31/12/2016

Happy New Year


Sem textão, apenas feliz ano novo a todos que se dedicam alguns minutinhos por dia aqui. :)



Roma, Largo Argentina: tempio B (1925)

26/12/2016

O verdadeiro Natal

Vou-lhes contar uma pequena história, até mesmo boa. Porém, vale a pena ser contada e, também, ser lida.


Esperei alguns dias, ansiosamente, para o Natal - a fartura, a família que não via a tempo, os amigos, os presentes, as fotos e mais presentes. E, mais uma vez, tive outro Natal maravilhoso, com pessoas que amo e bem comigo mesmo. Teve uma hora, haha, que na troca de presentes do amigo oculto meu irmão errou, porque haviam dois Igors - e a pequena cabeça dele não entendeu que era o outro Igor quem ele havia tirado e não eu, o mimão. Mas isso, do meu irmão confundir o amigo oculto dele, não é a história que tenho para contar e sim do dia seguinte, quando estávamos indo terminar com a ceia iniciada na noite anterior. 

O trajeto da minha casa até a casa dos meus avós são cerca de 21km, cerca de quinze minutos, para chegar passamos por diversos percursos que vemos pessoas jogadas no chão, algumas bêbadas, outras imundas, mais outras magras. Até então tinha me acostumado com essa cena, até que vi uma mulher. Negra. Deficiente. Pobre. E vocês não sabem o quanto aquilo doeu em mim, na minha mãe, no meu padrasto. Então, após a ver cena daquela mulher pedindo dinheiro em um sol de rachar às 12 horas da tarde, parei para pensar em algumas coisas na minha vida: como todos os dias acordar e, mesmo que de mau humor, ter um trabalho com um salário seguro no final; como tenho uma família que me aceita na minha contingência e não apenas isso, também me apoia; como pude rir com o meu irmão confundindo os presentes e ver a felicidade dele em ganhar um tênis que brilha de 6 formas diferente. Então eu chorei. Eu chorei por dentro, doeu. E aí, eu chorei por fora. Pra fora. 

Chorei por mim e por ela, a figura negra, pobre e feminina separada pelo vidro da janela do carro do meu pai e de uma realidade totalmente diferente da minha. Percebi a sorte, o privilegio e a diferença que tive e tenho - não que eu veja isso como algo positivo, mas tenho a agradecer, porque, amigos, aquela mulher, só por ser mulher já sofre, mas ela também é negra e deficiente. Consegui, mesmo que inconscientemente, sentir algumas dores daquela mulher que pedia dinheiro durante os intervalos do semáforo. 

Não gostaria de pedir compreensão ou que vocês ajudassem pessoas que necessitam, gostaria de deixar aquela velha dica de realmente agradecer sobre todas as coisas que acontecem na sua vida, até mesmo as ruins. Agradeça por ter uma louça para lavar, uma cama para arrumar, por ter pessoas que te amam e te apoiam na sua forma, agradeça por ter oportunidade que milhares de pessoas não tem, por ter acesso à informação, por ter sorrisos e por ter lágrimas, por ter noites de festa, sonecas após o almoço, por sua cerveja gelada no final do dia e pelos amigos com quem você brigou por causa do seu namorado. 

Feliz Natal, coisas lindas.

obs: meus pais voltaram para ajudar a mulher, porque assim como eu, tenho certeza, eles também se sentiram tocados e agradecidos.

24/12/2016

Memórias — Nov.2016

Memórias é aquela postagem de final de mês, onde ficam guardadas as boas (e porquê não as ruins?) memórias que valem a pena contar ou simplesmente refletir e agradecer. Se quiser, segue lá no instagram (@igormedeiroz) para ver mais fotinhas (selfies são bem raras)!


A correria dos dois meses foram tão grandes que mal consigo lembrar o que realmente aconteceu, mas, para nossa alegria, eu faço backups semanais e as datas ficam nos registros das fotos - assim consigo saber o que realmente aconteceu no mês. Obrigado tecnologia.

As fotos acima são basicamente as inspirações desse mês, cores frias, simplicidade e muita andança pelo cerrado brasiliense. Novembro foi um mês completamente cheio, muitas provas e trabalhos da faculdade, trabalho duplicado na empresa para qual trabalho e um bocado de ensaios e projetos para tocar (isso resultou em um tico de estresse e olhos piscando sozinho, já estou melhor!). Durante o almoço corrido, consegui, com o M. Matt, conhecer alguns lugares que sempre estiveram do meu lado e eu nunca dei aquela determinada atenção.

