30/07/2016

Resenha: "Lua de Vinil", de Oscar Pilagallo

Lua de Vinil
Oscar Pilagallo
Editora Seguinte
168 páginas
Em 1973, a ditadura militar comandava o Brasil. O Pink Floyd lançava o aguardado disco The Dark Side of the Moon. E Giba passava os dias jogando futebol de botão com os amigos do prédio, suspirando por Leila, sua vizinha irreverente e descolada. Ele tentava ignorar o estado grave de seu pai, internado no hospital, e não sabia que a violência do governo estava muito mais perto da sua casa na Vila Mariana do que ele imaginava.
Até que, num dia tranquilo de março, ele acaba causando um acidente e se vê obrigado a lidar com um dilema moral que o fará abandonar a inocência dos dezesseis anos para sempre.


Diferente. É essa a palavra. Diferente de tudo que já li, Lua de Vinil foi escrito por um autor brasileiro e a história se passa em São Paulo, em meio a ditadura militar e o lançamento do novo disco do Pink Floyd. Confesso que li poucas obras brasileiras na vida, mas depois dessa leitura, minha vontade de ler outras aflorou. É diferente de uma forma especial ler sobre algo que aconteceu e no seu país. Giba, o personagem principal, tem apenas dezesseis anos e vive no seu mundinho repleto de amigos, jogos de botão e seu valioso "The Dark Side of The Moon" sempre tocando na vitrola. Embora vivendo em meio ao caos da ditadura, é como se aquilo não o afetasse, incapaz de fazê-lo não se apaixonar pela vizinha Leila ou se preocupar com algo além de impressionar os amigos.



Com o pai internado doente no hospital, Giba tenta não entrar na onda de sofrimento da mãe e afasta a ideia de estar perdendo o pai. Até que, por uma onda infeliz de azar ele se mete em um acidente e as questões morais que só o pai poderia ajuda-lo a enfrentar chegam como uma avalanche que ele não se sente capaz de resolver. Contar ou não contar que é o culpado, deixar que o amigo leve a culpa, não se meter em confusão pra ajudar alguém e sair ileso, são ideias que Giba, um adolescente ainda, precisa começar a lidar.

"Só sentia medo. Medo do desprezo dos amigos. Da reprovação geral dos moradores. Do isolamento forçado. Da reação da minha mãe. De ser preso. De tudo. Medo de que a Leila me evitasse."



A leitura leve faz com que a história passe rapidinho, de forma a me deixar surpresa quando cheguei na última página. Senti falta de alguns detalhes que pra mim seriam importantes serem citados, me deixaram com alguns pontos de interrogação na cabeça o que, pra mim, foi um ponto negativo. As relações feitas entre a história e o album do Pink Floyd já foi uma surpresa agradável, para todos os amantes desse album (que, por sinal, adoro!), vão sentir um gostinho especial nessa leitura. O crescimento do personagem durante a leitura é prazerosa de acompanhar, a forma como a ditadura é relatada dos olhos de um adolescente que não se envolveu diretamente, foi um olhar diferente de que tudo que já havia lido sobre.

28/07/2016

Resenha: "Cuidado com o Lado Sombrio da Força!", de Tom Angleberger

Cuidado com o Lado Sombrio da Força!
Star Wars: O Retorno de Jedi, episódio VI.
Tom Angleberger
Seguinte, 2015
336 páginas
O terrível Império está construindo uma segunda Estrela da Morte para acabar com a Aliança Rebelde. Mas Luke Skywalker tem outros planos: destruir o governo e deter o imperador de uma vez por todas. No entanto, há um obstáculo no caminho de Luke: seu pai. Esta é uma versão de Star Wars: O retorno de Jedi (episódio VI) como você nunca viu. A edição vem acompanhada de ilustrações incríveis e apresenta a história original a uma nova geração de leitores, assim como fornece uma perspectiva inédita para os fiéis fãs da saga. Ao longo da história, os leitores encontrarão diversas notas de rodapé com curiosidades e comentários sobre esse universo extraordinário, tornando a jornada até o confronto final entre Luke e Darth Vader ainda mais emocionante.
“Cuidado Com o Lado Sombrio da Força!” é o terceiro, e último, livro da série de novelizações de Star Wars; título responsável pela releitura de O Retorno de Jedi, também o último filme da primeira trilogia de Star Wars — caso sinta vontade em saber o que achei dos outros livros no final da postagem tem todos os links. Então Tom Angleberger foi o responsável por terminar essa trilogia de romances inspirados em Star Wars, não poderia ter um melhor desfecho possível.
— NGHWWWRGGGHHH! — exclama o wookiee, feliz."

O livro é construído de capítulos curtos, que tornam narrativa ágil, contudo a forma como o autor expõe a história é o que realmente faz com que a trama se torne leve e rápida: capítulos com diálogos irônicos, humores, desventuras e riscos vividos pelos nossos heróis, enquanto, desfruta sobre a arrogância e fraquezas dos nossos vilões.

A grande diferença de "Cuidado com o Lado Sombrio da Força" é história contada pelo próprio autor - como quem conta uma história para um amigo.  A narrativa em terceira pessoa, invés de um narrador onisciente, faz com que absorvamos mais determinado ponto de vista perante a história, então, nessa obra, seguimos o desfecho sob a perspectiva de Tom Angleberger - nessa singularidade criada pelo autor, a obra acaba tomando um ar mais infantojuvenil, para quem não sabe, este é o mesmo autor de  O Estranho Caso do Yoda de Origami


Levando em consideração os outros livros da série, este é o que temais mais páginas e também mais ilustrações - sendo um dos mais bonitos esteticamente. Deixei para comentar agora, que os três livros seguem um senso estético igual, capas emborrachas e ilustração em alto relevo. A trilogia sofre uma singularidade especial que somente a Editora Seguinte conseguiu dar, é uma coleção de fã que vale a pena ser comprada - não apenas pelo seu conteúdo estético, mas também por serem obras com histórias e narrativas muito boas.


Leia também sobre os outros volumes da série:

27/07/2016

Resenha: "Então você quer ser um Jedi?", de Adam Giowtz

Então você quer ser um Jedi?
Star Wars: O Império Contra-Ataca, episódio V.
Adam Giowtz
Editora Seguinte, 2015
272 páginas
Com a ajuda de Luke Skywalker, a Aliança Rebelde conseguiu uma grande vitória contra o Império. Mas a guerra está longe de acabar. Agora, instalados em Hoth, um planeta gelado, os rebeldes temem que seu esconderijo seja descoberto pelas forças imperiais. Infelizmente, não demora muito para que o temível Darth Vader os encontre e organize o ataque. Esta é uma versão de Star Wars: O Império contra-ataca (episódio V) como você nunca viu. A edição vem acompanhada de ilustrações incríveis e apresenta a história original a uma nova geração de leitores, assim como fornece uma perspectiva inédita para os fiéis fãs da saga. Aqui, você entrará na pele de Luke Skywalker, dando os primeiros passos para se tornar o maior Jedi da galáxia, e encontrará uma série de lições para aprimorar seus conhecimentos Jedi.
Seguindo a continuação de novelizações de Star Wars contadas por outras pessoas, temos Adam Giowtz responsável por contar a história de O Império Contra-Ataca, o quinto episódio da série de ficção científica mais adorada do mundo. Após a leitura de A Princesa, o Cafajeste e o Garoto da Fazenda, fiquei ansioso para continuar a ler os outros livros e lembrar de quando havia assisto os filmes.



