28/08/2016

Uma carta para nunca ser enviada


São três horas da manhã, daqui a 30 minutos sei que não conseguirei mais manter meus olhos abertos. Depois de tanto pensar, de tanto imaginar e querer sentir - eu aceito dormir, cansado. Dormir tem sido uma salvação para acalmar o lado selvagem e a saudade, o beijo doce e a lágrima salgada.


Esse post pertence a este projeto, que é basicamente todo mês escrever uma carta de coração: falando de auto-descoberta, para alguém do passado ou um simples desabafo.

18/08/2016

Resenha: "A Vida Invisível de Eurídice Gusmão", de Martha Batalha

A Vida Invisível de Eurídice Gusmão
Martha Batalha
Editora Companhia das Letras, 2016
192 páginas
Guida Gusmão desaparece da casa dos pais sem deixar notícias, enquanto sua irmã Eurídice se torna uma dona de casa exemplar. Mas nenhuma das duas parece muito feliz nas suas escolhas.

A realidade das Gusmão é parecida com a de inúmeras mulheres nascidas no Rio de Janeiro nos anos 1920 e criadas para serem boas esposas. São as nossas mães, avós, bisavós; invisíveis em maior ou menor grau, que não puderam protagonizar as próprias vidas, mas que agora são as personagens principais do primeiro romance de Martha Batalha. Uma promessa da ficção brasileira que chega afiadíssima para contar uma infinidade de histórias bem costuradas e impossíveis de largar.
A história é centrada em Eurídice Gusmão, uma senhora carioca e de vida simples. Ao decorrer da trama, vamos descobrindo mais sobre o que se passa dentro da cabeça da dona de casa: suas dúvidas, arrependimentos e tentativas de fazer sua vida ser muito mais do que cuidar da casa e se preocupar com as fofocas do bairro. O leitor vai conhecendo, ao longo do livro, o passado de Eurídice, sua relação com os pais, com o marido, com os filhos e principalmente com sua irmã Guida, outra personagem central da história.

O livro é um caleidoscópio de histórias, onde conhecemos vários personagens do Rio de Janeiro do século XX, desde a história de pais, avós, vizinhos, até amores, dores, tristezas e angústias. Essa narrativa que nos apresenta diversos lados, destrói os muros de preconceito que o leitor possa ter com determinados personagens, uma vez que sabemos exatamente pelo que eles passaram e os acontecimentos em suas vidas que fizeram com que agissem de determinada maneira.

Além disso, outro ponto interessante na leitura é como um personagem influencia as ações de outro. O jogo criado pela autora, transforma todos os personagens da trama em peças de dominó, onde um se encaixa no outro, e o efeito dominó é garantido por relações familiares complexas e que definem o curso da existência um do outro. É possível dessa forma traçar um paralelo com nossas próprias relações familiares e sociais, sendo impossível não aplicar pontos do livro em sua vida real.

A escrita é doce e fluida, fazendo com que a leitura se pareça com uma história contada ao pé do ouvido. Momentos tristes, pesados e acontecimentos dramáticos são contados com tanta leveza que chega a se parecer com poesia. Uma história pungente e melancólica que atinge o leitor em cheio, já que guardadas as devidas proporções, podemos ser Eurídices em nosso próprio cotidiano, seguindo a vida como quem segue uma fila em linha reta, sem olhar para os lados ou seguir caminhos diferentes. Até que ponto deixamos os outros definirem nossa vida? Quando passamos a parar de pensar por nós mesmos para seguirmos o que a sociedade espera? Qual a importância da nossa individualidade em meio a tantas outras pessoas?

Antes mesmo do livro ser lançado no Brasil ele já era um sucesso lá no exterior. A autora vendeu os direitos para várias editoras internacionais, depois de ter sido rejeitada por várias brasileiras. Após o sucesso estrondoso lá fora, o livro finalmente teve o tratamento que merece, em uma edição belíssima da Cia das Letras, impecável da qualidade gráfica a revisão.

A Vida Invisível de Eurídice Gusmão é uma história que irá emocionar, te fazer refletir sobre vários aspectos da vida, torcer pelos personagens e principalmente: esperar ansiosamente pelo próximo livro da autora, que se seguir contando histórias, será uma das vozes mais importantes da literatura contemporânea.


