30/04/2016

Resenha: "Nova York: a vida na grande cidade", de Will Eisner

Nova York
A vida na grande cidade
Will Eisner
Quadrinhos na Cia, 2009
440 páginas
Na estreia do selo Quadrinhos na Cia., o grande mestre do gênero não podia ficar de fora: nas quatro graphic novels reunidas neste livro, escritas nos anos 80 e 90, Will Eisner traça um retrato genuíno, ao mesmo tempo brutal e profundamente humano, da vida na cidade grande. Protagonizadas por personagens singulares, essas pequenas histórias registram momentos às vezes irônicos, às vezes trágicos, da vida dos habitantes da metrópole, revelando muito mais do que “um acúmulo de grandes edifícios, grandes populações e grandes áreas”.
Nova York: A grande cidade e Caderno de tipos urbanos são compostos de vinhetas que registram, a partir do cenário da cidade, aspectos do dia a dia de seus habitantes. Esses breves vislumbres iluminam com delicadeza desde as situações mais cotidianas até as reviravoltas mais trágicas. O olhar agudo que se revela nas vinhetas ganha em O edifício e Pessoas invisíveis aspecto mais sombrio. Nessas histórias, que são sobretudo biografias de personagens solitários e esquecidos, Eisner põe em xeque o isolamento e a indiferença impostos pela metrópole.
Verdadeira obra-prima dos quadrinhos, Nova York é um registro impressionante não só da sensibilidade de seu autor mas da vida que se esconde por trás de toda grande cidade.
Considerado um dos criadores do quadrinho moderno, Will Eisner (1917-2005) foi um dos mais importantes artistas do século XX. Pai do herói Spirit, Eisner influenciou gerações de quadrinistas no mundo todo. Dele, a Companhia das Letras publicou A baleia branca; O complô; Fagin, o judeu; A princesa e o sapo; Sundiata, o leão do Mali e O último cavaleiro andante.
Esse é o meu primeiro contado com o autor, mas já posso dizer que ele toca o leitor com uma sensibilidade única. Nova York é a compilação de quatro obras de Will Eisner: “Nova York: A grande cidade”, “O edifício”, “Caderno de tipos Urbanos” e “Pessoas invisíveis”. Will Eisner é um contador de histórias comuns, que acontecem todos os dias nas grandes cidades, fala sobre a rotina, coisas que se tornam invisíveis devido a não importância, práticas repetitivas e coisas que passam despercebido e se encaixam desde a vida do autor aos dias atuais.


“Agora sei que estas estruturas, incrustadas de riso e machadas de lágrimas, são mais do que edificações sem vida. Não é possível que, tendo feito parte da vida, eles não absorvam de alguma forma a radiação proveniente da interação humana.”

Gostaria de puxar um ponto específico para a parte reservada para o graphic novel “Pessoas invisíveis”, pois percebemos que esse livro se encaixa para qualquer cidade grande, por exemplo, aqui em Brasília, onde as pessoas são realmente invisíveis umas para as outras, onde grande parte são tragadas por uma rotina esmagante e excessiva, se tornam objetos e formigas operantes - e aí, entramos na grande ironia de viver numa imensidão de pessoas e estarmos completamente sozinhos.

Eisner tem um jeito único de escrever a história dos seus personagens, há diversos cenários e possibilidades exploradas pelo autor, desde a utilização de bueiros, paredes, lixos, metrô, escadas entre diversos outros, para expor a realidade das cidades movimentadas. Usando um sentimentalismo o leitor é locado de frente com a realidade, inserido no conceito doentio do homem, mas também no lado humano que este constrói a medida do tempo e espaço.


O HQ é lindo, as folhas são maravilhosas e pautadas numa edição brochura com muito cuidado pelo selo Quadrinhos da Cia, da Editora Companhia das Letras. A graphic novel segue uma linha mais caricato, contudo, não chega a distorção dos personagens, pois há grande aproximação da realidade e uma busca para expressar o tempo, ritmo, barulhos, cheiros e sentimentos.