O livro, diferente do primeiro, é divido em cinco partes: No Cubo de Gelo, A Batalha por Hoth, Planetas Estranhos Parte I e, II e A cidade das Nuvens; e contado em segunda/primeira pessoa pelo personagem Luke Ceúwalker. A história então é contada com as experiências do protagonista, como ele vivenciou durante esse episódio, sua trajetória para se tornar um cavaleiro Jedi. Em contrapartida temos, então, em terceira pessoa, capítulos com as aventuras do restante de tríplice. Então já podemos observar o porque Luke Skywalker foi escolhido e o porquê do título do próprio livro, "então você quer ser um Jedi?".
 "Não há resposta certa. Mas as escolhas que você faz vão te moldar. E podem moldar a história também."
Entre capítulos o autor inicia "uma preparação para se tornar um Jedi melhor", como dicas, manuais e um "tutorial" para o seu treinamento de cavaleiro Jedi - como movimentar objetos com a mente, meditar e diversas outras técnicas que todo fã irá adorar - uma chave de mestre do autor, afinal, esse é um toque que faz o leitor interagir mais efetivamente à obra. 




Apesar da história focar em Luke, temos pitadas do romance bruto entre Han e Leia e os problemas que eles enfrentam enquanto fogem na Millenium Falcon. Temos ainda os droides mais favoritos da galáxia com suas personas, dessa vez, mais rabugentos. Claro que o livro conta com os diálogos épicos, encontro dos dois lados da força e muita aventura. 

O livro, na minha opinião, deixou um pouco de desejar se for olhado em relação ao anterior. Mas a dinâmica e perspectiva que o autor atordoou em sua história, fez que essa obra alcançasse uma singularidade - dando um ar mais infantil à obra, com a necessidade de trazer ainda mais fãs para essa saga de décadas. É uma obra válida assim como a anterior, mas ficou alguns pontos a menos. Igualmente ilustrado com os outros volumes, é um livro lindo de se ter na estante, sem falar que os três livros juntos ficam um chame.


Leia também sobre os outros volumes da série:

26/07/2016

Resenha: "A Princesa, o Cafajeste e o Garoto da Fazenda", de Alexandra Bracken

A Princesa, o Cafajeste e o Garoto da Fazenda
Star Wars: Uma Nova Esperança, episódio IV.
Alexandra Bracken
Seguinte, 2015
264 páginas
Ainda que a Aliança Rebelde tenha ganhado algumas batalhas contra o Império, a esperança está se esgotando. O Império está prestes a revelar a Estrela da Morte, uma estação bélica capaz de destruir planetas inteiros num piscar de olhos. Agora, o destino da galáxia está nas mãos de uma princesa, um cafajeste e um garoto da fazenda… Essa é uma versão de Star Wars: Uma nova esperança (episódio IV) como você nunca viu. A edição vem acompanhada de ilustrações incríveis e apresenta a história original a uma nova geração de leitores, assim como fornece uma perspectiva inédita para os fiéis fãs da saga. Cada parte da narrativa é contada pelo ponto de vista de um dos três protagonistas, se aprofundando nos conflitos desses heróis que se unem para combater o mal que ameaça toda a galáxia.
A Princesa, o Cafajeste e o Garoto da Fazenda é uma novelização young-adult do episódio IV de Star Wars, Uma Nova Esperança. Então temos um livro com a mesma história do filme e livro focada para um público mais jovem, com uma linguagem mais simples e interativa - não que o livro já lançado seja de vocabulário difícil. Uma releitura agradável e bem feita, os fãs irão adorar e creio que através desse livro também atrairá mais leitores, pois o título é realmente engraçado. 
 

Apesar de os autores dessa nova sequência, contada de uma maneira mais liberal, poderem fazer o que quiser com a história. Os velhos nerds sempre dizem para começar na sequência IV, V e VI. Então, desde criança tenho como regra que o quarto episódio é, e sempre será, o primeiro. Então Alexandra Bracken permeia-se dentro da história, focando principalmente no que o realmente o livro é: o começo de tudo.
“(...) Aquilo devia ser impossível. Mas talvez fosse isso o que Ben estava realmente tentando dizer: o impossível podia ser possível, se Luke estivesse disposto a confiar em si mesmo e na Força.”
O livro é divido e contado em três partes, uma para cada personagem, como o título propõe - Leia Organa, Han Solo e Luke Skywalker, na sequência do próprio título. Cada personagem ganha seu ponto de vista de perante a história, o que é incrivelmente delicioso, mas as histórias tendem a se misturar em determinado momento, fazendo com que a mesma cena seja vista de vários ângulos - esse, podemos considerar, é um diferencial da autora.

Um segundo diferencial para autora é dar aos personagens uma personificação própria (o que já é bastante perceptível o filme) e forte: temos Leia uma princesa durona, um cafajeste e um menino da fazenda que sonha em viajar a galáxia. São personagens que se mantém vivos durante até o término da história, muitas vezes podemos nos identificar com algum dos personagens.
 

Esse é um livro para quem quer iniciar essa série que deixa todo mundo que conhece louco. É um livro escrito de maneira abrandada e menos crua, uma narrativa esponjada e divertida - assim como os filmes também são. Vale realmente a pena dar chance a escrita de Alexandra Bracken, uma autora que sabe realmente tecer perspectivas diferentes e recontar uma boa história. 