16/08/2016

Resenha: "Violent Cases", de Neil Gaiman e Dave Mckean

Violent Cases
Neil Gaiman e Dave Mckean
Editora Aleph
64 páginas
A verdade e a confiabilidade das memórias são o fio condutor de Violent Cases, a primeira e famosa colaboração do escritor Neil Gaiman com o artista Dave McKean. Pressagiando muito do estilo e dos temas que ambos viriam a tratar em criações futuras, a graphic novel mistura ficção e realidade de forma tão singular quanto combina texto e imagem, e traz em seu cerne o poder e a magia de contar histórias. O protagonista nos conta que, quando tinha quatro anos e meio, uma altercação com o pai levou-o a um osteopata para tratar o braço. Este médico dos ossos, de procedência incerta, aparência imprecisa e passado nebuloso, é o pivô das memórias do narrador que, mesmo sem muita segurança, entrelaça os mundos de violência na família, das festas infantis e dos famosos gângsters do período da Lei Seca.


Essa foi minha primeira relação com quadrinhos, depois dos almanaques da Turma da Mônica, claro. E não estou nenhum pouco desapontada. Foi completamente novo ler uma história ilustrada adulta e de uma ilustração tão rica, quase como fotografias. Meu primeiro contato com uma graphic novel e garanto, estou apaixonada. Em pouquíssimas páginas é possível captar a história contada por um jovem adulto, sobre vivências suas de quando tinha apenas quatro anos de idade, de um ponto de vista muito inteligente, Neil relatou como nossa memória de histórias vividas a muitos anos consegue ter diversas perspectivas por não conseguirmos recordar os momentos como realmente aconteceram, a ideia de que não sabermos se são memórias ou apenas coisas criadas por nossa imaginação que acabamos transformando em fatos é muito interessante e nos faz refletir sobre recordações que nós mesmo temos. Ou criamos.





A criança da história conta sua experiência ao precisar dos cuidados de um osteopata após ter o braço quebrado pelo pai, assim como, sua relação conturbada com o autor do seu acidente e as muitas curiosidades sobre os gângsters da época, citando o famoso Al Capone. As ilustrações também merecem bastante atenção, riquíssimas em seus detalhes e muitas vezes me prendia em minutos olhando cada pontinho apresentado, ligando a história a imagem.




A história logo chega ao fim e em um "sentar pra ler", como eu costumo chamar, deixando um gostinho de quero mais enorme. A parceria de Neil e Dave deu tão certo que pretendo ler tudo que os dois fizeram juntos e se você é amante de quadrinhos ou tem o desejo de começar a ler algo, indico essa leitura sem medo de decepcionar.



12/08/2016

Resenha: "No Meio do Caminho Tinha um Amor", de Matheus Rocha

No Meio do Caminho Tinha um Amor
Matheus Rocha
Editora Sextante
176 páginas
Às vezes, a gente insiste em viver um relacionamento que já chegou ao final faz tempo. Tentamos resistir, fazer de tudo para durar mais, lutando para trazer de volta os momentos mágicos do início. Mas, quando o amor acaba, no lugar do conforto e do carinho que existiam só restam feridas que vão doer por um bom tempo e deixar cicatrizes que não desaparecerão. Porque o amor nem sempre é para sempre. Com o fim vem a tristeza, a saudade, a mágoa, o desespero e a vontade de nunca mais sentir aquela dor. Aí fechamos as portas ao perigo de sermos machucados outra vez, mas também à chance de sermos amados de novo. Um belo dia, quando as lágrimas já secaram e nos esquecemos do desconforto, com muito cuidado abrimos uma fresta só para ver a vida lá fora. E, assim como um raio de sol que entra por qualquer brecha, de repente uma vontade de recomeçar nos invade e tudo volta a fazer sentido. E, sem nem saber como, no meio do caminho avistamos novamente o amor – e a certeza de um novo começo!


No Meio do Caminho Tinha um Amor é uma coletânea de textos do autor Matheus Costa, dono da página Neologismo, que sou fã e sigo a bastante tempo, sendo esse, o principal motivo pra querer muito ter o livro pra mim e lê-lo. São textos que falam de coisas que todos nós ja vivemos. Amor, desamor, desapego, fim de relacionamento, resiliência e mudanças. Sobre como o mundo dá voltas e como tudo que passamos tem um motivo pra acontecer. E as vezes, existe até um prêmio no final de tudo esperando por nós.




