25/09/2016

O fim das pessoas autênticas


Houve uma época que não encontrei o meu próprio eu - o que é uma fase normal, todos nós precisamos de um momento de incertezas e descobertas. Já faz algum tempo que me recuso a entrar nessa tendência de memes, frases decoradas, signos e correntes diárias (e não é porque a minha memória é ruim), então hoje redijo é sobre a criação de uma nova personalidade à base do que está sendo vendido e a necessidade de ser elogiado a todo custo.

Um dia desses resolvi sair com alguns amigos que não via faz algum tempo e ao conversar, todos eles tinham um "jargão" para conversar, o que me irritou profundamente, não pelo fato de não conhecer tais gírias e ficar flutuando durante o diálogo, mas pensamentos como "quem são essas pessoas?", "o que fizeram com meus amigos?" e "o que estou fazendo com esse tanto de pessoa que conversam deixando os outros de fora?". Não quero estou dizendo que é errado ser um robô que fala por meio de gírias, porque eu também uso "ah vai lavar a casa da cachorra, meu". O erro está sem se tornar um completamente ser que não perde a oportunidade de ser engraçado e deixar as pessoas perdidas. Mas de acordo com um amigo, o problema é a informação fácil deixa-nos alienado, absorvendo pessoas icônicas das redes sociais e perdendo um pouco de nós mesmo para estar na moda e diferetona.

Durante algum tempo consegui ignorar essa moda e a do signismo, que hoje já não é tão forte como antes, mas sempre me incomodou o fato das pessoas deixarem de viver experiências baseado na representação de espaços na atuação dos planetas, de fato algumas coisas realmente coincidem, mas não há como definimos personalidade à todas as pessoas, porque certo dia ela pode apenas acordar e ser outra totalmente diferente. Baseado no meu repúdio a este comportamento, decidi ser por um dia capricorniano, todos os que conheci e atribuíram que minhas características eram capricornianas mesmo, então percebi nesse dia que algumas coisas são definidas a base da perspectiva e expectativa. Assim o mesmo aconteceria se eu houvesse falado que sou taurino: as pessoas também falariam que minhas característica são baseadas no meu signo. Dessa forma, consigo concluir que as pessoas enxergam o que meu signo é e conceituam minha personalidade por meio de tal.

Voltando ao assunto dos meus amigos, fiquei um tanto desapontado porque já não os conhecia mais como antes, as manias e o modo de falar já não era puro, mas sim cópia do que está na internet, do que é famoso. Sinto um pouco de falta do que era há alguns anos, onde você "não saia da formation" por não saber de cor memes. Onde, pra poder entrar em uma conversa, precisa ter referências.

20/09/2016

Resenha: "Órfão X", de Gregg Hurwitz

Órfão X
Gregg Hurwitz
Editora Planeta
336 páginas
Quando garoto, Evan Smoak foi recrutado no orfanato onde vivia para fazer parte de um programa americano ultrassecreto. Rebatizado de Órfão X, ele foi treinado para ser um exímio assassino e enviado aos piores lugares do mundo para missões que ninguém mais conseguia executar. Depois de longos anos de atividade, Evan deixa o programa e usa as habilidades de agente secreto para “desaparecer” e viver para um único propósito, agora sob o codinome de “Homem de lugar nenhum”: salvar e proteger pessoas pobres e indefesas como ele havia sido. No entanto, seu passado de matador sangrento passará a assombrá-lo e também a seus protegidos. Alguém tão bem treinado quanto ele – talvez um ex-colega de programa?– está na sua cola, para tentar eliminá-lo.
Estou perdidamente apaixonada por Evan Smoak. Daquelas paixões literárias brabas, que não saem da cabeça tão cedo, sabe? Então. A história criada pelo autor tem um toque de super herói anônimo que me fez lembrar bastante de Dexter, que por acaso também sou apaixonada, o que imediatamente acumulou pontos a favor da história. Evan foi criado em um orfanato diferente, que recrutava os órfãos para serem treinados e fazerem parte de um programa americano ultrassecreto de missões perigosíssimas e super arriscadas. Órfão X, como era chamado no programa, era um dos destaques e o queridinho do chefe, Jack. A relação dos dois era bastante fraternal, de forma a fazer com que Evan tivesse o melhor treinamento e acesso a proteção de mais alto nível, com tecnologias de ponta ao acesso de um clique.



