Resenha: "Juntando os Pedaços", de Jennifer Niven

23 Jan 2017

Juntando os Pedaços
Jennifer Niven
Editora Seguinte, 2016
392 páginas
Jack tem prosopagnosia, uma doença que o impede de reconhecer o rosto das pessoas. Quando ele olha para alguém, vê os olhos, o nariz, a boca… mas não consegue juntar todas as peças do quebra-cabeça para gravar na memória. Então ele usa marcas identificadoras, como o cabelo, a cor da pele, o jeito de andar e de se vestir, para tentar distinguir seus amigos e familiares. Mas ninguém sabe disso — até o dia em que ele encontra a Libby. Libby é nova na escola. Ela passou os últimos anos em casa, juntando os pedaços do seu coração depois da morte de sua mãe. A garota finalmente se sente pronta para voltar à vida normal, mas logo nos primeiros dias de aula é alvo de uma brincadeira cruel por causa de seu peso e vai parar na diretoria. Junto com Jack. Aos poucos essa dupla improvável se aproxima e, juntos, eles aprendem a enxergar um ao outro como ninguém antes tinha feito.
É normal criar expectativas quando gostamos de um autor, então não poderia ser menos esperado de Jennifer Niven me conquistar novamente, tendo meu coração ganhando primeiro através de Por Lugares Incríveis. Percebi após a leitura de Juntando os Pedaços, que a autora gosta de abordar sobre adolescentes e fases de descobertas, aceitação de si e com uma vida dentro da fase escolar - é um tipo de leitura que dificilmente me agrada, por diversos motivos. Contudo, Niven faz com que as briguinhas de meninas não seja simplesmente monótona e clichê, não faz com que o romance água com açúcar e a história como milhares.


Posso, é claro, ser meio suspeito para falar sobre os livros de Niven: já sou apaixonado por sua escrita e por seus personagens - sua escrita amarra duas narrativas gostosas e cenários diferentes, dando aos protagonistas voz e verbo, tonicidade e unicidade. Os personagens são singulares e abordam situações que nos preocupamos quando somos mais novos, como ser gordo, ser esquecido, ser gay, não ser gay (escrevi um pouco sobre o lado gay que as pessoas não conhecem, só clicar para conferir): então encontramos em frente aos nossos protagonistas a necessidade de enfrentar o medo, de encarar a realidade.

Libby, uma das personagens, é engraçada e tem total conhecimento de que é gorda e não se importa com o que os outros dizem sobre ela e sua família, conseguimos, por meio de Libby, perceber um pouco do sofrimento que pessoas acima de peso passam na escola e podemos estender os campos como local de trabalho, parques  e etc. Esta é a minha personagem favorita do livro, porque ela é simplesmente demais. É autêntica e faz qualquer um que está ao seu lado se sentir seguro, sabe? É como se aquele teor de completude e aceitação pudesse cair sobre nossas cabeças e simplesmente gostarmos de quem nós realmente somos e não necessitarmos em nos moldar para ser esteticamente sociável/aceitável.



Jack é o oposto de Libby: maravilhoso, popular e conhecido. Contudo, a partir de um momento a doença que ele contém (se você leu a sinopse, sabe que ele tem prosopagnosia) permite que ele enxergue Libby (ops, um trocadilho) como ela realmente é por dentro, fazendo-o ignorar o externo e o que a maioria das pessoas, infelizmente, levam em consideração.

Com duas realidades distintas o livro se intercala, em primeira pessoa, hora na voz de Libby e hora na voz de Jack. E é óbvio que atingimos um grau de intimidade com algum, pelo menos um, dos personagens, porque eles são vivos e passam por situações que lidamos diariamente - acho que era, realmente, esse ponto que Jennifer Niven queria chegar ao escrever esse livro: fazer com que nos identifiquemos, porque ela se preocupou em colocar diversos pedaços de histórias e criar uma, mesmo com poucas páginas, que contivesse de tudo um pouco, sabe?

E é mais óbvio ainda eu recomendar a leitura deste livro, porque eu simplesmente pude me sentir lido, pude me sentir lendo um pouco de mim, um pouco do que passei e encarando de uma outra maneira: é tudo que de choices, baby. Então faça sua escolha, mentira, não faça, apenas vá ler algum livro da Niven, esse, eu afirmo, é um ótimo exemplar para conhecer.

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