Resenha: "Diário de Queda", de Michel Laub

13 Jun 2016

Diário de Queda
Michel Laub
Editora Companhia das Letras, 2011
152 páginas
Um garoto de treze anos se machuca numa festa de aniversário. Quando adulto, um de seus colegas narra o episódio. A partir das motivações do que se revela mais que um acidente, cujas consequências se projetam em diversos fatos de sua vida nas décadas seguintes - a adolescência conturbada, uma mudança de cidade, um casamento em crise -, ele constrói uma reflexão corajosa sobre identidade, afeto e perda.
Dessa reflexão fazem parte também as trajetórias de seu pai, com quem o protagonista tem uma relação difícil, e de seu avô, sobrevivente de Auschwitz que passou anos escrevendo um diário secreto e bizarro. São três gerações, cuja história parece ser uma só; são lembranças que se juntam de maneira fragmentada, como numa lista em que os fatos carregam em si tanto inocência quanto brutalidade.
Numa prosa que oscila entre violência, lirismo e ironia, com pausas para uma neutralidade quase documental na descrição de cheiros, gostos, sons, fatos e sentimentos, Diário da queda - livro selecionado pela Bolsa Funarte de Criação Literária - é uma viagem inusitada pela memória de um homem no momento em que ele precisa fazer a escolha que mudará sua vida.
Um dia desses estava querendo ler um livro desconhecido, recomendado por alguém. Então Di Passy me recomendou a leitura de Diário de Queda, um livro que primeiramente não me chamou atenção pela capa, mas que me fez destorcer o nariz após o começo da leitura.

O romance do gaúcho Michel Laub é contado de uma maneira atípica e creio que esse tenha sido um trabalho importante para a carreira do autor, afinal é um livro que tem boas críticas e recomendações. Mas o que faria esse livro ganhar todo esse respeito e admiração dos leitores?

Diário de Queda  narra a culpa do narrador, cujo participou de uma brincadeira de mau gosto com um colega da turma, que acarretou em transformações importantes na vida do protagonista, além é claro de dar nome ao livro. Nas primeiras páginas a vida do protagonista, nunca identificado, gira em torno o pós-acidente causado ou João, o simplório amigo de classe, contudo logo a história começa a tomar proporção pela vida do protagonista, gerando, então tópicos: "Coisas que sei sobre meu avô"; "Coisas que sei sobre meu pai"; "Coisas que sei sobre mim"; "Notas" e "Diário da queda", levando o leitor a uma conclusão de raciocínio que o autor tende a levar. 



"2. Aparentemente meu avô queria escrever uma espécie de enciclopédia, um amontoado de verbetes sem relação clara entre si, termos seguidos por textos curtos ou longos, sempre com uma característica peculiar. O verbete leite, por exemplo, fala de um alimento líquido e de textura cremosa que além de conter cálcio e outras substâncias essenciais ao organismo tem a vantagem de ser muito pouco suscetível ao desenvolvimento de bactérias."


O livro que é basicamente um diário, apesar da história iniciar após o episódio com o colega de classe, a queda se trata da ruptura de três gerações - do avô, do pai e do filho (narrador).  A narrativa é bagunçada, contada de acordo com a medida que o protagonista se lembra dos fato, contudo a história toma um rumo, pois as histórias do passado, em tópicos, se intercalam com fatos diários. É incrível como o autor consegue manter o leitor tão conectado a história, a trama é intensa e sentimental, porém sem floreios e com objetividade, curto e duro. 

Gostei muito da leitura deste exemplar, é a prova de que a literatura brasileira contemporânea tem, sim, obras maravilhosas. Porém esse não é um livro que, eu acho, agradará muitos leitores, pois é, sem dúvidas, um livro de escrita madura, onde o autor, com seu quinto lançamento, tenta alcançar um público com um senso maior de criticidade. 

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