Após a morte de Jack, Evan decidiu seguir o próprio rumo deixando o programa para viver isoladamente e trabalhar ajudando as pessoas que realmente precisavam. Suas missões consistiam em receber uma ligação no celular que tinha sempre consigo, atendendo pelo nome de "O Homem de Lugar Nenhum", tornou-se uma lenda. A única coisa que pedia em troca a pessoa que ajudava era que ela encontrasse outra pessoa que precisava de sua ajuda e lhe passasse seu contato.

"- Encontre alguém que precisa de ajuda. Dê meu telefone. I-85-LUGARNENHUM.
(...)
- É só isso?
- É só isso."

Tudo que ele vivia e estabeleceu como regra entra em conflito quando duas missões aparecem em pouco espaço de tempo, deixando-o em dúvida de qual das duas era fraude. Conhecemos Katrin, que o procura afirmando estar sendo alvo de ameaças por conta de dívidas. E conhecemos Memo, que afirmava ser ameaçado por traficantes de órgãos e drogas. A corrida contra o tempo e a falta de informações o fizeram vítima, depois de descobrir que um dos dois mentia e estava trabalhando com pessoas que o queriam morto.



Em meio a isso, as relações pessoais para o protagonistas eram quase nulas. Um "oi" para os vizinhos do prédio e nada além disso. Até que os vizinhos Mia e o filho Peter são alvos de ataques, pois Mia era promotora e sofria ameaças de marginais e Evan se vê obrigado a ajudar, pois já se sentia envolvido com ambos, que de alguma forma eram a única parte de sua vida que o aproximava dos sentimentos humanos que ele tinha. Ao se mostrar como realmente era para os vizinhos, mais uma regra foi quebrada e mais uma complicação adicionada a vida de Evan.

O final é surpreendente, de te deixar babando, literalmente. A leitura é fácil e empolgante, cheia de detalhes sobre tecnologias e uma visão de mundo diferente do que somos acostumados. Me deixou ansiando por mais e feliz pela surpresa boa de ler um livro de um autor pela primeira vez e já amar, fiquei cheia de vontade de conhecer mais obras de Gregg.

17/09/2016

Resenha: "Cyberstorm", de Matthew Mather

Cyberstorm
Matthew Mather
Editora Aleph, 2015
368 páginas
Em meio a uma forte tensão política internacional, os Estados Unidos sofrem um grande ataque cibernético: todos os meios de comunicação começam a falhar. Ao mesmo tempo, uma forte tempestade de neve assola a cidade de Nova York, e uma possível epidemia de gripe aviária parece se aproximar. Presos na cidade e quase sem contato com o resto do mundo, os moradores de repente se veem imersos em um cenário verdadeiramente apocalíptico. Enquanto rumores e especulações correm sobre a origem desses ataques, Mike Mitchell se concentra em questões que para ele parecem mais urgentes. A crise o atingiu em um momento crítico de sua vida, complicando seus já confusos problemas pessoais e financeiros. Agora, sua prioridade é manter a família unida e viva no crescente caos que se forma a sua volta.
Quando li Cyberstorm a única coisa um vinha na minha cabeça era José Saramago, mais especificamente o seu romance Ensaio Sobre a Cegueira. O motivo para associar ambas as obras seria a catástrofe em retirar algo importante e de grande utilidade para a sociedade, no exemplar de Saramago temos como faltante a visão, enquanto no de Matthew Mather temos a falta de internet.


Há 5, 8 anos atrás a internet não faria tanta falta, já que os meios de comunicação e aparelhos eletrônicos não eram tão avançados como hoje. Atualmente poucos meios eletrônicos funcionam sem internet, por exemplo, sem a falta da mesma não é possível fazer compras em mercado, sacar dinheiro e outras coisas que seríamos obrigados a adaptar. De fato é, quase, impossível viver sem internet, visto que metade da nossa vida é organizada através dela. Com isso, Cyberstorm busca confrontar a vulnerabilidade que seria estar sem internet e o caos que se tornaria o repentino sumiço de tal.