Por incrível que pareça choveu bastante em Brasília, então consegui usar umas roupinhas de frio (que é o que mais tenho no armário). Fiquei feliz. Mas fiquei triste no mês seguinte. O sol está de rachar. Acho que mais uma vez as flores ganharam destaque para minhas lentes - finalmente chegou aquela encomenda de 7 meses de aliexpress trazendo umas lentes (muito amô!) de celular para mim, fiz o teste, adorei.

O que tenho a comemorar: apesar da correria consegui passar em todas as matérias com a minha média, não a da faculdade (que é baixa) e também consegui concluir (com muito custo) o primeiro semestre de francês - estou pensando em cancelar, porque semestre que vem é TCCÃO! e acho que não conseguirei conciliar tudo isso. Taurino é louco, abraça tudo mesmo e se extrapola, mas aprendi que é uma coisa de cada vez para fazer com êxito!  Mas se eu for à França, não passo fome: Bonjour, monsieur. J'ai besoin de nourriture (fazendo gestos de fome)! 

Ainda em Novembro conheci um milião de pessoas legais e que vão me apoiar em projetos nesse 2017 que entra, então aguenta coração, porque se dois mile y dezesseis não foi bom, o seguinte será.  Estou ansioso, porque começo de ano é tranquilo e conseguirei colocar algumas coisas em práticas - e finalmente conseguir dar umas beijocas na boca, porque, migo, está triste. Mas é isso.

Merci. 

21/12/2016

Resenha: "Não É Só Uma História de Amor", de Mariana Sampaio

Não é só uma história de amor
Mariana Sampaio
Editora Planeta
208 páginas
O romance de estreia de Mariana Sampaio, fenômeno do Instagram e YouTube. Quando Laura acordou naquela manhã de sexta-feira, tudo o que ela pensava era em curtir o fim de semana. Mas o que ela estava prestes a descobrir era que a vida está sempre pronta para nos surpreender. Após a revelação de um grande segredo de sua mãe uma série de eventos inesperados começa a acontecer. Confusa e sem saber lidar com a informação, Laura inicia uma jornada que se divide entre fuga e o redescobrimento de si mesma. Como se não bastasse seu drama pessoal, seus caminhos sempre se cruzam com os de um misterioso rapaz, como se o destino quisesse lhe pregar uma peça. Não é só uma história de amor nos brinda com a trama de duas mulheres e um segredo em que o passado da mãe se choca com o presente da filha. O romance de estreia de Mariana Sampaio intercala pontos de vista que, ainda que separados pelo tempo, mostrarão que mãe e filha não são tão diferentes assim. 'Sempre que nosso coração manda, devemos abrir as asas e voar sem pensar nos riscos e no que deixamos para trás'. Bianca Briones, escritora.
Acompanho Mariana Sampaio a muitíssimos anos nas redes sociais, no início apenas por sua beleza incontestável, depois por suas ideias e seu jeito descontraído de entrevistar seus convidados no seu canal no Youtube. Então, por esse motivo, não pude me conter e corri pra ler essa história escrita por ela. Não é só uma história de amor, conta a história de Laura, uma jovem disposta a encontrar seu rumo profissional e que não nega esforços e não tem medo nenhum de encarar os desafios que a vida impõe, assim como o que o seu coração deseja. O livro é dividido por capítulos e a diagramação é super fofa, cada novo capítulo vem com uma ilustração linda que representa bem a história, como coraçõezinhos, tv, salto alto, além de trechos de músicas em inglês, o que é muito legal pra quem curte ler ouvindo um som, é como se fosse a playlist que acompanha o capítulo. Além de contar as aventuras de Laura no presente, alguns capítulos nos levam ao passado e contam a história de Cláudia, mãe de Laura, na adolescência.








