13.7.15

Resenha dupla: "Mentirosos", de E. Lockhart

Mentirosos
E. Lockhart
Editora Seguinte, 2014
272 páginas
Cadence vem de uma família rica, chefiada por um patriarca que possui uma ilha particular no Cabo Cod, onde a família toda passa o verão. Cadence, seus primos Johnny e Mirren e o amigo Gat (os quatro "Mentirosos") são inseparáveis desde os oito anos. Durante o verão de seus quinze anos, porém, Cadence sofre um misterioso acidente. Ela passa os próximos dois anos em um período conturbado, com amnésia, fortes dores de cabeça e muitos analgésicos, tentando juntar as lembranças sobre o que aconteceu.
O desejo real de ler Mentirosos apareceu quando fomos a um evento da Editora Seguinte, aqui em Brasília (o mesmo que foi comentado sobre A Cabeça do Santo), lá foram apresentados os lançamentos do primeiro semestre de 2014, e entre eles estava a obra de E. Lockhart, como temos dois exemplares, a versão demonstrativa e a definitiva, resolvemos ler juntos, e 4 meses depois está aqui, a primeira resenha dupla.

A expectativa foi alta, não só pelo sucesso que a obra fez fora do Brasil, mas pelos índices de vendas, e expectativas cumpridas, ouvimos algumas pessoas falarem que o final é previsível, mas é a falta de previsibilidade que deixa tudo tão em um nível tão alto, sinto informar, mas se você achou o final previsível ou ouviu alguém dizer isso, só quer transparecer inteligente, ou passar a imagem que as pessoas não conseguem te enganar. Primeiro: pare de se enganar, e segundo: para de enganar as pessoas!

A vida parece bela nesse dia.
Nós quatro, os Mentirosos, sempre fomos.
Sempre seremos.
Independentemente do que acontecer quando formos para a faculdade, ficarmos mais velhos, construirmos nossas vidas; independentemente de eu e Gat estarmos ou não juntos. Independentemente de onde estivermos, sempre poderemos nos reunir no telhado de Cuddledown e olhar para o mar.
Essa ilha é nossa. Aqui, de certo modo, somos jovens para sempre.

Já existia um tico de expectativas por esse livro desde que soube de seu lançamento, afinal, alguns meses antes do lançamento eu tinha morrido com a escrita e a história dessa autora em O Histórico Infame de Frankie Landau-Banks (ufa!). Com isso, não busquei saber nada sobre esse livro, só queria ser surpreendido além de tudo e E.Lockhart acertou mais uma vez com tudo no meu coração, uma obra infinita e que mexe com a gente. Ai, nem sei o que falar... Mentirosos é um daqueles livros em que quanto menos você souber dele, melhor. É de fato, um livro que surpreende muito no decorrer da história - e não poderia ser diferente, somos, no final, acorrentado a um espetáculo sentimento enorme. Lockhart resolve aprontar com o leitor, deixando-o totalmente surpreso e até mesmo feliz com a dimensão que a história tomou.

Claro que a narrativa instigante aconteceu pelo simples motivo de um desenvolvimento gradual e inteligente. Pelo costume de jogar no escuro e não saber de nada da história, cada nova informação e cada nova peça que se encaixava no quebra-cabeça tornava a leitura ainda mais deliciosa, queríamos saber os segredos dos mentirosos. Como dito, o livro cresce de forma gradual, a cada novo capítulo a história vai chegando com mais rapidez, fazendo com que o leitor se entregue ao mistério e o suspense - até chegarmos no ponto G do livro -, mas tudo isso foi planejado com maestria: chegar no ponto chave com ansiedade.


A protagonista é bastante desenvolvida, assim como os outros três mentirosos, mas Candance, que é quem narra a história (em primeira pessoa), ganha um certo destaque por conseguirmos nos aproximar dela logo de primeira, inicialmente chegamos a pensar que seria uma daquelas histórias de adolescentes chatos, mas não, aqui em Mentirosos temos uma protagonista bastante desenvolvida e em processo de auto-desenvolvimento - somos arrematados a uma gama de sentimentos transmitidos pela personagem, como angústia, dor, felicidade e pensamentos. Além é claro na aposta em frases metafóricas da personagem, dando uma personalidade e originalidade acentuada na obra. São poucos os autores que narram uma história como E. Lockhart, onde encontramos temáticas fortes e densas.

Creio que não podemos falar mais do que o permitido, é um livro que não pode ser explicado ou resenhado, somente sentido - de fato, é um livro surpreendente e que merece ser lido por todo e qualquer tipo de leitor; apesar da história abordar o histórico de adolescentes, não somos acorrentados a uma história boboca e simplista, temos nessa obra uma outra visão deste mundo, além de uma grande história.

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