"Vistas de longe, as grandes cidades são um acúmulo de grandes edifícios, grandes populações e grandes áreas. Para mim, isso não é ‘real’. O real é a cidade tal como ela é vista por seus habitantes. O verdadeiro retrato está nas frestas do chão e em torno dos menores pedaços da arquitetura, onde se faz a vida do dia-a-dia."

Sem dúvidas, é um livro que vale a pena ser desembolsado algumas dilmas. Não é uma leitura recomendada apenas para adultos, mas para qualquer um desde criança à idoso, é um livro sobre quem vive no meio do capitalismo da cidade grande, na correria e na bobeira do esbanjo.

28/04/2016

6 on 6: Abril

o(╥﹏╥)o

No fim do vigésimo oitavo tempo estou eu fazendo a responsável e tentando não deixar o six on six de abril passar em branco, porque o mês passado, como vocês já sabem, foi uma negação. Então abaixo, segue anexo:








Eis que esta postagem é um punhado de fotos, um resumo do que aconteceu em Abril, então segue legenda:

// um, aqui eu falei sobre um evento que fui, tirei bem pouquinhas fotos, porque o local estava um inferno, cheio de gente, cheio de sol, cheio de calor e não me restou paciência, das poucas fotos que tirei, restou cacto do amor, então fotos do cacto do amor para amorizar vocês. 

// dois, na casa da Mamadi  tem muito cachorro, eu adoro cachorro, mas Maitê é uma cachorra louca que adora beijar a boca da gente, ela quase não para, quase impossível tirar foto dela. Essa é a segunda foto que consigo dela, com muito sacrifício, acreditem. 

// three, Mamadi, eu, Lucas. Somos um amor, trigêmeos. Falta Tainá.  

// quatre, Mamadi (que está bastante famosa nesse post) tem um jardim maravilhoso; tinha que tirar foto desse jarrinho e esse cactozinho, num é? 

// cincuo, ainda no Picnik tinha balões, estavam lindos voando, uma pena que só tirei uma foto, então vai essa, com má qualidade. Vocês não mandam em mim, tá!? 

// seis, sorriso lindo dele, porque ele é incrível e bateu saudade (não me mata amigo, por favor). 


Confere as fotos lindas desse pessoal lindo:  Cris / Lucas / Luly / Maíra / Renatinha

26/04/2016

Uma carta para um desconhecido

Esse post pertence a este projeto, que é basicamente todo mês escrever uma carta de coração: falando de auto-descoberta, para alguém do passado ou um simples desabafo.




Caro desconhecido, como sinto vontade em beija-lo, mas não qualquer beijo, quero te beijar com força, quero te beijar de olhos bem fechados, assim como quando fechamos os olhos quando abraçamos a mãe, um amigo de infância, um irmão, um namorado, quero te beijar assim porque é quando meu coração se sente bem, ele se sente em casa. Sem dúvidas, vou te beijar molhado, até ficar sem fôlego e sentir vontade de rir, vou beijar incansavelmente e antes de dormir.

Nem lhe conheço e fico pensando no amanhã, em como estará você e eu nessa existência. Creio que você será indecifrável, utópico e incompreensível, mas é assim que eu gosto, do impossível, do inexistente, da loucura, da vontade. Estou ansioso pra te conhecer, pra te pegar de jeito e ver você me fazer suspirar, me surpreender e me deixar louco pedindo pra repetir, mas não vou precisar me preocupar porque sei que sempre terá uma carta na manga e me aprontará algumas.

Sei que pretende me dar alguns bons sustos, me dará alguns bons ataques cardíacos e outros bons socos na cara. Porém, ao mesmo tempo, fará isso pra me estabilizar, me levantar e me fazer feliz. Sei que me dará boas oportunidades, quase como um braço direito, como se estivesse tudo prescrito. Estou, meu caro desconhecido, louco para te conhecer.

E se você não fosse desconhecido, eu não te chamaria de destino.