A história acontece a partir do momento que, no caminho para o trabalho, dando carona ao melhor amigo Beto, Laura os envolve em um acidente, pois distraída falando com a mãe no celular, acaba ultrapassando o sinal vermelho e colidindo com outro automóvel. A confusão está formada quando Júnior, o outro motorista, aborda Laura e o amigo em busca de resolver a situação. Depois de um dia cheio de confusões, um acidente na rua e outro no trabalho, o horror não para por aí. Pra transformar tudo em um pesadelo real, um encontro com a mãe faz seu dia desmoronar por completo. Após a revelação da mãe de que havia uma chance de ela não ser filha de seu "desde sempre" pai, a única decisão possível que encontra é deixar tudo pra trás e ir atrás dos seus sonhos viajando e conhecendo outros países, decisão que se tornou ainda mais fácil com o apoio e companhia do amigo Beto. E as coisas realmente deram uma guinada surpreendente. Beto sendo um youtuber de sucesso e Laura uma DJ internacionalmente conhecida. O problema estava só em não conseguir lidar com os problemas familiares de frente e, por ironia do destino, os encontros inesperados que a vida lhe presentearia.



"-Ui! Quanta euforia! Pois saiba que o sábado é uma ilusão, o domingo é um suspiro e a segunda, meu amor, a segunda sim é a realidade!"

"-Então diz logo, na bucha. Notícia ruim é como cachaça barata. A gente toma numa talagada só e espera pela ressaca depois."

A história é divertida, super engraçada e a linguagem é bem jovem e brasileira mesmo. Todas as referências, piadinhas e gírias me fizeram rir bastante, foi divertido ver diálogos que eu mesma usaria e uso no dia a dia. Meu problema com a história está na leveza, por incrível que pareça. O enrendo nos apresentava problemas sérios, como a protagonista possivelmente não ser filha do pai que sempre acreditou ser seu e um casamento acabando no mesmo dia da cerimônia sendo tratados como algo banal, cotidiano. O romance também não me envolveu, nem me fez acreditar que existia amor entre o casal, não encontrei formas de visualizar na realidade as cenas acontecendo. O típico romance clichê de sessão da tarde, sabe? Um olhar e "vamos casar, estou perdidamente apaixonado". Realmente, não me convenceu. Acredito que o que realmente salva a leitura é a amizade entre Laura e Beto, real, palpável e divertida. Fiz laços com essa amizade e adoraria curtir a pista com os dois. Não é uma leitura cheia de ensinamentos e lições pra carregar, mas é um livro de poucas páginas e de leitura bastante fluida, o que cai super bem nesse clima de chuva e férias.

19/12/2016

Resenha: "Cujo", de Stephen King

Cujo
Stephen King
Editora Suma de Letras
376 páginas
Frank Dodd está morto e a cidade de Castle Rock pode ficar em paz novamente. O serial-killer que aterrorizou o local por anos agora é apenas uma lenda urbana, usada para assustar criancinhas. Exceto para Tad Trenton, para quem Dodd é tudo, menos uma lenda. O espírito do assassino o observa da porta entreaberta do closet, todas as noites. Você pode me sentir mais perto… cada vez mais perto. Nos limites da cidade, Cujo – um são Bernardo de noventa quilos, que pertence à família Camber – se distrai perseguindo um coelho para dentro de um buraco, onde é mordido por um morcego raivoso. A transformação de Cujo, como ele incorpora o pior pesado de Tad Trenton e de sua mãe e como destrói a vida de todos a sua volta é o que faz deste um dos livros mais assustadores e emocionantes de Stephen King.
Stephen King ganhou meu coração a uns anos atrás quando conheci e li Sob a Redoma. E me apaixonei. Inevitável. Suas histórias são descritas de maneira a nos envolver de forma que é bastante simples visualizar o que ele apresenta, como se um filme estivesse sendo rodado dentro da nossa cabeça, nítido e fácil de enxergar. A cada nova obra que leio do autor, a sensação é de que fica cada vez melhor.



Cujo não estava no topo da lista de obras do King que desejava ansiosamente ler, mas foi uma surpresa extremamente agradável. Me surpreendeu o quanto me envolvi e senti com a narração. O livro conta, em suma, a história de duas famílias e o filme de terror que suas vidas se tornaram. Os Trenton, que consiste no casal Vic e Donna e o filho dos dois, Tad. Uma família relativamente rica, tendo o pai como o suporte da família e a mãe como a dona de casa e mãe ideal. E, em uma realidade completamente diferente, estão os Camber. Que também consiste em um casal, Joe sendo um mecânico ranziza e mal caráter, a mulher que aguentava as pontas em casa, o filho dos dois, Brett e o cachorro da família, Cujo, um são Bernardo gigante, de 90kg e super dócil. A ligação entre as duas famílias é apenas profissional, quando o carro dos Trento quebram, os Camber consertam.
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A cidade de Castle Rock, onde a história se passa, já foi lar de um monstro nos anos 70, o ex-policial e então serial-killer Frank Dodd, que matava mulheres e crianças de forma cruel. Muito tempo depois, Frank já estando morto, Tad acreditava que o monstro havia voltado, dessa vez pra dentro de seu closet, onde aparecia à noite para aterroriza-lo com seus olhos raivosos. Talvez ele não estivesse tão errado quanto os pais achavam. A história de terror começa quando Cujo, ao correr atrás de um coelho, acaba com o fucinho preso em um buraco e é mordido por um morcego raivoso. A partir daí, Cujo não é mais o cão bonzinho e carinhoso que todos conheciam e amavam. Sua transformação dolorosa e cheia de agonia é descrita com bastante desespero pelo pensamento do próprio cachorro, o que eu achei genial e de uma veracidade que partia o coração continuar lendo.





