30/06/2015

Resenha: "Dois Irmãos", de Fábio Moon e Gabriel Bá

Dois Irmãos
Adaptando a obra de Milton Hatoum
Fábio Moon e Gabriel Bá
Quadrinhos da Cia, 2015
232 páginas
Um dos livros mais importantes da literatura brasileira contemporânea, Dois irmãos vem, desde seu lançamento há quinze anos, conquistando novas gerações de leitores. E foi com o mesmo entusiasmo desses leitores que Fábio Moon e Gabriel Bá embarcaram na missão de adaptar o romance de Milton Hatoum para uma graphic novel. Os irmãos quadrinistas vêm igualmente arrebatando fãs e trazendo uma legião de leitores às HQs. Suas obras foram publicadas em diversos países, atravessando fronteiras culturais e políticas.
Preservando a força narrativa de Hatoum, esta adaptação evidencia o talento de Bá e Moon na construção de histórias que alternam entre a tragédia, a delicadeza, a brutalidade e o humor.
"Conheci" o trabalho desses irmãos através da minha chefe (apaixonada por quadrinhos!), com isso na primeira oportunidade que tive de ler e conhecer o trabalho dos irmãos artistas Moon e, não deu outra, me arrisquei em Dois Irmãos, um livro adaptado do clássico Dois Irmãos de Milton Hatoum.

Nesse romance conhecemos a trágica história de dois irmãos gêmeos, Omar e Yaqub, que se odeiam desde cedo, um dos principais motivos, creio eu, é o fato da mãe favoritar um filho mais que outro e ter um pai sempre tão longe do crescimento dos meninos. Logo percebemos o contraste entre os dois protagonistas: enquanto Omar é um moleque de cabeça quente, mulherengo e preguiçoso, Yaqub é calmo, calado, introspectivo e muito, mas muito, esforçado. Essa diferença entre os irmãos impulsionam o livro para um drama infalível.

Dois irmãos sem dúvidas é um livro "desenhado" e escrito para passar uma mensagem para quem o lê - logo vemos a importância da criação e vivência de cada ser humano, seja personalidade como caráter, aqui somos inseridos numa atmosfera onde apesar da semelhança física temos dois personagens totalmente distintos; mas as vidas dos meninos começam assim quando eles nascem: Zana, a mãe, se torna super protetora do filho mais caçula, negligenciando, de certa forma, o filho minutos mais velho, esse é apenas o primeiro erro de vários que são cometidos por esta mãe.



O livro retrata a vida dos meninos desde quando eles nascem até uma certa época, desfechando-se em um final realmente emocionante, mas temos aqui uma história marcada por inveja, ciúmes e muita ira. Temos se não, uma vida que realmente pode ter acontecido, um livro encenado com personagens fortes - e não somente os irmãos, outros diversos personagens ganham destaque, como por exemplo o pai dos meninos, quem conta a história.




Ainda sou muito leigo para falar de arte em si, mas (meu deus!) esses irmãos capitam o sentimento e transformam em imagens - os traços são bem singelos e ao mesmo tempo fortes, bonitos. É notório os contrastes entre o branco e preto, luz e sombra. O texto se encaixa bem em cada cena, não posso falar bastante sobre isso, pois não li a obra original, mas é fácil observar a reconstrução de memórias através das pequenas falas.

Gostei bastante da minha aventura com estes personagens, foi uma leitura muito rápida, porque é uma narrativa que realmente vicia - conhecer cada personagem e saber o que acontecerá com cada um. Somos apresentando a uma estrutura literária muito típica e comum, chego a me lembrar de alguns livros do Anjo Pornográfico, onde a tragédia anda juntamente com a felicidade.

Recomendado, aliás, mais que recomendado!




29/06/2015

Resenha: "As Virgens Suicidas", de Jeffrey Eugenides

As Virgens Suicidas
Jeffrey Eugenides
Companhia das Letras
232 páginas
Num típico subúrbio dos Estados Unidos nos anos 1970, cinco irmãs adolescentes se matam em sequência e sem motivo plausível. A tragédia, ocorrida no seio de uma família que, em oposição aos efeitos já perceptíveis da revolução sexual, vive sob severas restrições morais e religiosas, é narrada pela voz coletiva e fascinada de um grupo de garotos da vizinhança. O coro lírico que então se forma ajuda a dar um tom sui generis a esta fábula da inocência perdida.

As Virgens Suicidas, publicado em 1993, é narrado em primeira pessoa por um grupo de amigos das meninas Lisbon, que mesmo após muitos das mortes das meninas ainda estão intrigados com o que levou a esta atitude trágica de tirarem as próprias vidas. Ambientado na década de 1970, em um dos típicos subúrbios dos Estados Unidos, traz a história das cinco irmãs Lisbo que decidiram, incompreensivelmente, se suicidar em sequência. Os meninos, ainda perplexos relembram dos últimos anos das meninas e tentam mais uma vez decifrar o que aconteceu naquela época.