O livro é dividido em três partes. Fim, meio e começo. O fim, em sua maioria, é composto por textos relacionados ao término de relacionamentos e as dificuldades de viver uma situação como essa, do sofrimento de ter que dar adeus a alguém que as vezes você ainda ama, mas que não está destinada a ser sua.
"Sei que somos mais um entre milhões de casais que se desfizeram. A gente tem mania de eternidade dentro do peito."



O "meio", são os textos mais fortes, na minha opinião. De frases cheias de efeito e que tocam profundo, principalmente àqueles que já passaram por um fim de namoro ou amizade e que tentam encontrar as respostas que precisam pra seguir em frente. Algumas vezes, sentia que aquilo poderia ter sido escrito por mim, de tanto me identificar com as palavras escritas. São textos que quem está precisando de uma palavra de conforto deve ler, pois encorajam a seguir em frente e fazem entender que nessa vida, por mais que acreditemos que não, tudo passa.
"Não se desgaste com quem não sente o mesmo que você. Siga em frente. Siga sua história. Aceite a dor, que, garanto, é momentânea. Tão passageira quanto a vida. Tão curta e intensa quanto uma topada. Não tem luz nem escuridão, dor ou exatidão. Quem quer você vai a pé do Brasil, passando pela Lua, e chega ao Japão. Faz das tripas coração. Faz do impossível piada.



O "início", foram os textos que mais me identifiquei, confesso. Sou uma romântica incurável e fiquei apaixonada pela maneira que o amor foi descrito pelo autor, de uma forma realista e bonita e que me fez gastar milhares de post-its de tantas marcações e de querer compartilhar tudo com quem amo. Surpreende saber que outras pessoas amam como a gente ama, que a frieza dos outros é que não é normal, que amar demais não é loucura, é entrega, é paixão.
"É tão fácil me achar em você. Sempre tem algo seu perdido - ou melhor, achado - em mim."



Esse livro é maravilhoso para diversos momentos da vida. Alguns textos te deixarão felizes por amar alguém, outros te mostrarão que dar adeus é difícil sim, mas não é o fim do mundo e você é maior do que isso. Outros, te dirão o quão você é incrível e alguns te farão sentir que são escritos pra você. É o tipo de leitura que pretendo ter sempre a mão, pra usar como um tipo de oração, de consolo pros dias ruins e amigo pros dias felizes.

10/08/2016

Resenha: "Outlander — A libélula no âmbar", de Diana Gabaldon

A libélula do âmbar
Outlander, livro 02
Diana Gabaldon
Editora Arqueiro
944 páginas
Claire Randall guardou um segredo por vinte anos. Ao voltar para as majestosas Terras Altas da Escócia, envoltas em brumas e mistério, está disposta a revelar à sua filha Brianna a surpreendente história do seu nascimento. É chegada a hora de contar a verdade sobre um antigo círculo de pedras, sobre um amor que transcende as fronteiras do tempo... E sobre o guerreiro escocês que a levou da segurança do século XX para os perigos do século XVIII.

O legado de sangue e desejo que envolve Brianna finalmente vem à tona quando Claire relembra a sua jornada em uma corte parisiense cheia de intrigas e conflitos, correndo contra o tempo para evitar o destino trágico da revolta dos escoceses. Com tudo o que conhece sobre o futuro, será que ela conseguirá salvar a vida de James Fraser e da criança que carrega no ventre?

Cá estou eu, 944 páginas depois, com o coração acelerado e a cabeça ainda grudada na história sensacional que Diana Gabaldon criou. Definitivamente essa mulher é um gênio e, definitivamente, o mundo precisa conhecer Outlander. Nas primeiras páginas o baque já é enorme, Claire está de volta a sua época e junto da filha, Brianna, que já é uma mulher, busca respostas para as perguntas que deixou pra trás, no século passado. Com a ajuda de Roger, também já adulto, filho do reverendo já falecido, Claire começa sua pesquisa com intuito de saber qual teria sido o destino de todas as pessoas que amava do século anterior. Frank, o marido de Claire, também já havia falecido e Brianna não conhecia sua história verdadeira. São tantos fatos para serem assimilados que, no início, senti a necessidade de ler em um ritmo mais lento, tentando não deixar escapar os detalhes importantes.



