Diário de Leitura #1: "Graça Infinita", de David Foster Wallace

Graça Infinita
David Foster Wallace
Companhia das Letras, 2014
150 páginas de 1144
Os Estados Unidos e o Canadá já não existem: eles foram substituídos pela poderosa Onan, a Organização de Nações Norte-Americanas. Uma enorme porção do continente se tornou um depósito de lixo tóxico. Separatistas quebequenses praticam atos terroristas e a contagem dos anos foi vendida às grandes corporações.

Graça infinita foi o último grande romance do século XX e teve um impacto duradouro e ainda difícil de ser aferido. Ora cômico, ora doloroso, ele encapsulou uma geração ligada à ironia e ao entretenimento, mas desconectada da imaginação, da solidariedade e da empatia.
No romance, seguimos os passos dos irmãos Incandenza - membros da família mais disfuncional da literatura contemporânea -, conforme tentam dar conta do legado do patriarca James Incandenza, um cientista de óptica que se tornou cineasta e cometeu suicídio depois de produzir um misterioso filme que, pela alta voltagem de entretenimento, levava seus espectadores à morte.

Enquanto organizações governamentais e terroristas querem usar o filme como arma de guerra, os Incandenza vão se embrenhar numa cômica e filosófica busca pelo sentido da vida. Graça infinita dobra todas as regras da ficção sem jamais sacrificar seu próprio valor de entretenimento. É uma exuberante e original investigação do que nos torna humanos - e um desses raros livros que renovam a ideia do que um romance pode ser.
Conheci esse livro em numa das minhas andanças pelas livrarias aqui de Brasília, quando o Brunno avistou essa capa maravilhosa e o formato tijolo do livro. Após isso, todo o deslumbre da capa e das laterais alaranjadas senti uma necessidade enorme em saber do que se tratava aquele livro, que história estava por trás de Graça Infinita (seria algo parecido com Divina comédia, não sei porque assemelho os dois livros), assim acabei lendo a sinopse (pela primeira vez em séculos!) e me senti bem interessado com o livro.

Porém Graça Infinita é um livro, digamos, enorme e não somente, a história também é muito densa. Com isso decidi fazer pequenos diários de leituras, para que eu possa pegar o máximo de detalhes que esse livro pode oferecer, pois como ele é tão grande que acho provável não conseguir transcrever toda essa obra em apenas uma postagem.
O diário de leitura é basicamente escrever relatos sobre algum livro, no caso Graça Infinita, em partes - para absorver tudo o que for possível da obra. Hoje, vou falar sobre as primeiras impressões que achei do livro e como foi o decorrer das 150 primeiras paginas.

O livro começa deixando o leitor perdido e entendiado, com certeza alguns leitores já o abandonam aqui. Mas por outro lado, se você prevalecer e ter um pouquinho de força vai se acostumar com a narrativa do autor e perceberá que existem diversos pontos de vistas, assim, a leitura começará a segurar sua atenção e te entrelaçar na histórias desses personagens. De fato, o leitor encontrará uma narrativa, muito, mas muito descritiva -de início isso me atrapalhou bastante, pois não estou acostumado com um livro que descreve tanto em meio às ações A trama de Graça Infinita, começa em um futuro não muito distante - após o assassinado do presidente Limbaugh. Com isso, os Estados Unidos se integram com o Canadá e Méximo, para a criação de uma nova confederação, a Onan. No começo da história somos apresentados a Hal Incandenza, prodígio do tênis, de 18 anos, e sobre o que acontecerá seu futuro brilhante. Já conseguimos distinguir diversos personagens e sabemos a hierarquia que existe entre os personagens - quem é pai, filho, irmão


Esse, como já dito, é um livro realmente denso e profundo, mas que estou me apegando bastante aos personagens, estou mesclando a leitura desse livro com muitas outras para não me dedicar somente a esta narrativa e me cansar. Apesar de estar cerca de 10% do livro, já conheci uma gama de personagens e já dá para notar que é o personagem principal (ele aparece no primeiro capítulo) - cada personagem é bastante desenvolvido e dá um apoio enorme a leitura, além, é claro, de uma singularidade na obra de Wallace. Estou muito animado com o decorrer do livro e com toda a história que pode ser oferecida, assim como também os ensinamentos e humor que podem ser destacados dentro da cada capítulos (diálogos bem escritos e personas com opiniões fortes)


Obs: apesar de ter a versão física, estou lendo na versão virtual para não estragar o meu livro - ele é muito, muito, muito lindo (vocês viram nas fotos né?). Gostaria de parabenizar a Companhia das Letras por essa edição lindíssima e pelo detalhe nas laterais do livro - a única coisa que tenho que reclamar é a falta de orelhas (pois o livro fica muito mais sujeito a amassar ou estregar as pontinhas).

  1. Sério, que livro ENORME Igor!!
    Mas gostei bastante da proposta do livro, parece bem legal, vou continuar lendo seus diários para ter uma ideia melhor e quem sabe criar a coragem de ler esse livro gigante!
    Beijos e adorei a ideia de dividir a resenha em diários de leitura :)

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