Por meio desses meninos o leitor é apresentado as irmãs Lisbon - Cecilia (13 anos), Lux (14), Bonnie (15), Mary (16) e Therese (17) e a devoção que estes garotos têm por elas, além de tudo são garotas normais e muito bonitas, cada qual diferente da outra. Filhas de um casal católico, uma mãe altamente devota da igreja e um pai professor, são garotas tipicamente que vivem somente no mundinho delas, e apesar disso não ser anormal, é por meio disso que os garotos se sentem fascinados por elas.

A vida das meninas e também dos meninos mudam quando a irmã mais nova, Cecilia, se joga da janela de seu quarto. As meninas que já eram bastante isoladas e proibidas de ir à festas, usar maquiagem e coisas típicas de qualquer adolescente, são obrigadas a viver uma vida ainda mais regrada e "protegida" pelos pais. Após o baile escolar, o clima entre as meninas e os garotos mudam totalmente, dando, se não, um final trágico e maduro ao livro.


Infelizmente não há uma resposta do porquê as meninas comentaram essa tragédia e fica aquela mesma dúvida "Capitu traiu ou não Bentinho?". De fato não é ruim, mas você sente a falta de respostas no final do livro. As irmãs são meramente normais, apesar de serem altamente sufocadas por sua mãe, mas será que esse sufoco não era "aguentável" a ponto de tirarem a própria vida? Ficamos com a mesma cara de taxo dos narradores do livro, mas conhecemos as facetas das irmãs Lisbon - principalmente Cecilia e Lux. Talvez, por este motivo - do livro ter focado principalmente em duas irmãs - eu tenha desgostado um pouco da narrativa, senti que o autor focou nas duas irmãs (que realmente chamam atenção), e as outras irmãs Bonnie, Mary e Therese ficaram ali em segundo plano e com pouco desenvolvimento na história.

De fato, não é uma narrativa fácil ou leve, muito pelo contrário, somos arrematados a um livro de escrita densa, profunda e impactante. Jeffrey busca dar vida aos personagens e retratar os eventos ocorridos como algo real - é fácil de notar a superproteção dos pais, além da fascinação dos garotos e como os suicídios chamaram tanta atenção.

Apesar de não ter achado um livro gostoso, gostei, pelo simples fato de ser algo desconfortante e incomodo. O leitor prossegue numa leitura melancólica e angustiante até o final do livro. Sinto uma necessidade em saber o que realmente aconteceu e agradeceria se existisse um livro que trouxesse e retratasse a história pelos olhos das meninas, pois assim como todos, não é possível saber o que realmente aconteceu.

O livro foi adaptado para o cinema pela famosa Sofia Coppola, em 1999. Resolvi assistir o filme alguns dias depois da leitura do livro, senti certo foco em Lux e apesar de retratar toda a atmosfera do livro, há a falta de alguns aspectos - em breve postarei uma resenha sobre o filme!

26/06/2015

Playlist: Inverno (como não amar?)

Nossa, quanto tempo sem playlist aqui no blog né? Bom, deixemos de mágoas passadas e sem música, para voltar nessa sexta-feira com uma playlist que está situando muito o clima daqui de Brasília. Por aí também está frio de tremer o queixo?  Se não estiver frio, aproveita o som e imagine você, a neve, e eu (porque amo frio!). 

25/06/2015

Resenha: "Trilogia Thrawn: Herdeiro de Imperio", de Timothy Zahn

Herdeiro do Império
Trilogia Thrawn
Timothy Zahn
Editora Aleph, 2014
472 páginas
Luke, Han e Leia enfrentam uma nova ameaça. Cinco anos após a destruição da Estrela da Morte, a ainda frágil República luta para restabelecer o controle político e curar as feridas deixadas pela guerra que assolou a galáxia. O Império, porém, parece não ter morrido com Dath Vader e o imperador. Habitando os confins da galáxia, o grão-almirante Thrawn, gênio militar por trás de diversas ações imperiais, ainda luta para reconquistar o poder perdido. A bordo do destroier estelar Quimera, ele descobre segredos que lhe darão a chance de destruir definitivamente o que restou da Aliança Rebelde, para assim retomar o domínio da galáxia e controlar os últimos dos Jedi.

Eu sempre fui um pouquinho (tá, não tão pouco assim!) de Star Wars e tem até uma categoria especial aqui no blog, saber que a Aleph retornaria trazendo diversos livros desse universo me empolgou bastante hoje teremos a resenha do livro que inicia uma das trilogias mais conhecidas do universo expandido: Herdeiro do Império.



