5.4.16

Uma carta de agradecimento

Este post pertence a este projeto.


Será que um dia parei para agradecer realmente todas as coisas que aconteceu por volta desses últimos vigésimos outonos? Acho que sim, acho que já agradeci diversas vezes pela coisas boas que me aconteceu, pelas pessoas boas que entraram na minha vida, pelos favores simples do dia-a-dia, pelas conquistas. Mas acho que nunca agradeci de verdade, de coração, a vida que tenho e que estou correndo atrás.

Acho que eu realmente nunca agradeci as coisas ruins que me aconteceram, nos desamores que meu coração teve que suportar, nas amizades que se foram com o tempo, nos dissabores diários. É, eu realmente não agradeci às pessoas que me fizeram mal, eu às perdoei, mas nunca as agradeci. Por que agradeceria se me fizeram mal? Porque acredito que antes mesmo delas me fazerem mal, antes de me fazerem chorar, elas foram boas, foram capazes de me fazer sorrir e somente isso que acabo nutrindo no final - quero agradecer porque estas pessoas me mudaram de uma forma profunda, mudaram a forma inocente que via o mundo, mudaram meus conceitos à espera de uma solução fácil, algumas me ensinaram que eu não poderia ter tudo o que eu queria e quando queria, outras me submeteram a constrangimentos externos e, o pior, internos, porém hoje vejo tudo como uma fase de crescimento, sem mágoa, sem dor, apenas vejo uma forma de me esquivar de pessoas que querem me fazer mal, vejo uma forma de retirar atrasos de vida, faltas de tempo, sentimentos falsificados, relacionamentos instantâneos e prioridade material.

Nunca agradeci pelas expectativas quebradas, pelas derrotas, por morrer diversas vezes à praia. Nunca agradeci por perder, nunca agradeci pelos momentos de lágrimas, pelas brigas, pelas proibições de ir aquela festa em que todos os amigos iam, nunca agradeci pelo leite derramado, pela vezes que desisti de certas coisas, pelas vezes que fui trocado.

Hoje eu gostaria de agradecer à todos que passaram pela minha vida, vocês que me fizeram mal de alguma forma. Porque com vocês eu aprendi a quando realmente devo abrir meu ouvido para escutá-los, porque eu descobri que um amor é um processo lento, como uma amizade não pode ser forçada, como um conselho adulto é sério, como não levar tudo tão a sério, como colocar ponto em determinadas situações. Isso tudo graças à vocês, acreditam? Se eu não tivesse sido xingado de viado ou gay na escola, será que reagiria da mesma forma tranquila de hoje? Se eu não tivesse passado por uma turbulência amorosa, saberia como me envolver de verdade?

Eu queria chorar ao escrever essa carta. E é isso que estou fazendo agora. O motivo? É que agora eu realmente parei para pensar na infinidade de pessoas que passaram pela minha vida e eu consigo agradecer de coração tudo o que fizeram por mim, desde coisas boas às ruins. Hoje eu consigo olhar pra trás e sorrir, sorrir porque aquilo já não mais me machuca, pelo contrário, me fortalece, me faz querer buscar mais, me faz querer viver, correr atrás da impossibilidade pontuada por pessoas.

Um comentário

  1. Também penso assim... do início ao fim do texto e ponto final!!!!!
    *Sem textão kkkkk

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