31/12/2017

003 — Happy New Year


Como de praxe desde o ano anterior: aos leitores, aos e-mails, às desculpas, os agouros e tentativas :)

Make a poster every week, 003.

27/12/2017

002 — Design your universe

17/12/2017

001 — How to be happy


Com o intuito de aperfeiçoar a técnicas de design, resolvi (algo que estava muito tempo na cabeça) me obrigar a pelo menos uma vez por semana sentar e criar algum pôster  ainda é possível ver outros pôsteres do projeto através dessa tag

Make a poster every week, 001.

16/12/2017

Uma carta ao seu reflexo no espelho

​(ou uma história de amor próprio e de ir contra os sensos estéticos impostos pela sociedade)


Que engraçado parar agora em frente ao espelho e me olhar — longe da correria dos dias, sem estar se arrumando para sair. Podendo me olhar assim, consigo perceber o quanto de conceitos estéticos coloquei em cima dos ombros, o quanto que me cobrei porque os outros me cobravam: ter um cabelo liso, uma pele boa, dentes brancos e retos, abdômen definido. Apesar de entrar na academia, colocar aparelho nos dentes, me alimentar melhor, percebi que nunca poderia chegar no auge estético imposto pelas pessoas (e por mim mesmo, indiretamente influenciado).

Hoje, na frente do espelho, percebo na quantidade de conceitos estéticos tentei me encaixar, no tanto de estilos e vestimentas — quando isso tudo, na verdade, que deveria se encaixar na minha pessoalidade, na minha essência. Essência essa que quase perdi indubitáveis vezes querendo agradar quem é próximo, ser o mais bonito. Querendo dar sentido ao pertencimento de alguma nova moda, fiz do meu lar apenas um lugar para estampar uma blusa de marca, esterótipos e agrado nos olhos de outros. Querendo seguir a padronização que é imposta, perdi muitas vezes a potência do meu corpo, travando nas diversas vezes que não me enquadrava em algo. E como machucou não pertencer a nada, não me padronizar em nada.

Não é de agora que percebi que algumas coisas não tem solução, meu cabelo nunca será liso o suficiente para fazer uma franja, meus dentes nunca serão brancos suficientes para cegar alguém, meu corpo nunca será perfeito porque também amo comer porcarias. E, risos, está tudo bem. Eu gosto da não simetria que meu nariz de coxinha da ao meu rosto, aceito que tenho uma barriguinha e não é algo que me incomoda, gosto de ter olhos pretos e fazer as sobrancelhas porque elas crescem rápido demais.

Então tem sido assim, me olhar no espelho e gostar de quem eu sou, da forma que sou, das gordurinhas a mais, do cabelo indeciso. Tem sido legal entrar na academia e não me sentir inferior por não ter os maiores músculos, assim como tem sido delicioso usar a blusa por dentro da calça e parecer tão freak, anos 70.  Tenho tido uma experiência muito boa com meu corpo, que é meu lar, minha morada, nesses últimos meses diferente de todos os últimos anos; tem sido muito bom me aceitar. 

Quando aceitamos nos olhar, com nossos olhos, de outra maneira permitimos sermos felizes com nós mesmos.



Esse post pertence a este projeto, que é basicamente todo mês escrever uma carta de coração: falando de auto-descoberta, para alguém do passado ou um simples desabafo.

14/12/2017

Victor Moreira me pintou e não sei como reagir


Seria possível que um dia eu viesse a ser ilustrado? Então tive a bela surpresa de ser (e também ter uma foto minha) pintado pelo artista Victor Moreira, que está iniciando na área de pintura digital (e muito bem por sinal).


Sempre gostei de ilustrações e nunca me imaginei sendo ilustrado antes, quando Victor disse que poderia me dar esse presente e além de ser pintado também ter uma foto preferida pintada, não deu outra, explodi em emoção. As ilustrações foram feitas a partir de uma foto que simpatiza meu hobbie, a fotografia, e do penúltimo ensaio que fiz com uma amiga do coração:  




Veja mais em: BehanceInstagram





Essa não é uma postagem de publicidade e nem fui coagido a escrever, hehe, mas como sabemos que o mundo artístico é bem complicadinho, decidi criar a postagem para divulgar o artista e também incentiva-lo, além de dizer o quanto amei. Através da página do Victor no Behance ou do Instagram é possível acompanhar os trabalhos do artista, que já está com a agenda aberta para futuros trabalhos e orçamentos. 

11/12/2017

no. Nove


Finalmente aqui chegamos, em um novo layout. Não poderia ser outra coisa além de um layout tão simples como os últimos, porém mais funcional que os outros - as páginas internas são as coisas que mais estão demorando para fazer, mas como não quero deixar parado enquanto escrevo essas páginas este post serve para inaugurar um novo Sete Coisas

Essa nova etapa do blog também é uma nova etapa para mim, como escrevi aqui. Aqui pretendo escrever outros assuntos além de literatura, como lifestyle (coisas sobre minha fantástica vidinha), educação financeira, coisas para blogueiros e por aí vai: que este blog seja, de fato, um blog. 


Sem mais delongas, sejam bem-vindos (pela nona vez). 

30/11/2017

Uma carta de despedida

Brasília, Brazil

Estou aqui mais uma vez, 

não para implorar seus beijos que me deixam êxtase, nem que me note algumas vezes, nem que escute os áudios que mando pra você no meio da noite. Estou aqui porque quero desistir, porque cansei desse inalcançável que tem se tornado, desses sumiços repentinos que me bagunçam por inteiro e por esse seu jeito de um dia voltar e bagunçar ainda mais o que deixou. Estou aqui porque quero desistir de organizar as coisas por aqui toda vez que você parte, porque estou cansado dos dias que fico pensando em você. Dos dias que fico olhando a chuva cair na rua, tendo saudade de coisas que nunca aconteceram e nunca acontecerão, porque estou desistindo.