A Trilogia Thrawn também conhecida como Trilogia Zahn consiste em três livros: Herdeiro do Império, Ascensão da Força Sombria e O último Comando. A trilogia já foi publicada alguns anos atrás, mas a Editora Aleph decidiu (eba!) dar nova cara para a trilogia e trazer novamente os livros para as livrarias, já que há muito tempo eles pararam de existir para venda, além é claro de iniciar uma série de livros do Universo Expandido de Star Wars, Legends.




A trama inicia-se cinco anos após a derrota do Imperador e a destruição, até então, definitiva da Estrela da Morte. No entanto a vitória dos nossos heróis não significou que a guerra chegou ao fim, muito pelo contrário, apesar do Império estar altamente enfraquecido ainda há resquícios e um nova base em Coruscant, além, é claro, de grandes planos contra a paz e a liberdade na galáxia, sob liderança do Grande Almirante Thrawn, o único humanoide com titulo de imperador. Enquanto os imperiais estavam se restabelecendo, Luke Skywalker aprende mais sobre ser Jedi e chega ao término do seu luto com o espírio de Obi-Wan Kenobi. Leia, como já previsto, está grávida de gêmeos do contrabandista Han Solo e passando pelo treinamento de Jedi, ministrado por seu irmão.

Entre pequenas guerras e perseguições espacias, nossos heróis não contavam com o estrategista Thrawn, além é claro de novas armas contra os Jedi. Com isso, é iniciado uma nova aventura dos carismáticos personagens já conhecidos, mas dessa vez, mais dois novos personagens ganham cena: Talon Karrde e Mara Jade, o primeiro é líder de uma grande organização de contrabandista e a segunda é a ex-agente secreta de Palpatine com sede de vingança contra Luke.





A narrativa de Timothy é deliciosa e ágil, ação atrás de ação e sempre um capítulo instigando o outro - continuando da mesma forma como a série original de Star Wars. Há além de muita ação e aventura, humor em algumas cenas entre Chewie e Han, além de C3PO e R2 (!). Este é um livro muito válido para qualquer fã, pois o autor manteve os princípios de toda a história e conseguiu, de forma mirabolante, inserir novos contrates ao universo, um verdeiro livro de fã para fã.

 Creio, que por este motivo, o Herdeiro do Império seja um grande marco para a Saga Star Wars - afinal, Zahn ganho a oportunidade de escrever sua própria trilogia e total direito para escrever os três volumes! A introdução de novos personagens, e não só de personagens, mas novos seres e lugares deu uma maior vastidão nesse universo já tão explorado (me falta até palavras para descrever). Estou louco para saber a continuação dessa história, parece que nossos heróis não vão ter tanta sorte como antes (MAIS AÇÃO!).



De fato, é um livro recomendado e obrigatório para qualquer fã da série. Além de dar continuação ao que poderia ter acontecido posteriormente após até então o "fim" do Império. Recomendadíssimo! 

24/06/2015

Em Brasília: Semana do Livro Nacional


O projeto Semana do Livro Nacional (SLN) surgiu de uma iniciativa de autores nacionais como forma de pleitear espaço e maior visibilidade no mercado literário brasileiro. Em um cenário onde várias obras estrangeiras são fenômenos de vendas e de popularidade, comprovando que o Brasil é também um país de leitores, o SLN é uma oportunidade de apresentar a esse público leitor às obras de brasileiros e brasileiras talentosos, criativos e apaixonados pela arte de contar histórias. Trata-se, portanto, de um movimento de valorização da produção literária nacional.

Desse modo, uma semana inteira será dedicada às publicações nacionais. Em sua terceira edição, várias cidades do território nacional sediarão eventos ao longo da semana compreendida entre os dias 18 a 26 de julho, com a participação de muitos escritores representantes de variados gêneros literários.

 ✖ Etapa Brasília da Semana do Livro Nacional

Ocorrerá no dia 25 de julho e será organizada por uma equipe de blogueiros da região. A união dos blogs Academia Literária-DF, Leitora Sempre, Sete Coisas, Ponto para Ler, Segredos entre Amigas e Mundo B, todos incentivadores da leitura como hábito. Com a participação especialíssima de escritores residentes na própria Capital Federal e alguns convidados residentes de outros estados, a Etapa Brasília promete uma tarde de bate papo animado, sorteio de brindes e sessão de autógrafos. Assim sendo, é uma oportunidade ímpar de se deixar inebriar por novos mundos, novas aventuras, histórias apaixonantes, amores e sonhos.
O evento é destinado a toda e qualquer pessoa que cultive o hábito da leitura. É principalmente também destinado aqueles que ainda não conhecem ou não deram um chance às obras nacionais, quaisquer que sejam os motivos.

✖ Data e Local

Livraria Cultura Casa Park, 25 de julho de 2015, a partir das 14h00. Marque sua presença e apoie a literatura nacional! 

