27/06/2016

Resenha: "A Garota Perfeita", de Mary Kubica

A Garota Perfeita
Mary Kubica
Editora Planeta
336 páginas
Mia, uma professora de arte de 25 anos, é filha do proeminente juiz James Dennett de Chicago. Quando ela resolve passar a noite com o desconhecido Colin Thatcher, após levar mais um bolo do seu namorado, uma sucessão de fatos transformam completamente sua vida.
Colin, o homem que conhece num bar, a sequestra e a confina numa isolada cabana, em meio a uma gelada fazenda em Minnesota. Mas, curiosamente, não manda nenhum pedido de resgate à familia da garota. O obstinado detetive Gabe Hoffman é convocado para tocar as investigações sobre o paradeiro de Mia. Encontrá-la vira a sua obsessão e ele não mede esforços para isso.
Quando a encontra, porém, a professora está em choque e não consegue se lembrar de nada, nem como foi parar no seu gélido cativeiro, nem porque foi sequestrada ou mesmo quem foi o mandante. Conseguirá ela recobrar a memória e denunciar o verdadeiro vilão desta história?
A primeira coisa que eu pensei ao ver esse livro foi: Uau, que capa linda, preciso ler! - Sim, sou dessas. A segunda coisa que me fez ter muita vontade de lê-lo é que prometia ser uma história de romance e suspense policial de tirar o fôlego, do tipo que eu pessoalmente amo e devoro. E não deixou a desejar. Em A garota perfeita, conhecemos Mia, professora de arte, de 25 anos, que não tem um relacionamento próximo com a família, pois o pai, um poderoso juiz, nunca foi de acordo com o modo que ela decidiu levar a vida. Ao invés de se tornar advogada, seguindo os passos do pai, Mia optou por ser professora, o que pra ele foi claramente uma decepção. Eve, a mãe de Mia, por ser uma mulher subordinada ao marido, nunca puniu pela filha, decidindo sempre apoiar as decisões do marido, fazendo com que a filha se distanciasse ainda mais. Dessa forma, Mia sai de casa assim que completa a maior idade e o relacionamento com a família se torna cada vez mais frio.



Até tudo mudar, quando uma colega de trabalho de Mia, liga para Eve em busca de informações sobre a amiga que não apareceu no trabalho e que, segundo ela, nunca faltou. Eve logo se preocupa com o paradeiro da filha, embora James - o pai - ache que não há motivos para tanto, pois segundo ele Mia é uma desajustada e poderia estar simplesmente se divertindo por aí. Porém, quando Eve não consegue encontra-la no celular, e-mail, nem no apartamento da filha, com de dias do desaparecimento, os trabalhos do detetive Gabe são solicitados e tem início a jornada dolorosa de meses para encontrar Mia Dennet.



Somos apresentados a história do ponto de vista de três personagens, Eve - mãe de Mia, Gabe - detetive, e Colin - o sequestrador. Os capítulos são divididos entre a história antes de Mia ser encontrada e depois de ela já ter voltado pra casa. Ao voltar pra casa, Mia não é a mesma. Sofre de amnésia e não consegue lembrar de meses da sua vida, principalmente do tempo que viveu na cabana gélida e isolada do resto do mundo com seu sequestrador, Colin Thatcher. A curiosidade pra solucionar o caso é tanta que devorei o livro e nem notei enquanto as páginas iam diminuindo e os sentimentos começavam a mudar, a dúvida se instalando de quem seria o verdadeiro vilão da história. No meio do livro, tudo que eu senti no começo foi desconstruído. Simplesmente passei a torcer por personagens que no começo cheguei a odiar. E isso foi incrível.


Mary Kubica, a autora, consegue mexer com os sentimentos do leitor a ponto de transformar a história completamente. No final tudo que consegui fazer foi ficar boquiaberta, pois o desfecho é simplesmente inacreditável. Realmente de tirar o fôlego e sem duvida uma obra merecedora do best-seller que se tornou. Se você curte um romance-suspense-polical-surpreendentementebom, assim como eu, pode ler sem medo, vale a pena cada minuto dessa leitura.