24/04/2016

Resenha: "A guerra dos Fae — Luz e Trevas", de Elle Casey

Luz e Trevas
A guerra dos Fae #3
Elle Casey
Editora Geração, 2014
384 páginas
Jayne Sparks está mais destemida, engraçada e rebelde do que nunca, tendo que enfrentar os problemas causados acidentalmente pelo duende Tim, aprender a manipular melhor seus poderes com O Verde, conhecer traições de um grande amigo e descobrir quais são os motivos secretos pelos quais há uma guerra incessante entre Faes das Trevas e Faes da Luz. Seus poderes podem torná-la vulnerável às manipulações dos Fae das Trevas, e ela poderá torna-se prisioneira de forças inimigas. Mas sua astúcia sempre estará lá.
Fazem quase dois anos que li o livro antecessor a Luz e Trevas, juro para vocês que ao iniciar a leitura estava perdido e mal sabia onde tinha parado. Contudo, a medida que fui lendo comecei a lembrar das coisas que haviam acontecido em Chamado às Armas, logo consigo dizer que Luz e Trevas começa exatamente aonde o segundo volume termina e só posso dizer que: como eu senti faltar de uma personagem como a Jayne.

Não sei o motivo que demorei tanto para continuar lendo a série, pois além de ser uma história muito boa, ela é contada com muito humor pelos olhos da protagonista que a cada vez consegue encontrar mais vocabulários sujos para usar durante seus diálogos. 


Após muito mofo criado na estante, estou super animado com a série novamente - a história é conduzida eletricamente, com muita ação e aventura. O universo Fae não para de ser descrito nunca, quando mais volumes vão aparecendo dessa série mais conhecemos dos seres que rondam esse universo, compreendemos ainda mais o que é exatamente ser um Fae das Trevas e o que e um Fae da Luz e a suposta guerra entre os lados está mais próxima do que imaginamos. 

O livro por mais que ele tenha quase 400 páginas contém pouca história, consigo me lembrar de poucas cenas realmente relevantes, com isso percebo que é um livro mais descritivo e passivo, onde os mocinhos vão consolidar uma base, aprender táticas para a guerra e sentir na pele do que os Fae das Trevas são capazes de fazer. Ainda aqui há uma grande descrição de personagens e reviravoltas, ganhamos cenas hilárias de Jayne e Tim, o pixie safadinho. Tony, melhor amigo da protagonista, acaba ganhando um foco muito bom e se tornando uma peça fundamental para a estrutura que a história irá tomar. 



O enredo permanece contado de uma maneira muito deliciosa, a escrita de Elle deixa qualquer leitor de ação e aventura cheio de vontade de ler os próximos volumes, no entanto que em Luz e Trevas, o livro acaba no meio de uma cena e você necessita saber o que acontece, então recomendo já ter, como eu, o quarto livro para continuar lendo. O único problema é ainda não ter previsão de lançamento para o quinto livro - ah, pelo que andei pesquisando é uma série de 10 livros (socorr). 

Recomendo a leitura para todo fã de aventura, mitologia e mistério. Sem dúvidas, vocês irão amar essa protagonista desbocada. 


Leia também sobre os outros livros da série:
A Guerra dos Fae: As Crianças Trocadas, volume 1.
A Guerra dos Fae: Chamado às Armas, volume 2.

22/04/2016

A Aquarela de Pamela Araújo

Ontem tive a oportunidade maravilhosa de conhecer um trabalho maravilhoso numa exposição maravilhosa que aconteceu no Evento Picnik. Conheci Pamela em poucos minutos, afinal, naquela correria, lotação e sol quente, não restava muito o que conversar, porém tive, como já disse, a oportunidade de conhecer esse trabalho delicado, feito com muito carinho e delicadeza. 
.

Vocês já sabem  quanto sou apaixonado por aquarela né? Passei 2 anos usando layouts aquarelas aqui no blog, então ver esse trabalho me deixou motivado a escrever esse post e quem sabe um dia voltar pra um layout aquarela, haha.

Pelo pouco que conversei com a Pam - agora sou uma pessoa íntima e a chamo assim -, sei que ela tem mais de dez anos pintado em aquarela, é arquiteta e pinta por nada mais do que vontade e inspiração. O que poderia inspirar esta artista? Como ela disse: "Tudo! Das coisas pequenas que são grandes, e das coisas grandes que são pequenas". As pinturas seguem uma linhagem  e séries, uma filosofia autoral, simples e delicado. Já sou fã. 