Resenha: "Se você fosse minha" de Bella Andre

Bella Andre
Série: Os Sullivans, volume 05
Editora Novo Conceito
320 páginas
Zach, o mais arredio dos Sullivan, é mecânico e corredor de pistas de alta velocidade. Suas únicas preocupações são: como gastar seu dinheiro e com que mulher passar a próxima noite… Até que ele recebe a difícil tarefa de cuidar do filhote de yorkshire de seu irmão por duas semanas — um total contratempo para um homem como ele. Mas Zach não tem como negar este favor a Gabe e, muito a contragosto, acaba aceitando cuidar de Ternurinha, a cachorrinha que, para piorar, é um terror e certamente precisa de treinamento. Heather Linsey não acreditava que teria de treinar o filhote do arrogante Zach Sullivan. De todos os homens que já conhecera, Zach era o mais atrevido. Palavras como arrogante, esnobe, pretensioso cabiam especialmente bem no mecânico da família Sullivan. Além disso, a beleza e o charme de Zach eram desconcertantes e a atração entre eles, inevitável… Heather estava francamente disposta a negar esse trabalho, mas teve que pensar duas vezes antes de recusar, pois fora indicada por uma grande amiga. De qualquer forma, ela sabia que podia controlar as investidas de Zach Sullivan, caso ele se mostrasse desrespeitoso. O que ela não sabia é que sua rejeição ia despertar os mais profundos e obstinados desejos no mecânico…

Chegamos a quinta história dos irmãos Sullivans, narrando a história do mecânico Zach. Após a morte do seu pai, Zach passou a realmente se preocupar com o futuro: se dedicar a coisa mais importante para ele, sua mãe e seus irmãos - claro: festas e mulheres estão inclusos no pacote. A pedido de seu irmão, ele cuidará da yorkshire do seu irmão por algumas semanas, um filhotinho energético e que não para quieto, que põe o pobre mecânico em diversas enrascadas. Quando Zach percebe e não aguenta mais, ele decide que o animal precisa de treinamento e disciplina, aí que entra Heather e seu olhar inquisidor na sua vida. 

Heather ao ver o jeitão arrogante de Zach, logo sente-se enjonada, afinal, ela quer mesmo é distancia desse tipo de homem, porém Zach e Ternurinha, a cadela, precisam de sua ajuda e com isso, de bom coração, ela decide, finalmente, ajudá-los. Tanto Heather quanto Zach serão arrebatados um ao outro, ela com seu jeito lindo e também sério e ele com um jeito galã e provocador, tudo para fazê-la cair na sua laia. O problema é que nenhum dos dois dá o braço a torcer, o que será que dará nessa luta? Animais. 
"Ternurinha não somente rasgara todas as almofadas sobre o sofá, mas também havia atacado aquilo que Heather acreditava ser um tapete incrivelmente caro. Havia marcas de arranhões em um dos lados de um balcão da cozinha e meia dúzia de manchas escuras nas partes expostas do piso de madeira de lei".
Como característica dos livros de Bella Andre, temos muito romance e isso, com toda certeza, irá arrancar enormes suspiros de suas leitoras  (e leitores), somos levado a um mundo cheio de romance mais com cenas picantes, temos também a imersão dos outros protagonista da família Sullivan - o que é bastante legal, porque ainda temos aquele contato com os antigo personagens. 

Em suma, temos mais do mesmo: mais amor com sexo, ou sexo com amor. Paixão enlouquecedora. Porém não deixa de ser algo parecido com os que antecederam este, Bella Andre não inovou em pontos realmente importantes, quem gostou dos outros livros, claramente vai gostar deste também, mas quem há algum tempo não vem gostando, talvez, acabe decidindo não continuar com a série, afinal, cadê a diferença entre os romances. Os personagens são bem escritos, as cenas também, mas cade aquela coisa que... falta? 

23/06/2015

Resenha: "Após a Tempestade", de Karen White

Karen White
Editora Novo Conceito
416 páginas
Quando Julie tinha 12 anos, sua irmã mais nova desapareceu e nunca mais foi encontrada. Uma perda que corroeu os laços familiares e deixou sua mãe obcecada pela busca da irmã. Já adulta e com um prestigiado emprego, Julie conhece Mônica, que a faz lembrar muito de sua irmã desaparecida há 17 anos. Elas se tornam melhores amigas, uma amizade que começa como um processo de cura para Julie. No entanto, uma fatalidade abate a amizade e Julie se vê responsável pelo filho de Mônica. Ela decide levar o menino para Biloxi, Mississippi, para encontrar a família que ele não conhecera. A partir dessa viagem, Julie descobrirá segredos que estão ligados a sua família e seu passado.
Julie Holt morava em  Nova York, tinha um emprego maravilhoso numa casa de leilões e uma vida maravilhosa, mas para compensar algo sempre a consumia e a deixava desanimada: tinha que encontrar a irmã desaparecida há dezessete anos. Desde criança, por volta dos doze anos de idade, ela era responsável por tomar conta da irmã mais nova, mas por um instante que a deixou sozinha, nunca mais a viu, isso tudo ficou "esquecido" até a morte da sua melhor amiga, Mônica, que deixou a escrita de uma casa e uma criança de cinco anos para Julie herdar.