É então que, em determinado ponto, Claire anuncia o porque de sua pesquisa sobre a vida, e o destino, que levaram os homens desconhecidos que são o conteúdo de seu interesse, para Brianna e Roger. Decidida a deixar a filha ciente de sua verdadeira história, Claire conta aos dois sobre sua viagem no tempo, sobre Jaime e sobre tudo que aconteceu durante todo o tempo que, em seu século, esteve desaparecida.
"Claire Randall, mulher do renomado historiador dr. Frank W. Randall, desaparecera durante suas férias na Escócia, em Inverness, no final da primavera de 1945. O carro que estava dirigindo foi encontrado, mas ela própria sumira sem deixar vestígios. Todas as buscas foram inúteis, a polícia e o desesperado marido concluíram que Claire Randall fora assassinada, talvez por um mendigo errante, e seu corpo ocultado em algum lugar nos penhascos rochosos da área. E em 1948, três anos depois, Clarie Randall retornara. Fora encontrada, desgrenhada e vestida de trapos, vagando perto do local onde desaparecera."
Após confessar a filha que seu verdadeiro pai era Jamie Fraser, um escocês dos anos de 1700, Brianna resistiu a acreditar. Dessa forma, somos levados de volta a Escócia antiga, com a história sendo contada por Claire. São tantas surpresas durante o passar das páginas, entre elas, muitas desagradáveis. A volta de personagens que odeio à vida, intrigas, lutas, mas também muito amor entre Claire e Jaime. Algumas vezes, como aconteceu no primeiro volume da série, a vontade de largar o livro é gigante, por conta das coisas horríveis que acontecem, mas de alguma forma a autora é capaz de dar a volta por cima e nos devolver a esperança de melhores finais para os personagens que amamos.



A mistura de sentimentos nessa leitura é gigantesca. Fui capaz de sentir coisas em seus extremos. Raiva, dor, tristeza, felicidade. Fui tão envolvida na história que, ao final, me senti órfã dos personagens, ansiando por mais. A série é bastante extensa e os livros muito volumosos, isso muitas vezes desmotiva o leitor e confesso que também relutei em ler o segundo volume, mas, com sinceridade, vale cada página. É uma história que te envolve e te faz desejar que não tenha um final. Depressão pós livro à parte, só me resta esperar o próximo livro da série e devorá-lo.

08/08/2016

6 on 6: Wild





A cada 6 on 6 eu mudo a forma como a postagem é montada, juro que estou tentando encontrar algo prático e que eu me contente - acho que estou chegando próximo disso. O "ensaio" acima foi feito aqui atrás da minha casa com um amigo, apesar de estarmos bem tímidos para tirar esse tipo de foto, o resultado ficou digno para ganhar uma postagem. 


model Igor Souzza.
Confere as fotos lindas desse pessoal lindo:  Cris / Lucas / Luly / Maíra / Renatinha.
 

06/08/2016

Resenha: "O Incolor Tsukuru Tazaki e Seus Anos de Peregrinação", de Haruki Murakami

O Incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação
Haruki Murakami
Editora Alfaguara, 2014
328 páginas
Haruki Murakami é um fenômeno. Com mais de 1 milhão de exemplares vendidos no Japão na semana em que foi lançado, e atingindo o primeiro lugar das listas de mais vendidos ao redor do mundo, seu novo livro o coloca entre os grandes autores da atualidade.

Tsukuru Tazaki é um homem solitário, perseguido pelo passado. Na época da escola, morava com a família em Nagoya e tinha quatro amigos inseparáveis. Agora, vive em Tóquio, onde trabalha no projeto e na construção de estações de trem e namora uma mulher dois anos mais velha. Mas não se esquece de um trauma sofrido dezesseis anos antes: inexplicavelmente, foi expulso do grupo de amigos, e nunca mais os viu. Agora, ele decide revisitar o passado e reencontrá-los, para saber um pouco mais de cada um e de si mesmo. Sua jornada o levará a locais distantes, numa transformação espiritual na busca pela verdade.

O incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação é um livro emocionante sobre a busca de identidade. É uma história sobre pessoas perdidas, que lutam para lidar com o desconhecido e aceitá-lo de algum modo. Como cada um de nós.
 Às vezes só quero pegar um livro na estante e iniciar um livro sem ao menos saber dele, isso aconteceu com O Incolor Tsukuru Tazaki e Seus Anos de Peregrinação. Um livro que estava com mofo na estante e que resolvi, então, dar uma chance a essa história brilhante criada pelo famosíssimo japonês Haruki Murakami, mesmo autor da trilogia de sucesso 1Q84. E esse foi um daqueles momentos que fiquei intrigado por, na minha estante fajuta, ter um livro tão incrível, rico e cheio de pensamentos pra absorver.