Sem falar na energia maravilhosa dessa mulher, com certeza ela consegue transmitir sua essência para dentro das suas pinturas. Uma pessoa leve, gostosa de conversar e super vibe. Gente, vocês precisam conhece-la. 

Vou deixar algumas fotinhas - de má qualidade, me desculpem - que tirei do estande e de Pam! 













As três últimas fotos foram retiradas do tumblr, a artista ainda não tem página no facebook, mas você pode encontrá-la no instagram. É isso, minha dica de hoje é conhecer esse trabalho magnífico e encher as paredes do quarto com. 

20/04/2016

Decorador de nome de vasos sanitários

Na sequência de memórias da infância, eu lembro que sempre quando ia ao banheiro olhava o nome do vaso, quero dizer, não era especificamente o nome do vazo, mas sim o nome do fabricante da louça. E desde novo chamava os vasos por seus "nomes", aqui em casa o vaso se chama Celite, na casa da minha outra Mamadi se chama Monte Carlo, na faculdade se chama Kasa.

O que eu achava mais engraçado é que para mim existia uma hierarquia de vasos ou uma espécie de família de vasos sanitários, uma ideia absurda, mas eu tinha meus 6 anos de idade. Ir ao banheiro era grandes motivos de reflexão e descobrimento sobre o respectivo vaso a qual tronava.

Essa é uma lembrança bem vaga na minha cabeça, por isso escrevi pouco, só para daqui uns anos, do jeito que estou ficando velho, não esquecer.

16/04/2016

Eu speako* English

Desde o mês passado me bateu uma louca do Inglês, incorporei a santa e estou fazendo de tudo para aprender essa bendita língua o mais rápido que for possível, o fato que para você aprender uma língua, você precisa viver tal língua, afinal, como você poderia aprender algo se não esta inserido no meio? 



Eu havia começado a escrever algumas postagens in English, mas eram postagens "duplicadas", ou seja, postei em Português e em Inglês, no total de (uma,) duas postagens. Me senti desanimado em produzir conteúdo repetido, então removi o script de ocultar postagens em Inglês e resolvi que esse blog terá posts em Português e também em Inglês - não será conteúdo duplicado -, então se, algum dia, você chegar e ver uma postagem em Inglês, não se assuste, é apenas o Igor fazendo loucuras para aprender. 

Quero adiantar que não sou bom em Inglês, então terá erros grotescos aqui e ali, mas é a vantagem do crescimento, não é? Poder ver os erros e não comete-los futuramente? Justamente, peço que não me matem, mas me ajudam, errarei sem vergonha, porque eu quero muito, entendam amigos, eu quero muito aprender Inglês, poder conversar com pessoas, poder ler livros na língua original deles sem as loucuras das traduções. Porém, tudo exige um começo e meu começo é mudar pelas coisas que gosto, inserir a língua no meu dia à dia não será fácil, não é apenas aprender palavras é viver e pensar em Inglês. 

Provavelmente vou escrever sobre o meu estudo e como estou fazendo para aprender a língua, quero o apoio de vocês e espero que entendam esse motivo. Então declaro: esse é o meu projeto pessoal 2016 para aprender inglês

*Existe uma piada que foi contada pra mim, é bem assim: "Do you speak  English?" "Sim, eu speako". Logo, esse post ficou todo maneiro com essa referência engraçada. 