Mônica sempre foi um segredo, seu passado nunca foi totalmente revelado: então Julie decide levar Beau para conhecer sua família. Na primeira parada, onde eles conhecem a casa herdada, descobrem que ela foi totalmente destruída por um furação e aí eles descobrem que existe outra herança - um quadro pintado pelo bisavô de Julie. Após a chegada de Julie e Beau, o filho de Mônica, em Nova Orleans, vários personagens começam a entrar em cena e se aproximar dos principais: revelando segredos até então escondidos por baixo das sete chaves, a partir disso a história passa a ser contada tanto por Julie quando por outra pessoa, uma falando sobre o presente e a outra sobre o passado. 
“Porque algumas coisas nunca devem ser esquecidas. Não importa se é uma lembrança que nos ensine alguma coisa ou uma lembrança de algo precioso, como um botão para rebobinar a vida. Às vezes, é só o que temos.” 
Os personagens são bem construídos, todos possuem uma história verídica sobre si - cada qual com uma história rica em detalhes e que dão prazer em ler. Encontramos personagens muito parecidos com nós mesmo e até chegamos a nos identificarmos. Inicialmente esperei uma história totalmente diferente desta, me surpreendi ao perceber a direção que a história. Não é uma história que envolve o leitor logo de cara, este vai se envolvendo aos poucos, a medida que lê e conhece os personagens é que se desenvolve algum afeto pelo livro: são tantos segredos e revelações que estão para acontecer e acontecem durante e até mesmo no final do livro. O livro possui parte bem cansativas, atrasando a leitura, mas isso não tira o brilhou total da obra de Karen White

22/06/2015

Resenha: "Tempos de Mudanças", de Lisa Jewell

Lisa Jewell
Editora Novo Conceito
352 páginas
Em um hospital em Bury St Edmunds, Daniel Blanchard está morrendo. A amiga Maggie May é sua companheira nesta jornada até o fim: senta-se ao seu lado todos os dias, segurando-lhe a mão e ouvindo histórias de sua vida, seus arrependimentos e seus segredos: os filhos que nunca conheceu e que, provavelmente, nunca conhecerá. Lydia, Dean e Robyn não conhecem o pai e também não se conhecem. Ainda... Todos eles estão passando por uma fase de mudanças e de dificuldades: Lydia carrega as cicatrizes de uma infância traumática e, embora seja rica e bem-sucedida, sua vida é solitária e confusa. Dean é um jovem sobrecarregado por uma responsabilidade imprevista, cuja vida está indo para lugar nenhum. E Robyn começou a faculdade de medicina, mas sente que alguma coisa não está certa. Três jovens com histórias muito diferentes, mas que se sentem igualmente perdidos e à procura de alguma coisa, como se faltasse um elo para dar sentido às suas vidas. E então, quando eles percebem que seus caminhos estão se cruzando, tudo começa a mudar...
"Tempos de Mudanças"  se passa em Londres e narra a vida de várias pessoas e seus pontos de vistas, em primeira pessoa. No início do livro a história fica confusa com tantos personagens  aparecendo e interagindo, porém a narrativa é muito boa e acabamos entrando na vida de cada um dos personagens, como se não bastasse conhecer cada um dos personagens desejamos que eles se juntem e formem uma história - e possivelmente isso vai acontecer.

A narrativa de Lisa Jewell é intrigante e gostosa, embora o livro não seja tão fácil de ser lido, nesta leitura são existidos do leitor a capacidade de refletir a cada capítulo e também sobre a vida de cada um dos personagens. Alguns personagens se destacam mais que outros, vou listar os três principais, para mim: Robyn, uma jovem de 18 anos diferente de sua mãe, ela sabe que é fruto de uma inseminação e não sabe que é o seu verdeiro pai biológico, um dia a garota conhece Jaco, um garoto por quem ela se apaixona, eles são tão parecidos que parecem ser parentes.  Lydia é uma mulher cheia de conquistas e madura, passou uma vida cruel, perdeu sua mãe ainda quando criança e viveu com seu cachorro e pai. Após o pai dela passar por uns mal bocados, Lydia percebe, ao cuidar do seu pai, que tanto ele quanto sua própria mãe sempre foram indiferentes tanto fisicamente e também no quesito de afeições. Dean é um jovem que não pensa em mais nada além de curtir a vida, até que ele engravida sua namorada, Sky, mas mesmo assim ele não dá tanta atenção. Ele deixa bem claro que não quer a vida que seu próprio pai deu a ele para seu bebê; mas ele terá que mudar o seu jeito, pois quando Sky morre ao nascimento de Isadora, o garanhão terá uma vida, digamos, mais difícil. 

