Resenha: "Não me Abandone Jamais", Kazuo Ishiguro

15 Jun 2016

Não me Abandone Jamais
Kazuo Ishiguro
Editora Companhia das Letras, 2016
344 páginas
“Kathy H. tem 31 anos e está prestes a encerrar sua carreira de “cuidadora”. Enquanto isso, ela relembra o tempo que passou em Hailsham, um internato inglês que dá grande ênfase às atividades artísticas e conta, entre várias outras amenidades, com bosques, um lago povoado de marrecos, uma horta e gramados impecavelmente aparados.
No entanto esse internato idílico esconde uma terrível verdade: todos os “alunos” de Hailsham são clones, produzidos com a única finalidade de servir de peças de reposição. Assim que atingirem a idade adulta, e depois de cumprido um período como cuidadores, todos terão o mesmo destino – doar seus órgãos até “concluir”.
Embora à primeira vista pareça pertencer ao terreno da ficção científica, o livro de Ishiguro lança mão desses “doadores”, em tudo e por tudo idênticos a nós, para falar da existência. Pela voz ingênua e contida de Kathy, somos conduzidos até o terreno pantanoso da solidão e da desilusão onde, vez por outra, nos sentimos prestes a atolar.”
Um dia apareceu uma pessoa na minha timeline falando sobre uma edição maravilhosa de Não me Abandone Jamais e em como ela queria ler aquele livro, aquela fascinação por este volume, me fez, logo depois saber do que se tratava a história e como era a tal edição. Dias depois, não daria outra, estava com os livros em mãos pronto para uma nova história.

Estava com bastante de vontade de ler esse livro, achei que logo me arrebataria no começo da história, mas foi o contrário disso: a história chegou lenta, bem de mansinho, como um novo amigo tímido. A história é narrada pela Kathy H., uma cuidadora, responsável por auxiliar doadores, sendo muito respeitada em seu posto e por ter sido aluna de Hailsham, da qual é relada carinhosamente nos pensamentos da personagem; o livro, então, é sobre um relato importante na vida de Kathy, onde deixará de ser cuidadora para se tornar uma doadora. 



O livro, não minto, é exaustivo, contendo uma narrativa detalhada e monótona, prejudicando um pouco na fluidez da história, porém é reconhecível que é uma história bem escrita e com potencial para um clássico. Kazuo Ishiguro faz questão de deixar seu leitor desvendar os próprios mistérios, mantendo-o obrigado até o final de leitura para saber o que é esperado para Kathy e para o coração do próprio leitor - não que seja um final promissor, mas sim um que é capaz de ligar as pontas que vão sendo soltas durante a leitura.

"É um momento gélido, esse, o da primeira vez em que você se vê através dos olhos de uma pessoa assim. É como passar diante de um espelho pelo qual passamos todos os dias de nossas vidas e de repente perceber que ele reflete outra coisa, uma coisa estranha e perturbadora."


Em suma, é um livro que pensei em abandonar algumas vezes - e a conclusão do livro demorou a ser chegada - contudo, com perseverança, cheguei ao final e me surpreendi de uma forma gratificante, creio que no momento da leitura, não estava preparado para a história, que por sinal exige atenção e estômago. É um livro triste, visto que muitos acontecimentos ali não poderão ser mudados, apenas aceitos. É uma leitura recomendada para quem gosta de livros com uma pegada mais clássica. 

2 comments:

  1. Eu apreciei bastante este livro, mas concordo com a falta de fluidez, mas acredito que esse é o objetivo do autor, ele quer dissecar a história e os sentimentos, não só expor e finalizar, ele levanta diversos questionamentos pertinentes e tem aquela aura de tristeza velada, de emoções conflitantes... A narrativa lenta nos faz digerir a história, entrar dentro dela, senti-la.

    Existe um filme baseado na obra, e é lindíssimo, tem uma fotografia esplendorosa e uma sensação de filme antigo e incompreensivo... o filme carrega o mesmo nome da obra: Não me Abandones Jamais.

    xoxo
    Mila F.
    @camila_marcia
    www.delivroemlivro.com.br

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  2. Engraçado porque quando li o título pensei numa coisa, aí vi a capa e pensei outra coisa e quando finalmente terminei a sinopse era outra coisa completamente diferente! Gostei! Fiquei até curiosa, mas saber que ele se arrasta me desanimou um pouco (mesmo porque o tempo pra ler tá curto, então tô focando só no que prender mesmo)!

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