Eu já não me lembro das coisas que você gosta, as memórias verídicas foram e misturando com as coisas que imaginei; os momentos se embolaram na minha cabeça entre a ficção e a realidade. Talvez você não goste de suco de limão, talvez prefira dia ensolado diferente de mim que prefiro dias chuvosos. E assim fui levando a vida, durante muito tempo, nessa perspectiva de que um dia você voltaria e ficaria, sem bagunça, sem sumiço. 

Durante muito tempo me agarrei ao que criei de você e amei cada centímetro do seu corpo que nunca toquei. Foi nesses dias que pensei que não precisaria mais disso, dessa inconformidade que é pensar em você, nesse sentimento de euforia, mas também de medo. Quero desistir desse mar de incertezas, estou pronto para calmaria. 

E foi nessas vindas que percebi que chegaria uma hora. Uma hora para encarar a realidade, para deixar que a bagunça não fosse feita nos lados de cá, por mais que o seu cheiro preenchesse meus pulmões, por mais que eu ficasse louco com os beijinhos. Foi nessas vindas que percebi que deveria chegar uma despedida, mas da minha parte. 




Esse post pertence a este projetoeste projeto, que é basicamente todo mês escrever uma carta de coração: falando de auto-descoberta, para alguém do passado ou um simples desabafo.

19/11/2017

Umas palavras

Brasília, Brasil
Gostaria de fazer alguns updates sobre como as coisas tem sido, só para dizer que ainda estou vivo e também para que eu possa entender alguns motivos de existir.





UMAS PALAVRAS







___ 




Faltam alguns poucos dias para então me formar na faculdade e eu nem acredito nisso, é uma contagem regressiva com fim. E junto com o final da faculdade vem a chegada de um ano novinho em folha, 2018, numa mistura de desejo e vontade e não sei o que será da minha vida agora pra frente. Porém chegar nessa etapa da minha vida me deixa feliz, principalmente por não precisar ir a aula a noite e chegar bem tarde em casa.

Das coisas que estou animado para fazer é limpar meu quarto (e minha vida), tirar alguns livros que nunca mais vou ler, vender algumas roupas que não tem mais sentido, encaixotar coisas para doação e coisas que não me preenchem positivamente. Desacumular. Ainda nessa perspectiva, de mudanças, planejo voltar para as rede sociais, após 6 meses de ausência. Sinto que estou pronto, espero estar pronto na verdade.

A fotografia tem perdido o sentido para mim nos últimos dias e eu não sei o que veio ocasionar isso, porém o Que seja nu. fará que eu me posicione novamente para umas das coisas que faz ser quem eu sou, o projeto será sobre nu artístico e histórias, estou ansioso e com medo.  Planejo não voltar apenas com a fotografia nesta nova etapa, mas também com a escrita, com o design, com as leituras:  posso até concordar com meu mapa astral, sou uma pessoa muito ligada a arte; não produzir algo, mesmo que bem pequeno me mata aos pouquinhos.

Obviamente este blog estará nessa nova etapa da minha vida e planejo reestruturar tudo por aqui daqui alguns dias, aos poucos, primeiro irei mudar no mundo físico e tentar transportar para o mundo virtual. Creio que tudo começará com um novo layout e uma nova proposta de um blog cada vez mais pessoa, então aguardem por isso.

Resumindo, estou meio ansioso com tudo e ao mesmo tempo não sei o que estou fazendo da vida. Fico me perguntando sobre os sentidos, o capitalismo, consumismo, tenho mudado de visual, coloquei piercings, estou usando aparelho, mudei o cabelo e estou com uma nova perspectiva de mudar o mundo ou pelo menos tentar mudar um pouquinho o (meu) mundo.

Estou feliz e não estou, acontece com vocês também esse mistifório de emoções? 

23/10/2017

Resenha: "The Kiss of Deception", de Mary E. Pearson

The Kiss of Deception
Crônicas de Amor e Ódio, livro 01
Mary E. Pearson
Dark Side
406 páginas
Tudo parecia perfeito, um verdadeiro conto de fadas menos para a protagonista dessa história. Morrighan é um reino imerso em tradições, histórias e deveres, e a Primeira Filha da Casa Real, uma garota de 17 anos chamada Lia, decidiu fugir de um casamento arranjado que supostamente selaria a paz entre dois reinos através de uma aliança política. O jovem príncipe escolhido se vê então obrigado a atravessar o continente para encontrá-la a qualquer custo. Mas essa se torna também a missão de um temido assassino. Quem a encontrará primeiro?

Quando se vê refugiada em um pequeno vilarejo distante o lugar perfeito para recomeçar ela procura ser uma pessoa comum, se estabelecendo como garçonete, e escondendo sua vida de realeza. O que Lia não sabe, ao conhecer dois misteriosos rapazes recém-chegados ao vilarejo, é que um deles é o príncipe que fora abandonado e está desesperadamente à sua procura, e o outro, um assassino frio e sedutor enviado para dar um fim à sua breve vida. Lia se encontrará perante traições e segredos que vão desvendar um novo mundo ao seu redor.

O romance de Mary E. Pearson evoca culturas do nosso mundo e as transpõe para a história de forma magnífica. Através de uma escrita apaixonante e uma convincente narrativa, o primeiro volume das Crônicas de Amor e Ódio é capaz de mudar a nossa concepção entre o bem e o mal e nos fazer repensar todos os estereótipos aos quais estamos condicionados. É um livro sobre a importância da autodescoberta, do amor, e como ele pode nos enganar. Às vezes, nossas mais belas lembranças são histórias distorcidas pelo tempo.

Uau! Eu não poderia começar de outra forma. The Kiss of Deception é o primeiro volume da trilogia de As Crônicas de Amor e Ódio, que por sinal e aparentemente, só conseguirei largar ao ler os três. Com uma narrativa viciante, empolgante e muito bem escrita, Mary E. Pearson me deixou fascinada pela história da princesa Lia.

