8.1.16

Desisti de você, e isso me fez tão bem.


Não costumo desistir, da mesma maneira como as coisas funcionam comigo, funcionou com você: lutei até desistir, não diria que morri na praia; me afoguei antes mesmo de sentir a areia tocar os pés, à margem. Numa água salgada, fria e escura você me largou, num mar deserto perdi a consciência. Você me afogou ou eu simplesmente parei de nadar? 

Essa resposta já não faz mais sentindo, tenho certeza que desisti e estou muito feliz em ter desistido - não que devíamos nos agradar das desistências, mas é como um livro, se você não gostou das cem primeiras páginas você precisa continuar? Este caso, o do livro, não se cabe nesta conversa, onde eu gostei de todos os dias com você, onde dizer bom dia e boa noite era algo fatídico para mim, mas que foi rompido em questão de horas - me desculpa em dizer isso, mas senti alívio em aliviar você, me senti feliz em deixar alguém que não quer ficar ir, me senti honrado de mim mesmo por saber que amor é gostar e permitir que você seja feliz, mesmo que eu não seja o motivo de tal.  

E após alguns dias lagrimosos, um sorrisão começou a se estender nas minhas manhãs e olhei para as possibilidades: que não são poucas, por sinal, tem muita gente querendo me fazer feliz e até deixei que isso brotasse em mim algum tipo de esperança e expectativa; fortaleci amizades que, quando com você, eram fracas. Ao desistir procurei apoio ao meu lar, a quem chamo de família e eles simplesmente me acolheram, dormiram de conchinha e disseram: "vai ficar tudo bem". E simplesmente tudo ficou bem com o tempo, me acostumei com a ausência em poucos dias, as expectativas não atingidas foram dando lugar a experiência e aos sonhos. 

Desistir, pela primeira vez, foi a melhor coisa que eu fiz. Dizem que não devíamos desistir, mas agora posso provar de que ditados populares não dá para se viver, não devemos insistir no que não é nosso e em quem não quer ser nosso, não devemos lutar quando à batalha já acabou. E quando percebi que já havia perdido, já havia lutado - e chorado - o suficiente, resolvi desistir, decidi que seria o momento para arquivar você e os dias bons dentro de uma lugar reservado para coisas boas e simplesmente descartar todos os males, angústias e tristezas.  Agora o que sinto é carinho e respeito, não há ciúmes, tristeza e muito menos raiva. 

E comecei a me sentir bem, porque eu também já não sentia mais aquela emoção dos beijos entre os intervalos do filme, já não sentia mais o vento bater como antes quando você me balançava no parque, já não sentia o que sentia no  começo, de fato lhe dei pedaços da minha história, pedaços do meu pequeno coração frio e talvez, por este motivo, foi doloroso deixar-lhe voar. 

Com o tempo descobri, que se você pode voar, eu também posso. 

5 comentários

  1. Igor só me explica como o teu blog consegue ser tão incrivel (tanto de conteúdo como de layout)?! Esse teu texto é algo que a gente só aprende na vida mesmo sabe? Certas coisas realmente não podem ser nossas (ou não querem) e temos que saber até onde deveremos ir e até quando devemos parar. Teus textos sempre são muito bem escritos. Sempre amo <3
    Valeu a pena esperar

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    1. Eu não sei o que falar com esse comentário maravilhoso, só sei que estou com saudade de você por aqui, espalhando amô

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  2. "Você me afogou ou eu simplesmente parei de nadar?" - isso me bateu tão forte na cara que caí no chão, obrigada. 2015: o ano que nunca termina, aff.

    Mais uma vez, seu texto tá divino e consegue me fazer velhos fantasmas.

    Love, Nina.
    http://ninaeuma.blogspot.com/

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    1. Sua linda, obrigado. Mas vamos conversar, precisamos fazer você esquecer desses fantasmas, nada de assombração nessa vidinha!

      Um beijão <3

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  3. MIIIIIIGOR, QUE TEXTO LINDO! E é bom entender que as vezes temos de abrir mão de algumas coisas/pessoas para que todos os envolvidos possam estar exercendo seu melhor em todos os espaços cabíveis!

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