Resenha: "As Intermitências da Morte", de José Saramago

11 Jun 2015

As Intermitências da Morte
José Saramago
Editora Companhia das Letras
208 páginas
"Não há nada no mundo mais nu que um esqueleto", escreve José Saramago diante da representação tradicional da morte. Só mesmo um grande romancista para desnudar ainda mais a terrível figura. Apesar da fatalidade, a morte também tem seus caprichos. E foi nela que o primeiro escritor de língua portuguesa a receber o Prêmio Nobel da Literatura buscou o material para seu novo romance, As intermitências da morte. Cansada de ser detestada pela humanidade, a ossuda resolve suspender suas atividades. De repente, num certo país fabuloso, as pessoas simplesmente param de morrer. E o que no início provoca um verdadeiro clamor patriótico logo se revela um grave problema. Idosos e doentes agonizam em seus leitos sem poder "passar desta para melhor". Os empresários do serviço funerário se vêem "brutalmente desprovidos da sua matéria-prima". Hospitais e asilos geriátricos enfrentam uma superlotação crônica, que não pára de aumentar. O negócio das companhias de seguros entra em crise. O primeiro-ministro não sabe o que fazer, enquanto o cardeal se desconsola, porque "sem morte não há ressurreição, e sem ressurreição não há igreja". Um por um, ficam expostos os vínculos que ligam o Estado, as religiões e o cotidiano à mortalidade comum de todos os cidadãos. Mas, na sua intermitência, a morte pode a qualquer momento retomar os afazeres de sempre. Então, o que vai ser da nação já habituada ao caos da vida eterna? Ao fim e ao cabo, a própria morte é o personagem principal desta "ainda que certa, inverídica história sobre as intermitências da morte". É o que basta para Saramago, misturando o bom humor e a amargura, tratar da vida e da condição humana.

Após ler As Intermitências da Morte, eu entendi porque o mundo sentiu tanto a morte de um autor fora do comum. Saramago desperta curiosidade em todas as obras em que escreve, nessa não é diferente, usar a coisa mais comum e certeira sobre a vida, que é a morte, um clássico nasce.


Para alguns a vida eterna seria uma solução muito eficaz, quando pensamos que a pessoa que mais amamos pode morrer, eu nunca me imaginei em alguma situação onde as pessoas param de morrer, mas já imaginei casos onde a morte poderia passar longe. Saramago dá vida à morte, e a morte usa disso para se expressar como injustiçada, e fazer com que as pessoas entendam que a função dela é tão importante quanto qualquer outra, aqui são levantadas varias questões que vão fazer você ficar um tanto quanto confuso, e se isso acontecer, o objetivo é alcançado.



O relógio muda de 23:59 para 00:00, apesar de ser ano novo, é como qualquer dia normal, outro dia começaria, e o dia começou porém de uma maneira diferente, “No dia seguinte ninguém morreu”, por ser tão sobre natural, acredita-se que a morte não tem sentimentos, porém é tão humana quanto nós, um pouco de dor é retratado, apesar da questão sobre humana ser o foco do livro, o fato da morte se comunicar com o governo faz com que eu me interesse mais no personagem, do que ele está causando, a negociação entre a morte e o governo é excitante, e os acontecimentos da vida pessoal da morte são inusitados, a morte mostra que tem lado humano, e que seus sentimentos estão desgastados.



Situação desesperada pede por medida desesperada. Após descobrir que só um país está sendo atingido, com toda dor e sofrimento, as pessoas decidem sair da fronteira para que seus moribundos tenham direito a seu descanso eterno, porém o governo manda sua tropa para que isso seja impedido, e a cada dia o caos deixa a população e seu governo em estado de emergência

Autores consagrados como Saramago faz a gente parar um pouco no tempo e refletir, e querer ler mais, e refletir mais, sua ironia e sarcasmo pode irritar alguns grupos específicos, mas quem tem os olhos bem abertos (Quem não foi atingido pela cegueira) entende que é um mode de querer abrir o olho de quem está com eles fechados.


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