As tragédias que se sucedem são sangrentas e provocam aflição em todos os momentos, pois a crueldade nos atos são palpáveis e mexeram de forma séria com meu psicológico, me fazendo ter pesadelos horríveis após a leitura. A angústia e impotência dos personagens, assim como a percepção de que não havia modo de escapar, principalmente por a história se passar nos 80 e não haver meios de comunicação como o celular, davam um peso ainda mais aterrorizante à realidade narrada. Angústia e impotência são os principais sentimentos que senti como leitora dessa obra, mas acredito que o papel de toda boa história de terror seja esse, então a obra cumpriu o que prometia, já que durante a leitura meu desejo era dormir no quarto dos meus pais todas as noites, rs. É uma leitura obrigatória para todos os fãs de histórias de terror.

11/12/2016

Então lhe apresento o meu lado gay que você não conhece


Eu dedico esse texto a quem não me conhece, até mesmo para aqueles me conhecem de vista e me acham uma figura engraçada, desajeitada e que, para outros, claramente é apenas uma bicha louca por sexo. Apesar de estar falando que vou apresentar o meu lado gay, gostaria de deixar claro que é um título com apenas uma fachada de anúncio clicável, porque não há um lado, não há metade em ser. Sou totalmente gay ou não sou, simples assim. Então deixo a apresentação de um menino que passou por alguma histórias e que não procura nada além de se sentir bem consigo, com as pessoas em volta e com o mundo.



Vivemos com duas conclusões no mundo: a religiosa e a científica. Religiosamente somos uma abominação para Deus, o todo criador. Cientificamente somos doentes. Porém ninguém consegue explicar exatamente o que é ser gay e o porquê da nossa existência, com isso me surgem dúvidas: a primeira religiosa, se Deus é todo poderoso e bom, por que ele colocaria um pecado para ser carregado desde o berço à morte? E alguns me dizem: "Deus não é bom, ele é justo". Mas há justiça em nascer com essa "anomalia"? A segunda: por que eu simplesmente não consigo gostar de mulheres mesmo tentando?

Após um longo tempo de reflexão sobre o assunto e sobre aceitação do meu próprio eu, consegui, finalmente, ir contra as regras que o sistema impôs durante séculos, me declarei gay para os meus pais e amigos mais próximos, não tardou para o meu chefe descobrir e outras pessoas do meu trabalho e faculdade - nunca me senti tão bem em apresentar, por completo, quem ou o que sou. A gente simplesmente cansa uma hora de aparentar que é padrão, que estamos satisfeitos em esconder e que somos um erro.

E acreditem, durante muito tempo achei que fosse um erro. Implorei a Deus incontáveis vezes para não gostar de homens, para não me sentir excitado. Até que um dia já não quis lutar mais com esta batalha que eu sou, uma batalha que me matava diariamente e me atormentava durante as noites. Uma batalha que escondi calado, entre sussurros internos e choros, uma batalha que, se você não está dentro, não consegue compreender. 

Durante minha infância fui chamado de bichinha, viadinho e mulherzinha. Talvez as minhas características tenham vindo desde a minha infância, mas o pior não era ter sido chamado desses nomes, mas sim ter sido tratado diferente em relação a isso: como as outras crianças não quererem brincar com você; como você é taxado de diferente e esquisito ainda quando criança. Mas eu cresci, ufa. Me tornando adolescente apanhei algumas vezes na escola, e adivinhem, por andar rebolando e por ter a voz levemente fina. Eu não ando rebolando porque quero e bem, eu não poderia "fazer voz de macho" porque o meu corpo, ele simplesmente não queria fazer o que eu queria. Então surgiram na adolescência apelidos como baitoila, queima-rosca e "viado tem que morrer".