Lia é a princesa de Morrighan, um reino cheio de tradições e, claro, muitos deveres. Entre os deveres impostos a ela, que obviamente não tinha qualquer direito de opinar - mesmo tratando-se de sua própria vida - estava o de casar-se com um príncipe de outro reino, o reino de Dalbreck, para conquistar mais alianças e poder. Porém, com apenas 17 anos, Lia não estava disposta a casar com alguém que nunca vira e que possivelmente tinha o triplo de sua idade. Dessa forma, tratou de planejar uma fuga com a sua criada e melhor amiga, Paulline. Juntas, elas conseguem fugir bem no dia do casamento, quando já não havia outra forma de livrar-se daquilo que Lia achava um absurdo, já que sempre sonhou em casar-se por amor.



Em meio à fuga as duas passam por maus bocados, dormindo muito pouco e se alimentando muito mal, tentando não deixar rastros para que o pai - com certeza enfurecido - não as achasse. Mesmo sendo apenas só as duas, elas conseguem chegar a Terravin e lá começam uma nova vida. Agora, Lia e Paulline são apenas criadas de uma pensão, nada além disso. E Lia consegue sentir finalmente o gosto da liberdade.

Porém, o que não estava nos planos de Lia, era que seu coração logo seria tomado pela paixão. Após surgirem dois homens muitos bonitos na pensão em que ela trabalhava e apresentarem-se como Rafe e Kaden, sua vida tomou mais cor, afinal ambos eram lindos e gentis e ambos despertavam nela a vontade de flertar, apesar de estar mais inclinada a um deles. O que ela não sabia, nem haveria de descobrir tão cedo, é que um era o príncipe que ela estava destinada a casar-se e o outro um assassino mandado para matá-la e ambos sabiam que era ela a princesa e jogavam seus próprios jogos para atraí-la.




Em meio a toda essa confusão, fui sugada pra dentro da história de uma forma que a muito tempo não acontecia. Na metade do enredo, a autora faz uma reviravolta na história que me deixou chocada e amando ainda mais. O livro é incrível e os personagens apaixonantes, além das edições serem riquíssimas com capas muito belas - o que é marca registrada da Dark Side. Com certeza, me tornei fã da trilogia e da autora, tornou-se favorito.

15/10/2017

Resenha: "Crash - Quando a paixão explode", de Nicole Williams

Crash - Quando a paixão explode
Crash, livro 1
Nicole Williams
Editora Essência
365 páginas
Southpointe High é o último lugar no qual Lucy gostaria de cursar o último ano de escola. Isso até o momento que ela encontra Jude Ryder, um garoto cujo nome é quase um verbo, além de um sinônimo para problemas. Ele tem uma ficha maior que um tese de conclusão, e já teve seu nome suspirado, gritado e praguejado por mais mulheres que Lucy tem coragem de saber, além de viver em uma casa para garotos problemáticos onde ser problemático parece ser um status para os moradores. Lucy teve uma criação estável, e vive para usar as sapatilhas de bailarina, além de ter em seu futuro a certeza de ir para Juilliard, tentando se manter longe de problemas. Até agora.
Jude é aquilo que ela precisa evitar se ela quiser separar seu passado de seu futuro. Ficar longe, ela vai acabar descobrindo, é a única coisa da qual ela é incapaz.
Para Lucy Larson e Jude Ryder, amor vai acabar sendo aquilo que vai destruí-los..

Crash é o primeiro volume de uma trilogia de romance que acabou me tirando de uma DPL (lê-se depressão pós-livro) das bravas! Lucy, a personagem principal da trama, virou uma das minhas personagens favoritas, enquanto Jude tornou-se meu mais novo bad boy favorito. E isso é incrível, considerando como está difícil ler pra mim ultimamente e a rapidez que engoli cada página dessa história.




A família de Lucy não é a mesma desde que seu irmão faleceu. O pai vive em outro mundo e a mãe fechou-se em uma bolha de proteção que tornou-a arrogante e bastante difícil de lidar. Pra completar todo o caos que a vida de Lucy havia se tornado, ela precisou mudar de escola - justo no último ano do ensino médio - e tudo que ela queria era suportar aquele ano e passar em uma faculdade que lhe permitisse viver seu grande amor: o ballet. Desde que sua vida tomou esse rumo horrível, a dança era o que a fazia suportar todo o peso que seus ombros carregavam. Porém, Jude cruzou o caminho de Lucy e obviamente, trouxe muitos outros problemas pra vida dela.

Jude Ryder é o sinônimo perfeito para problemas. Muitos problemas. Lindo, com todas as meninas em volta babando por ele - ou chorando por ele, após levarem um pé na bunda -, vivendo em um abrigo para menores desajustados e com uma ficha criminal de no mínimo duas folhas. Apesar de saber de todas essas características e entender claramente que Jude é o tipo de menino que ela precisa evitar, Lucy não consegue dizer não para o desejo louco que a persegue desde a primeira conversa entre os dois, onde Jude deixou explícito que ela devia se manter afastada, porque ele não era o cara ideal pra ninguém.



O romance entre os dois é cheio de altos e baixos. Tudo que podia dar errado pros dois, deu. Em meio a muito amor e desejo, o passado dos dois volta pra assombra-los e segredos horríveis são revelados, prometendo nunca deixar o amor dos dois em paz. O final é surpreendente de muitas maneiras e me deixou em choque, todo o drama desenvolvido pela autora me deixou sem acreditar, fugindo totalmente do clichê, foi uma surpresa maravilhosa ler Crash.

***

Livro oferecido através de parceria com a Editora.