“Todo mundo tem segredos, mas alguns podem mudar sua vida para sempre”.
A narrativa em terceira acontece, alternadamente entre os pontos de vista de cada um dos personagens - Robyn, Lydia, Dean e Daniel. No decorrer das páginas, vamos descobrindo mais sobre a vida de cada um desses personagens: as dificuldade, problemas e com quem elas se relacionam.  E assim a história se desenvolve: intercalando entre os personagens e fazendo, possivelmente, que a histórias e envolvam - pela sinopse dá para perceber isso. 

Em suma, no início achei a leitura confusa e demorou um pouco de tempo para me adaptar, logo após alguns capítulo consegui me acostumar a leitura e a dinâmica que a autora proporcionou. Após se acostumar com a narrativa, temos uma leitura mais ágil, descontraída e agradável. Com certeza, não é um livro que agradará a todos: é um livro maduro e exige bastante reflexão. Recomendo para pessoas que buscam um livro mais sério, que faz você pensar sobre a família, amigos, sobre o passado e as coisas que realmente tem valor na vida. 

12/06/2015

Resenha: "Adeus à Inocência", de Drusilla Campbell

Drusilla Campbell
Editora Novo Conceito
270 páginas
Madora tinha 17 anos quando Willis a “resgatou”. Distante da família e dos amigos, eles fugiram juntos e, por cinco anos, viveram sozinhos, em quase total isolamento, no meio do deserto da Califórnia. Até que ele sequestrou e aprisionou uma adolescente, não muito diferente do que Madora mesmo era, há alguns anos... Então, quando todas as crenças e esperanças de Madora pareciam sem sentido — e o pavor de estar vivendo ao lado de um maníaco começava a fazê-la acordar —, Django, um garoto solitário, que não tinha mais nada a perder depois da morte trágica de seus pais, entrou em sua vida para trazê-la de volta à realidade. Quem sabe, juntos, Django, Madora e seu cachorro Foo consigam vislumbrar alguma cor por trás do vasto deserto que ajudou a apagar suas vidas?

Madora foi uma adolescente de dezessete anos bem confusa e possuidora de grandes conflitos internos, ainda quando criança aprendeu sozinha a sobreviver: após seu pai cometer suicídio, sua mãe não conseguiu superar o fardo e tornou-se distante e fria, ignorando a vida e sua filha através da televisão. Madora sem em quem se basear cresceu rebelde, começou a usar drogas logo cedo e desistir dos estudos. Apesar de ser uma garota má e nada representável, ela sabia que lá dentro ela era uma pessoa diferente. 

Em paralelo a trágica história de Madora, temos a de Djago Jones, um jovem que perdeu os pais num acidente de carro e luta para preencher o vazio e a saudade que lhe foi causada. Em meio a burocracia e cumprimento do testamento dos pais, ele acaba morando com uma tia que ele nunca havia conhecido. O jovem começa a sofrer com a mudança, mas acaba fazendo uma nova amiga, Madora. Essa amizade é essencial para dois dois, poderá mudar a suas próprias vidas e eles nem sabem disso. 

“Não importavam as probabilidades contra isso: um bonitinho entraria pela porta e olharia para ela do mesmo jeito que seu pai algum dia olhara, e ela se sentiria como algum dia se sentiu, como a garota mais sortuda do mundo”.
Adeus à Inocência é baseado na Síndrome de Estocolmo, na qual a vítima se apaixona pelo sequestrador. Na história, o sequestro acontece de forma bem diferente da que estamos acostumados, Madora vai de livre e espontânea vontade morar com Willis - é como se ele a tivesse salvo da sua antiga vida, agora ela é "amada", oposto da vida cruel que levava com a mãe. Mas todo esse "conforto" passa a mudar quando Willis leva uma menina grávida para casa e a trancafia.  

A minha experiência com a história não foi muito agradável, mas isso depende de cada leitor e estilo. Este livro me tirou da zona de conforto a qual estou acostumo e não foi algo muito legal, tive grandes expectativas para este livro, não nego, mas o livro não foi tão bem escrito e bolado. Apesar de seus males não me arrependo de ter lido, porque é uma leitura, mesmo que desagradável, ajuda a acrescentar na nossa vida. Afinal, essas histórias realmente acontecem. Recomendo o livro para as pessoas que gostam de livros com pegadas mais pesadas e de uma leitura mais séria, mas não muito intensa. 

