Resenha: "Nem tudo será esquecido", de Wendy Walker

13 Jan 2017

Nem tudo será esquecido
Wendy Walker
Editora Planeta
288 páginas
Um dos suspenses psicológicos mais elogiados nos Estados Unidos Tudo parece perfeito na pequena Fairview, em Connecticut, até a noite em que a adolescente Jenny Kramer é violentada durante uma festa. Nas horas posteriores, ela é medicada com uma droga controversa para que as memórias da violência sejam apagadas. Mas, nas semanas que se seguem, enquanto se cura das dores físicas, Jenny percebe que guardou nuances daquela noite. O pai, obcecado por sua incapacidade de descobrir quem abusou de sua filha, busca justiça, enquanto a mãe tenta fazer de conta de que o crime não abalou seu mundo cuidadosamente construído. Segredos da família e do círculo próximo começam a vir à tona durante a busca incessante pelo monstro que invadiu a comunidade – ou que talvez sempre tenha estado lá –, guiando este thriller psicológico para um fim chocante e inesperado.
Aparentemente comecei o ano com as leituras certas. Nem tudo será esquecido é um thriller psicológico maravilhoso! O livro é narrado por um psiquiatra e é como se conversássemos o tempo todo. Ele nos conta a história de uma família que acompanhou com terapia após, Jenny, a filha de quinze anos do casal Tom e Charllote, sofrer um trauma brutal. Jenny foi estuprada e teve as costas entalhada por seu agressor a quem não recordava o rosto, cheiro ou voz, pois os pais após o ocorrido resolveram dar-lhe um tratamento medicamentoso que fizesse com que a memória da agressão fosse apagada. Acompanhamos todas as sessões de terapia com a família, que compreendeu que Jenny precisaria lembrar-se da agressão e do agressor para conseguir a paz que seu espírito precisava e, claro, conseguirem justiça. Porém, as sessões de terapia mostraram o quanto a família precisava de reparos, todos tinham sessões separadas e encontraram no psiquiatra um confidente, de forma a revelar sentimentos obscuros, traumas da infância que influenciavam em suas vidas desde sempre e mesmo agora, em suas vidas adultas.


Conhecemos, além de Jenny, outros pacientes interessantíssimos e que de alguma forma estavam interligados a história de forma muito inteligente. A cada nova descoberta e recordação do momento horripilante vivido por Jenny me fazia acreditar que um personagem diferente era o responsável, o que me instigava e me dava mais vontade de ler, pra enfim compreender o que tinha acontecido de verdade e quem era o monstro por trás daquilo. Foram utilizados muitos jogos mentais, do médico com seus pacientes, com a polícia e com o leitor, de forma que me senti como uma personagem, tentando confiar em suas palavras, mas ao mesmo tendo duvidando de tudo. Em alguns momentos achei que as coisas dariam muito errado, pois a história vai tomando um rumo diferente do que acreditava ser o correto, mas aí mais um vez fui surpreendida. Foi o que mais senti, surpresa! A cada novo capítulo acreditava em uma coisa diferente o que confirma o quão a autora foi inteligente na escolha de palavras, criação dos personagens e ambientes em todas as cenas descritas. Cada detalhe foi descrito por um motivo importante, não houveram furos nem questões não respondidas. E o final, ai meu Deus!, totalmente inesperado e fo-da!


Depois de ler muitas obras de mestres dos suspenses psicológicos como Stephen Kinng e Sidney Sheldon fica difícil gostar de histórias desse gênero. A gente acaba ficando mais seletivo com o que ler, mais criterioso. Mas esse livro é incrível em muitos sentidos, começando pela narrativa que é basicamente uma conversa entre leitor e personagem, diferente de tudo que eu já havia lido. Foi uma surpresa bastante agradável ler algo de Wendy Walker, o que pretendo repetir em breve. Mereceu as cinco estrelas e o coraçãozinho de favorito, pois vai ser difícil esquecer essa história durante um bom tempo.

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