10.7.15

Resenha: "Persépolis", de Marjane Satrapi

Persépolis (completo)
Marjane Satrapi
Editora Cia das Letras, 2007
352 páginas
Marjane Satrapi tinha apenas dez anos quando se viu obrigada a usar o véu islâmico, numa sala de aula só de meninas. Nascida numa família moderna e politizada, em 1979 ela assistiu ao início da revolução que lançou o Irã nas trevas do regime xiita - apenas mais um capítulo nos muitos séculos de opressão do povo persa. Vinte e cinco anos depois, com os olhos da menina que foi e a consciência política à flor da pele da adulta em que se transformou, Marjane emocionou leitores de todo o mundo com essa autobiografia em quadrinhos, que só na França vendeu mais de 400 mil exemplares.

Em Persépolis, o pop encontra o épico, o oriente toca o ocidente, o humor se infiltra no drama - e o Irã parece muito mais próximo do que poderíamos suspeitar.
Persépolis é um romance autobiográfico contanto pela iraniana Marjane Satrapi, a jovem nasceu em uma família bastante revolucionaria e mente aberta para a época. Como já previsto ela acaba herdando a “alma revolucionaria” de seus pais e com isso já começa a questionar tudo o que se passa em sua volta e seu país. Os quadrinhos são organizados de forma trajetória na medida em que a nossa protagonista cresce, enquanto o seu país passar por dois momentos históricos: a revolução islâmica e a guerra Irã-Iraque - podemos sentir as condições que levam a revolução e os acontecimentos após os xiitas atingirem o poder e implantarem suas leis.

Marjane desde criança sempre foi cheia de ideologias políticas, já que veio de uma família moderna e que lutava a favor da revolução, assim como procuravam melhor o Irã, com isso foi transmitido para a protagonista uma vastidão de conhecimento e vemos como ela reage com a imposição das leis xiitas, afinal, nessa época as mulheres foram as mais pressionadas.




Temos uma protagonista bastante desenvolvida, por exemplo, a relação que Marjane tem com os seus pais e a liberdade com que fala das coisas com eles. É muito bonito como os pais foram retratados pela filha: podemos ver a força que eles tiveram para cuidar dela e de conhecerem ela e depositaram uma vasta confiança nela ainda que pequenina, senti um gosto diferente dessa vez, estamos sempre acostumados com adolescentes que brigam com os pais ou coisas do tipo, em Persépolis foi buscado um novo horizonte e que caiu muito bem. Assim, como se não bastasse uma protagonista forte, o HQ também aborda os contextos históricos da época de um modo muito vivente e após a saída da jovem de seu país é que são abordados diversos temas mundiais - revolução sexual, anarquismo, independência...




O HQ é muito bonito, o visual é bem simples, assim como os traços - os desenhos não seguem o mesmo padrão as histórias em quadrinhos, é algo mais frívolo e simplista, achei que essa abordagem dá um critério novo para o livro, tornando-o ainda mais interessante. De fato as imagens tem pouca importância nesse livro, a força dos livros está nas palavras ditas pela protagonistas e os desenhos ali são somente ilustrações para uma história extasiante - não significando que os desenhos não sejam impactantes ou bonitos.

O livro é sempre acompanhando de bastante crítica e humor em suas páginas, tornando a leitura prazerosa (com permissão de algumas partes chatas, concordo, mas nada que prejudica a leitura). Em suma, é a história de uma garota em fase de crescimento que viveu tempos difíceis em seu pais. Temos aqui como observar o crescimento e a evolução de uma menina para uma mulher - enfrentando dificuldade, preconceitos e todo tipo de atitude que era imposto sem grandes motivos. Um livro muito recomendado! Adorei (li em um dia!).


Um comentário

  1. Sempre que vou na livraria namoro essa edição!!! Adorei a resenha

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