11/06/2015

Resenha: "As Intermitências da Morte", de José Saramago

As Intermitências da Morte
José Saramago
Editora Companhia das Letras
208 páginas
"Não há nada no mundo mais nu que um esqueleto", escreve José Saramago diante da representação tradicional da morte. Só mesmo um grande romancista para desnudar ainda mais a terrível figura. Apesar da fatalidade, a morte também tem seus caprichos. E foi nela que o primeiro escritor de língua portuguesa a receber o Prêmio Nobel da Literatura buscou o material para seu novo romance, As intermitências da morte. Cansada de ser detestada pela humanidade, a ossuda resolve suspender suas atividades. De repente, num certo país fabuloso, as pessoas simplesmente param de morrer. E o que no início provoca um verdadeiro clamor patriótico logo se revela um grave problema. Idosos e doentes agonizam em seus leitos sem poder "passar desta para melhor". Os empresários do serviço funerário se vêem "brutalmente desprovidos da sua matéria-prima". Hospitais e asilos geriátricos enfrentam uma superlotação crônica, que não pára de aumentar. O negócio das companhias de seguros entra em crise. O primeiro-ministro não sabe o que fazer, enquanto o cardeal se desconsola, porque "sem morte não há ressurreição, e sem ressurreição não há igreja". Um por um, ficam expostos os vínculos que ligam o Estado, as religiões e o cotidiano à mortalidade comum de todos os cidadãos. Mas, na sua intermitência, a morte pode a qualquer momento retomar os afazeres de sempre. Então, o que vai ser da nação já habituada ao caos da vida eterna? Ao fim e ao cabo, a própria morte é o personagem principal desta "ainda que certa, inverídica história sobre as intermitências da morte". É o que basta para Saramago, misturando o bom humor e a amargura, tratar da vida e da condição humana.

Após ler As Intermitências da Morte, eu entendi porque o mundo sentiu tanto a morte de um autor fora do comum. Saramago desperta curiosidade em todas as obras em que escreve, nessa não é diferente, usar a coisa mais comum e certeira sobre a vida, que é a morte, um clássico nasce.


Para alguns a vida eterna seria uma solução muito eficaz, quando pensamos que a pessoa que mais amamos pode morrer, eu nunca me imaginei em alguma situação onde as pessoas param de morrer, mas já imaginei casos onde a morte poderia passar longe. Saramago dá vida à morte, e a morte usa disso para se expressar como injustiçada, e fazer com que as pessoas entendam que a função dela é tão importante quanto qualquer outra, aqui são levantadas varias questões que vão fazer você ficar um tanto quanto confuso, e se isso acontecer, o objetivo é alcançado.



O relógio muda de 23:59 para 00:00, apesar de ser ano novo, é como qualquer dia normal, outro dia começaria, e o dia começou porém de uma maneira diferente, “No dia seguinte ninguém morreu”, por ser tão sobre natural, acredita-se que a morte não tem sentimentos, porém é tão humana quanto nós, um pouco de dor é retratado, apesar da questão sobre humana ser o foco do livro, o fato da morte se comunicar com o governo faz com que eu me interesse mais no personagem, do que ele está causando, a negociação entre a morte e o governo é excitante, e os acontecimentos da vida pessoal da morte são inusitados, a morte mostra que tem lado humano, e que seus sentimentos estão desgastados.



Situação desesperada pede por medida desesperada. Após descobrir que só um país está sendo atingido, com toda dor e sofrimento, as pessoas decidem sair da fronteira para que seus moribundos tenham direito a seu descanso eterno, porém o governo manda sua tropa para que isso seja impedido, e a cada dia o caos deixa a população e seu governo em estado de emergência

Autores consagrados como Saramago faz a gente parar um pouco no tempo e refletir, e querer ler mais, e refletir mais, sua ironia e sarcasmo pode irritar alguns grupos específicos, mas quem tem os olhos bem abertos (Quem não foi atingido pela cegueira) entende que é um mode de querer abrir o olho de quem está com eles fechados.


10/06/2015

Dessa vez, sem o final feliz: personagens realistas da Disney por Jeff Hong

Um dia desses navegando pela internet me deparei com algumas imagens quanto "chocantes". Imagine como seria se as histórias da Disney fosses trazidas para a realidade? A cada dia as produtoras de filmes estão mais perto da realidade, mas você já chegou a imaginar os personagens da sua infância sofrendo ou sem finais felizes? 

Essa foi a proposta de Jeff Hong: ficar longe de fantasias, castelos e finais felizes, apesar de bastante sombrio Hong trouxe, com o projeto Unhappily Ever After essencialmente a realidade do século XXI. Chega ser incrível como o autor envolve os personagens dentro da cena, parecem ser mesmo reais: 




