Resenha: "Deixa Ela Entrar" de John Avide Lindvisque

24 Aug 2015

Deixa Ela Entrar
John Avide Lindvisque
Globo Livros.
504 páginas
Trata-se de uma das mais perturbadoras ficções de terror dos últimos tempos. Grande parte de seu impacto se deve à originalidade com que Lindqvist aborda a seara do vampirismo. Vários elementos dessa literatura estão presentes – a começar pelo título, que faz referência à crendice de que vampiros só podem entrar em lugares para os quais são convidados –, porém ambientados no mais cru realismo. No enredo, Oskar, um garoto de doze anos, vive com a mãe no subúrbio de Estocolmo, na década de 1980. Solitário e alvo de bullying na escola, passa o tempo lendo e colecionando notícias sobre serial killers e planejando se vingar de seus perseguidores. No entanto sua rotina é alterada quando uma garota de doze anos, Eli, se muda para o apartamento ao lado. Uma profunda identificação aproxima o menino a Eli, ao mesmo tempo em que a vizinhança passa a ser assolada por uma onda de mortes misteriosas. Muito mais que sustos, o livro de Lindqvist desperta os horrores de quem tem de passar da infância para a maturidade em circunstâncias adversas e em um cenário opressivo. Com habilidade, o autor recorre a um registro naturalista, temperado de referências à cultura pop, para desenvolver uma história em que os medos são despertados tanto por elementos sobrenaturais quanto pela realidade concreta..
A Suécia é um lugar frio, disso todos sabem, e nem sempre os nativos se orgulham, e isso pode ser um bom cenário para coisas estranhas acontecerem. Deixa Ela Entrar não é só mais um livro de terror, é um clássico do john ajvide lindqvist que ganhou duas adaptações para o cinema Sueco com Deixa Ela Entrar (2008) e Americano, Deixe-me Entrar (2012), difícil decidir qual o melhor.

No livro é mais explorado a forma inumada de Eli, uma criança que não ganha rótulos durante todo livro, sobre questões de gênero ou espécie, assim nos deixando curiosos de onde veio, e até onde vai chegar, alguns podem enxergá-la como a vilã, outros fariam o exato papel de seu súdito Hakan, a singularidade dos fatos podem dar origem a uma pluralidade de sentidos , mas tudo começa com Oskar, um tanto solitário, feio, mora somente com a mãe, acima do peso e fascinado por ficção, suas preferidas são onde existem muita violência e psicopatia, o habito de colecionar recortes de jornal onde são relatados assassinatos brutais e esfaquear arvores imaginando seres humanos, não o torna mais corajoso, porém mais preparado pelo que lhe espera.



Todos personagens coadjuvantes tem um cuidado especial em não se tornarem chatos, ao longo do livro reparei que eu não desenvolvi apego nenhum ao pai do Oskar, e talvez isso seja um reflexo do desapego que sofreu durante o tempo que teve que se afastar dele. O grupo de amigos que sofrem intervenções de Eli e seu súdito é diversificado, e existem uma gama de cenas, aflitamente surpreendentes; poderia descrevê-las porém não seria de ética estragar a emoção de momentos onde os ápices da obra são apresentados.

De cenas cotidianas à surreais, a riqueza de como os detalhes são criteriosamente escritos faz com que a obra nos prenda de uma forma inédita e ansiosa, contudo temas fortes como brutalidade, sexo, bullying e pedofilia só torna a leitura leve, com tom pesado, levando ao ponto de refletir sobre como as pessoas doentes são normais, e como pessoas normais podem ser extremamente doentes.

Só tenho duas recomendações sobre este livro, a primeira é que o leia, e a segunda é que assista os filmes, as duas versões. (Acho que são três recomendações).

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