Uma sociedade de pessoas frágeis

17 May 2016


Motivo de processo. Motivo de fobia. Motivo de preconceito. Motivo disso, motivo daquilo. Chegamos ao ápice da necessidade de catalogar tudo, criar conceitos para rotular e se basear em pequenas situações para se defender. 

Quero dizer que, chegamos numa sociedade extremamente sensível a ponto de qualquer coisa ser motivo para alguma coisa. As pessoas estão abusivas perante as outras, não há como expor opinião sem alguém vir com sete pedras na mão, não há respeito pelo não gostar de certa coisa.

Chegamos a um ponto que uma palavra errada é motivo para processo, que um xingamento é motivo de briga ou suicídio. O que quero dizer é que no meu tempo, há uns 6 anos atrás, eu era chamado de todos os nomes possíveis  por ter uma orientação sexual diferente dos meus coleguinhas, mas nem por isso corri atrás "dos meus direitos", não estou dizendo que deva ignorar os seus direitos garantidos, mas uma das leis da vida é saber quando lutar e quando recuar. Seria mesmo necessário fazer o esforço de ir ao tribunal, de ameaçar alguém só pelo fato de ter me chamado de viado? Desde novo aprendi a ignorar coisas que não me fizeram bem, outra lei da vida. Não necessitamos do que não nos faz bem. Deixo claro para não se abster calado, mas saber quando voz deve ser erguida.

Estamos a um ponto em que as pessoas se magoam por muito pouco, pessoas que criam vidas atrás de uma tela e não consegue transmitir isso na realidade, pessoas que só esperam acontecer da melhor forma sem dar a cara a bater. Está se formando uma legião de pessoas que não sabem se posicionar em relação a um relacionamento verdadeiro, que não sabe a hora de parar e a hora de avançar.

Há 6 anos as pessoas não se magoavam por uma visualização, por uma resposta imediata ou por aquela foto não postada. Há 6 anos havia mais sentimento, ainda há, mas mudou muito de lá para cá. As festas noturnas, as sociais com os amigos conseguem suprir a falta que temos de nós mesmos, mas sabemos que quando chegamos em casa desabamos por não estarmos felizes, por não sabermos lidar com as vertentes da vida e como refúgio colocamos o celular para carregar e ele não precisa terminar de carregar porque já estamos lá grudado escrevendo vários "kkkkk" sem ao menos estar rindo. 

As pessoas já não querem mais dar a cara a bater, não querem ser conhecidas pela sua fraqueza, as pessoas não querem mostrar o mundo que quebraram a cara com um relacionamento onde todo mundo falou que não daria certo. As pessoas não querem sentir vergonha  por quem elas foram algum dia.

2 comments:

  1. Geração dos textão, dos mimimi, do "tudo me dói, tudo me atinge". A fragilidade, assim, a flor da pele, faz mais mal ao que é atingido. As lutas não devem parar, mas como você disse, devemos saber a hora de recuar. Aplausos pra esse texto!

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  2. Oi, moço!
    Confesso que seu texto ficou bastante confuso, pois você começa a falar de algo e, no fim, o assunto o e sentido são totalmente outros. Eu acredito que temos, sim, de lutar por nossos direitos, o tempo todo. Porque, se não o fizermos por nós mesmos, aqueles que são iguais a nós e que precisam destes direitos mais do que nós, talvez, não os terão nunca. Não acho justo ficarmos de braços cruzados enquanto tem gente que precisa desses direitos.
    E acredito que, se as pessoas se magoam por "muito pouco", o melhor que podemos fazer é respeitar o modo como elas sentem. Ótimo que você não se ofende, mas isso não tira o direito de outro alguém se ofender. Isso é julgar o outro a partir da sua visão de mundo.

    Love, Nina.
    http://ninaeuma.blogspot.com/

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