09/06/2015

Resenha: "Cordeluna", Élia Barceló

Cordeluna
Élia Barceló
Editora Biruta, 2011.
310 páginas
Mil anos atrás, uma história de amor foi interrompida pela desgraça e uma maldição. Um poder tão maligno que tinha conseguido dominar seus espíritos geração após geração. E enquanto isso, os apaixonados esperam… condenados a se reencontrar e voltar a se perder por culpa do ciúme e do ódio. O cavaleiro e a dama. O guerreiro e a donzela. Até que talvez um dia, talvez em nossa época, séculos depois, um poder superior e benigno consiga pôr um fim ao malefício. Apaixonante novela que combina história e fantasia, amor e maldade, bruxaria e religião, criada pela escritora Élia Barceló, conhecida como a “Dama Negra” da literatura espanhola, ganhadora em duas oportunidades do Prêmio Edebé de Romance Juvenil. A história se passa na Idade Média e é muito bem retratada no livro, que destaca costumes e valores da época. As sangrentas guerras entre muçulmanos e cristãos pela expansão e posse de seus domínios. No posfácio, a editora explica os diferentes períodos da História e descreve a fascinante personalidade de El Cid.
Fazia um bom tempo que eu sinto vontade em ler Cordelunaganhador do Premio Edebé de Literatura Juvenil. Para falar a verdade, desde quando o livro lançou tenho olhado com certa vontade para ele. Quando o livro chegou, através da parceria firmada entre o Sete Coisas e a Biruta, não deu outra: logo ele estava na minha lista de próximas leituras. Quando comecei a ler, fui com vontade e para minha sorte e alegria descobri que Cordeluna é um livro acima de tudo fofo, mas cheio de reviravoltas, histórias e mistérios.


De fato é um livro histórico, buscando mesclar duas épocas numa mesma história: intercalando o romance entre dois jovens no século XXI e entre o casal que viveu no século XI: Sancho, um dos guerreiros de El Cid, e Guiomar, condessa de Peñalba, que teve muitos obstáculos em seu romance, além das diferenças de classes entre os dois, a madrasta de Guiomar, Brianda, tinha uma certa caída por Sancho. Brianda ao descobrir que Sancho não tinha mais olhos para ela e somente para Guiomar, fica louca e fará de tudo para mudar o destino, afinal, ela tem poder para isso.

Paralelamente, nos tempos mais atuais temos Sérgio e Glória, que se conhecem num acampamento de teatro para contracenar a história de Eld Cid. Na primeira olhada ambos se apaixonam e ficam intrigados sem saber explicar como surgiu aquele sentimento. Assim como ocorreu no passado. os jovens terão um obstáculo: Bárbara, uma das professoras, que ficou encantada por Sérgio, mas, hmmmm, Sérgio não tem olhos para outra mulher a não ser Glória, será que Bárbara conseguiria ficar sem fazer nada com o poder que ela tem sobre os alunos?
“Quando estendeu a mão para pegar a espada, que o pai lhe oferecia, Sancho sentiu que todos os seus músculos tremiam, como se tivesse feito um grande esforço. Quase teve de obrigar-se a brandir aquela arma, como se temesse que ela se movimentasse por vontade própria, mas, então, olhou para a pedra-da-lua e foi como olhar para um céu de verão sulcado por delicadas nuvens dançando muito altas”


O livro de Élia Barcelo foi uma surpresa para mim, apesar de há muito tempo estar querendo ler esse livro, eu não sabia qual a verdadeira trama me aguardava, não imaginava como os personagens eram inseridos na história e muito menos como a história se construía, e é tudo muito bem arranjado: como os enredos vão entrando um contra o outro, iniciando com contracena de capítulos e no fim, somando em somente uma história. 

Cordeluna parece muito com livro brasileiro, os nomes, as cenas, as gírias - gostaria de saber se o livro é contado dessa forma, ou se a Editora importou-se de deixar desse modo tão parecido com as obras publicadas aqui. E se sim, não foi somente nisso que a Biruta se importou, o livro é lindo por dentro, com capítulos de corados  e letras em azul, mesmo sendo impresso em folha branca a leitura não se torna desagradável, pois a história toma conta que nem chega a ser perceptível a cor da folha. 


Mas o que realmente nos ganham num romance histórico, além da história cheia de reviravoltas e mistérios, são os personagens!  Personas bem desenvolvidos e cheios de carisma, alguns ganham destaque de primeira, fazendo já seus papéis de protagonista, mas outros secundários também se destacam no avanço das capítulos. Esse é realmente um livro que agrada todos os níveis de leitores, desde aqueles que adoram um romance (seja histórico ou não) há aqueles que gostam de suspenses e mistérios. A autora faz uma boa dosagem de romance e de mistério em seu livro, deixando sempre aquele gostinho de quero mais a cada página, recomendo a leitura, é um livro leve e muito fofo! 

“No coração de Castela, na escuridão, um poder aguarda o momento. Passaram-se quase mil anos e o tempo está acabando. As linhas do passado convergem para o presente para que o futuro possa existir. (...) Em diferentes lugares da Espanha, sem saber que fazem parte de uma trama iniciada muitos séculos atrás, vários jovens sonham com as coisas que o verão lhes trará. Não é a primeira vez que acontece, mas é a última oportunidade, embora eles não saibam.”
Abaixo o catálogo lindo e maravilhoso da Biruta 



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