Leia também sobre os outros volumes da série:

24/07/2016

Resenha: "Te Vendo Um Cachorro", de Juan Pablo Villalobos

Te Vendo Um Cachorro
Juan Pablo Villalobos
Companhia das Letras, 2015
248 páginas
Aos 78 anos, Teo se muda para um prédio decadente cheio de anciãos. Passa os dias ouvindo as fofocas nos corredores, nutrindo desejos eróticos pela síndica e calculando quantas cervejas pode beber por dia às custas de um pecúlio que deve durar até sua morte. O grande evento do prédio é uma tertúlia literária: os participantes se impõem o desafio de ler os sete tomos de Em busca do tempo perdido, intercalando Proust com aulas de modelagem e ginástica aeróbica. Com este romance, Juan Pablo Villalobos encerra a trilogia sobre o México iniciada com Festa no covil. Mais afiado do que nunca, o autor debruça-se sobre a velhice, o cotidiano e a literatura para tecer uma crítica sagaz sobre a vida em sociedade.
Teo é um senhor de terceira idade que decide ir morar em um prédio, na Cidade do México, onde ele não seria o único idoso. Os idosos desse prédios ainda são lúdicos e possuem capacidade de se cuidarem sozinhos; o edifício, feito para pessoas idosas, permite que sejam realizadas diversas atividades para matar o tédio. O nosso senhor, o protagonista, de setenta e oito anos, é ex-vendedor de tacos com o sonho de ser pintor, acredita que cachorros também pode ser servidos como bois em recheios para tacos.  Além de tudo, Teo é um velho rabugento, sarcástico, solitário e alcoólatra. A história começa a se intercalar entre o presente e lembranças do narrador e o seu sentimento perante os seus vizinhos:

"Te vendo um cachorro" se trata de uma história magnífica. É um romance não romântico, focado em humor ácido, crítico e atual. Baseando-se na própria história de Teo, contado em primeira pessoa, temos o sentimento de frustanção vivenciado pelo próprio protagonista e a repulsa dele pelos outros vizinhos - apesar de seus vizinhos serem velhos ativos interessantes e muitas vezes fofinhos. Enquanto seus vizinhos encontram atividades como clube de leituras, modelagem de pão e visitações, o velho Teo só se importa em reclamar da vida e afogar as mágoas na bebida.
“E então, quando parecia impossível que acontecesse mais alguma coisa, tudo virou de ponta-cabeça, como se um engraçadinho tivesse mudado as coisas de lugar e de repente houvesse meias de náilon na geladeira, lâmpadas queimadas embaixo do travesseiro, as baratas lessem o Tempo Perdido, os mortos se cansassem de estar mortos e o passado já não fosse como antigamente.”
Assim como todos os livros de Juan Pablo Villalobos, este é bem elogiado. Tenho que concordar que é um livro escrito com uma delicadeza de passar o que o realmente o narrador sente - chegamos a nos preocupar com os problema de Teo, vivenciar seu passado e mágoas. A exposição do ponto de vista do personagem é verídico, não há como negar. Por meio de seus personagem rabugento, Juan Pablo Villalobos faz diversas críticas desde pessoas à situação em que o país se encontra. 

22/07/2016

Resenha: "Nova Ordem", de Chris Weitz

Nova Ordem
Trilogia Novo Mundo, livro 02
Chris Weitz
Editora Seguinte, 2016
266 páginas
Jefferson, Donna e seus amigos descobriram que os adolescentes não são os únicos que sobreviveram ao vírus e, em meio ao caos do resgate da Marinha, eles se separam. Jefferson volta para Nova York e tenta levar a Cura para a tribo da Washington Square, enquanto Donna vai parar na Inglaterra, onde se depara com um mundo pós-Ocorrido inimaginável. Mas um desastre ainda maior que a Doença está prestes a acontecer, e Donna e Jefferson só poderão evitá-lo se acharem o caminho de volta um para o outro.
Mais alguns meses e iria completar aniversário de dois anos desde quando eu li o primeiro volume da trilogia, Mundo Novo. Apesar de um longo tempo pausado entre os livro, ainda sim, consegui lembrar das cenas finais do primeiro livro - como aquilo me deixou tão chocado e com tanta vontade de ler o próximo volume. Após a leitura do segundo volume, minhas expectativas abaixaram, creio que eu tenha pegado o livro em um momento ruim ou que eu esteja saturado desse tipo de leitura, ou seja, o problema não é o livro, sou eu - visto que vários leitores amaram este volume.


Nesse meio tempo do último parágrafo e foto decidi que eu não estava pronto para essa leitura. Há alguns dias decidi ler vários livros de ficção científica da minha estante, então, entremeio as leituras decidi pegar um livro mais curto para carregar na mochila. Li o livro entre intervalos do trabalho e faculdade, contudo, nenhuma vez o livro conseguiu me prender de fato, sem me deixar desconectar. 

Bom, o livro começa exatamente onde o primeiro livro termina, então as respostas que queríamos no primeiro volume são respondidas na primeira metade de Nova Ordem, os diálogos são todos voltados mais para o lado mais político dos acontecimentos, o que resulta em uma leitura monótona tanto da parte de Donna quanto de Jeff - personagens que contam a história em primeira pessoa. O livro começa a ficar realmente bom após toda a burocratização de explicar os porquês, cujo nossos personagens começam a se movimentar e produzir ação atrás de ação.


Na continuação da trilogia, há uma desconstrução de tudo que imaginamos no primeiro volume. Nossos protagonistas, now, terão que trabalhar sozinhos contra a manipulação do governo corrupto, várias reviravoltas acontecem em apenas 266 páginas - e não há como negar que aqui a leitura começa a fluir. Porém, é quando somos apresentados a outros pontos de vistas além de Donna e Jeff que realmente conseguimos perceber o quanto os nossos protagonistas (e o mundo) estão ferrados. 

Apesar de estar meio balançado com esse livro, quero muito ler o próximo, preciso sim, saber o que acontece com os personagens. Creio que até o lançamento do próximo livro eu tenha relido Nova Ordem, para ver se essa leitura me pega de jeito - como eu queria que tivesse pegado. Afinal, esse livro termina de uma forma que exige que o leitor saiba o que acontecerá - há muitos problemas, pontas soltas e desordens para serem sanadas e solucionadas (se forem), quero muito presenciar isso através da escrita  de Weitz, que é boa, não nego. 


Leia também sobre os outros volumes da série:
Mundo Novo #1: Mundo Novo

20/07/2016

Resenha: "Muito Além do Tempo", de Alexandra Monir

Muito Além do Tempo
Timeless, livro 1
Alexandra Monir
Editora Jangada, 2015
272 páginas
Uma tragédia atinge a família de Michele Windsor, e ela é forçada a morar com os avós que nunca conheceu. Em sua mansão histórica em Nova York, repleta de segredos de família, Michele encontra um diário que tem o incrível poder de fazê-la retroceder no tempo, até o ano em que foi escrito, 1910. Lá Michele encontra o rapaz que ela viu em sonhos durante toda sua vida. Em pouco tempo, ela se vê apaixonada por ele. Quando se dá conta, Michele está vivendo uma vida dupla, lutando para conciliar seu mundo de estudante com suas viagens ao passado. Mas, quando se depara com uma descoberta terrível, ela é lançada numa corrida contra o tempo para salvar o homem que ama, e empreender uma busca que determinará o destino dos dois.

Minha história com livros e filmes que contem sobre viagem no tempo vem de muito tempo. Depois de assistir "A casa do lago", "About time" e ler "Outlander" e "A mulher do viajante no tempo", descobri que é um assunto que me fascina e me agrada imaginar quão incrível seria visitar o passado e o futuro. Se você já leu ou assistiu e gostou de algumas das histórias citadas você, definitivamente, precisa ler Muito Além do Tempo.