23/09/2017

O sumiço é verídico


Olá pessoas que leem o melhor blog do Brasel, vocês devem ter percebido que a frequência de postagem aqui diminuiu 90%. Não há muito segredo, quem me acompanha em outras redes sociais (insta ou facebook) deve ter percebido que sumi de ambas e continuei mantendo apenas o twitter para reclamar da faculdade e de algumas outras coisas sobre a vida, são 140 caracteres de desabado, faz bem. Voltando ao assunto o motivo maior, sem dúvidas, foi o excesso. Excesso de informação, excesso de tempo nas redes sociais e excesso na frente de telas. O segundo motivo plausível é a pior etapa, assim dizem, da faculdade: trabalho de conclusão de curso, cujo todas as minhas palavras  (e forças) estão sendo redigidas para esse bendito. 

Agora que explicado os dois motivos, peço para não desistirem de mim pois logo estou de volta. Uma vez ou outra sairão resenhas aqui, mas postagens com foco pessoal irão demorar mais um tico </3. Beijo.

18/09/2017

Resenha: "Correndo para você", de Rachel Gibson

Correndo para você
Lovet, Texas, livro 04
Rachel Gibson
Editora Jardim dos Livros
248 páginas
Stella Leon é uma bela mulher. Aos vinte e oito anos ela já viveu muitas aventuras em Miami, onde vive e trabalha como garçonete. Brigas, sensualidade e rock'n roll fazem parte de sua rotina. Mas o que está prestes a acontecer colocará sua vida de pernas pro ar!
Um homem misterioso (e lindo) está à sua procura. Ele traz notícias de um passado que Stella não quer lembrar, e para onde não pretende voltar de jeito nenhum.
Por que ela deveria deixar tudo pra trás e ir com ele para o interior do Texas? Por algum motivo, Stella confia nele. Por alguma razão ela se sente totalmente quente perto dele...

Correndo para você é a história quatro da série de livros de Rachel Gibson com romances que se passam no Texas. É uma daquelas séries que podem ser lidas em qualquer ordem, o que particularmente adoro. O livro conta a história de Stella, uma garçonete de uma boate de transexuais que torna suas noites produtivas e divertidas - afinal as drags dão boas gorjetas e de brinde bons conselhos sobre homens. Aos 28 anos, Stella só pensa em ganhar seu próprio dinheiro como sempre fez e ser independente, ficando longe de encrencas e homens - ou seja, mais encrenca. Tudo começa a dar errado quando um homem misterioso entra na boate, o que para Stella devia ser somente um engano - pois ele parecia ser bastante hetero - para ele era só mais um dia de trabalho.



Ao deixar a boate, depois de seu expediente, Stella é abordado pelo dono do bar e seu patrão, que queria força-la a aceitar um convite de sair como sua acompanhante. Se vendo em um situação completamente desconfortável, ela é salva por Beau, o cara estranho que havia entrado na boate e que por acaso sabia seu nome e muitas outras coisas sobre ela. Acontece que, como Stella descobriria logo após Beau apagar o seu chefe, que ele estava alí por causa dela. Ela era o seu trabalho.



Beau havia ido encontrá-la à mando de Sadie, sua irmã mais velha por parte de pai, a quem ela apenas conhecia de longe, pois nunca haviam sido apresentadas. O choque de Stella foi enorme, afinal sonhou durante toda a infância em conhecer a irmã, ao mesmo tempo em que morria de medo de se decepcionar, pois a maioria das pessoas não gostavam dela nos primeiros encontros. Com medo, Stella decide não ir ao encontro da irmã, porém ao acordar com batidas na porta à mando do seu chefe, ela sentiu-se obrigada a pedir ajuda de Beau, que tirou-a de lá e a levou em direção ao Texas, onde sua irmã morava.




A relação de Stella e Beau foi complicada desde o primeiro momento. Tendo que viajar juntos de carro até o Texas, a tensão só aumentou. Como ela descobriria ao longo da convivência com ele, Beau era um fuzileiro que sabia o que queria desde a infância quando ele o irmão gêmeo viam o pai em sua profissão, o que o deixava com uma aparência ainda mais dura. Porém, a ligação entre eles surgiu naturalmente, afinal ambos eram jovens, bonitos e cheios de complicações. Ela viveu a vida inteira sem um pai e ele odiava o pai que tinha. Além disso, mesmo sem confessarem um ao outro, ambos tinham o mesmo pensamento sobre o sexo e ambos queriam guardar-se para alguém especial. Obviamente, isso não poderia dar certo.

Esse é um daqueles livros levinhos de romance, um young adult fofo e rápido de ler. Rachel Gibson é pedida certa em caso de DPL (depressão pós-livro) e me ajudou a sair de uma bravíssima. Uma história muito bem construída e com um final super fofo e emocionante.

***

Livro oferecido através de parceria com a Editora.

07/09/2017

Sobre a necessidade de escrever


Já, talvez, seja a décima vez que começo a escrever essa postagem, quero dizer, é a segunda vez que começo a escrever esse texto, mas já tentei parafrasea-lo milhares de vezes: para falar os últimos ocorridos, as tramas dos últimos meses e as expectativas que estão sendo criadas durante os dias. A medida que sinto que preciso sentar aqui e escrever, penso que deveria estar fazendo outra coisa, como estudar ou conhecer alguém novo ou apenas ficar deitado na minha cama.  

A vida tem seguido um ritmo que não estou feliz, a medida que conheço mais pessoas percebo o quão distante estou delas, percebo que há uma frieza nas mensagens escritas através dos aplicativos, falo isso no quesito amoroso mesmo. Eu queria muito, sabe, ouvir uma música e pensar em alguém, escrever um texto sobre alguém, sobre o beijo, sobre saudade e sobre qualquer outra coisa. Não pela necessidade de amar alguém, mas pela necessidade de que exista amor, que exista amor ao conhecer uma nova pessoa e que, consequentemente, exista amor ao permitir ser conhecido. Nas milhares de vezes que tenho sentado para escrever, minha vontade passa, porque nunca fui muito bom em escrever ficção. 