25/06/2016

Resenha: "Tá Todo Mundo Mal", de Jout Jout | @cialetras

Tá Todo Mundo Mal
O livro da crises
Julia Tolezano
Editora Companhia das Letras, 2016
200 páginas
Do alto de seus 25 anos, Julia Tolezano, mais conhecida como Jout Jout, já passou por todo tipo de crise. De achar que seus peitos eram pequenos demais a não saber que carreira seguir. Em tá todo mundo mal, ela reuniu as suas "melhores" angústias em textos tão divertidos e inspirados quanto os vídeos de seu canal no YouTube, "Jout Jout, Prazer".
Família, aparência, inseguranças, relacionamentos amorosos, trabalho, onde morar e o que fazer com os sushis que sobraram no prato são algumas das questões que ela levanta. Além de nos identificarmos, Jout Jout sabe como nos fazer sentir melhor, pois nada como ouvir sobre crises alheias para aliviar as nossas próprias!
Conheci Jout Jout cagando, sério, o primeiro vídeo que assisti dessa mulher estava no banheiro com diarreia, dali para cá, tenho assistido alguns vídeos e me identificado com diversos assuntos - começo essa resenha sincero, pois esse livro, além de muito engraçado é sincero. Histórias de amigo para amigo, do íntimo para o íntimo: um livro de crises que todo mundo têm - ou terá.
“Nada mais reconfortante para quem esta numa crise, do que saber da crise dos outros e ficar medindo em silêncio sobre se a deles é pior ou mais branda que a nossa própria.”
Acho que a melhor forma de encarar as próprias crises é olhando a dos vizinhos, aí vem aquela ideia: "se ela consegue, por que eu não consigo?", então Jout Jout abre parte da sua vida com seus leitores - realizando seu sonho em escrever um livro e, de alguma forma, fazer os seus leitores refletirem em determinadas situações da vida, como os vídeos dessa youtuber já propõe.
Sem crises parece que você não se transforma. E, se você não muda, você para.
Esse é um livro com diversos capítulos, alguns longos e outros curtos, alguns com assuntos idiotas e que causam um trabalhão e outros falando sobre coisas que deixamos passar despercebidos - o livro contém não só histórias de Julia, mas também dos seus amigos (como se todo mundo já conhecessem eles). E esse é um ponto especial do livro, porque percebemos o tanto que somos iguais mesmo sendo tão diferentes.
“Existia um troço que acabava com a saúde de qualquer criança nos anos 90 e esse negócio se chamava Tamagotchi! Tamagotchi era um micro videogamezinho do tamanho de um relógio de bolso, onde morava uma pequena bolinha com olhos, meu dever como mãe de uma bolinha dessas era alimenta-lá e evitar que morresse, caso ela passasse um determinado tempo sem comer, brincar, fazer coco e outras frescurinhas, ela morria, um deslize e a bolinha morria. Se você fosse uma pessoa boa, pura, correta e responsável sua bolinha se transformava aos poucos num lindo dinossauro e você se sentia realizada de uma forma impossível de ser descrita. É claro que eu posso apenas especular sobre isso já que jamais fui capaz de ver minha bolinha virar um dinossauro, eu perdia meu tamagotchi, esquecia meu tamagotchi, molhava meu tamagotchi, mas acima de tudo eu eu amava meu tamagotchi tudo que eu queria era vê-lo forte, saudável, alimentado e feliz, mas não é fácil ser mãe aos 6…”
Apesar do receio deste livro, me senti tão bem em ter começado essa leitura, que por sinal é divertida e reflexiva, um livro de histórias de crises comuns que todo serumaninho tem. Cada capítulo termina com uma final esplendoroso e deixa uma reflexãozinha perante a cada assunto. Adorei a leitura, recomendo não somente para os fãs de Jout Jout, mas para aqueles que estão começando as responsabilidades e entrando realmente nos troços da vida. Apesar da leitura divertida, é, sem dúvidas, um livro que ajuda, e muito.

23/06/2016

Todos os meus demônios me cumprimentam como um amigo

Conheci a norueguesa Aurora nesse post através da menina do Carolinices, juro para vocês, não foi amor à primeira vista, nem de segunda, nem de terceira, mas sim de sexta vista – demorou muito para eu apreciar as músicas requisitadas de Aurora Aksnes. Mas quando apreciei, meus amigos, apreciei de verdade.



Aurora tem sido a minha playlist de ônibus e das coisas que vos escrevo.  Se não me engano, as músicas dessa cantora se tratam de um folk mais eletrônico, synthfolk - como também é chamado pelo Sr. Wiki. A cantora é nova, tem minha idade e não tinha álbum lançado nem aqui, nem na Noruega. Em março de 2016, finalmente foi lançado o primeiro álbum dessa albina – All My Demons Greeting Me As A Friend





Deixo esse (último) vídeo que amo:



Para completar a vibe de folk, essa semana escutei pela segunda vez Halsey (a primeira foi no carro de um amigo ~ fiquei muito intrínseco com aquela música que tocava), Ashley Nicolett é uma guria de cabelo azul com músicas realmente boas, depois falo dela aqui, se vocês quiserem.

Se não quiserem também, porquê vou falar.  