Imaginar essa possibilidade de ficar sem conexão com o exterior se tornou interessante neste romance, pois a população de algum modo não consegue de adaptar e acabam gerando diversos conflitos, como roubos e mortes. Vale lembrar que também uma tempestade ao mesmo tempo que os meios de comunicação somem, logo, o livro se torna um incessante arquivo de sobrevivência dos nossos protagonistas: dois homens, duas mulheres - uma delas grávida. A cada novo capítulo o autor introduz uma possibilidade do que poderia estar acontecendo no mundo externo dos nossos protagonistas como uma possível terceira guerra mundial, hackers invadindo sistemas, porém nenhuma possibilidade fica clara o suficiente até o término deste volume.

Com esse breve comentário deixo minha recomendação de leitura; uma hipótese que me deixou bastante reflexivo  e que me fez devorar o livro em questão de dias. Cysberstom é a sobrevivência ao virtual, sobrevivência do costume.

15/09/2016

Resenha: "A Irmã da Sombra", de Lucinda Riley

A Irmã da Sombra
As sete irmãs, livro 03
Lucinda Riley
Editora Arqueiro
512 páginas
Em A irmã da sombra, terceiro volume da série As Sete Irmãs, duas jovens igualmente determinadas, porém de séculos distintos, conectam-se por meio de diários que retratam uma vida intensa de superação, amor e perdão.

Estrela D’Aplièse está numa encruzilhada após a repentina morte do pai, o misterioso bilionário Pa Salt. Antes de morrer, ele deixou a cada uma das seis filhas adotivas uma pista sobre suas origens, porém a jovem hesita em abrir mão da segurança da sua vida atual.

Enigmática e introspectiva, ela sempre se apoiou na irmã Ceci, seguindo-a aonde quer que fosse. Agora as duas se estabelecem em Londres, mas, para Estrela, a nova residência não oferece o contato com a natureza nem a tranquilidade da casa de sua infância. Insatisfeita, ela acaba cedendo à curiosidade e decide ir atrás da pista sobre seu nascimento.

Nessa busca, uma livraria de obras raras se torna a porta de entrada para o mundo da literatura e sua conexão com Flora MacNichol, uma jovem inglesa que, cem anos antes, morou na bucólica região de Lake District e teve como grande inspiração a escritora Beatrix Potter. Cada vez mais encantada com a história de Flora, Estrela se identifica com aquela jornada de autoconhecimento e, pela primeira vez, está disposta a sair da sombra da irmã superprotetora e descobrir o amor.

Ai. Meu. Deus! Acho que não é novidade, pra quem acompanha minhas resenhas, que sou fã declarada da autora Lucinda Riley e que leria qualquer coisa escrita por ela sem medo de ser feliz. Sou apaixonada pelo seu jeito singular de escrever e por sempre intercalar duas histórias, uma no presente e outra de muito tempo atrás, sendo sua assinatura registrada. Sim, já li livros assim de outros autores e alguns se tornam bem torturantes, por nos identificarmos sempre mais com uma das histórias, mas, juro que com a Lucinda é diferente.

“Um cômodo sem livros é como um corpo sem alma.”
Declarações de amor à parte, A Irmã da Sombra é o terceiro livro da série Sete Irmãs, que consiste em sete livros contado a história de cada uma das irmãs Plêiades, todas adotadas pelo senhor Pa Salt, vindas de diferentes partes de mundo. A série pode ser lida em qualquer ordem e não alterará seu entendimento. Achei isso genial, porque não obriga o leitor a adquirir a série inteira se não quiser. Esse, em específico, conta a história da irmã Asterope D’Aplièse, ou como é mais conhecida, Estrela. Logo no início descobrimos que o pai das meninas faleceu (o que do meio pro fim, comecei a acreditar que pode não ser verdade), deixando pra cada uma delas uma carta que continha informações sobre o passado delas, caso elas decidissem saber mais sobre suas vidas antes da adoção.