A história se passa no ano de 2010 e somos apresentados a Michele, adolescente e filha única de Marion, mãe solteira e em conflito com a família rica, os Windsor. Michele não conhece o pai e os avós, por motivos de confrontos entre os mesmos e a mãe, que sempre foi a melhor amiga de Michele e procurou deixa-la longe do drama familiar que viveu antes de ela vir ao mundo, o que nunca a afetou, pois sempre foi grata pela forma simples mas cheia de amor que sua mãe encontrou para elas viverem. Porém, o mundo de Michele é posto de cabeça para baixo quando sua mãe sofre um acidente e não resiste, deixando a menina aos cuidados dos avós. A perda da mãe, a mudança para Nova York e o palácio em que vivem os avós, cercados de riqueza e luxo, são simplesmente ideias a que Michela é imersa e precisa se adaptar.



Em meio ao processo de adaptação e a dor de não ter mais a mãe, ela recebe uma caixa com os pertences de Marion e entre as joias encontra uma chave, um presente que apesar de assustador daria uma experiência poderosa e de muito valor a ela, viajar no tempo. Com muito medo e surpresa, Michele descobriu o poder da chave que possuía ao ler o diário de uma mulher de sua família, do século passado, e ser transportada pra cena em que lia. Assim, iniciaria, o que só mais tarde ela descobriria, sua mágica para voltar ao passado e dar seu toque na vida de sua família, ajudando-os e conhecendo seus antepassados.

É nesse ínterim que Michele conhece Philip, um jovem de 1910 que, por alguma razão desconhecida ela já conhecia desde pequena, mas em seus sonhos. Desde criança Michele sonhava com esse homem misterioso e lindo de olhos azuis e ficou em choque ao constatar que ele existia. O mais curioso, entretanto, é que somente as pessoas que a faziam viajar (as donas dos diários, por exemplo), podiam enxerga-la, ouvi-la e toca-la. E Philip, que por razões desconhecidas, também conseguia vê-la e a atração entre os dois foi inevitável, assim como o amor que surgiu entre eles.

" (...) - E, mesmo que o Tempo tenha cometido um engano de nos colocar em séculos diferentes, ainda assim encontraremos um ao outro. Estamos juntos agora. Portanto, teremos que confiar no Tempo."

Ao ler esse livro, tentamos desesperadamente encontrar uma solução para que o amor de pessoas vivendo a distância de um século sobreviva. De forma surpreendente, a autora consegue dar nós as pontas soltas e deixar nosso coração quentinho após a leitura, além da vontade louca de saber o que o segundo volume tem pra contar. É um livro leve, daqueles que você leria facilmente em um único dia e apesar de algumas vezes parecer bobinho, porque afinal é uma história de uma adolescente (e todo o drama envolvido é entendível), a história não perde sua força e encanto. Completamente louca e ansiosa pelo segundo volume.

18/07/2016

Lançamentos: Julho de 2016

Uma postagem que busca reunir os próximos lançamentos que encheram nossos olhos de vontades e expectativas. Aqui, diferentemente das resenhas que são publicadas toda semana, é apenas a apresentação dos livros e suas respectiva sinopses.

 ─

01. A longa e sombria hora do chá da alma, de Douglas Adams

Do autor da série O Mochileiro das Galáxias, 1,5 milhões de exemplares vendidos no Brasil. Kate Schechter devia ter prestado atenção aos avisos que o universo tentava lhe dar. No aeroporto de Heathrow, prestes a embarcar para a Noruega, a americana pensa em todos os sinais que lhe diziam para não fazer aquela viagem. Ainda assim, ela não está nem um pouco preparada para a explosão do balcão de check-in, que destrói parte do terminal. Enquanto isso, no norte de Londres, o detetive Dirk Gently está no fundo do poço: sem dinheiro, vive de bicos como quiromante numa tendinha. Refletindo sobre seu fracasso, ele lembra de repente que...

02. O navio das noivas, de Jojo Moyes

Austrália, 1946. É terminada a Segunda Guerra Mundial, chega o momento de retomar a vida e apostar novamente no amor. Mais de seiscentas mulheres embarcam em um navio para encontrar os soldados ingleses com quem se casaram durante o conflito. Em Sydney, Austrália, quatro mulheres com personalidades fortes partem em uma extraordinária viagem a bordo do HMS Victoria, um porta-aviões que as levará, junto de outras noivas, armas, aeronaves e mil oficiais da Marinha, até a distante Inglaterra. As regras no navio são rígidas, mas o destino que reuniu todos ali, homens e mulheres atravessando mares, será implacável ao entrelaçar e modificar para sempre suas vidas.

03. Apenas um garoto, de Bill Konigsberg

Rafe saiu do armário aos 13 anos e nunca sofreu bullying. Mas está cansado de ser rotulado como o garoto gay, o porta-voz de uma causa. Por isso ele decide entrar numa escola só para meninos em outro estado e manter sua orientação sexual em segredo: não com o objetivo de voltar para o armário e sim para nascer de novo, como uma folha em branco. O plano funciona no início, e ele chega até a fazer parte do grupo dos atletas e do time de futebol. Mas as coisas se complicam quando ele percebe que está se apaixonando por um de seus novos amigos héteros.

04. No meio do caminho, Matheus Rocha

Às vezes, a gente insiste em viver um relacionamento que já chegou ao final faz tempo. Tentamos resistir, fazer de tudo para durar mais, lutando para trazer de volta os momentos mágicos do início. Mas, quando o amor acaba, no lugar do conforto e do carinho que existiam só restam feridas que vão doer por um bom tempo e deixar cicatrizes que não desaparecerão. Porque o amor nem sempre é para sempre. Um belo dia, quando as lágrimas já secaram e nos esquecemos do desconforto, com muito cuidado abrimos uma fresta só para ver a vida lá fora. E, assim como um raio de sol que entra por qualquer brecha, de repente uma vontade de recomeçar nos invade e tudo volta a fazer sentido. E, sem nem saber como, no meio do caminho avistamos novamente o amor – e a certeza de um novo começo!

05. A guerra não tem rosto de mulher, de  Svetlana Aleksiévitch

 A história das guerras costuma ser contada sob o ponto de vista masculino: soldados e generais, algozes e libertadores. Trata-se, porém, de um equívoco e de uma injustiça. Se em muitos conflitos as mulheres ficaram na retaguarda, em outros estiveram na linha de frente. É esse capítulo de bravura feminina que Svetlana Aleksiévitch reconstrói neste livro absolutamente apaixonante e forte. Quase um milhão de mulheres lutaram no Exército Vermelho durante a Segunda Guerra Mundial, mas a sua história nunca foi contada. Svetlana Alexiévitch deixa que as vozes dessas mulheres ressoem de forma angustiante e arrebatadora, em memórias que evocam frio, fome, violência sexual e a sombra onipresente da morte.

