7.10.15

Vivendo de você e esquecendo de mim

Foi algo que aconteceu sem que eu percebesse. 



Nunca me dediquei tanto a um relacionamento quando me dediquei ao nosso, afinal, se não era amor, o que poderia ser? Se não fosse amor, o que poderia explicar a quantidade de broncas que levei dos meus amigos por deixa-los de lado para sair só com você, o que explicaria às vezes que deixei de estudar para as provas da faculdade, de sair com minha família para ficar somente abraçadinho com você.

Comecei a viver só de você, passar os finais de semana na sua casa, comer da sua comida e usar suas roupas. Comecei a escutar músicas que saiam do seu celular e ler os livros da sua estante, comecei a viver só de você e para você - tudo diferente e novo para mim, fantástico viver do seu amor, do que me alimentou durante muito tempo, viver de você estava me tornando cada vez mais... você. E onde eu estaria nessa história toda? 

Não importa, não por enquanto, onde eu estive durante o tempo que estava vivendo de você. Era tudo simplesmente maravilhoso ser amado por você e estar nessa bolha cujo tudo era perfeito e nada me atingiria. Eu poderia me deitar todos os domingos para assistir um filme abraçado, ir fazer ao um picnic ou um evento de arte que nunca tivemos oportunidade de ir, eu amava comer seu brigadeiro e ganhar suas massagens quando eu estava tenso - eu vivi de você durante tanto tempo, que ainda estou acostumado com isso. Eu poderia viver somente de você se, claro, eu não existisse. Se eu não tivesse minhas manias, meu jeito meio louco bobo de ser idiota, minhas músicas, meus livros favoritos, amigos e muitas ouras adversidades que me compõe. 

Se eu não lembrasse de mim, a gente estaria feliz hoje.

Mas eu lembrei, eu lembrei porque eu comecei a ficar triste e incompleto, não que o seu amor começou a ser impotente e pouco, mas eu já não poderia mais viver somente dele. Eu não sou você e qual seria a graça se você namora-se a si mesmo? Quando comecei a ser mais eu e menos você, foi um impacto, para ambos. Eu comecei a gostar do eu que já não era tão você, um eu que lembrava quem era antes de você. 

Você me fechou, nesse exato momento, começou a me cobrar quem eu não era. Eu não poderia ser mais você, porque não teria a mesma graça como antes, precisaríamos ser diferentes para um aprender com o outro. Eu já não poderia somente viver das suas músicas, dos seus livros e das suas coisas. Eu também tenho uma vida e perdi demasiados meses encantado demais para entender o que fiz sem perceber, que acostumei você a me ver como você, mas que quando eu fui eu, pela primeira vez, você percebeu o quão era falho, errôneo e torto - e não aceitou. 

Mas isso acontece com frequência, as pessoas param de ser quem elas são para viver a vida das pessoas que estão do lado delas, não há porque ter vergonha, estou me conhecendo graças a você, preciso amadurecer e ser você foi um grande passo para eu ser eu. 


ESSE TEXTO É APENAS FICTÍCIO, QUE ISSO FIQUE BEM CLARO.

2 comentários

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  2. Uau Igor, arrasou! Você escreve muito bem e descreveu, um relacionamento que tive onde eu era ele e não eu mesma, e quando eu percebi isso e tudo terminou, foi um alivio porque eu não sabia mais quem eu era se é que deu para entender...
    Muito bom o texto,
    Um beijo

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