21/06/2016

Resenha: "Outlander - A viajante do tempo", de Diana Gabaldon

Outlander - A viajante do tempo
Diana Gabaldon
Editora Arqueiro, 2014
800 páginas

Em 1945, no final da Segunda Guerra Mundial, a enfermeira Claire Randall volta para os braços do marido, com quem desfruta uma segunda lua de mel em Inverness, nas Ilhas Britânicas. Durante a viagem, ela é atraída para um antigo círculo de pedras, no qual testemunha rituais misteriosos. Dias depois, quando resolve retornar ao local, algo inexplicável acontece: de repente se vê no ano de 1743, numa Escócia violenta e dominada por clãs guerreiros.

Tão logo percebe que foi arrastada para o passado por forças que não compreende, Claire precisa enfrentar intrigas e perigos que podem ameaçar a sua vida e partir o seu coração. Ao conhecer Jamie, um jovem guerreiro escocês, sente-se cada vez mais dividida entre a fidelidade ao marido e o desejo. Será ela capaz de resistir a uma paixão arrebatadora e regressar ao presente?


Meu. Deus. Do. Céu!!! Antes de começar, posso implorar que, se você tiver esse livro paradinho na estante, comece a ler IMEDIATAMENTE? Ok. Obrigada. Só o que eu consigo dizer desse livro é que, Diana Gabaldon, você é um gênio!! Outlander - A viajante do tempo é o primeiro volume da série Outlander e conta a história de Claire, 27 anos, enfermeira, casada, voltando do serviço que prestou durante oito anos na Segunda Guerra Mundial, em plena lua de mel com o marido que passou tantos anos afastada, quando é arrebatada para a Escócia de muitíssimos anos atrás por um círculo de pedras que contém uma magia sobrenatural.

O primeiro sentimento foi de desespero. Imaginar aquela situação em que Claire estava dava certa agonia, apreensão e medo. Como lidar com uma situação em que você está completamente sozinha em um mundo que você não conhece, séculos inferiores ao que você está habituado? Confesso que tive que fechar o livro diversas vezes pra recuperar o fôlego. A autora conseguiu entremear fatos reais com fictícios, de forma que a leitura flui de maneira fácil de engolir, pois somos apresentados a personagens com hábitos e culturas reais para a época. A cada capítulo me sentia mais próxima de Claire, com sua personalidade forte e seu conhecimento sobre regras de sobrevivência, começamos a acreditar na sua capacidade de sair de tudo aquilo bem.



Somos apresentados a muitos personagens rapidamente, entre eles Collun, Murtagh, Dougal e o marcante Jamie. Ruivo, gigante, amável e usando kilt, óbvio. E, a partir daí, as escolhas de Claire se tornam milhares de vezes mais difíceis, assim como as nossas, leitores que sofremos junto com as decisões que ela precisa tomar. Dividida entre o mundo que conhece desde que nasceu, às pessoas que deixou pra trás e entre o novo mundo que a abraçou e aprendeu a amar.

É difícil escrever sobre algo que me cativou tanto, que me fez viajar e até sonhar. Só queria poder compartilhar essa história com todos os leitores do mundo! De desespero a amor, paixão, ódio, nojo, repulsa, náuseas e amor novamente. Tudo em um livro só! Ansiosa e doida pra ter os próximos volumes em mãos e, assim, poder conviver mais um pouquinho com esses personagens tão incríveis.

19/06/2016

Ch-ch-chaaaanges

Após algumas postagens (aqui, aqui e aqui) dos novos colaboradores aqui do blog, houve uma necessidade de falar desse pessoal lindo em uma postagem e apresentá-los. Aproveito a postagem para falar de outras coisinhas também, confere o conteúdo na integra:

A história com esses dois é de longa data, conheci eles através da internet e, apesar de nunca os ter visto, sinto admiração e carinho por cada um que logo surgiu a vontade de trazer eles pro Sete Coisas também! Tive algumas tentativas frustadas com colunistas, mas, pela primeira vez, estes vieram de bom e grato coração ♡. Apesar de serem grandes amigos virtuais, resolvi os trazer para o blog pois cada um tem um jeito diferente para falar sobre determinado assunto, por exemplo, Lucc gosta de livros mais classudos e antigos, enquanto, Aninha não tem preferência por livro algum - ama todos, hihi. 


//. LUCAS J
Foi por meio de uma comunidade no MSN que nos conhecemos - fãs de Instrumentos Mortais. Essa amizade foi além das conversas literárias e livros, Lucc até me ajudou no início deste blog, mas a ideia não vingou, contudo alguns anos depois a decisão foi certa, ele, vai sim, escrever para esse blog - porque eu obriguei mesmo!

Ele tem 21 anos mora no interior de São Paulo, e se não me engano, cursa o terceiro ano de Jornalismo. Amante da Katy Perry, fã de séries e boa música. Ótimo conselheiro e menino misterioso, sério, põe mistério nesse menino, até irrita!
//. ANA NEUMA
Com seus 21 anos essa moça se encontrou no curso de Enfermagem, porém quando não está no laboratório, ela se dedica a boas fotos no instagram e exterminar com os livros da sua estante. Leitora assídua, mas viciada em série e cookies.