06. Traços, de Eduardo Cilto

 Dois amigos partem sozinhos para São Paulo e carregam consigo não somente as malas nas costas, mas também o peso de todos os problemas que achavam que estavam deixando para trás. Sem ter ideia do que estão enfrentando, Matheus e Beatriz descobrem mais sobre si mesmos, criam, quebram laços e encaram desafios que jamais pensaram que confrontariam enquanto contavam as moedas para realizar esse grande plano que iria mudar suas vidas para sempre.

16/07/2016

Resenha: "Scott Pilgrim Contra o Mundo, vol.3", de Bryan Lee O'Malley

Scott Pilgrim Contra o Mundo, vol.3
Bryan Lee O'Malley
Editora Companhia das Letras, 2011
152 páginas
Mesmo que não aparente, Scott Pilgrim deu passos importantes em direção à vida adulta. Ele já tem um emprego, mora com a namorada, Ramona Flowers, sua bandinha de garagem percebe que não tem futuro e ele consegue até assumir a responsabilidade de criar um gato. Já era hora, pois Scott acaba de completar 24 anos. Mas mesmo aos 24 você pode participar de festas a fantasia temáticas - como a festa dos políticos-canadenses-por-volta-de-1972-que-na-verdade-eram-Batman - regadas a tequila, intrigas e lutas com robôs. Sim, lutas com robôs, pois mais dos outros Ex-Namorados do Mal de Ramona apareceram, os gêmeos Katayanagi, e quem luta com Scott no lugar deles são suas criações robóticas. Os gêmeos podem ser a menor preocupação de Scott Pilgrim. Não porque "ah, ele é o Scott Pilgrim", como todos os seus amigos dizem, mas porque algo de estranho pode estar acontecendo com Ramona. São mensagens no celular, cartas suspeitas e o brilho que surge em torno de sua cabeça toda vez que ela entra num assunto de que não gosta. E por que ela não para de mudar o corte e as cores do cabelo? Será que isso tem a ver com a chegada de Gideon, o líder de todos os Ex-Namorados do Mal, a Toronto? Pois é no clube noturno mais cool da cidade, o Chaos Theatre, criado por ele, que vai acontecer o clímax dessa história de paixões, lutas, ex-namorados e mexer-o-traseiro-para-defender-o-que-você-ama.Videogames, música indie, amores adolescentes tardios, mangás e a chegada da vida adulta misturam-se no universo do canadense mais famoso do planeta em seu último volume de aventuras - que reúne duas histórias originais do herói que virou cult instantâneo nos cinemas.
Finalmente chegamos ao fim da trilogia de quadrinhos de Scott Pilgrim Contra o Mundo. Antes de ler essa resenha recomendo ler a resenha do primeiro volume e do segundo para saber melhor a abordagem da história. Então o terceiro volume trás toda aquela essência despertada nos outros volumes: muita pancadaria, frases de efeitos, lutas com  robôs, viagens subespaciais, bandas ruins e ups de níveis.

 
Nosso herói estava tentando vencer A Liga dos Ex-Namorados de Ramona Flowes, contudo ele está muito mais perdido, confuso e repensando realmente sobre sua relação com a ~maravilhosa~ Ramona. No terceiro volume ainda há 3 ex-namorados malvadões, problemas na relação de Ramona e Scott, abandono da banda de garagem (que estava presente nos volumes anteriores) e saída da casa do seu amigo super gay. Então temos Scott com vinte quatro anos, confuso, morando com Ramona, tendo brigas, tentando cuidar de um gato e ainda por cima lutando contra os ex-namorados-vilões
“Eu sei que eu estou diferente. Todo mundo está diferente”
Se você chegar no final do terceiro volume e pegar o que esses personagens eram no primeiro livro, perceberá que eles mudaram muito. Com o tempo foram amadurecendo, ganhando XP (experiência) e se tornando bem diferentes do que nos foi apresentado inicialmente, essas mudanças são perceptíveis principalmente no nosso protagonista, Scott Pilgrim. 

Bryan então faz o leitor perceber que a próxima fase (seja derrotar um ex-namorado-do-mal, aprender uma nova música, salvar garotas) é primordial, o verdadeiro combustível e por mais que não dê certo, não custa tentar novamente, como morrer 71 vezes no chefão da fase (esse sou eu jogando Tekken 6). É um livro que acaba deixando saudade, presenteando o leitor com uma obra engraçada e cheias de referências no-sense. Recomendo, são mais de 1.000 páginas de pura diversão em quadrinhos!



Leia também sobre os outros volumes da série:
Scott Pilgrim Contra o Mundo, vol.1
Scott Pilgrim Contra o Mundo, vol.2

14/07/2016

Resenha: "A Profecia do Pássaro de Fogo", de Melissa Grey

A Profecia do Pássaro de Fogo
Trilogia Echo, volume 01.
Melissa Grey
Editora Seguinte, 2016
355 páginas
No subterrâneo de lugares onde é muito difícil chegar, duas antigas raças travam uma guerra milenar: os Avicen, pessoas com penas no lugar de cabelos e pelos; e os Drakharin, que têm escamas sobre a pele. Ambas possuem magia correndo nas veias, o que os esconde de todos os humanos menos de uma adolescente chamada Echo. Echo conheceu os Avicen quando era criança, e desde então eles são sua única família. A pedido de sua tutora, a garota começa uma jornada em busca do pássaro de fogo, uma entidade mítica que, segundo uma velha profecia, é a única forma de acabar com a guerra de vez. Mas Echo precisa encontrar o pássaro antes dos Drakharin, ou então os Avicen podem desaparecer para sempre.
De tempos em tempos me deparo com um livro que me deixa tão extasiado que leio ele de uma hora para outra. Essa mesma sensação foi oferecida pelo primeiro volume da Trilogia Echo: A Profecia do Pássaro de Fogo não é apenas um livro de capa bonita, é um livro que contém um conteúdo com mitologia diferente da qual estamos acostumados, ótimos personagens e muita ação. 

 
Misturando aventura, magia, romance e fantasia, Melissa Grey permite ao leitor uma história contagiante desde as primeiras páginas – a história começa de um jeito diferente, sem uma apresentação, contudo a medida que a vida de Echo, nossa protagonista, se desenrola, vamos conhecendo a mitologia que permeia a trilogia. 

A Profecia do Pássaro de Fogo conta a história de dois povos capazes de usar magia, contudo, começo-se a travar uma guerra de séculos entre ambos. Os Avicen são criaturas com penas no lugar de cabelos e pelos, enquanto os Drakharin são seres cobertos por escamas, tais povos já não entendem mais os motivos da briga e a única coisa que move a guerra é a vingança e raiva. A salvação para os dois povos é o Pássaro de Fogo, a coisa mais poderosa para quem o deter. 