10/04/2016

Resenha: "Sejamos todos feministas", de Chimamanda Ngozi Adichie

Marina
Chimamanda Ngozi Adichie
Editora Companhia das Letras, 2014
77 páginas
Sejamos todos feministas - O que significa ser feminista no século XXI? Por que o feminismo é essencial para libertar homens e mulheres? Eis as questões que estão no cerne de Sejamos todos feministas, ensaio da premiada autora de Americanah e Meio sol amarelo."A questão de gênero é importante em qualquer canto do mundo. É importante que comecemos a planejar e sonhar um mundo diferente. Um mundo mais justo. Um mundo de homens mais felizes e mulheres mais felizes, mais autênticos consigo mesmos. E é assim que devemos começar: precisamos criar nossas filhas de uma maneira diferente. Também precisamos criar nossos filhos de uma maneira diferente."Chimamanda Ngozi Adichie ainda se lembra exatamente da primeira vez em que a chamaram de feminista. Foi durante uma discussão com seu amigo de infância Okoloma. Não era um elogio. Percebi pelo tom da voz dele; era como se dissesse: Você apoia o terrorismo!. Apesar do tom de desaprovação de Okoloma, Adichie abraçou o termo e em resposta àqueles que lhe diziam que feministas são infelizes porque nunca se casaram, que são anti-africanas, que odeiam homens e maquiagem começou a se intitular uma feminista feliz e africana que não odeia homens, e que gosta de usar batom e salto alto para si mesma, e não para os homens.Neste ensaio agudo, sagaz e revelador, Adichie parte de sua experiência pessoal de mulher e nigeriana para pensar o que ainda precisa ser feito de modo que as meninas não anulem mais sua personalidade para ser como esperam que sejam, e os meninos se sintam livres para crescer sem ter que se enquadrar nos estereótipos de masculinidade. Sejamos todos feministas é uma adaptação do discurso feito pela autora no TEDx Euston, que conta com mais de 1 milhão de visualizações e foi musicado por Beyoncé.
Nunca li nada sobre o feminismo, nunca procurei saber a fundo das causas ou refletir sobre o assunto, assisti a uma ou duas palestras, mas quando recebi, no Dia Internacional das Mulheres, Sejamos todos feministas, senti uma necessidade absurda em entrar nesse assunto e realmente abrir minha cabeça, afinal, esse é um assunto que dá reviravoltas no meu Facebook, meu grupo de amigos é, digamos, bastante livre, contudo sofrem algumas repreensões sociais e, por incrível que pareça, esse é um livro que se encaixa exatamente do grupo feminino que tenho contato.

Quando comecei a ler, esperei por motivos que me fizesse a ser feminista, mas pelo contrário, encontrei relatos sobre algumas situações que a nigeriana Chimamanda passou e em como as mulheres na Nigéria são desconsideradas em relação aos homens, por exemplo, um atendente recebe gorjeta de uma mulher e agradece ao homem que a acompanha; uma mulher nigeriana desacompanha é tomada como prostituta; a mulher de certa idade que não se casou é vista como fracassada; entre muitos outros, que não acontecem apenas na Nigéria, mas também na esquina do João, onde voce vai comprar pão.

Ainda nesse discurso transcrito para uma obra literária, aborda a desclassificação da mulher dentro da sociedade, como ocupação de cargos de alto nível, a submissão de mulher dentro de casa, etc. Em suma, ser feminista é entender, tanto homem quanto mulher, que há diferença entre os gêneros e que esse problema precisa, o quanto antes, ser resolvido.

Sou feminista por ser a favor da igualdade e, acaba que, acho interessante a forma como Chimamanda escreve isso, de uma forma natural, sem ódio, usando uma linguagem lúdica e até mesmo com momentos de ironias, quebrando o gelo com alguma risadas.

Mas nem precisa ir atrás do livro se não quiser gastar dinheiro, ele está todinho em vídeo logo aqui em baixo, mas caso queira ler, ele também está disponível gratuitamente.

08/04/2016

Minha amiga chamada Ívia ♡



Eu sei, amigos, é um nome estranho. Ívia é uma pessoa pra quem não conhece, também estranha, então, digamos, esse nome cairia super bem se você não a conhece, mas como eu a conheço - e a amo - não há nada de estranheza.

Quando procurei pela amizade de Ívia, não sabia o que poderia me esperar, afinal, aquela menina não tinha amigos na escola, não conversava com ninguém, as únicas coisas que eu sabia era: ela tinha notas excelentes e sempre, amigos, eu digo sempre, sentava na primeira cadeira da sala.

Minha amizade com Ívia progrediu de uma forma inesquecível, lenta e gostosa: em caminhadas de volta da escola, em idas ao seu jardim cheio de bichos, em intervalos dentro da biblioteca, em diversos trabalhos em grupos durante o, insuportável, ensino médio. Não poderia ser de outra forma, uma amizade natural, singela e, além de tudo, sincera.