Do nada ela apareceu no meu twitter rindo horrores da minha cara em alguns vídeos que eu produzia para o youtube - uma carreira falha, como podemos perceber. Com o tempo ela também criou um blog e eu ajudei lá com alguns dotes de design, sempre quis trazer a Aninha para cá, mas nuna soube como fazer, mas agora ela está aqui (com as fotos divinas dela!).


Para ler as postagens desses meninos é só ficar de olho.

Falando em ficar de olho, criamos também um instagram todinho para o Sete Coisas, lá vamos falar o que andamos lendo e sobre as postagens que vão saindo no decorrer da semana.



Agora somos 4000 mil no facebook, eu nem sei como agradecer vocês - a única forma é transmitindo amorzinhos por aqui, obrigado hihi.

Era só isso, um beijo! 

17/06/2016

Resenha: "A História Secreta", de Donna Tartt

A História Secreta
Donna Tartt
Editora Companhia das Letras, 1995
520 páginas
“Donna Tartt surpreende pelo talento com que combina a densidade psicológica e o vigor poético de um texto clássico com a trama complexa e o ritmo alucinado dos melhores romances policiais contemporâneos.
Quem conta a história é Richard Papen, garotão da ensolarada Califórnia que consegue ser admitido na seleta Hampden, uma universidade em Vermont freqüentada pela elite norte-americana. Richard imagina ter atingido o Olimpo ao entrar para o círculo mais privilegiado daquela universidade. Cinco alunos, sofisticados e originais, selecionados por um mestre erudito e carismático, dedicam-se ao estudo da Grécia antiga. A eles junta-se o narrador, para participar da busca da verdade e da beleza, entre festas orgiásticas e finais de semana numa antiga casa de campo, regados a muito álcool e discussões filosóficas. A loucura desmedida certa vez termina numa orgia cujo ponto culminante é um ato de violência inominável e o suposto aparecimento do próprio Dioniso, numa de suas diversas manifestações.
Quando descobre a terrível verdade, Richard envolve-se numa cadeia de segredos e cumplicidades, num encadeamento de medos e inseguranças que leva o grupo a cometer um ato ainda mais terrível. Melancólico e irônico, este é um romance feito de terror e prazer, remorso e decepção. Com ele, Donna Tartt revelou-se uma grande escritora já em seu livro de estréia.”
O livro narra a história de Richard Papen, recém-chegado em uma faculdade de humanidades em Vermont nos EUA. Lá ele fica fascinado com um curso de grego onde um misterioso professor recebe somente um seleto grupo de cinco alunos. Disposto a entrar para as aulas e descobrir mais sobre essas pessoas, Richard cai em uma espiral de mentiras e cria uma história falsa para si mesmo: inventa um passado totalmente novo para si. O que ele não poderia esperar era que por trás dos estudos dos clássicos gregos e dos alunos que ele tanto admirava, estivessem escondidos diversos segredos.

A forma com que a autora conta a história a torna ainda mais interessante. O livro começa a partir do assassinato de um dos personagens e no decorrer do enredo, descobrimos os motivos que levaram os personagens até aquele momento culminante. A obra é uma montanha russa de sensações. Em alguns momentos o leitor realmente acredita que as atitudes tomadas pelos personagens foram as melhores possíveis ou, no mínimo, plausíveis para a situação. Entretanto, basta algumas viradas de páginas para que tudo o que fora construído desabe e novas ações dos personagens façam com que a situação seja revertida ou pensada de uma outra forma.

Outro fato interessante, é que os personagens são construídos como um ideal de perfeição, só para depois serem desmontados e desconstruídos. A mistura de beleza, dinheiro e soberba parece permear todos os membros do curso de grego. Mas ao decorrer da história, o leitor acompanha a degradação desses personagens, os segredos e o que se esconde por trás da faixada sofisticada de cada um.

Quando a morte do colega parecia o fim da história, é que os personagens se veem em um labirinto de escolhas, vivendo uma pressão constante onde uns são jogados contra os outros. Graças ao crime, por mais que eles tentem seguir caminhos diferentes ou agir por conta própria, suas ações sempre acabam afetando algum integrante do grupo e novamente todos são colocados frente a frente.

A crítica social proposta pela autora é feroz e percorre as mais diversas camadas. Desde o academicismo elitista, a hipocrisia, a mentira contada para satisfação do ego, relações de interesse e segue até onde os olhos do leitor podem captar.