Eu pensava que tinha que morrer, que era errado e que jamais iria ser aceito dentro da minha casa, onde meus pais são autoritários e religiosos.  Por isso namorei com meninas, pensei que poderia me enganar ao levá-las para cama e que os carinhos femininos poderiam me fazer tão bem quanto a presença de alguém do mesmo sexo. Foram incontáveis namoros e nunca compreendia o que realmente me faltava. Até que um dia fui beijado por outro rapaz, então compreendi que era aquilo mesmo: eu era a minha negação e a negação era minha felicidade.

E vocês não sabem o quanto eu consegui me senti confortável, bem e feliz naquele momento. Mas vocês também não sabem como os meses após aquilo me atormentaram, me deixaram para baixo: "como vou falar para os meus pais?", "será que um dia poderei beijar igual aquela menina beija aquele menino?" ou "será que vou ser feliz?". Foram incontáveis dúvidas, noites mal dormidas, choros e leituras. Então um dia decidi contar as meus pais. E, para minha surpresa, eles me aceitaram e me acolheram de uma forma que não imaginei, contei a amigos de infância que me abandonaram após e então pude compreender um pouco mais sobre como funciona o mundo: alguns aceitam outros não, mas ninguém, se não estiver na pele, consegue entender. 

A única coisa que quero é amar sem limitação, sem parecer uma aberração ou estar doente, sem as pessoas acharem que sou um portador de HIV ou que tenho fogo no rabo. Eu quero ter a liberdade de sair de mãos dadas, de poder estar bem comigo mesmo e ser feliz.

obs: não vamos para o inferno, porque o arco-íris fica no céu.

09/12/2016

Resenha: "A Espada de Shannara", de Terry Brooks

A Espada de Shannara
Trilogia A Espada de Shananra, livro 01
Terry Brooks
Editora Arqueiro, 2015
544 páginas
Há muito tempo atrás, as guerras de um anciente Mal arruinou o mundo e a humanidade foi forçada a competir com muitas outras raças – gnomos, trolls, anões e elfos. No pacífico vale de Shay o meio-elfo Shea Ohmsford sabe pouco de tais problemas, isso até o gigante proibido com poderes druidas estranhos, Allanon, lhe revelar que o supostamente morto Lorde Warlock está tramando para destruir o mundo em pequenas parcelas. A única arma capaz contra seu poder da escuridão é a Espada de Shannara, que pode ser usada apenas pelo verdadeiro herdeiro de Shannara. E Shea é o último dessa linhagem e nele repousa a esperança de todas as raças. Logo o Portador da Caveira, um pavoroso favorito do Mal, se dirige para o Vale para matar Shea. Para salvar o Vale da destruição, Shea foge, levando em seu encalço o Portador da Caveira..
Quando conheci The Shannara Chronicles estava super entediado, então resolvi colocar a série para passar no computador enquanto almoçava. Desliguei o computador 12 horas depois de acabar toda a primeira temporada. Com isso, senti necessidade em conhecer a série mais a fundo: lembrando que ano retrasado o primeiro livro havia sido lançado em terras brasileiras. Contudo, não contava como a história dos livros seriam diferentes da série, quero dizer, a série se baseia a partir do segundo. Então tive uma surpresa. Uma surpresa que me deixou mega feliz: pude conhecer toda uma história, personagens e contos que fazem e não fazem parte da série de TV.


Nos finais dos anos setenta Brooks publicou o primeiro livro da sua trilogia que, em meses, se tornou um dos mais vendidos e precursores na faixa de fantasia a entrar para os mais vendidos da The New York Times. Na trilogia de Terry Brooks é fácil perceber a semelhança ou que pelo menos as sementes plantadas pelo grande Tolkien puderam ser bem ramificadas na imaginação de Brooks. As obras dessa época sofreram grande influência política do período, trazendo as iminências que afetavam o homem, como o desconhecido e possíveis guerras que afetariam o organização mundial.


É inegável não assemelhar a aventura produzida por Terry Brooks com toda a religião criada por Tolkien, ambos seguem para um rumo comum, contudo, Tolkien se preocupa em criar realmente em criar uma história, desenvolver linguagens, árvores genealógicas e uma filosofia por trás de sua obra, enquanto Brooks se baseia em proporcionar uma aventura alucinante com uma contextualização de fácil entendimento, a história, contudo, não é relapsa com fatores históricos, desenvolvimento de personagens e histórias secundárias. 