Esse post é para dizer o quanto estou com saudade dela, não, amigos, ela não morreu. Só é bem complicado termos uma conversa hoje em dia, após o ensino médio tanta coisa mudou: eu seguindo para um lado técnico da coisa enquanto ela foi para o outro lado do mundo, viver sua vida lotada de sempre. Ívia é uma menina de ouro e nunca, sério, nunca vou entender como as pessoas não quiseram ser amigas dela, não importa, o fato é que elas não sabem o que perderam - e, consequentemente, sobrou mais Ívia pra mim!

Eu poderia mandar um e-mail discreto e não declarar esse sentimento aqui, mas esse é o meu blog e eu falo o que eu quiser, acho Ívia uma pessoa importante e sinto vontade de falar dela aqui. Se eu tivesse julgado essa menina por ela ser calada, tirar notas excelentes e até ser um tico antissocial, eu não seria amigo dela naquela época, eu não seria amigo dela hoje e não estaria escrevendo essa postagem de amor sincero. Por isso, amigos, vocês deviam parar e refletir antes de criar algum julgamento ou preconceito, quem seria Zé Igor sem plantas, sem correções gramaticais, sem aqueles biscoitinhos maravilhosos de leite que Monstro prepara?

Amigos, quem seria eu sem aquela simplicidade toda que ela me ensinou de levar a vida, de não me importar com o que as pessoas diziam, de quando ela dizia para eu não me importar coisas algumas coisas, dela me chamando de besta ou bobo! O que seria do Igor de hoje sem Ívia há alguns anos atrás?

Então que eu falei sobre amizade, sobre aprendizado, sobre simplicidade e, principalmente, sobre saudade. Ívia, amo você, por favor, nada de textão nos comentários, sua linda.

Agora esse amor é público! Ame uma Ívia você também ♡.

07/04/2016

Resenha: "Marina", de Carlos Ruiz Zafón

Marina
Carlos Ruiz Záfon
Editora Suma das Letras, 2011
192 páginas
Neste livro, Zafón constrói um suspense envolvente em que Barcelona é a cidade-personagem, por onde o estudante de internato Óscar Drai, de 15 anos, passa todo o seu tempo livre, andando pelas ruas e se encantando com a arquitetura de seus casarões. É um desses antigos casarões aparentemente abandonados que chama a atenção de Óscar, que logo se aventura a entrar na casa. Lá dentro, o jovem se encanta com o som de uma belíssima voz e por um relógio de bolso quebrado e muito antigo. Mas ele se assusta com uma inesperada presença na sala de estar e foge, assustado, levando o relógio. Dias depois, ao retornar à casa para devolver o objeto roubado, conhece Marina, a jovem de olhos cinzentos que o leva a um cemitério, onde uma mulher coberta por um manto negro visita uma sepultura sem nome, sempre à mesma data, à mesma hora. Os dois passam então a tentar desvendar o mistério que ronda a mulher do cemitério, passando por palacetes e estufas abandonadas, lutando contra manequins vivos e se defrontando com o mesmo símbolo - uma mariposa negra - diversas vezes, nas mais aventurosas situações por entre os cantos remotos de Barcelona. Tudo isso pelos olhos de Óscar, o menino solitário que se apaixona por Marina e tudo o que a envolve, passando a conviver dia e noite com a falta de eletricidade do casarão, o amigável e doente pai da garota, Germán, o gato Kafka, e a coleção de pinturas espectrais da sala de retratos. Em Marina, o leitor é tragado para dentro de uma investigação cheia de mistérios, conhecendo, a cada capítulo, novas pistas e personagens de uma intrincada história sobre um imigrante de Praga que fez fama e fortuna em Barcelona e teve com sua bela esposa um fim trágico. Ou pelo menos é o que todos imaginam que tenha acontecido, a não ser por Óscar e Marina, que vão correr em busca da verdade - antes de saber que é ela que vai ao encontro deles, como declara um dos complexos personagens do livro.
Há quatro anos uma amiga virou para mim e disse: "você deve ler esse livro, ele é muito bom". Guardei aquela indicação comigo e recentemente tive a, maravilhosa, oportunidade de encontrar a escrita deliciosa e instigante, desse autor, criador de thriller fantásticos, chamado Carlos Ruiz Zafón.