A História Secreta é um livro de camadas e de detalhes. As pequenas ações de cada personagem podem significar algo gigante na teia angustiante de acontecimentos e relações que permeiam o enredo. É inquestionável a sensação de querer ler o livro de novo após terminar a leitura, só para absorver as miudezas da história.

Donna Tartt é uma autora indispensável para qualquer leitor voraz e que procura personagens com grande profundidade psicológica. A História Secreta é um livro com personagens bem construídos, enredo cativante e uma variedade de assuntos abordados paralelamente a trama principal.

Leitura mais que obrigatória.

15/06/2016

Resenha: "Não me Abandone Jamais", Kazuo Ishiguro

Não me Abandone Jamais
Kazuo Ishiguro
Editora Companhia das Letras, 2016
344 páginas
“Kathy H. tem 31 anos e está prestes a encerrar sua carreira de “cuidadora”. Enquanto isso, ela relembra o tempo que passou em Hailsham, um internato inglês que dá grande ênfase às atividades artísticas e conta, entre várias outras amenidades, com bosques, um lago povoado de marrecos, uma horta e gramados impecavelmente aparados.
No entanto esse internato idílico esconde uma terrível verdade: todos os “alunos” de Hailsham são clones, produzidos com a única finalidade de servir de peças de reposição. Assim que atingirem a idade adulta, e depois de cumprido um período como cuidadores, todos terão o mesmo destino – doar seus órgãos até “concluir”.
Embora à primeira vista pareça pertencer ao terreno da ficção científica, o livro de Ishiguro lança mão desses “doadores”, em tudo e por tudo idênticos a nós, para falar da existência. Pela voz ingênua e contida de Kathy, somos conduzidos até o terreno pantanoso da solidão e da desilusão onde, vez por outra, nos sentimos prestes a atolar.”
Um dia apareceu uma pessoa na minha timeline falando sobre uma edição maravilhosa de Não me Abandone Jamais e em como ela queria ler aquele livro, aquela fascinação por este volume, me fez, logo depois saber do que se tratava a história e como era a tal edição. Dias depois, não daria outra, estava com os livros em mãos pronto para uma nova história.

Estava com bastante de vontade de ler esse livro, achei que logo me arrebataria no começo da história, mas foi o contrário disso: a história chegou lenta, bem de mansinho, como um novo amigo tímido. A história é narrada pela Kathy H., uma cuidadora, responsável por auxiliar doadores, sendo muito respeitada em seu posto e por ter sido aluna de Hailsham, da qual é relada carinhosamente nos pensamentos da personagem; o livro, então, é sobre um relato importante na vida de Kathy, onde deixará de ser cuidadora para se tornar uma doadora. 



O livro, não minto, é exaustivo, contendo uma narrativa detalhada e monótona, prejudicando um pouco na fluidez da história, porém é reconhecível que é uma história bem escrita e com potencial para um clássico. Kazuo Ishiguro faz questão de deixar seu leitor desvendar os próprios mistérios, mantendo-o obrigado até o final de leitura para saber o que é esperado para Kathy e para o coração do próprio leitor - não que seja um final promissor, mas sim um que é capaz de ligar as pontas que vão sendo soltas durante a leitura.

"É um momento gélido, esse, o da primeira vez em que você se vê através dos olhos de uma pessoa assim. É como passar diante de um espelho pelo qual passamos todos os dias de nossas vidas e de repente perceber que ele reflete outra coisa, uma coisa estranha e perturbadora."


Em suma, é um livro que pensei em abandonar algumas vezes - e a conclusão do livro demorou a ser chegada - contudo, com perseverança, cheguei ao final e me surpreendi de uma forma gratificante, creio que no momento da leitura, não estava preparado para a história, que por sinal exige atenção e estômago. É um livro triste, visto que muitos acontecimentos ali não poderão ser mudados, apenas aceitos. É uma leitura recomendada para quem gosta de livros com uma pegada mais clássica. 

13/06/2016

Resenha: "Diário de Queda", de Michel Laub

Diário de Queda
Michel Laub
Editora Companhia das Letras, 2011
152 páginas
Um garoto de treze anos se machuca numa festa de aniversário. Quando adulto, um de seus colegas narra o episódio. A partir das motivações do que se revela mais que um acidente, cujas consequências se projetam em diversos fatos de sua vida nas décadas seguintes - a adolescência conturbada, uma mudança de cidade, um casamento em crise -, ele constrói uma reflexão corajosa sobre identidade, afeto e perda.
Dessa reflexão fazem parte também as trajetórias de seu pai, com quem o protagonista tem uma relação difícil, e de seu avô, sobrevivente de Auschwitz que passou anos escrevendo um diário secreto e bizarro. São três gerações, cuja história parece ser uma só; são lembranças que se juntam de maneira fragmentada, como numa lista em que os fatos carregam em si tanto inocência quanto brutalidade.
Numa prosa que oscila entre violência, lirismo e ironia, com pausas para uma neutralidade quase documental na descrição de cheiros, gostos, sons, fatos e sentimentos, Diário da queda - livro selecionado pela Bolsa Funarte de Criação Literária - é uma viagem inusitada pela memória de um homem no momento em que ele precisa fazer a escolha que mudará sua vida.
Um dia desses estava querendo ler um livro desconhecido, recomendado por alguém. Então Di Passy me recomendou a leitura de Diário de Queda, um livro que primeiramente não me chamou atenção pela capa, mas que me fez destorcer o nariz após o começo da leitura.