Entre a disputa desse dois povos há Echo, uma humana refugiada em uma biblioteca de Nova York, que foi acolhida ainda nova por Ala, uma conselheira Avicen. Logo, somos apresentados a cultura dos Avicen, como eles são aparentemente e também cultuamos a necessidade em não gostar dos Dakharin - cultura que irá mudar até as últimas páginas. Em um plano, Echo toma de decisão de procurar o pássaro antes que caia em mãos erradas. Na aventura Echo e seus amigos acabam se aliando a dois Dakharian, no meio de viagens por todo o mundo e muita ação, os personagens vão deixando suas pegadas de romance, amizade e companheirismo.
 

Como já disse, adorei esse livro desde o começo. Uma leitura de fluidez alta, sem muita dificuldade em apresentar aos leitores o novo mundo que está escondido dentro das páginas. É uma aventura do início ao fim, que irá encher os olhos do leitor com novos seres e forçar a imaginação. O livro é bem proporcionado, não há romance demais, nem drama demais - ambos são balanceados com mistérios, lutas e surpresas. Recomendo a leitura para quem gosta de uma boa aventura ou de uma leitura fluida, acho que é uma boa para quem está saturado de romance.

12/07/2016

株式会社スタジオジブリ ─ Alguns filmes do Studio Ghibli para amar

          Ok! Sou grande fã de animações, isso já é um fato para que acompanha o projeto de mais filme em 2016 no facebook. Mas há um tipo de animação que me atrai de uma forma diferente, uma forma que me envolve de um jeito que não sei bem explicar ─ essas sãos as animações do Studio Ghibli, meio fantasiosas, misteriosas e cheias de cuidados nos detalhes.



01. Gake no Ue no Ponyo

Ponyo: Uma amizade que veio do mar: foi o segundo filme que do Studio que eu conheci, o primeiro foi o de baixo, Ponyo é a historia de um peixinho dourado que ao ser salva por Sōsuke, um menino que mora perto do Mar Interior, se apaixona a primeira vista. Contudo, seu pai não permite que ela fique junto com os humanos, contudo Ponyo decide tomar um decisão importantíssima para ficar ao lado de seu mais novo amigo.

A inocência da história é retratada tanto por Sōsuke quanto por Ponyo quando as duas crianças se apaixonam e juram amor eterno uma a outra, uma história linda, muito simples, mas emocionante, sem dúvidas, ver o amor nascendo e se formando da forma mais nata, mas serena, sem malícia. É incrível como Hayao Miyazaki, o roteirista, consegue deixar o público tão apaixonado por sua história. Falei mais aqui.  




02. Sen to Chihiro no Kamikakushi

A Viagem de Chihiro: é, se não, uma das melhores animações que tive oportunidade de assistir.  A primeira vez que assisti, achei a história um pouco medonha, contudo hoje assisto um bilhão de vezes sem medo, sem receio, é sempre delicioso. Bom, aqui é contada a história de Chiriro uma garota de 10 anos mimada que ao descobrer que vai se mudar, abandonando sua antiga escola e amigos, fica furiosa. Durante a viagem Chihiro e seus pais se perdem, enquanto os pais da menina decidem parar para fazer um boquinha, contudo, acabam-se transformando em porcos gigantes e a cidade que ate então estava vazia começa a ser povoada por seres fantásticos, só quem poderá ajudar a menina agora é Haku, um menino muito misterioso.



03. Sanzoku no Musume

 Ronja: A filha do ladrão: a história é sobre uma garota chamada Ronja que é filha de um chefe de uma tribo de bandidos e vive em um enorme castelo na floresta com os bandidos. A história segue Ronja como ela encontra criaturas místicas, faz amizade com uma outra criança como ela, e experimenta a vida na floresta.

Ronja é a primeira série produzida pelo Studio Ghibli, ainda estou nos primeiros episódios, mas estou adorando. A animação segue uma visual mais 3D e a história aos poucos está conquistando. 



04. Omoide no Maanii

As memórias de Marnie: após alguns bons meses sem me aventurar nos filmes do estúdio, acabei topando com ele no Popcorn Time, lógico que fui assistir e acabei conhecendo a seguinte história:Anna é uma menina de 12 anos, filha de pais adotivos, sempre muito solitária e não exatamente feliz. Um belo dia, em uma mansão numa ilha isolada, ela conhece Marnie. A menina loira de vestido branco se torna a grande e única amiga de Anna, mas ela descobrirá que Marnie não é exatamente quem parece ser. 

Esse filme é incrível, sério, até me atrasei para o trabalho assistindo-o. É um filme diferente dos outros, contém um drama maior e pouca fantasia, fala muito sobre a vida, sobre valorização das pequenas coisas e perceber as pessoas boas que estão a nossa volta.



05. Tonari no Totoro

Meu vizinho Totoro: O filme conta a historia das duas jovens filhas (Satsuki e Mei) de um professor e suas aventuras com espíritos da floresta amigáveis no Japão pós-guerra rural.

Esse personagem é ícone, todo mundo conhece ou já viu ele em algum lugar. Esse é também um filme que adoro, mas ele fica atrás dos outros, aqui a história passada é bem simples, sem tantos questionamentos ou grandes reviravoltas como os outros filmes. Aqui é tudo muito fofinho. 


 ─

06. Howl no Ugoku Shiro

O castelo animado: ok!² esse é um dos melhores filme que eu acho. Primeiro a história, depois minha opinião: Sofia é uma jovem de 18 anos que trabalha na chapelaria de seu pai. Em uma de suas raras idas à cidade ela conhece Hauru, um mágico bastante sedutor mas de caráter duvidoso. Ao confundir a relação existente entre eles, uma feiticeira lança sobre Sofia uma maldição que faz com que ela tenha 90 anos. Desesperada, Sofia foge e termina por encontrar o Castelo Animado de Hauru. Escondendo sua identidade, ela consegue ser contratada para realizar serviços domésticos no local, se envolvendo com os demais moradores do castelo @.

Esse filme tem tudo o que eu gosto. Muita fantasia, aventura e sentimentalismo. É um filme engraçado por diversas vezes e em alguns momentos bem desesperador. É um dos filmes que mais recomendo de Hayao Miyazaki!


 

Depois que montei toda  a postagem lembrei de um filme que assisti esse mês e amai, Song of The Sea é um filme visualmente lindo e, claro, contém uma história maravilhosa, com todo aquele cuidado que só o Studio Ghibi tem. Você conhece algum desses filmes? 