Esta é uma leitura para todos que gostam de uma boa fantasia, novos seres e mitologia. Para quem gostou de Mago, o Senhor dos Anéis e outros exemplares do mesmo gênero, arrisco ainda em dizer que quem não é fã deste poderá adorar esse livro que, sem dúvidas, contém uma aventura de arrancar o fôlego.

07/12/2016

Resenha: "Repetecco", de Bryan Lee O'Malley

Repetecco
Bryan Lee O'Malley
Editora Quadrinhos na Cia
336 páginas
A vida de Katie vai muito bem. Ela é uma chef talentosa, dona de um restaurante de sucesso e com grandes planos para a vida. De repente, em um único dia ela perde uma grande chance de negócios, sua paquera com um jovem chef azeda, sua melhor garçonete se machuca e um ex-namorado charmoso aparece para complicar ainda mais a situação. Quando tudo parece perdido e Katie já não enxerga mais uma solução, uma misteriosa garota aparece no meio da noite com a receita perfeita para uma segunda chance. E assim, Katie ganha um repeteco na vida e precisará lidar com as consequências de suas melhores intenções.


O correio chegou. "CORREEEEEIOS!", eu pulo da cama, corro e tropeço nas escadas (quase acontece um acidente). Livros!!!! O sorriso estampado na cara, o carteiro rindo de mim e a assinatura toda torta e mal feita pra subir correndo e rasgar o pacote. E TCHAM-RÃM! Lá está Repetecco. Meu Deus, estava tão ansiosa por essa leitura! Abri, cheirei, admirei as ilustrações. Quadrinhos, ai meu Deus, sempre quis! Sentei na cama, cruzei as pernas e puf... Li tudo numa sentada só! Não me contive. A história é super leve, as ilustrações lindas de morrer, o cheiro diferente que um livro ilustrado tem... e a textura! Uma delícia!




Repetecco conta a história de Katie, uma personagem de personalidade forte e cheia de si, chef de cozinha do Repetecco, um restaurante bem requisitado por seus pratos deliciosos. Com grandes sonhos de ter outro restaurante, sua vida anda cheia de pequenos estresses. Desde a obra estar muito lenta pro seu gosto à presença do ex-namorado que à faz derreter. Após um acidente de trabalho com uma de suas funcionárias por um erro cometido por ela e o outro chef que anda pegando, as coisas parecem estar de ponta cabeça e é em seu quartinho minúsculo, dentro do próprio restaurante que ela encontra a solução.



É então que Katie encontra, por acaso, um cogumelo e uma caderneta intitulada "meus erros" com algumas instruções para modificar o erro cometido. O que ela vem descobrir depois como sendo do "espírito do lar". Decidida a tentar, faz o que as instruções mandam e após acordar percebe que as coisas realmente mudaram. Acreditando que havia tirado a sorte grande e que não haveria consequências, Katie passa a usar a ajuda dos cogumelos com muita frequência, o que acaba lhe causando grandes problemas.





A história é divertida, fantasiosa, mas ao mesmo tempo adulta. Conta os problemas de um jovem adulto, assim como o envolvimento com as relações profissionais e amorosas de um jeito bem real, o que deixou a história ainda mais interessante. Minha experiência com quadrinhos é bem pequena, mas Repetecco ganhou um espaço especial no meu coração, dentre todas as muitas histórias que já li. Marcante e com uma mensagem importante de que toda ação tem uma consequência e precisamos arcar com elas. Em muitos momentos ri de doer a barriga. Leitura pra um dia preguiçoso de férias e isso é um conselho, esteja livre, porque você não vai querer largar até chegar à última página.