O romance do gaúcho Michel Laub é contado de uma maneira atípica e creio que esse tenha sido um trabalho importante para a carreira do autor, afinal é um livro que tem boas críticas e recomendações. Mas o que faria esse livro ganhar todo esse respeito e admiração dos leitores?

Diário de Queda  narra a culpa do narrador, cujo participou de uma brincadeira de mau gosto com um colega da turma, que acarretou em transformações importantes na vida do protagonista, além é claro de dar nome ao livro. Nas primeiras páginas a vida do protagonista, nunca identificado, gira em torno o pós-acidente causado ou João, o simplório amigo de classe, contudo logo a história começa a tomar proporção pela vida do protagonista, gerando, então tópicos: "Coisas que sei sobre meu avô"; "Coisas que sei sobre meu pai"; "Coisas que sei sobre mim"; "Notas" e "Diário da queda", levando o leitor a uma conclusão de raciocínio que o autor tende a levar. 



"2. Aparentemente meu avô queria escrever uma espécie de enciclopédia, um amontoado de verbetes sem relação clara entre si, termos seguidos por textos curtos ou longos, sempre com uma característica peculiar. O verbete leite, por exemplo, fala de um alimento líquido e de textura cremosa que além de conter cálcio e outras substâncias essenciais ao organismo tem a vantagem de ser muito pouco suscetível ao desenvolvimento de bactérias."


O livro que é basicamente um diário, apesar da história iniciar após o episódio com o colega de classe, a queda se trata da ruptura de três gerações - do avô, do pai e do filho (narrador).  A narrativa é bagunçada, contada de acordo com a medida que o protagonista se lembra dos fato, contudo a história toma um rumo, pois as histórias do passado, em tópicos, se intercalam com fatos diários. É incrível como o autor consegue manter o leitor tão conectado a história, a trama é intensa e sentimental, porém sem floreios e com objetividade, curto e duro. 

Gostei muito da leitura deste exemplar, é a prova de que a literatura brasileira contemporânea tem, sim, obras maravilhosas. Porém esse não é um livro que, eu acho, agradará muitos leitores, pois é, sem dúvidas, um livro de escrita madura, onde o autor, com seu quinto lançamento, tenta alcançar um público com um senso maior de criticidade. 

12/06/2016

Desapega, menina (livros disponíveis para troca!)



Já faz um tempo que tenho encontrado as minhas estantes lotadas, minha mesa de trabalho lotada de livros e minha cômoda já com alguns exemplares. E aí pensei: "espera, tem algo errado aqui". E realmente tinha algo errado: um monte de livros que eu não iria ler novamente, que não me identificava mais e que não faria a menor diferença se estivesse fora da minha estante.

O importante não é ter o exemplar e sim ter se aventurado com a história que ele pode oferecer, muito dos livros abaixo me distanciei quando estava consolidando meu perfil literário e hoje já não me vejo tão motivado a ler ou reler - apesar de ter adorado muitas leituras. Então a única coisa que posso dizer, após horas de separação, limpeza, poeira e dor nas costas é que estou mega satisfeito e feliz - feliz por desapegar e dar espaço para novas histórias.

Abaixo estão os livros que separei para troca, estou usando o widget  do skoob por ser mais fácil remover o livro após trocado, ou seja, todos os livros abaixo estão disponíveis.


L I V R O S · D I S P O N Í V E I S



Deixa ai sua proposta do amor, não tenho nenhum livro em mente, então, pode acontecer de ser dois por um, um por um, tudo depende de você!

Obs: estou dando preferência para o pessoal que mora em Brasília, devido os recur$o$.

Ah, e desapega também, faz bem 

11/06/2016

Anéis de Saturno pra fazer bambolê

Além #SantaIndignação de Ana Paula Valadão, tivemos diversas coisas acontecendo nas últimas quatro semanas, nada relacionado a roupas, porque nessa categoria eu sou péssimo e continuo apenas usando as três cores que me caem bem (que por sinal, são as mesmas cores desse blog), mas super aprovo roupas unissex.