Faz algum tempo que não saio com amigos, que não vou tomar um café, que não tiro fotos e talvez grande parte disso seja culpa minha, é claro, mas outra parte disso também são as pessoas em que depositei um pedaço de expectativa. Esse texto, que era inicialmente sobre a necessidade de escrever, se tornou um grande desabafo resumido em a distância construída entre as pessoas só está acontecendo comigo? 

04/09/2017

Resenha: "Príncipe Partido", de Erin Watt

Príncipe Partido
The Royals, livro 02
Erin Watt
Editora Essência
352 páginas
Reed tinha tudo na vida: beleza, status e dinheiro. As garotas da sua escola matariam para sair com ele, os caras queriam ser como ele, mas Reed nunca tinha dado a mínima para nada disso. Nem para a família. Até que Ella Harper apareceu na sua vida. Quando Ella chegou à mansão dos Royal, o que ele mais queria era que a nova hóspede sumisse, mas ela o conquistou e, agora, Reed irá fazer de tudo para mantê-la por perto. Ella lhe dá segurança, lhe transmite paz, o aconchega... sensações que há muito tempo não sentia. Porém Reed comete um deslize e Ella se afasta por completo, trazendo caos à família Royal. Reed vê seu mundo desmoronar e toda a esperança de viver um romance com Ella desaparece. A garota dos sonhos de Reed não quer mais saber dele, porque sabe que se ficarem juntos, isso vai destruí-los. Ella pode estar certa. 'Príncipe partido' é a aguardada continuação de 'Princesa de papel'.

Depois de muita espera, eis que me chega Príncipe Partido, o segundo livro da série The Royals. Obviamente, muito rápido, larguei todas as outras leituras e devorei esse livro que superou todas as minhas expectativas. Ella e Reed estão juntos, felizes e vivendo um romance às escondidas. Desde que ela chegou á mansão dos Royal e roubou o coração de todos eles - que no início a queriam fora dalí - a tensão sexual entre os dois era palpável e foi inevitável a aproximação dos dois, que logo se entregaram ao que estavam sentido. Porém, como naquela família nada poderia ser tão fácil, a relação dos dois desmorona quando Brooke - a então ex namorada do pai dos Royal - anuncia que está grávida e que há chances de o pai da criança ser Reed. Acontece, que Reed realmente havia feito a burrada de manter relações sexuais com Brooke, acreditando que fazendo isso estaria punindo o pai, dessa forma, ele realmente poderia ser o pai da criança.



Depois da bomba que Brooke joga sobre eles, Reed fica sem reação, enquanto Ella só pensa em fugir o mais rápido possível da dor que estava sentido, desaparecendo da vida daquela família que ela imaginou já fazer parte. Ella desaparece e os Royal desmoronam. East, Gid e os gêmeos condenam Reed de ser o responsável pelo desaparecimento de Ella, que para eles realmente já era como uma irmã. Enquanto o investigador da família procura por Ella, Reed e os irmãos se metem em confusões, frustrados pela situação que viviam.


Easton continua com seus problemas com apostas e com Reed no ringue as lutas clandestinas continuam a todo vapor, enquanto isso Gid está mantendo um caso forçado com uma mulher odiável e os gêmeos Seb e Saw dividem a namorada. Callum, o pai, se vê amarrado mais uma vez à Brooke, que após manipular Reed consegue sua ajuda para que o pai a chamasse a viver com eles novamente. Com a ameaça iminente de viver para sempre sendo mandando por Brooke, sem o amor de Ella e tendo que viver sem o apoio dos irmãos, Reed luta por uma saída e se nega a desistir de recuperar a confiança de Ella.



Esse segundo volume foi intenso do início ao fim. As autoras conseguiram deixar a história ainda mais interessante, conseguindo contar a história de todos os personagens de forma a encaixar peças que no primeiro volume ficaram sem respostas. Até a última página me encontrei sem fôlego e correndo pra chegar ao final e conseguir respirar. Me enganei. O final é surpreendente e angustiante de enlouquecer o leitor, deixando milhares de dúvidas e a sensação de que tudo está de cabeça para baixo. A curiosidade sobre como as autoras criaram o desfecho da história está me matando e há muito tempo essa sensação não me consumia. De fato, The Royals, me conquistou oficialmente.



Leia também o outros volume da série:
The Royals #1: Princesa de Papel

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Livro oferecido através de parceria com a Editora.

27/08/2017

Poderia ser


lembro-me daquele dia, ali na cafeteria de dona helena, quando você apareceu já era a segunda ou terceira vez que eu tomava um café pausado no final tarde; eu não me lembro bem porque os meus pensamentos não estavam focados na quantidade de vezes que fui, mas sim nas quantidades de vezes que eu iria, para olhar os seus olhos ou o jeito como ordena os copos sujos na bandeja para separar dos limpos - um sentimento que se preenchia de longe, acompanhado de admiração e nostalgia.

as tardes se preencheram numa rotina boa, dentre a leitura de três e quatros capítulos de um livro qualquer e o desvio meus olhos para acompanhar o ritmo que você rodopia no café de dona helena, com seu cabelo avermelhado e os óculos redondos como pequenas luas sobre a bochecha. assim foi se consolidando um sentimento durante as estações dos ipês que desabrochavam e lhe davam o dobro de trabalho.

claro que a rotina não poderia se estender por meses sem fim e nem acredito que se tornaria beijo com gosto de chá fermentado, doce de amora e bolo sem leite, mãos dadas e rosto escondido na curva do pescoço. ainda que eu não saiba a quantidade de vezes depois de ter de visto, presumo que é menor que a quantidade de vezes que quero te ver. porque é nesse teu cheiro de café e menta que meu coração faz morada.