Zafón é um cara muito conhecido na literatura, seus romances contém doses altíssimas de suspense, mistério e realizações medonhas. Então na minha primeira leitura, Marina, tive a oportunidade de conhecer a genialidade e toque sombrio desse autor, esse romance é baseado em uma história sobrenatural com pitadas de terror, porém, em contrapartida, somos submetidos a um romance épico de décadas, amizade infalível, paixões, vinganças e muito mistério. Com certeza, o que me agrada neste livro é o fato de tudo ser altamente dosado, com exceção do suspense sem fim, a forma como é abordado a temática, os conflitos que aconteceram durante décadas e principalmente a desenvoltura de sensações.

Esse é um livro com dois pontos, de início conhecemos Oscar, Marina e German, algum tempo depois a história desses três começam a se fundir em um passado aterrizador - logo o leitor é inserido dentro de um drama sem fim, tanto pela história de Oscar e seus novos amigos quanto pelas histórias de outros personagens assustadores e instigantes. É impossível começar esse livro sem querer finaliza-lo, é insano, não há como parar. É delicioso a forma que e abordado, a forma que fui tragado para dentro do enrendo gótico e sublime.


O potencial deste livro são os protagonistas, o livro focado no jovem Oscar e contado em primeira pessoa, mostra a perspectiva do jovem em relação a Marina, na fascinação pela menina - e isso acaba enchendo os olhos do leitor, pois além de termos ótimos protagonistas também somos presenteados com personagens secundários maravilhosos e inteligentes, que fazem, por final, esse romance algo intrínseco, duro e incrível.

Recomendo, sem dúvidas, a leitura deste livro para todos os que são fãs de um bom suspense e uma boa dose de aventura medonha, para quem não tem costume com esse gênero literário, deixo a dica, Zafón é uma ótima dica para adentrar, sem falar que estou morrendo de vontade em ler os outros livros desse autor, perdoe pela palavra, foda

05/04/2016

Uma carta de agradecimento

Este post pertence a este projeto.


Será que um dia parei para agradecer realmente todas as coisas que aconteceu por volta desses últimos vigésimos outonos? Acho que sim, acho que já agradeci diversas vezes pela coisas boas que me aconteceu, pelas pessoas boas que entraram na minha vida, pelos favores simples do dia-a-dia, pelas conquistas. Mas acho que nunca agradeci de verdade, de coração, a vida que tenho e que estou correndo atrás.

Acho que eu realmente nunca agradeci as coisas ruins que me aconteceram, nos desamores que meu coração teve que suportar, nas amizades que se foram com o tempo, nos dissabores diários. É, eu realmente não agradeci às pessoas que me fizeram mal, eu às perdoei, mas nunca as agradeci. Por que agradeceria se me fizeram mal? Porque acredito que antes mesmo delas me fazerem mal, antes de me fazerem chorar, elas foram boas, foram capazes de me fazer sorrir e somente isso que acabo nutrindo no final - quero agradecer porque estas pessoas me mudaram de uma forma profunda, mudaram a forma inocente que via o mundo, mudaram meus conceitos à espera de uma solução fácil, algumas me ensinaram que eu não poderia ter tudo o que eu queria e quando queria, outras me submeteram a constrangimentos externos e, o pior, internos, porém hoje vejo tudo como uma fase de crescimento, sem mágoa, sem dor, apenas vejo uma forma de me esquivar de pessoas que querem me fazer mal, vejo uma forma de retirar atrasos de vida, faltas de tempo, sentimentos falsificados, relacionamentos instantâneos e prioridade material.

Nunca agradeci pelas expectativas quebradas, pelas derrotas, por morrer diversas vezes à praia. Nunca agradeci por perder, nunca agradeci pelos momentos de lágrimas, pelas brigas, pelas proibições de ir aquela festa em que todos os amigos iam, nunca agradeci pelo leite derramado, pela vezes que desisti de certas coisas, pelas vezes que fui trocado.