Mais um término de semestre, agora para essa formatura sair só faltam mais três, graças a Deus. Dizem que quando estamos chegando ao final de uma etapa sempre ficamos entusiasmados e ao mesmo tempo de saco cheio, prova disso foi meu curso de computação gráfica, que semana passada chegou ao fim (todos gritam em frente o computador)! Então tive que aprender a lidar com a minha primeira nota baixa desde o primeiro ano do ensino médio, não está sendo um trabalho com sucesso, mas estou conseguindo lidar - afinal, eu passei, e não estou disposto a pagar provas substitutivas apenas para alimentar o ego de notas boas.

Se não gasto dinheiro com prova substitutiva gasto dinheiro com piercing, porque esses piercings têm a capacidade de fazer as bolinhas desenroscarem sozinhas e elas, consequentemente,decidem continuar suas próprias histórias no mundo.

03/06/2016

Resenha: "A Coroa", de Kiera Cass

A Coroa
A Seleção, volume 05.
Kiera Cass
Editora Seguinte, 2016
320 páginas
"Em ''A Herdeira'', o universo de A Seleção entrou numa nova era. Vinte anos se passaram desde que America Singer e o príncipe Maxon se apaixonaram, e a filha do casal é a primeira princesa a passar por sua própria Seleção. Eadlyn não acreditava que encontraria entre os trinta e cinco pretendentes do concurso um companheiro de verdade, muito menos o amor verdadeiro. Mas às vezes o coração prega peças E agora Eadlyn precisa fazer uma escolha muito mais difícil - e importante - do que esperava."
Antes de falar de "A Coroa" gostaria de falar de dois volumes antecessor a este: "A Escolha". O terceiro livro da série, que na época foi o desfecho de uma trilogia que havia adorado, acabou de um jeito muito estranho - corrido e sem tanta emoção como nós primeiros livros. Quando aceitei continuar lendo a série, já sabia que a história, mesmo que com um final ruim, deveria ter acabado realmente em A Escolha. Mas aceitei ler mesmo assim, A Herdeira, foi uma leitura arrastada e a protagonista não conseguiu ganhar cena e agradou pouquíssimos leitores, contudo, o jogo muda no último volume da série: Eadlyn está bem mais legal, contudo a história está horrível, o motivo de ter citado sobre o terceiro livro é que como essa série pode acabar com dois fins péssimos?

Acabo julgando Cass nesses dois últimos livros, porque realmente não haveria necessidade em escrevê-los, na resenha de desfecho da trilogia escrevi que gostaria de saber o que aconteceria com os personagens e com Ilhéa, contudo, creio que isso deveria ter parado naquele momento e deixado o leitor criar suas próprias "fanfics" imaginárias. Porém a história tomou uma proporção que nem mesmo Kiera pode domar, A Seleção, nesse volume foi algo muito estranho e forçado, Eadlyn sempre se manteve longe dos personagens, mas ao mesmo tempo sempre tão apaixonada por todos - a única maneira de fazer o livro chegar ao fim foi se os próprios concorrentes desistissem. Então se A Seleção não teve tanto foco, então vamos falar do reinado da princesa, o peso que ela demonstra carregar, o país conta com diversos cidadãos insatisfeitos contudo a história está tão envolvida com as decisões da princesa que não ganha tanto foco para a política - no meio da história é adicionado um vilão inesperado e sem necessidade, acabando sendo outro ponto político e que, felizmente (ou infelizmente), precipita o final d'A Seleção.

Quando terminei de ler A Herdeira, tinha em mente quem poderia ser o escolhido da princesa, contudo, saberia que ela (Cass) ia mudar o jogo nas últimas páginas e foi justamente o que ela fez em A Coroa, um romance forçado e corrido, sem expectativa e sem dar ao leitor uma sensação de apego ao concorrente, afinal, não há como tirar um personagem dos panos de fundo nas últimas horas e fazer-nos amá-lo. Acho que Kiera enjoou da própria história e decidiu colocar um final em sua história, sem se preocupar com o senso de estética ou com os leitores.

Mas apesar de apenas ter medido o pau até agora, eu não vou mentir que gostei um pouco da história. Como disse, Eadlyn está bem mais legal nesse volume e acaba conquistando um pouquinho o leitor, o romance forçado se torna algo relevante e até aceitável quando você tira as expectativas; várias coisas acontecem nesse volume e, apesar de serem muitas coisas para um volume só, dão a história muita ação e pontas soltas. Se olhamos de um ângulo maior e percebemos o quanto de adversidade há nesse término, podemos dar uma boa nota de três estrelas (rs).

Me sinto realizado em, finalmente, colocar um fim nessa história. Expectativas não cumpridas e algumas pontas soltas no final do volume, creio que não poderia terminar de outra forma (e espero que a história realmente tenha chegado ao fim).