10/07/2016

Resenha: "Os Bons Segredos", de Sarah Dessen

Os Bons Segredos
Sarah Dessen
Editora Seguinte
408 páginas
Há segredos muito bons para serem guardados — e livros muito bons para serem esquecidos. Sydney sempre viveu à sombra do irmão mais velho, o queridinho da família. Até que ele causa um acidente por dirigir bêbado, deixando um garoto paraplégico, e vai parar na prisão. Sem a referência do irmão, a garota muda de escola e passa a questionar seu papel dentro da família e no mundo. Então ela conhece os Chatham. Inserida no círculo caótico e acolhedor dessa família, Sydney pela primeira vez encontra pessoas que finalmente parecem enxergá-la de verdade. Com uma série de personagens inesquecíveis e descrições gastronômicas de dar água na boca, Os bons segredos conta a história de uma garota que tenta encontrar seu lugar no mundo e acaba descobrindo a amizade, o amor e uma nova família no caminho.

Em Os bons segredos, conhecemos Sidney e o caos composto por sua família. Graças ao jeito rebelde de levar a vida do irmão mais velho, Peyton, Sidney sempre se sentiu invisível dentro da própria casa. A cegueira da mãe em relação ao filho, que mesmo depois de tudo que causou, ainda era tratado como vítima era inaceitável para ela. Depois de inúmeros pequenos delitos, o irmão acaba sendo preso, por dirigir alcoolizado e atropelar um garoto, deixando-o paraplégico. A culpa pelo que o irmão causou domina Sidney, que resolve mudar de escola, tentando começar uma história diferente, em um lugar em que não conheceriam sua história e não a olhariam diferente por conta dos erros cometidos pelo irmão.



Depois de mudar de escola, ela resolve criar novos hábitos e, desejando ter mais tempo após o horário de aulas longe de casa, decide entrar em uma pizzaria e assim, conhece Layla e sua família, os Chatam. Daí por diante, as coisas mudariam, dando a chance a Sidney de se encontrar e se notar em meio as pessoas que, diferente da família, pareciam enxerga-la.

"Não é que estabelecemos uma amizade: eu fui sugada por sua órbita. Uma vez ali, entendi porque os outros também estavam."

"- Você vestia uma camiseta com estampa de cogumelos; seu cabelo estava preso. Brincos prateados. Pizza de pepperoni. Não quis pirulito. Olhei pra ele, confusa. Layla vinha na nossa direção. - A primeira vez que você entrou na Seaside - ele esclareceu. - Você não era invisível, não pra mim. Só pra você saber."

A relação que foi construída entre Layla, Mac, Eric, Irv e toda a família Chatam, fez de Sidney uma pessoa diferente. A transição entre a personagem do início da história, para o desenvolvimento da mesma, é notória de uma maneira gostosa. Ficava na torcida pra que ela entendesse que merecia ser notada, que tinha seus atributos a ser colocados em jogo e que podia ser alguém além da irmã do garoto rebelde. Os erros do irmão a afetavam de uma maneira que nem ela mesma conseguia explicar, mas depois de assumir o que isso significava, até o relacionamento com o irmão melhorou. Foi incrível refletir com Sidney sobre os segredos dos momentos especiais que guardamos, de como as vezes as boas histórias também precisam ser guardadas, pra que não se percam, como encontrar um carrossel abandonado no meio da floresta com seus amigos.


É uma história leve e simples, mas que nos faz refletir sobre coisas grandes e difíceis. Sobre, por exemplo, como as vezes damos uma importância gigantesca pros problemas e não conseguimos enxergar as coisas encantadoras em que nos esbarramos. Ou, como deixamos que situações nos definam. Ou, como, as vezes nos deixamos cegar pelo que sentimos. E principalmente, como não podemos deixar o medo de arrumar as coisas nos dominar, porque a paz de espírito precisa estar acima do nosso medo. Um livro pra guardar no coração, como um bom segredo, mas que precisa ser compartilhado com pessoas especiais.

08/07/2016

Um texto sobre amor


Não é que eu seja desprezível, talvez só ame de uma maneira irregular da qual estais acostumada. Talvez eu não seja o cara tradicional que lhe traga flores, chocolate e enche teus ouvidos  de extensões futuras. Não, eu não sou esse cara - o cara capaz de oferecer um futuro decisivo, te encher de expectativas e prometer nunca te fazer triste. Não serei o cara que você apaixonará de começo, muito menos o cara que suas amigas vão adorar, vou ser chato e vou te amar, eu sei, mas do meu jeito. Do jeito que você não entende, do jeito que sua mãe não entende, do jeito que nem eu mesmo entendo às vezes, mas vou te amar - e intensamente. Porque eu posso não prometer te amar à eternidade, mas prometo o agora, o que eu posso oferecer, na maneira branda, nua e falha que sou. E, o engraçado, é que falo isso de boca cheia, com orgulho, de que você pode não ser a garota mais sortuda do mundo, mas talvez seja a segunda garota mais sortuda do mundo, porque esse amor pode até não ser eterno, mas será verídico, bobo e verdadeiro. 

Para mim, não existe essa coisa de amar pela metade, mas, sim, amar sinceramente, por completo, por inteiro. Sem cede. Sem pressa. E mesmo que acabe, talvez daqui uma semana, um mês ou dezoito anos esse seria, então, nosso pequeno eterno de expectativas diárias, sem muita obrigação, sem muita pressão: um amor cru, singelo, doce e seu. E meu. Um segredo que guardaremos para a poeira das estrelas, no vento que assobia em cima das nossas cabeças enquanto estivermos nas nossas espreguiçadeiras na varanda de casa. 

06/07/2016

6 on 6: Julho

Mais um mês de atraso não poderia ocorrer, não é mesmo? Resolvi mudar um pouquinho a forma como as fotos são apresentadas, então:


É claro que eu esqueci. Mentira. Verdade. Mentira, mas é verdade. Diferente dos outros meses, este começou diferente, comecei madrugando e planejando fotos para o sábado de manhã. Ideia do primo, o Be Máximo.  Ideia que super vingou, super deu certo e super me fez querer fotografar ainda mais. 

Essas fotos vão para o 6 on 6, porque - além de serem as únicas fotos que tirei -, foram fotos cheias de conversas, de puxões de orelha, de valorização e sobre amar o que faz. Eu amo tirar foto e pude perceber quanto tempo deixei minha câmera enferrujada, fazendo uma foto aqui, outra ali.