Nunca havia ouvido falar de Haruki Murakami, mas esse cara é realmente conhecido, suas obras são destaques em diversos países - ganhando prêmios e sendo lido em grandes grupos literários.  E, após a leitura deste volume a qual resenho, posso afirmar que a escrita é maravilhosa: as sensações, os pensamentos, os questionamentos e os personagens se aproximam de uma realidade próxima, podemos obter através do protagonista Tsukuru Tazaki, uma experiência sucinta, crível e deliciosa. 


E o engraçado desse livro é que a vida de Tsukuru Tazaki é chata, ele é um personagem chato, mas a história e modo como ela é contada deixa tudo tão interessante - no momento em que começamos a entender a grande depressão do nosso personagem e a vontade de morrer que ele tinha. O passado é uma peça-chave para essa obra, tal como não podemos seguir em frente com pontas soltas. Ainda nessa obra confrontamos o nosso próprio eu, expectativas frustradas e projeções que criamos de nós mesmos, através do nosso protagonista.

O Incolor Tsukuru Tazaki e Seus Anos de Peregrinação é um livro que fala da vida de Tsukuru Tazaki, buscando envolver vários temas e modos de expressar algum sentimento, seja através de um pianista que interpreta Le mal du pays ou a paixão de se encontrar fazendo cerâmicas. O autor usa diversos recursos e personagens para falar da vida do nosso protagonista - a história contada em terceira pessoa, mas alternando com os pensamentos dos personagens, faz com que a história por si só crie uma peculiaridade e torna o texto, que poderia ser cru, cheio de emoção. 
 
Aqui encontramos uma história realmente cheia de pontas soltas, metáforas e coisas que realmente tornam as nossas vidas diferentes - como aprender a valorizar todos que estão a nossa volta, valorizar o "estar bem" e a própria vida em si. Uma história triste, mas que ganha o coração do leitor aos poucos, vagamos num suspense maravilhoso, mas não é o suspense que é o bom da obra, mas sim o contraste entre realidade e ficção - onde por mais que não "seja sério" é um obra que fala o que sentimos diariamente como expectativas frustradas, não perdão, dor e autoconhecimento.

É uma obra maravilhosa e sei que acabo essa resenha falando quase nada dela, só que eu recomendo fortemente.  

03/08/2016

Resenha: "Alvo em Movimento: Uma aventura da Princesa Leia", de Cecil Castellucci e Jason Fry

Alvo em Movimento
Uma aventura da Princesa Leia
Cecil Castellucci e Jason Fry
Editora Seguinte, 2015
248 páginas
Nesta história, que se passa entre O Império contra-ataca (episódio V) e O retorno de Jedi (episódio VI), Leia descobre que o Império está construindo uma nova Estrela da Morte e, enquanto o alto-escalão da Aliança organiza um ataque, a princesa bola um plano para ajudar: atrair parte da frota imperial para outro setor da galáxia, distante de onde o verdadeiro ataque iria acontecer.
Para isso, ela precisará passar por três planetas do setor Corva, recrutando líderes para uma reunião da causa rebelde. A primeira parada seria no planeta rochoso de Basteel, seguida pelo planeta aquático de Sesid e terminando nas terras rurais de Jaresh. Logo Leia chama a atenção do Império, conforme o planejado - mas talvez um Destróier Estelar e uma capitã implacável em sua cola sejam demais!
Nesta série, você encontrará aventuras inéditas de seus personagens favoritos, além de algumas caras novas. Mas leia com atenção! Há pistas escondidas nas páginas dos livros, que dão dicas preciosas sobre o episódio VII, O despertar da Força!
Então, ainda, naquela aventura de Star Wars resolvi embarcar também em uma aventura esporádica de um dos nossos três heróis - a minha preferida, por sinal: Leia Organa. A história se passa entre o episódio V (O Império Contra-Ataca) e o episódio VI (O Retorno de Jedi), conseguimos, então, ver como a Aliança Rebelde está bem organizada e como Léia está assumindo seu papel de lider dentro da Aliança, criando para si uma missão perigosa e curiosa: distrair os imperiais para uma falsa missão, colocando transmissões antigas para confundir o Império e poder assim atacar as instalações militares imperiais. 
“Doía em Leia não poder contar que o ponto de encontro era uma fraude, mas ela passara a manhã relembrando que aquilo era necessário. Se algum deles fosse capturado, a operação ainda assim enganaria o Império, fazendo o inimigo não focar na frota que se reuniria em Sullust.”
O livro contém uma leitura dinâmica que faz com que seja imperceptível as páginas passarem, além de oferecer diversas "cenas" que não pudemos ter contado anteriormente nos outros livros. A narrativa é envolta de um público mais jovem-adulto e busca, apesar de focar em um protagonista, manter a boa e velha temática dos filmes: uma equipe maravilhosa e muita ação. 