Leia também sobre os outros livros da série:
A Seleção #1: A Seleção
 A Seleção #1.5: O Príncipe
A Seleção #2: A Elite
A Seleção #2.5: Contos da Seleção
A Seleção #3: A Escolha
A Seleção #4: A Herdeira
Extra: Diário da Seleção

01/06/2016

Resenha: "Maré Congelada", de Morgan Rhodes

Maré Congelada
A Queda dos Reinos, volume 04.
Morgan Rhodes
Editora Seguinte, 2016
438 páginas
As disputas pela Tétrade, quatro cristais mágicos capazes de conferir poderes inimagináveis a quem os encontrar, continua. Amara roubou o cristal da água, Jonas conseguiu o da terra, Felix enganou os rebeldes para ficar com o cristal do ar, e Lucia está com o do fogo. Mas nem todos sabem como libertar a magia da Tétrade, e apenas a princesa feiticeira conquistou poder até agora, aliando-se ao deus do fogo que libertou de seu cristal.
Gaius, o Rei Sanguinário, também não desistiu de encontrar os cristais. Ele está mais sedento por poder do que nunca, especialmente agora que não conta mais com a ajuda da imortal Melenia nem com o apoio de Magnus, o herdeiro que o traiu para poupar a vida da princesa Cleo. Para conquistar todo o mundo conhecido, Gaius resolve atravessar o mar gelado até Kraeshia, e tentar um acordo com o imperador perverso de lá.
No caminho, o rei vai encontrar muitas dificuldades e inimigos, como Amara, princesa de Kraeshia, que tem seus próprios planos para conquistar o poder. Mas ela não é a única que pretende conquistar o trono, e Magnus, Cleo e Jonas vão precisar trabalhar juntos para garantir que os tempos gélidos acabem.
E essa é mais uma daquelas resenhas cheias de ladainha, assim como a última, recomendando você ler esse livro a todo custo. Eu sou dessa série e não consigo enxergar algo ruim que aconteça de um livro para outro, pelo contrário, a cada novo volume lançado aqui no Brasil fico mais louco e mais vibrante com o rumo e proporção que esta história está tomando:

Desde os acontecimentos sombrios no Templo da Deusa Valoria, nossa princesa Cleo se encontra ainda mais conectada ao gélido príncipe Magnus, ambos estão cientes do quanto Gaius, o Rei Sanguinário, está se segurando para dar um basta ao seu filho e sua amada esposinha. Lucia, a jovem feiticeira, que amei durante os primeiros livros, me fez odiá-la a todo custo: a jovem aliada ao deus do fogo Kyan vai deixando por onde passa vestígio de medo e destruição, tudo isso alimentado pela dor de uma traição e luto - esse é um aspecto importante para a história, pois a jovem com a ajuda do seu novo aliado, acaba descobrindo o quão poderosa é. Por fim, temos Jonas com sua tentativa de liderar os rebeldes e que a cada novo livro se arrebenta ainda mais, creio que seja o personagem que mais sofre nesse livro - tudo em busca de dar um futuro melhor para os cidadãos de Mýtica. 



Eu estava era com saudade. Na verdade, eu estava com muita saudade desses personagens que são maravilhosos e tiram lágrimas, suspiros, gritos e muitos palavrões dentro do ônibus. Sem dúvida, é um livro construído por personagens: os protagonista nunca estiveram tão reais como nesse quarto volume, alguns finalmente resolvem dar o braço a torcer e lutar por um bem maior, enquanto outros acabam trocando de time (ops, isso seria um spoiler?); sem falar nas personas secundárias, que acabam ganhando capítulos próprios e fazendo-me vibrar ainda mais com todo espetáculo.

Cheio de emoção, o livro registra diversas doses de ação, aventura e uma pitada de romance - para apaziguar as dores. A Queda dos Reinos é uma série que me conquista a cada novo volume, comprovando que a escrita dessa autora é inconfundível, que esta, sim, sabe domar e conduzir uma boa história - mesmo que tenha que abrir mãos de bons personagens. 



A cada novo volume a história toma uma nova proporção, atingido novos horizontes e interligando ainda mais diversos personagens. E, para ser sincero, não consigo imaginar o que pode acontecer com esses personagens de agora pra frente, Morgan Rhodes está sempre me surpreendendo a cada lançamento, me fazendo, como já disse, alucinar dentro dos ônibus da vida.  Se você gosta de literatura fantástica, esse, sem dúvidas, é um livro para você. Mas se você não gosta ou nunca leu, digo que essa é uma boa oportunidade para dar uma chance.

Leia também sobre os outros livros da série:
A Queda dos Reinos #1: A Queda dos Reinos
A Queda dos Reinos #2: A Primavera Rebelde
A Queda dos Reinos #3: A Ascensão das Trevas

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