindo entre eles faz o leitor suspirar e se apaixonar perdidamente pela singularidade de cada personagem. Reed, sem dúvidas, é meu Royal favorito - de Ella também, com certeza. Mas Easton - cheio de gracinhas -, Gideon e os gêmeos também ganharam meu coração de uma forma inexplicável.

Confesso que tentei desacelerar a leitura para não acabar logo, de tão apegada que fiquei a essa história. Mas não consegui. A história acaba em um momento que me deixou puxando os cabelos de frustração, o que me deu - obviamente - ainda mais vontade de continuar lendo essa série maravilhosa. A dica é: Não comece a ler este livro se não tiver tempo suficiente para virar a noite. Você não vai conseguir larga-lo.

04/04/2017

Resenha: "O amor dos homens avulsos", de Victor Heringer

O amor dos homens avulsos
Victor Heringer
Companhia das Letras, 2016
160 páginas
No calor de um subúrbio carioca, um garoto cresce em meio a partidas de futebol, conversas sobre terreiros e o passado de seu pai, um médico na década de 1970. Na adolescência, ele recebe em casa um menino apadrinhado de seu pai, que morre tempos depois num episódio de agressão. O garoto cresce e esse passado o assombra diariamente, ditando os rumos de sua vida. Essa história, aparentemente banal, é desenvolvida com maestria ficcional e grandeza quase machadiana por Victor Heringer. Dono de uma prosa fluente e maleável, além de uma visão derrisória da vida, o autor demonstra pleno domínio na construção de cenas e personagens. E emociona o leitor com sua delicada percepção da realidade.
Tem dia que eu acordo e pego as recomendações dos outros e coloco na lista de desejados, assim, sem saber o que se fala, do que se trata e se eu vou gostar. Num desses dias que acordo anotado recomendações, Paulo joga sua recomendação na rede social do pássaro e eu anoto na lista. Não tardou o livro chegar na minha casa, nem para começar a ler, nem para terminar de ler, tardou mesmo foi vir escrever sobre a história, que não é fácil de ser transcrita.


"O amor dos homens avulsos" possui uma escrita ácida e madura, que exige do leitor, se este for como eu, uma atenção ou até mesmo cuidado ao ler os versos escritos quase em tom de poesia e desabafo. Camilo, o narrador, já velho, joga seu sentimento a mordaça, sem pena de si e do leitor, sem pedir licença afunda-nos numa pequena depressão, sem dó. Então ele fala sobre o melhor momento de sua vida: a infância, o primeiro amor; e também sobre como aquilo mudou sua vida para sempre e, talvez, tenha tornado embuste e solidão na velhice.


Durante as páginas conhecemos três personagens principais, para mim, um é Camilo, quem narra; Cosme, o sofredor da narrativa e uma criança. Creio que a inserção deste terceiro seja para dizer o passado do narrador, ao se deparar com uma criança Camilo divaga sobre a própria juventude, os meninos do bairro e seu amor por Cosme. E a escrita de Heringer me pegou novamente, porque a forma que os personagens foram escritos fez com que eu criasse, não sei dizer, mas, talvez, uma visão abstrata de tudo o que ele passou - ao mesmo tempo que sentia uma coisa, não parecia ser nada daquilo. E eu adorei essa perspectiva inconclusiva que me pegou de surpresa.
“Um tédio as pessoas. Os artistas de TV, os filmes de ficção científica e novelas de mistério, os napoleões, os puladores de ponte e os poetas tristes…São todos só o negativo do mesmo tédio, reverso duma moeda que sempre foi fosca, puta que me parola!, que a vida de um é tudo igual à vida do outro, só muda o endereço. E não tem tanto elemento assim no universo, todos catalogáveis. Da concha ao bombardeio de Gaz tem pouca mudança. Ouve só, bomba e onda tem um marulho parecido. Entre um homem e um rato, tem somente trezentos genes de diferença. Lembro que li um dia: um exército de macacos teclando a esmo em máquinas de escrever uma hora vai acabar escrevendo um livro do Shakespeare”
E não é preciso ter medo de não conseguir terminar o livro por ele ser escrito dessa maneira tácita, que mal consigo explicar (e talvez não precise ser explicada), porque é uma leitura gratificante e compreensível na sua forma, que deixa ainda alguns dias após o término aquela maldita ressaca literária – por isso demorei a escrever esta resenha, por não saber como descrever. É recomendado, porque vale a pena.

01/04/2017

O sentimento de perda

​Hoje vou-lhes contar uma história triste. Sério. Prepare os lenços.


A minha mãe tinha o costume sempre de me dizer que a gente dá valor somente quando perde; e ela sempre teve razão nisso, só damos valor quando realmente perdemos, porque conseguimos, agora que sem, perceber a diferença que fazia na nossa vida.

O sentimento de perda é tão angustiante, porque você fica pensando naquilo todos os momentos e você fica triste pelo o que não foi - e se culpa pela quantidade de "e se", e se eu não tivesse feito isso, mas sim aquilo. O fato é que as probabilidades já não mais importam quando você perde, não há motivo para chorar pelo leite derramado, afinal, derramou e ponto.

Desde o momento da minha perda, percebi que a minha vida seria diferente, que os dias ensolarados já não seriam os mesmos, que o modo como ia passar a ver a vida seria diferente e está sendo diferente. Porque a história começou bem lentamente, há algum momento tinha percebido que estávamos nos flertando e sabia como ele poderia fazer diferença na minha vida, nas perspectivas que poderia me oferecer. Então aos poucos matutei a ideia de um relacionamento, de um possível relacionamento e não tardou: dois ou três meses, éramos apenas um ocupando o mesmo espaço. Após o toque sabíamos que aquele seria um relacionamento que renderia histórias.

Infelizmente, amigos, não foi isso que aconteceu.

Durou pouco tempo e a vida é assim mesmo, algumas coisas vem e vão. Como minha amiga diz: "o universo trás, depois tira, depois te dá novamente", é uma história bem louca. Então o perdi, para sempre e não teve despedida.

Serei grato por cada momento que fui acompanhado, seja sorriso ou seja lágrima. Por cada foto tirada e cada proteção. Com um sentimento de perda, eu consigo me despedir, de você que me permitia ver o mundo de outra forma: senhor óculos.

Em anexo segue os últimos momentos com o óculos antes do seu desaparecimento dentro do mundo aquático (ou simplesmente no Lago Paranoá):



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