Resenha: "Violent Cases", de Neil Gaiman e Dave Mckean

Violent Cases
Neil Gaiman e Dave Mckean
Editora Aleph
64 páginas
A verdade e a confiabilidade das memórias são o fio condutor de Violent Cases, a primeira e famosa colaboração do escritor Neil Gaiman com o artista Dave McKean. Pressagiando muito do estilo e dos temas que ambos viriam a tratar em criações futuras, a graphic novel mistura ficção e realidade de forma tão singular quanto combina texto e imagem, e traz em seu cerne o poder e a magia de contar histórias. O protagonista nos conta que, quando tinha quatro anos e meio, uma altercação com o pai levou-o a um osteopata para tratar o braço. Este médico dos ossos, de procedência incerta, aparência imprecisa e passado nebuloso, é o pivô das memórias do narrador que, mesmo sem muita segurança, entrelaça os mundos de violência na família, das festas infantis e dos famosos gângsters do período da Lei Seca.


Essa foi minha primeira relação com quadrinhos, depois dos almanaques da Turma da Mônica, claro. E não estou nenhum pouco desapontada. Foi completamente novo ler uma história ilustrada adulta e de uma ilustração tão rica, quase como fotografias. Meu primeiro contato com uma graphic novel e garanto, estou apaixonada. Em pouquíssimas páginas é possível captar a história contada por um jovem adulto, sobre vivências suas de quando tinha apenas quatro anos de idade, de um ponto de vista muito inteligente, Neil relatou como nossa memória de histórias vividas a muitos anos consegue ter diversas perspectivas por não conseguirmos recordar os momentos como realmente aconteceram, a ideia de que não sabermos se são memórias ou apenas coisas criadas por nossa imaginação que acabamos transformando em fatos é muito interessante e nos faz refletir sobre recordações que nós mesmo temos. Ou criamos.





A criança da história conta sua experiência ao precisar dos cuidados de um osteopata após ter o braço quebrado pelo pai, assim como, sua relação conturbada com o autor do seu acidente e as muitas curiosidades sobre os gângsters da época, citando o famoso Al Capone. As ilustrações também merecem bastante atenção, riquíssimas em seus detalhes e muitas vezes me prendia em minutos olhando cada pontinho apresentado, ligando a história a imagem.




A história logo chega ao fim e em um "sentar pra ler", como eu costumo chamar, deixando um gostinho de quero mais enorme. A parceria de Neil e Dave deu tão certo que pretendo ler tudo que os dois fizeram juntos e se você é amante de quadrinhos ou tem o desejo de começar a ler algo, indico essa leitura sem medo de decepcionar.



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