Resenha: "Lua de Vinil", de Oscar Pilagallo

30 Jul 2016

Lua de Vinil
Oscar Pilagallo
Editora Seguinte
168 páginas
Em 1973, a ditadura militar comandava o Brasil. O Pink Floyd lançava o aguardado disco The Dark Side of the Moon. E Giba passava os dias jogando futebol de botão com os amigos do prédio, suspirando por Leila, sua vizinha irreverente e descolada. Ele tentava ignorar o estado grave de seu pai, internado no hospital, e não sabia que a violência do governo estava muito mais perto da sua casa na Vila Mariana do que ele imaginava.
Até que, num dia tranquilo de março, ele acaba causando um acidente e se vê obrigado a lidar com um dilema moral que o fará abandonar a inocência dos dezesseis anos para sempre.


Diferente. É essa a palavra. Diferente de tudo que já li, Lua de Vinil foi escrito por um autor brasileiro e a história se passa em São Paulo, em meio a ditadura militar e o lançamento do novo disco do Pink Floyd. Confesso que li poucas obras brasileiras na vida, mas depois dessa leitura, minha vontade de ler outras aflorou. É diferente de uma forma especial ler sobre algo que aconteceu e no seu país. Giba, o personagem principal, tem apenas dezesseis anos e vive no seu mundinho repleto de amigos, jogos de botão e seu valioso "The Dark Side of The Moon" sempre tocando na vitrola. Embora vivendo em meio ao caos da ditadura, é como se aquilo não o afetasse, incapaz de fazê-lo não se apaixonar pela vizinha Leila ou se preocupar com algo além de impressionar os amigos.



Com o pai internado doente no hospital, Giba tenta não entrar na onda de sofrimento da mãe e afasta a ideia de estar perdendo o pai. Até que, por uma onda infeliz de azar ele se mete em um acidente e as questões morais que só o pai poderia ajuda-lo a enfrentar chegam como uma avalanche que ele não se sente capaz de resolver. Contar ou não contar que é o culpado, deixar que o amigo leve a culpa, não se meter em confusão pra ajudar alguém e sair ileso, são ideias que Giba, um adolescente ainda, precisa começar a lidar.

"Só sentia medo. Medo do desprezo dos amigos. Da reprovação geral dos moradores. Do isolamento forçado. Da reação da minha mãe. De ser preso. De tudo. Medo de que a Leila me evitasse."



A leitura leve faz com que a história passe rapidinho, de forma a me deixar surpresa quando cheguei na última página. Senti falta de alguns detalhes que pra mim seriam importantes serem citados, me deixaram com alguns pontos de interrogação na cabeça o que, pra mim, foi um ponto negativo. As relações feitas entre a história e o album do Pink Floyd já foi uma surpresa agradável, para todos os amantes desse album (que, por sinal, adoro!), vão sentir um gostinho especial nessa leitura. O crescimento do personagem durante a leitura é prazerosa de acompanhar, a forma como a ditadura é relatada dos olhos de um adolescente que não se envolveu diretamente, foi um olhar diferente de que tudo que já havia lido sobre.

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