"Bem, Estrela querida, no final das contas a gente conseguiu fazer essa flor brotar. Beijo, Pa."
Estrela vivia à sombra da irmã Ceci, pois nunca gostou de falar, apesar de se dar bem com as palavras escritas, sendo a irmã a sua porta-voz em todas as ocasiões desde a infância. Após o falecimento do pai, a decisão de morar juntas foi imediata. Porém, com a decisão de finalmente abrir a carta e ver o que o pai havia deixado para ela, Estrela segue a indicação contida na carta para ir a uma livraria e é lá que ela conhece Orlando, dono da livraria e quem viria a se tornar seu patrão e amigo, e toda a família dele, contendo os irmãos Mouse e Marguerite e o sobrinho, Rory. A família então passou a se tornar presença constante na vida dela, a deixando tão envolvida com a amizade alí construída e passando a conhecer seu passado, que o vínculo com a irmã foi passando a desvanecer.



É então que conhecemos a outra história dentro do livro, somos apresentados à Flora por meio dos diários da mesma, que segundo Pa Salt deixou escrito na carta para Estrela, era alguém que significava bastante no seu passado. Os diários, que foram apresentados a Estrela por Mouse (que ajudou Estrela e se ajudou de uma forma a parecer uma quebra cabeças de últimas peças que só funcionam juntas), contavam a história de Flora de forma apaixonante, em meio a muito sofrimento e amor. Sua história de vida e amor por Archie (personagem que me apaixonei perdidamente) tem muitos altos e baixos e momentos de surpresa o tempo todo, deixando a gente sem ar, sem vontade de largar o livro um instante sequer.

As duas histórias têm uma ligação incrível, nos fazendo amar ambas na mesma proporção, assim como suas personagens, que com certeza deixaram marcas no meu coração literário. O fim da história é comovente, bonito e real. O rumo que a vida de Estrela e Flora tomaram foi surpreendente de uma forma positiva demais, de deixar sorrisos e lágrimas no meio do caminho. O amor, mesmo que talvez por pouco tempo dando certo na vida delas, foi marcante e inspirador. Enxergamos com facilidade os nós sendo desatados e os laços sendo feitos. Se tornou, sem dúvida nenhuma, meu livro favorito da autora. E um dos favoritos da estante.

13/09/2016

Uma carta para um personagem fictício


Tsukuru Tazaki você foi criado pelas palavras de Haruki Murakami, um homem que compreende outro de uma forma certeira. Ele te descreve como eu, o Cara, que tem medo de seguir frente e medo de ser quem realmente eu sou - que deixou algo preso durante anos, para um dia, talvez, se tornar livre.

Quando li você vi a mim mesmo naquelas palavras, nas coisas que deixei de lado por achar que poderia esquecer, que era o culpado de todas as minhas dores e que eu poderia silenciar com o passar do tempo. Mas descobrimos, à medida, que o tempo, apesar de cicatrizante, não pode fechar todas as feridas. Às vezes, por mais doloroso que seja, precisamos abrir as feridas para resolver as pendências que deixamos no caminho.

Acabei me encontrando muito em você, no tanto tempo passei da vida "sem fazer" nada e de um dia para o outro despertar: saber o que fazer e como fazer.


Esse post pertence a este projeto, que é basicamente todo mês escrever uma carta de coração: falando de auto-descoberta, para alguém do passado ou um simples desabafo.

