Resenha: "O Planeta dos Macacos", de Pierre Boulle

O Planeta dos Macacos
Pierre Boulle
Editora Aleph, 2015
304 páginas
Em pouco tempo, os desbravadores do espaço descobrem a terrível verdade: nesse mundo, seus pares humanos não passam de bestas selvagens a serviço da espécie dominante... os macacos. Desde as primeiras páginas até o surpreendente final – ainda mais impactante que a famosa cena final do filme de 1968 –, O planeta dos macacos é um romance de tirar o fôlego, temperado com boa dose de sátira. Nele, Boulle revisita algumas das questões mais antigas da humanidade: O que define o homem? O que nos diferencia dos animais? Quem são os verdadeiros inimigos de nossa espécie? Publicado pela primeira vez em 1963, O planeta dos macacos, de Pierre Boulle, inspirou uma das mais bem-sucedidas franquias da história do cinema, tendo início no clássico de 1968, estrelado por Charlton Heston, passando por diversas sequências e chegando às adaptações cinematográficas mais recentes. Com milhões de exemplares vendidos ao redor do mundo, O planeta dos macacos é um dos maiores clássicos da ficção científica, imprescindível aos fãs de cultura pop.
Nunca tive um relação boa com a primeira adaptação de O Planeta dos Macacos, muito menos com as continuações que tivemos referentes à essa franquia – então ler esta obra, que serviu de base para a criação do histórico cinematográfico, foi uma experiência que torci o nariz de começo, bati de pé firme no chão: “não vou gostar desse livro”, mas vocês ao decorrer dessa resenha perceberam que a minha ideia e opinião é totalmente oposta.



“A exaltação propiciada por esse espetáculo é indescritível: uma estrela, ainda ontem um ponto brilhante em meio à miríade dos pontos anônimos do firmamento, destacou-se pouco a pouco do fundo negro, inscreveu-se no espaço com dimensão, aparecendo primeiro como uma noz resplandecente, depois se dilatou, ao mesmo tempo que a tonalidade acentuava-se para estabilizar num matriz alaranjado, integrando-se finalmente no cosmo com o mesmo diâmetro aparente do nosso familiar astro do dia. Um novo sol nascera para nós, um sol avermelhado, como o nosso em seu poente, cuja atração e calor já sentíamos.”



Nada melhor do que uma viagem especial para curtir as férias né? Um casal acaba encontrando uma garrafa numa dessa viagens, essa garrafa contendo uma mensagem no seu interior. A mensagem é um relatado de experiência viva de um astronautam, Ulysse Mérou, do planeta Terra que, numa de suas missões especiais, encontrou um planeta, Betelgeuse, com características semelhantes da Terra, onde poderia haver vida – e há vida, uma civilização completamente diferente da qual estamos acostumados.

A escrita de Boulle é um diferencial para a obra, com uma linguagem rebuscada e trabalhada, mas ao mesmo tempo de fácil compreensão o autor implementa metáforas e diversas descrições (técnicas e não) que permitem ao leitor se atentar e interagir melhor com a obra. As primeira páginas são de difíceis êxitos – não sinto vergonha em falar isso, pois me senti familiarizado e comecei a realmente gostar desse livro após algumas dezenas de páginas.



Como um “aprendiz de designer” eu tenho que puxar um parágrafo somente para o trabalho que a Aleph teve com essa obra, dando uma atenção e valor a esta edição – nada menos característico, a cada lançamento essa Editora me deixa mais louco. O livro é de porte médio, leve e com uma capa de dar agonia (não que isso seja ruim, a textura é diferente hihi). A capa com uma cor chamativa, letras que lembram as épocas dos homens mais primitivos da Terra. Não há o que reclamar dessa edição – mesmo ela não tendo orelhas!

Essa é uma obra que causa bastante reflexão mesmo sendo um sci-fi, talvez justamente por ela ser sci-fi podemos ver o quanto estaríamos vulneráveis caso fosse realidade: Em Soror, os humanos são vistos como animais irracionais, que são usados para testes de diversas formas para o bem da ciência – um pouco de ironia, já que é isso que fazemos: matamos animais todos os dias para ‘progredir’ (tadinho dos ratinhos). Com isso acabamos percebemos que somos animais como qualquer outro, a diferença é: um cérebro pensante, será que isso é bom ou ruim?

Recomendo muito este livro, um sci-fi de alto valor e vale a pena muito ser lido por quem adora os filmes e para quem é fã do gênero, acredita que estou encorajado a assistir os filmes?

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