Hoje eu gostaria de agradecer à todos que passaram pela minha vida, vocês que me fizeram mal de alguma forma. Porque com vocês eu aprendi a quando realmente devo abrir meu ouvido para escutá-los, porque eu descobri que um amor é um processo lento, como uma amizade não pode ser forçada, como um conselho adulto é sério, como não levar tudo tão a sério, como colocar ponto em determinadas situações. Isso tudo graças à vocês, acreditam? Se eu não tivesse sido xingado de viado ou gay na escola, será que reagiria da mesma forma tranquila de hoje? Se eu não tivesse passado por uma turbulência amorosa, saberia como me envolver de verdade?

Eu queria chorar ao escrever essa carta. E é isso que estou fazendo agora. O motivo? É que agora eu realmente parei para pensar na infinidade de pessoas que passaram pela minha vida e eu consigo agradecer de coração tudo o que fizeram por mim, desde coisas boas às ruins. Hoje eu consigo olhar pra trás e sorrir, sorrir porque aquilo já não mais me machuca, pelo contrário, me fortalece, me faz querer buscar mais, me faz querer viver, correr atrás da impossibilidade pontuada por pessoas.

03/04/2016

Dorme no chão, djabo

Venho dizer que meu corpo se resume a dores, pelo que se poder ler no título dessa inútil postagem é como março de despediu de mim. Resolvi fazer um estudo alocado de Pentaho Data Integration, uma ferramenta para manipular informações no banco de dados, estava barato e de fácil acesso - com isso, para não ficar ruim para mim, já que o curso terminava a mercê da meia-noite, resolvi dormir na casa de Madame Szy. A única objeção em dormir na casa de Madame Szy é não ter cama; então, djabo, lhe sobra o chão para acertar tua coluna torta (ou deixar mais torto).


Esse foi mês de frevo, mentira, terminei duas leitura recomendassímas : uma é Marina e a outra e Não me abandone Jamais, ambos serão resenhados nas próximas semanas, prometo! Sei que vocês adoram quando eu falo de livros, já faz um mês que não falo. Na sexta-feira, dia 25, cometi heresia com alguns amigos zueiros, vamos todos para o inferno mesmo, nascemos gays.


Na casa de Mamadi tem dog. Tem duas dogs. Na verdade, se somar com a criadagem de cachorros - temos no total 11 cachorros, uma das menininhas saiu pra rua, ficou buchada e há duas semanas deu a luz a 9 bebês buchudos. Na primeira foto, como podemos ver, Maitê é uma fofura branca, mas perturbada, acredite amigos, ela gosta de beijar a boca da gente, não que ela tenha beijado a minha boca, quê isso. Um dia desses dormi fora de casa, como estava escuro não vi, mas quando acordei tinha tropa Star Wars em cima da minha cabeça, claro que eu não poderia passar despercebido esse poster de décadas. Também resolvi tirar fotos de lugares de Brasília.


Dia 1, mesmo sendo dia de mentira, fui levado à olhos vedados, para um lugar muito gostoso e de verdade, a primeira foto ilustra e basta. Troquei de piercing, um preto, porque sou gótico, mentira, perdi a bolinha do outro e tive que retirar boas dezenas da carteira. Mas sei que vocês mal olharam, pois tem uma espinha enorme na minha bochecha, nome dela e Nina, amiga da Tina (minha barriga, lembram dela?). No jardim de Mamadi tem muita planta, então resolvi tirar uma foto, só para tirar mesmo. Linda não é?

Ainda essa semana tive um dialogo que já estava previsto:

– Você só usa preto?
– Só.

– Você é rockeiro?
– Não.

– Você é emo?
– Não.

– Você é gótico?
– Estou pensando em passar lápis de olho e pintar as unhas de preto, Madame Szy.
– Céus, não, vai ficar ridículo.

Então, se foi embora Março. Se inicia Abril, mês do meu aniversário, odeio. Mas amo. Odeio e amo, odeio mais.

Latest Instagrams

© setecoisas.com | Lifestyle, cultura e fotografia,. Design by FCD.