11/09/2016

Resenha: "Pedra no Céu", de Isaac Asimov

Pedra no Céu
Isaac Asimov
Editora Aleph, 2016
312 páginas
Qualquer planeta é a Terra para aqueles que nele vivem. O alfaiate aposentado Joseph Schwartz desfrutava de uma pacífica caminhada de verão quando, devido a um acidente em um laboratório na mesma cidade, foi involuntariamente transportado milhares de anos para o futuro. Chega então a uma Terra marginal e abandonada, cuja superfície é quase toda inabitável, e que fica às margens de um grandioso Império.
Há algum tempo tenho vontade de ler algo do Isaac Asimov, autor considerado um dos "três grandes" fundadores da ficção científica. Asimov é um autor antigo, seus livros estão no mercado há mais de 60 anos, com isso achei que a leitura de suas obras nunca seriam fáceis, afinal, ficção científica já é algo um pouco complicado para quem não tem costume, contudo surpreendi com uma escrita simples. Uma com termos técnicos e conceitos técnico-científicos, mas fluída.
”… o senhor se surpreenderá além da conta. Já faz quatro anos que estou na Terra, e minha experiência não é das melhores. Acho que esses terráqueos são patifes e cafajestes, todos eles. Definitivamente são nossos inferiores intelectuais. Eles não têm aquela faísca que espalhou a humanidade por toda a Galáxia. São preguiçosos, supersticiosos, avarentos e não demonstram qualquer sinal de nobreza na alma. Eu desafio o senhor, ou a qualquer um, a me mostrar um terráqueo que possa ser equiparado, em qualquer sentido, a qualquer homem de verdade, ao senhor ou a mim, por exemplo, e só então reconhecerei que ele pode representar uma raça que um dia foi nossa ancestral. Mas até lá, por favor, me isente de fazer uma suposição dessas.”
 
Pedra no Céu, como pode observar pela passagem que coloque acima, é um exemplo do livro xenofóbico: Os seres da Terra são tratados de maneira diferente dos demais habitantes da galáxia, pois os terráqueos, para os demais, são cheios de doenças, pouca capacidade intelectual e impossíveis de viver em outro lugar, se não na própria Terra, um lugar altamente radioativo, fraco e improdutivo  - onde a vida se limita até os 60 anos, de acordo com a lei do Sexagésimo

Isaac Asimov, pelo que percebi, envolve em suas criações bastante conceitos técnicos e complexidade, ma sua narrativa consegue ser acessível para qualquer tipo de leitor que busca se aventurar em ficção científica. Fazendo o uso de uma linguagem simples, com personagens de características marcantes e histórias que contém um senso de humor leve e único.

 
Minha primeira experiência com Isaac Asimov não poderia resultar em outra: quero ler outros livros deste autor - já estou com Eu, Robo na estante só esperando. A leitura de Pedra no Céu, foi simples desde o início, mas tenho que deixar claro que nas primeiras páginas o leitor ficará perdido, pois o autor não se preocupa em jogar tantos personagens e perspectivas sobre o leitor. 

Esse é um dos primeiros livros lançados por Asimov, fiquei feliz em ter começado por este e saber que os seus livros seguem uma, como podemos dizer..., "concordância" - interagindo entre si. Estou ansioso para começar outros livros e me aventurar pela Fundação e conhecer personagens tão bons quanto apresentado neste volume a qual resenho. 

06/09/2016

6 on 6: the last days


Pela primeira vez em 9 meses eu estou aqui pronto, no horário certo e dia certo! Porém as fotos são o resumo dos últimos dias, não foram fotos extremamente dedicadas ao projeto, mas que deixarem boas memórias - exceto os cookies, porque não tem nenhum preço sentimental, só gula mesmo.

 ─
  Cris / Lucas / Luly / Maíra / Renatinha.

04/09/2016

Resenha: "Traços", de Eduardo Cilto

Traços
Eduardo Cilto
Editora Planeta
272 páginas
Quando Matheus aceitou acompanhar Beatriz na festa do colégio, jamais imaginou que terminaria a noite participando de um ritual místico (de veracidade duvidosa) para saber o que o futuro reservava para ele e a amiga. Assim que as velas que os cercavam se apagam e uma resposta esquisita encerra a cerimônia, Beatriz leva o resultado a sério e entende que deve fugir da cidade pequena para se encontrar com seu destino nas ruas da capital de São Paulo. Perdido no meio de tudo, Matheus é obrigado a repensar o que considera certo ou errado quando é convidado para participar do plano maluco de fuga e decide que precisa passar por cima dos limites impostos pelos pais para finalmente ser capaz de entender quem realmente é. Os dois amigos partem sozinhos para São Paulo e carregam consigo não somente as malas nas costas, mas também o peso de todos os problemas que achavam que estavam deixando para trás. Sem ter ideia do que estão enfrentando, Matheus e Beatriz descobrem mais sobre si mesmos, criam, quebram laços e encaram desafios que jamais pensaram que confrontariam enquanto contavam as moedas para realizar esse grande plano que iria mudar suas vidas para sempre.


