Resenha: "Te Vendo Um Cachorro", de Juan Pablo Villalobos

Te Vendo Um Cachorro
Juan Pablo Villalobos
Companhia das Letras, 2015
248 páginas
Aos 78 anos, Teo se muda para um prédio decadente cheio de anciãos. Passa os dias ouvindo as fofocas nos corredores, nutrindo desejos eróticos pela síndica e calculando quantas cervejas pode beber por dia às custas de um pecúlio que deve durar até sua morte. O grande evento do prédio é uma tertúlia literária: os participantes se impõem o desafio de ler os sete tomos de Em busca do tempo perdido, intercalando Proust com aulas de modelagem e ginástica aeróbica. Com este romance, Juan Pablo Villalobos encerra a trilogia sobre o México iniciada com Festa no covil. Mais afiado do que nunca, o autor debruça-se sobre a velhice, o cotidiano e a literatura para tecer uma crítica sagaz sobre a vida em sociedade.
Teo é um senhor de terceira idade que decide ir morar em um prédio, na Cidade do México, onde ele não seria o único idoso. Os idosos desse prédios ainda são lúdicos e possuem capacidade de se cuidarem sozinhos; o edifício, feito para pessoas idosas, permite que sejam realizadas diversas atividades para matar o tédio. O nosso senhor, o protagonista, de setenta e oito anos, é ex-vendedor de tacos com o sonho de ser pintor, acredita que cachorros também pode ser servidos como bois em recheios para tacos.  Além de tudo, Teo é um velho rabugento, sarcástico, solitário e alcoólatra. A história começa a se intercalar entre o presente e lembranças do narrador e o seu sentimento perante os seus vizinhos:

"Te vendo um cachorro" se trata de uma história magnífica. É um romance não romântico, focado em humor ácido, crítico e atual. Baseando-se na própria história de Teo, contado em primeira pessoa, temos o sentimento de frustanção vivenciado pelo próprio protagonista e a repulsa dele pelos outros vizinhos - apesar de seus vizinhos serem velhos ativos interessantes e muitas vezes fofinhos. Enquanto seus vizinhos encontram atividades como clube de leituras, modelagem de pão e visitações, o velho Teo só se importa em reclamar da vida e afogar as mágoas na bebida.
“E então, quando parecia impossível que acontecesse mais alguma coisa, tudo virou de ponta-cabeça, como se um engraçadinho tivesse mudado as coisas de lugar e de repente houvesse meias de náilon na geladeira, lâmpadas queimadas embaixo do travesseiro, as baratas lessem o Tempo Perdido, os mortos se cansassem de estar mortos e o passado já não fosse como antigamente.”
Assim como todos os livros de Juan Pablo Villalobos, este é bem elogiado. Tenho que concordar que é um livro escrito com uma delicadeza de passar o que o realmente o narrador sente - chegamos a nos preocupar com os problema de Teo, vivenciar seu passado e mágoas. A exposição do ponto de vista do personagem é verídico, não há como negar. Por meio de seus personagem rabugento, Juan Pablo Villalobos faz diversas críticas desde pessoas à situação em que o país se encontra. 

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  1. Ai que genial! Sei lá, todo livro que vejo a galera indicando a sinopse começa com "Fulano tem entre-16-e-18-anos", então fiquei tão tão curiosa com a história do Teo. Devem ser dramas completamente diferentes dos que eu estou acostumada a ler, sabe, ia gerar um envolvimento sentimental completamente novo. Ótima dica!

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  2. Achei sensacional a sinopse e a resenha, não lembro de ter lido nada que de algum autor mexicano antes, muito menos que o protagonista fosse um idoso. Fiquei curiosa pra conhecer o livro.

    Beijão,
    Quase Mineira

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