25/08/2017

Resenha: "O lago das sanguessugas", de Lemony Snicket

O lago das sanguessugas
Desventuras em Série, livro 03
Lemony Snicket
Editora Seguinte
192 páginas
"Caro leitor,
Se você ainda não leu nada sobre os órfãos Baudelaire, é preciso que antes mesmo de começar a primeira frase deste livro fique sabendo o seguinte: Violet, Klaus e Sunny são legais e superinteligentes, mas a vida deles, lamento dizer, está repleta de má sorte e infelicidade. Todas as histórias sobre essas três crianças são uma tristeza e uma verdadeira desgraça, e a que você tem nas mãos talvez seja a pior de todas. Se você não tem estômago para engolir uma história que inclui um furacão, uma invenção para sinalizar pedidos de socorro, sanguessugas famintas, caldo frio de pepinos, um horrendo vilão e uma boneca chamada Perfeita Fortuna, é provável que se desespere ao ler este livro. Continuarei a registrar essas histórias trágicas, pois é o que sei fazer. Cabe a você, no entanto, decidir se verdadeiramente será capaz de suportar esta história de horrores.

Respeitosamente,
Lemony Snicket"

O Lago das Sanguessugas, é o terceiro livro da saga Desventuras em Série, narrado pelo narrador personagem Lemony Snicket - que diz ser responsável por contar a história triste e cheia de desventuras dos Órfãos Baudelaire. Desde o primeiro volume, somos alertados sobre o conteúdo dessa história, de como a vida dos órfãos - Violet, Klaus e Sunny - não passa de uma imensa maré de azar. Acontece, que as três crianças ficaram órfãos e sem abrigo, pois perderam seus pais e a casa onde moravam para um incêndio. Dessa forma, a vida dos três virou responsabilidade do Sr. Poe, bancário da família e agora responsável por encontrar um tutor para os três.



No primeiro e segundo volume da série, as tentativas de um novo lar para os Baudelaire foram frustradas. Infortúnios, azar, morte e todas essas desgraças ligadas a uma só pessoa: Conde Olaf, o terrível vilão que sonha em tornar-se tutor das crianças apenas para colocar suas mãos na fortuna que lhe fora deixada pelos pais. Nesse volume, Violet, Klaus e Sunny, conhecem tia Josephine, sua mais nova tutora. Com esperança de dessa vez conseguirem morar em um lugar adequado, com alguém que pudesse lhes oferecer amor e os cuidados que toda criança necessita, logo decepcionaram-se.


Tia Josephine morava em uma casa suspensa no alto de um monte, parecendo prestes a despencar no lago que encontrava ao redor da propriedade - O lago das sanguessugas. Viúva e extremamente medrosa, a nova tutora dos Baudelaire se mostra péssima, pois seu medo é tanto que até uma refeição quente lhes é negada. O motivo? Medo de usar o fogão. Apesar de tudo, as crianças tentavam sentir-se gratas, afinal, agora tinham um lugar para morar e alguém para olhar por eles. Mas claro, se falando dos órfãos Baudelaire, tudo estava bom demais para ser verdade - apesar dos pesares. Em uma viagem até o supermercado eis que surge o capitão Sham, com características de um pirata e até uma perna de pau, mas só convenceu a tia Josephine, pois logo de cara as crianças já sabiam que se tratava de conde Olaf, mais uma vez querendo roubar a fortuna que lhes pertencia.

Em meio a muita confusão, furacão, chuva, sanguessugas e resgate em alto mar, as crianças sofrem para desmascarar o novo personagem criado por conde Olaf. A leitura é bem leve e rápida, como nos primeiros volumes, com uma linguagem fácil e que agrada do mais jovem ao idoso. Apesar de as vezes sentir vontade de gritar com os adultos - já que as crianças são as únicas com bom senso da série - é uma aventura gostosa de ler e que em um dia livre é possível devorar.



Leia também os outros volumes da série:
Desventuras em Série #1: Mau Começo
Desventuras em Série #2: A Sala dos Répteis

***

Livro oferecido através de parceria com a Editora.

08/08/2017

Resenha: "Os filhos da tempestade", de Rodrigo de Oliveira

Os filhos da tempestade
Rodrigo de Oliveira
Editora Planeta
336 páginas
Uma aventura surpreendente, em um dos lugares mais misteriosos da terra. Um grupo de jovens deixa o Rio de Janeiro com destino aos Estados Unidos. O que seria apenas uma viagem de uma Turma do conservatório de música acaba ganhando os contornos de uma tragédia: ao sobrevoar a misteriosa região do Triângulo das Bermudas, o avião é atingido por uma violenta tempestade e cai no mar. Os sobreviventes agora se veem presos numa ilha deserta, perdendo o contato com o resto do mundo. Nesse lugar paradisíaco, habitado por uma força maligna ancestral e onde se esconde um terrível segredo envolvendo uma jovem bruxa do século XVII, os garotos precisarão lutar pela própria vida, superando grandes desafios e enfrentando seus piores medos. Rodrigo de Oliveira, autor da saga As crônicas dos mortos, traz em Filhos da tempestade uma história repleta de ação, suspense e terror, de conflitos e descobertas, envolvendo um improvável triângulo amoroso que desafia a própria morte.

Esse é um livro que merece ser compartilhado. "Os filhos da tempestade", conta uma história incrivelmente surpreendente, que me deixou apaixonada - e sim - querendo muito mais. A primeira coisa que me chamou atenção, antes de ler o livro, é que a história ambientava-se na região misteriosíssima do Triângulo das Bermudas e como a lenda terrível que ronda esse local é de que aviões e embarcações que passam por lá simplesmente somem - puf! - como um passe de mágica, minha curiosidade sobre como o autor construiria sua versão desse mistério me deixou eufórica para ler sua obra. E confesso, não me arrependi.