Escolher esse livro pra ser minha leitura da vez foi fácil. Autor brasileiro e booktuber, história acontecendo no Brasil e no ano que estamos, capa bem bonita e sinopse interessante. Lê-lo foi tão fácil quanto essa decisão. Em uma leitura super simples, conhecemos a história de Matheus e Beatriz, adolescentes e melhores amigos, que após a festa da escola resolvem participar de um ritual realizado pela namorada de um amigo, coagidos pelo desejo de Bia de conhecer seu futuro. O ritual é descrito de uma forma meio bizarra, velas, círculo de sal e toda essa coisa de bruxaria. A mensagem deixada para Bia, que buscava respostas sobre sua futura vida, foi de que seu destino não se encontrava ali, o que a fez decidir, no dia seguinte, que tudo de que precisava era fugir pra São Paulo na busca de conhecer o vlogueiro "Garoto Diferente", de quem a menina era fã e acreditava que com ele poderia encontrar todas as respostas pras perguntas que tinha e, ainda propondo, levar consigo seu melhor amigo, Matheus.



Com a relação conturbada que existia entre Matheus e sua família e a paixonite clara pela melhor amiga, ficou óbvio que ele a acompanharia nessa fuga maluca. Chegando em São Paulo, depois de muitos percalços, a história toma um rumo completamente diferente. Bia e Matheus veem o noticiário que informa que três vlogueiros foram sequestrados (o que me fez lembrar bastante do caso Marina Joyce), entre eles, o Garoto Diferente, a quem Bia largou tudo para procurar. Sem muito dinheiro no bolso, sem rumo e sem saber o que fazer com aquela notícia, eis que surge Samantha, uma ex colega de sala de Matheus, que os acolhe em casa e passa a fazer parte dos planos dos dois. Sammy é a personagem que mais curti e, acredito, a personagem que tornou a história melhor, com suas frases de efeito e sensibilidade.



O egoísmo e a inconsequência presente nas atitudes de Beatriz, vai se intensificando com o decorrer da história, fazendo que com que fique impossível gostar da personagem, que pensa unicamente no próprio umbigo e não pesa as consequências de seus atos. Embora fosse difícil engolir certas atitudes idiotas dos personagens (que sempre consistiam em ideias de Beatriz sempre aceitas por Matheus), confesso em que alguns muitos momentos dei muita risada e encontrei um pouco de mim, nos meus quatorze ou quinze anos, no meio das coisas que eles viveram.
- Podem embarcar! - o homem anunciou depois de passar mais alguns segundos avaliando o que estava em suas mãos e devolvendo os documentos para Beatriz. - Miguel e Lupita, desejo a vocês uma boa viagem. (...) A garota jogou os papéis em meu colo e entendi o motivo dos risos. Os documentos tinham nomes de personagens de uma novela mexicana que fez sucesso quando éramos crianças.


No meio desse enredo, que não me convenceu muito em seu total, ainda assim foram abordados temas de muita importância. A homossexualidade e as consequências do "não apoio" familiar, a relação dos adolescentes com a fama e a internet são assuntos que precisam ser discutidos e de alguma forma, o autor conseguiu passar uma mensagem marcante sobre essas temáticas, o que achei muito positivo. O final da história é triste e me deixou com um sentimento de impotência horrível, não querendo acreditar em como as decisões que eles tomaram os levaram pra aquela situação, por diversas vezes a vontade era de gritar com os três que criassem juízo. Por fim, senti que a história tinha grande potencial, mas não foi bem construída e ficou, se não muito trágico, irreal.


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