22/11/2016

Resenha: "Nevando em Bali", de Kathryn Bonella

Nevando em Bali
Kathryn Bonella
Editora Geração
368 páginas
“Nevando em Bali”, best-seller da escritora australiana Kathryn Bonella, é um livro raro e absorvente, que traz revelações que vão chocar os leitores interessados em jornalismo investigativo e em histórias humanas por trás dos folhetos que prometem paraísos terrestres. Jovens do mundo inteiro, entre eles surfistas sul-americanos como o brasileiro Rafael, enriquecem até o delírio na pequena e linda Bali, cujos moradores são famosos por acolher com gentis e hospitaleiros sorrisos milhões de turistas. No estilo de vida criado por esses novos playboys, o tráfico de cocaína desempenha papel fundamental. E eles poderão acabar na prisão de Kerobokan, verdadeiro inferno, ou fugir. Mas pagarão alto preço pela vida de luxo. Construído à base de relatos verdadeiros, de primeira mão, sobre esses traficantes, o livro lança a pergunta: quem será o próximo a acabar em kerobokan? Um livro indispensável.
Nevando em Bali, caiu em minhas mãos sem que eu o solicitasse, chegou de surpresa e me deixou curiosa desde o primeiro instante, pois aborda um assunto que nunca tive a oportunidade de conhecer mais à fundo. O livro consiste em fatos jornalísticos, cheio de relatos pessoais e verdadeiros, sobre a verdadeira Bali nos anos 90. Além das belíssimas praias, que dão ótimas ondas pros surfistas que vêm do mundo inteiro, é uma cidade envolvida em outra realidade: drogas, prostituição, dinheiro, farras e consequentemente prisão e morte. O paraíso para os traficantes.


Somos apresentados a Rafael, o surfista brasileiro que sonhando em surfar nas ondas de Bali, consegue dinheiro suficiente para conhecer o lugar e sua vida muda da noite pro dia. Apresentado aos poderosos da cidade, os traficantes, ele passa a desejar viver a boa vida que eles aparentam viver. Dinheiro fácil, mulheres, festas, iates, entre mil e outras regalias. Logo de mula, Rafael passa a ser um dos traficantes mais conhecidos do lugar. A engenhosidade dos traficantes me deixou de boca aberta, a maneira que eles criavam situações para transportar a droga eram de uma engenhosidade incrível.
"Em todos os ramos do crime, dinheiro e poder eram as principais forças, e havia um grande número de ocidentais querendo entrar no submundo de Bali e fazer sua primeira entrega de drogas. Alguns subiam de nível e viravam traficantes, outros investiam em negócios legítimos em Bali, como restaurantes, pousadas, boates, lojas de roupas ou exportação de móveis; e havia também outros que iam direto para a Penitenciária de Kerobokan."
A Penitenciária de Kerobokan foi o destino de muitos personagens que conhecemos ao longo da história. Sua dura realidade levaram muitos a sentença de morte por tráfico de drogas. Rafael viu muitos amigos entrarem pelo cano, Marco, André, Rodrigo e até a própria mulher, todos foram presos e julgados a prisão durante longos anos ou à morte. Sua vida vira de cabeça pra baixo e é então que Rafael conhece o outro lado do mundo maravilhoso em que vivia.

"Todos os meus amigos começaram a ser presos em Bali, no Brasil, na Austrália, e aí eu pensei "que merda, cara, tão vindo atrás de mim - preciso tomar mais cuidado." (Rafael)"
É um livro bem pesado, com cenas reais e impactantes sobre o mundo do tráfico. Em diversos momentos ficava agoniada durante a leitura, sabendo que a situação em que essas pessoas viviam não poderiam durar a vida inteira, levaria todos para um fim terrível, como realmente aconteceu. Droga é um assunto que mexe bastante comigo e que, com certeza, se pudesse erradicar algo do mundo, seria isso. A destruição de famílias é ocasionada por esse mal. Então, se você curte histórias reais e cheias de cunho jornalístico, indico esta leitura.

20/11/2016

#EFBSB II: Encontro Fotográfico

Pela primeira vez sai (sozinho) para fotografar em algum evento, quando cheguei lá, fiquei triste porque não sabia como chegar nas pessoas para tirar fotos (não é tão fácil quanto parece para um tímido), mas logo o Andy chegou e consegui me soltar mais e fazer até render umas boas fotos! #EFBSB é um encontro para reunir os brasilienses que são apaixonados por fotografia: então resolvi sair de casa e conhecer gente nova. Fiz. Gostei. Quero repetir.


E o encontro foi miado pelo medo que sentíamos: o tempo chuvoso que se alastrou por Brasília, mas mesmo assim a gente tira foto.


 
Gostaria de agradecer todo mundo que resolveu dar uma paradinha para mim e ao Andy por ter tirado umas fotos bem legais minhas (mesmo eu não parando quieto e colaborando, vocês podem perceber isso pela foto da minha careta). Caso alguém queria ser marcado no post, deixa um comentário (porque é complicadérrimo encontrar todo mundo)!

Mais fotos em @igormedeiroz!


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