Rodrigo, o autor, conta a história de uma turma de garotos do Rio de Janeiro que viajaria para os Estados Unidos em busca de mais conhecimento no mundo que os unia - o mundo da música. Os garotos e garotas que estavam super ansiosos para conhecer o conservatório de música, acabaram conhecendo outra realidade, completamente diferente e apavorante. Acontece que durante a viagem, justando quando sobrevoavam sobre o Triângulo das Bermudas, o avião entra em pane e aparentemente não havia mais esperanças, pois eles estavam caindo e indo direto para o mar. Apavorados, os meninos e meninas que estavam à bordo viram muitos amigos morrerem e os que conseguiram sobreviver a queda, não tinham esperança alguma de salvamento, afinal estavam em meio ao mar aberto.




Como se as coisas não pudessem ficar piores, de um modo sobrenatural, começou a formar-se um redemoinho no meio do mar e todos eles foram sugados por ele. Após acreditarem ser o fim, acordaram em uma ilha em pleno dia e vivos. Felizes por estarem salvos mas desesperados para encontrar um meio de voltar pra casa, os garotos começam a vasculhar a ilha e encontram um morador - Juan, um argentino - que após o susto de encontrar outras pessoas, torna-se amigo deles e passa a ajudá-los. Porém, apesar de lhes dar comida, um teto para que pudessem dormir e água para beber, Juan lhes dá uma notícia que abalaria para sempre suas vidas - eles estavam na Ilha do Diabo e não conseguiriam voltar para casa nunca.

Os mistérios que envolvem a ilha são muitos - o que os garotos foram descobrindo aos poucos. A ilha era linda e eles simplesmente se sentiam gratos e felizes por estarem alí, sem entender o porque de nem quererem mais voltar pra casa. A força que a ilha exercia sobre eles os transformou e muita coisa ruim estava para acontecer. Juan tentou abrir os olhos dos jovens, mas mesmo com todos os conselhos, o inevitável aconteceu, dando uma reviravolta na vida de todos, dividindo o grupo e formando os Filhos da Tempestade.



Apesar de ter escrito muita coisa, não contei metade das surpresas que esse livro cativante e muito envolvente me fizeram sentir. Juro que o motivo é somente porque não quero deixar spoiler algum para nenhum de vocês, afinal, quero que se surpreendam tão positivamente como eu me surpreendi. É uma leitura gostosa, rápida e que me deixou com o coração acelerado. Muita ação, romance, suspense e até certo toque de terror, com um final surpreendente e muito inteligente, Rodrigo Oliveira me deixou cheia de vontade de ler mais obras dele e torcendo para haver continuação dessa em específico.

Livro oferecido através de parceria com a Editora.

30/07/2017

Resenha: "O ano em que morri em Nova York", de Milly Lacombe

O ano em que morri em Nova York
Milly Lacombe
Editora Planeta
256 páginas
Romance de estreia de uma das principais ativistas LGBTT do país, numa mistura de amor a si próprio A protagonista deste romance vai do paraíso ao inferno em poucas páginas. Casada com a mulher que ama, ela suspeita de que tenha sido traída durante uma de suas viagens de negócios. A angústia de não saber o que se passa, o medo de perguntar, desconfiança e a dúvida, que nunca tiveram espaço na relação – considerada perfeita pelos amigos –, agora rondam o casal. Mas será mesmo que a traição existiu? Ou era o amor que estava minguando? O ano em que morri em Nova York não é só a história de um casamento desfeito por conta de uma suposta traição. Estas páginas trazem a trajetória de uma mulher desde a sua redescoberta até o doloroso rompimento. Uma mulher que assume sua orientação sexual tardiamente, e que luta para fazer a família entender, os amigos apoiarem e os colegas de trabalho aceitarem. Jornalista que se tornou ativista das causas LGBTT, Milly Lacombe cria neste seu primeiro romance, com viés autobiográfico, uma história densa, mas aliviada pelo humor. Um livro que é também uma viagem de autoconhecimento, e, acima de tudo, uma história de amor a si próprio.

Essa é uma história sobre autoconhecimento e acima de tudo, a descoberta de que devemos primeiramente nos amar, para só depois de transbordarmos em amor próprio amarmos verdadeiramente outra pessoa. "O ano em que morri em Nova York", conta a história de uma mulher adulta e lésbica, sempre segura de si e vinda de muitos relacionamentos que nunca a fizeram mal algum, muito pelo contrário. Ela considerava-se atraente e conquistadora, do tipo que sai de qualquer relacionamento bem e se possível com outro engatilhado. Porém, a autoestima e amor próprio da protagonista vão embora quando a suspeita de uma traição começa a assombrá-la.



Vivendo um relacionamento lésbico de muitíssimos anos com Tereza, morando em Nova York e vivendo dos frilas como escritora, ela recebe a notícia de que sua ex namorada - e então melhor amiga, Simone - está com câncer. A notícia abalou seu psicológico e estando sozinha, pois Tereza viajava à trabalho, mergulhou em um mundo de dor e desconfiança, tornando-se insegura e incapaz de fazer algo sem chorar. O problema é que o peso da possível traição não ficou apenas em sua cabeça e suas atitudes - antigamente tão segura de si - modificaram-se e aquilo acabou deixando o relacionamento cada vez mais complicado de engolir, para ambas. Vendo o relacionamento antes tão firme e cheio de amor transformar-se em dúvidas e insegurança, ela resolve voltar ao Brasil.

Se meu instinto animal era o de jamais deixar você, se você era necessidade, então seria natural supor que, vivendo como escrava desse instinto, eu exerceria minha liberdade agindo de outra forma que não fosse aceitando a necessidade de você, e isso significaria ter a coragem de tirar meus livros da estante, minhas roupas do armário, colocar tudo em malas e ir embora. Agir por dever e contra meus instintos,
essa era uma experiência nova pra mim.

