Resenha: "Dois Irmãos", de Fábio Moon e Gabriel Bá

30 Jun 2015

Dois Irmãos
Adaptando a obra de Milton Hatoum
Fábio Moon e Gabriel Bá
Quadrinhos da Cia, 2015
232 páginas
Um dos livros mais importantes da literatura brasileira contemporânea, Dois irmãos vem, desde seu lançamento há quinze anos, conquistando novas gerações de leitores. E foi com o mesmo entusiasmo desses leitores que Fábio Moon e Gabriel Bá embarcaram na missão de adaptar o romance de Milton Hatoum para uma graphic novel. Os irmãos quadrinistas vêm igualmente arrebatando fãs e trazendo uma legião de leitores às HQs. Suas obras foram publicadas em diversos países, atravessando fronteiras culturais e políticas.
Preservando a força narrativa de Hatoum, esta adaptação evidencia o talento de Bá e Moon na construção de histórias que alternam entre a tragédia, a delicadeza, a brutalidade e o humor.
"Conheci" o trabalho desses irmãos através da minha chefe (apaixonada por quadrinhos!), com isso na primeira oportunidade que tive de ler e conhecer o trabalho dos irmãos artistas Moon e, não deu outra, me arrisquei em Dois Irmãos, um livro adaptado do clássico Dois Irmãos de Milton Hatoum.

Nesse romance conhecemos a trágica história de dois irmãos gêmeos, Omar e Yaqub, que se odeiam desde cedo, um dos principais motivos, creio eu, é o fato da mãe favoritar um filho mais que outro e ter um pai sempre tão longe do crescimento dos meninos. Logo percebemos o contraste entre os dois protagonistas: enquanto Omar é um moleque de cabeça quente, mulherengo e preguiçoso, Yaqub é calmo, calado, introspectivo e muito, mas muito, esforçado. Essa diferença entre os irmãos impulsionam o livro para um drama infalível.

Dois irmãos sem dúvidas é um livro "desenhado" e escrito para passar uma mensagem para quem o lê - logo vemos a importância da criação e vivência de cada ser humano, seja personalidade como caráter, aqui somos inseridos numa atmosfera onde apesar da semelhança física temos dois personagens totalmente distintos; mas as vidas dos meninos começam assim quando eles nascem: Zana, a mãe, se torna super protetora do filho mais caçula, negligenciando, de certa forma, o filho minutos mais velho, esse é apenas o primeiro erro de vários que são cometidos por esta mãe.



O livro retrata a vida dos meninos desde quando eles nascem até uma certa época, desfechando-se em um final realmente emocionante, mas temos aqui uma história marcada por inveja, ciúmes e muita ira. Temos se não, uma vida que realmente pode ter acontecido, um livro encenado com personagens fortes - e não somente os irmãos, outros diversos personagens ganham destaque, como por exemplo o pai dos meninos, quem conta a história.




Ainda sou muito leigo para falar de arte em si, mas (meu deus!) esses irmãos capitam o sentimento e transformam em imagens - os traços são bem singelos e ao mesmo tempo fortes, bonitos. É notório os contrastes entre o branco e preto, luz e sombra. O texto se encaixa bem em cada cena, não posso falar bastante sobre isso, pois não li a obra original, mas é fácil observar a reconstrução de memórias através das pequenas falas.

Gostei bastante da minha aventura com estes personagens, foi uma leitura muito rápida, porque é uma narrativa que realmente vicia - conhecer cada personagem e saber o que acontecerá com cada um. Somos apresentando a uma estrutura literária muito típica e comum, chego a me lembrar de alguns livros do Anjo Pornográfico, onde a tragédia anda juntamente com a felicidade.

Recomendado, aliás, mais que recomendado!




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