“Levou décadas para a primeira Estela da Morte ser construída, a um custo astronômico de créditos, recursos e vidas. Ao destruí-la, os rebeldes desferiram um golpe de enorme potencia contra a maquina de guerra imperial. Mas o imperador estava simplesmente construindo outra. Contra tanta riqueza e recursos, que chance os rebeldes tinham?”



A edição da Editora Seguinte segue um visual bem bonito, com ilustrações e páginas customizadas, se os três livros seguem este mesmo padrão, então, pode-se dizer, que é uma trilogia linda para se ter na estante. Sem dúvidas, qualquer fã da série irá adorar esse livro, pois é uma possibilidade que poderia ocorrer entre um filme e outro, é algo realmente delicioso.



02/08/2016

Resenha: "Doutor Sono", de Stephen King

Doutor Sono
Stephen King
Suma de Letras, 2014
475 páginas
Assombrado pelos habitantes do Overlook Hotel, onde passou um ano terrível de sua infância, Dan ficou à deriva por décadas, desesperado para se livrar do legado de alcoolismo e violência do pai. Finalmente, ele se instala em uma cidade de New Hampshire, onde encontra abrigo em uma comunidade do Alcoólicos Anônimos que o apoia e um emprego em uma casa de repouso, onde seu poder remanescente da iluminação fornece o conforto final para aqueles que estão morrendo. Ajudado por um gato que prevê a morte dos pacientes, ele se torna o “Doutor Sono”. Então Dan conhece Abra Stone, uma menina com um dom espetacular, a iluminação mais forte que já se viu. Ela desperta os demônios de seu passado e Dan se vê envolvido em uma batalha pela alma e sobrevivência dela.
Sempre quis ler Stephen King, então, decidi que iria começar por este livro, Doutor Sono, que é a continuação d'O Iluminado. Creio que não fiz uma burrada muito grande (de ter começado por um livro que a história começa em outro volume) em ter escolhido Doutor Sono, pois as doses de terror e suspense me fizeram soltar alguns gritinhos - e a única coisa que tenho a falar é: que lerei muitos livros do Stephen King, minha próxima aventura será com a série A Torre Negra.

De início achei que ficaria perdido nas palavras de King por esse ser um livro de continuação, contudo, nas primeiras páginas o autor se preocupa em mostrar ao leitor o que tivemos no outro volume - como o que é ser um iluminado, algumas coisas que aconteceram no Overlock e sobre o menino Dan, agora um homem na casa do cinquentão.

“Quando estiverem em estradas e rodovias da América, fiquem de olho nesses trailers. Nunca se sabe quem eles levam. Ou o quê.”

Das coisas que eu não esperava, mas que todo mundo falava, era ser pego por uma escrita tão deliciosa que faz com que o leitor não consiga parar de ler o livro até chegar ao final, vale ressaltar que a história, além de bem escrita contém muito suspense e horror, tudo isso envolvo de uma "pequena depressão" do nosso personagem, que cresceu aos tormentos de ser iluminado, que procura no copo de bebidas uma maneira de apaziguar a realidade.
“A vida era um disco, cuja única tarefa era girar, e que sempre voltava ao início”
Apesar de ter adorado todo o universo de King, sinto que faltou alguma coisa. E creio que talvez essa coisa tenha sido ler O Iluminado, o primeiro livro dessa duologia de décadas. Afinal, apesar de o autor ter abordado acontecimentos do primeiro livro, ainda há uma desvantagem para que não conhece as histórias do Overlock e o que aconteceu com Dan dessas 500 páginas para trás - acredito, dessa forma, que Doutor Sono teria sido muito mais prazeroso se eu houvesse lido o primeiro livro (e é isso que farei algum dia).


Latest Instagrams

© setecoisas.com | Lifestyle, cultura e fotografia,. Design by FCD.