Confere as fotos lindas desse pessoal lindo: Cris / Lucas / Luly / Maíra / Renatinha
Não deixe de conferir também dicas, looks e muito mais no Be Máximo

05/07/2016

Resenha: "Muito Mais que Cinco Minutos", de Kéfera Buckman

Muito Mais que Cinco Minutos
Kéfera Buckman
Editora Paralela, 2015
143 páginas
Você conhece a Kéfera? Pois deveria! Com 22 anos, Kéfera Buchmann reúne quase doze milhões de seguidores nas suas mídias sociais (YouTube, Facebook, Twitter e Instagram). Só o seu canal no YouTube, “5inco minutos” (procura aí na internet), tem cinco milhões de assinantes e é o quarto mais visto do Brasil. Tá achando pouco? Ela ainda recebe diariamente centenas de mensagens de fãs do Brasil todo e é parada na rua a todo momento. Se o YouTube é de fato a nova televisão, como acha muita gente, hoje Kéfera é o equivalente aos antigos astros globais. Tão conhecida e amada quanto eles. Neste livro, que tem literalmente a sua cara, Kéfera parte de sua vida para falar de relacionamentos, bullying, moda e gafes e conta uma série de histórias divertidas com as quais é impossível não se identificar.
Atualmente não sou fã da Kéfera, acho que nunca fui, mas sempre a achei engraçada, hoje não tanto como antes. No lançamento do livro, sem dúvidas, eu queria saber um pouco mais sobre a vida dessa youtuber que, se não me engano, é a mais famosa do Brasil. Hoje, já não é mais um livro que me atrai e mesmo assim apostei nas experiências que a autora poderia deixar para seus fãs.
“É de certo modo normal julgar os outros. Seria hipocrisia minha dizer que não julgo. Se você vê alguém sendo diferente em público, estranha logo de cara e às vezes se sente constrangido pela atitude do outro. Talvez porque formos ensinados desde crianças que precisamos ser quadrados o tempo todo. Por isso estamos acostumados a achar um pouco perturbadora qualquer coisa que se mostre original”

Contado de modo cômico, assim os seus vídeos, Kéfera expõe sua intimidade com o leitor, falando de sua infância e adolescência, quebrando alguns conceitos que hoje ainda são considerados tabus. Então ela fala de sua primeira depilação íntima, primeiro fora, bullying por ter sido gordinha e coisas que quase todo mundo passa durante as fases da vida. Kéfera conta sua história do mesmo modo como conversa com seu público no youtube, com xingamentos e deselegância, um jeito natural para mostrar que as mulheres não precisam ser tão mocinhas e se encaixar em grupo social - visto que a própria autora também não se encaixa muito em tais grupos.

Apesar de ser um livro puxado para um lado mais biográfico, Kéfera, assim como em Tá Todo Mundo Mau, dá alguns conselhos perante as dificuldades - algo que é importante, pois seu público é um que está em desenvolvimento, então, se a youtuber consegue promover alguma reflexão por meio da sua obra, essa obra é valida. Achei válida.
"A diferença é que alguns meninos e meninas levam numa boa e deixam os xingamentos que ouviram para trás. Outros carregam isso para a vida toda."
 Esse não é o tipo de livro que gosto, não me atrai, mas a leitura foi divertida, assim como os vídeos, me lembrou algumas coisas que passei. Os fãs com certeza irão amar esse livro, aqui a autora consegue passar um pouco de como é e era sua vida, hoje, ela conta com mais de 8 milhões de seguidores no Youtube, está atuando em um filme e seguindo sua brilhante carreira de atrás. Uma história de sucesso para quem apenas gravou um vídeo irritada com vuvuzelas. 

03/07/2016

Resenha: "A Garota Italiana", de Lucinda Riley

A Garota Italiana
Lucinda Riley
Editora Arqueiro, 2016
464 páginas
Uma inesquecível história de amor, traição, paixão, obsessão e música.

Aos onze anos de idade, Rosanna Menici conhece o cantor Roberto Rossini, uma estrela em ascensão no mundo da ópera italiana - e o homem que mudaria sua vida para sempre. Incentivada - e apaixonada - por ele, Rosanna passa a se dedicar ao estudo do canto lírico, torna-se cantora profissional, e logo os dois se encontram nas salas de concerto mais famosas do mundo, dividindo não só o palco como também o mesmo destino.

Com seu talento incomum para descrever ambientes e evocar sensações e sentimentos universais, Lucinda Riley nos leva a acompanhar a trajetória de Rosanna, desde os bairros pobres de Nápoles até os teatros mais glamourosos do planeta, trazendo à tona, com sua prosa inconfundível, as alegrias, tristezas, frustrações, decepções e redenções do amor.



Esse é um daqueles livros que você não consegue largar. Uma história cheia de altos e baixos, emoções à flor da pele, uma paixão avassaladora e muitos segredos. Se eu pudesse dar uma conselho a Lucinda, a autora, diria que ela transformasse essa história em uma novela mexicana, ia ser sucesso garantido! Rosanna Menici é apenas uma criança quando somos apresentadas, no início da história. Vivendo em uma típica família italiana, com sua mama, seu papá, o irmão Luca e a irmã Carlotta, ela vive para ajudar os pais e irmão na cantina da família, enquanto vive à sombra da irmã mais velha, que parece encantar a todos com sua beleza e simpatia. Seu destino muda ao ser apresentada à Roberto Rossini, um jovem cantor de ópera que ao ouvi-la cantar reconheceu seu enorme talento e ajudou em seus primeiros passos rumo ao estrelato no mundo da ópera.



Ao longo dos anos acompanhamos a jornada de Rosanna e seu crescimento na música. As muitas oportunidades lhe são apresentadas graças a sua voz esplêndida, a ajuda do irmão que a acompanhou em todos os momentos e aos influentes homens que lhe foram apresentados graças a aquele primeiro contato com Roberto. Também somos apresentadas a Abi, uma grande amiga que Rosanna conheceu na escola de música, a quem me apeguei bastante. Enquanto a vida da irmã mais velha declinava, a de Rosanna ascendia.

Até que acontece o segundo encontro entre Rosanna Menici e Roberto Rossini, desta vez, em cima dos palcos e cantando juntos, como Rosanna havia sonhado tantos anos antes. Embora os primeiros encontros tenham sido decepcionantes, diante a visível arrogância do cantor, foi inevitável o amor entre os dois, que viveram uma história de amor maluca, apaixonada e talvez irracional.

“- Você sabe que isso vai mudar nossa vida, não sabe? Depois disso não haverá mais volta.
- Eu não quero voltar.”
A vida de Rosanna com Roberto estava fadada aos muitos segredos do passado, assim como a obsessão de estarem juntos e serem consumidos pela paixão de forma a afetar a carreia e a vida de ambos, principalmente de Rosanna que parecia disposta a largar tudo para estar com Roberto.

“(...) O amor é uma espécie de vício. É preciso suportar um período de abstinência e não se punir por de vez em quando pensar que nunca vai passar.”



Me senti apegada a história de forma a amar alguns personagens, a querer gritar-lhes algo e era angustiante, em alguns momentos, notar que a decisão de alguns não ia dar certo no final, não poderia. E sinceramente, eu não poderia ter imagino final mais plausível, mais aceitável, mais real. Me despedi da história com um aperto no coração e a felicidade de os meus amigos personagens terem encontrado um modo de prosseguir. Lucinda Riley mais uma vez ganhou meu coração.


2012 - 2018 © Sete Coisas.