Ao encontrar-se novamente em seu país, ela percebe quão perdida está. Com pouquíssimo dinheiro, sofrendo com o fim de algo que parecia eterno e com saudade da vida que vivia, foi convencida pela amiga Paola a viver uma experiência de autoconhecimento na Amazônia, onde um grupo de pessoas se reuniria para fazer ioga e participar de rituais curativos e que no final garantia a resposta para uma pergunta que a torturava "quem sou eu?". Junto com Paola e outras pessoas que foram participar das atividades, ela vive experiências malucas e ao mesmo tempo emocionantes e pouco a pouco vai retornando a sentir-se ela mesma. Descobrindo, inclusive, como a influência do pai em sua vida a transformava em uma pessoa sem ambições e presa a opinião dos outros.



O livro aborda assuntos que foram novos pra mim, como a existência de grupos que buscam o autoconhecimento e rituais místicos que buscam promover um encontro de corpo e alma. Foi uma leitura um pouco difícil pra mim, pois possuiu pouquíssimos diálogos e é contado em primeira pessoa, de forma a parecer um diálogo só - gigante - entre a autora e o leitor, o que pra mim foi um ponto negativo. Porém, a autora trás muitos temas interessantes e deixa muitas reflexões pra todos que têm um relacionamento amoroso ou que buscam um. Principalmente, a importância de nos conhecermos e nos amarmos em primeiro lugar, para só então conhecermos e amarmos o outro.

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Livro oferecido através de parceria com a Editora.

25/07/2017

Um brinde à amnésia



Não é fácil pensar no futuro. Estaremos juntos? Teremos realizado todos os planos, sonhos, promessas e ambições? Não é o pensamento mais agradável do mundo, confesso. Mas ainda podemos conviver com o “o que vai ser?”. Porém, a armadilha que ninguém deveria cair é a de pensar no passado. Os amores dele do passado, os beijos dele do passado, as tantas bocas, roupas tiradas, mãos dadas e troca de olhares. Os destinos visitados com outras pessoas, as lembranças (principalmente as felizes) sem você. Os apelidos fofos trocados, os planos de ficarem juntos pra sempre - como seria a casa, quantos filhos, teriam cachorros?

Se eu não tivesse aparecido e te aberto os olhos. Se eu não tivesse te mostrado que aquilo não era tudo, que você merecia mais. Se eu não tivesse, por um impulso de loucura, te dito sim. Se não tivéssemos mergulhado um no outro, eu que nunca quis passar da tua superfície. Se não. Se...

Por tão pouco. Quase...

Ideal mesmo era apagar, começar do zero. Feliz é quem não é sugado pelo que já foi e que não se deixa maltratar pelo que será. Feliz é o que esquece, que se presenteia a amnésia pra tocar o presente e se sentir presenteado e só. Brindemos à amnésia - aos que se permitem recomeçar.

21/07/2017

Resenha: "Ovelha — Memórias de um pastor gay", de Gustavo Magnani

Ovelha — Memórias de um pastor gay
Gustavo Magnani
Editora Geração, 2015
227 páginas
Este livro, estreia impressionante de um jovem e talentoso escritor, é o relato pecaminoso de um decadente. A história de um homem religioso e carismático, temente a Deus, mas amante insaciável de sua própria carne exótica, a carne de outros homens. Um pastor gay, casado com uma ex-prostituta, filho de uma fanática religiosa. Neurótico e depravado. E agora condenado. Internado num hospital, debilitado e com um segredo de uma tonelada nas costas, este personagem atormentado decide libertar-se de seus demônios e relatar seu drama. Num relato cru e sem censura, ele literalmente vomita seus trinta anos de calvário e charlatanice na cara da congregação (e de qualquer um que se interesse por um bom inferno). Sexo, paranoia, corrupção e destruição são os ingredientes tóxicos dessa obra provocante, polêmica e inovadora.
Essa é uma resenha que perdurou por meses nos meus rascunhos, mas agora consigo escrever sobre Ovelha, um livro que chegou à mim sem eu ao menos imaginar, me assustando de início com título e me deixando intrigado com o que poderia ser abordado nesta drama, afinal, são dois temas bastantes recorrente no Brasil: religião e homossexualidade. O livro é a estreia de um autor brilhante, Gustavo Magnani é o fundador de um dos maiores sites de literatura brasileira, então, não há como esperar algo além de maravilhoso.



Assim como o subtítulo sugere, o livro é contado através de memórias soltas da vida de um pastor homossexual. Narrado em primeira pessoa, a história alterna entre o presente e o passado, mostrando um homem que se esconde atrás da religião, contudo, mesmo tendo consciência do pecado que cometia, não deixou de viver as experiências que eram oferecidas - casou-se com uma mulher, teve filhos, mas manteve uma vida dupla, onde escondia as facetas de quem realmente era.





Essa resenha está há mais de dois anos para ser escrita e acredito que não teria conseguido falar desse livro antes, ainda quando eu mal compreendia o mundo LGBTQ+. Lembro-me da repulsa em que sentia em ler algumas partes do livro, cenas que eram sexuais demais, mas que hoje consigo compreender um pouco melhor o que o autor quis passar: o desejo reprimido de um homem que quis agradar as pessoas que estavam a sua volta. 

Esse é um exemplar muito bom, porque quando temos um personagem imposto sem condições de escolha numa "sociedade" religiosa, conseguimos visualizar uma limitação em cima daquele ser, como se não houvesse alternativa a não ser hétero, homem, o pastor. Sendo isso algo que ocorreu durante muito tempo, pessoas que negaram a si mesmas e viveram uma vida dupla, ou, pior ainda, viveram um final de infelicidade. 

Se não me engano, o Pastor (que não lembro o nome), está próximo a morte, então lembrar das suas descobertas ao lado de homens, desejos e coisas afins, mostra o que  realmente o fazia feliz, porque aliás essas são as lembranças antes da triste hora. É, então, um livro que fala sobre autoaceitação além de tudo, as cenas sexuais foram, sem dúvidas, uma faxada para mostrar um tema que ocorreu bastante há um tempo atrás e que hoje, infelizmente, ainda ocorre. 



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Livro oferecido através de parceria com a Editora.

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