15.3.15

Resenha: "Os Miseráveis", de Victor Hugo

Victor Hugo
Editora Seguinte
272 páginas
No cenário conturbado da primeira metade do século XIX na França, Victor Hugo retrata em Os miseráveis um dos pares de antagonistas mais famosos da literatura, o ex-presidiário Jean Valjean e o inspetor Javert.
A partir dos embates entre esses dois personagens de caracteres tão opostos, o autor desenvolve uma trama articulada, que explora os dilemas morais de cada um ao mesmo tempo em que revela de maneira crítica os conflitos sociais da época. Ao retratar uma realidade de penúrias e revoltas, este clássico inspira a esperança por uma sociedade mais justa e humana, ecoando até os dias atuais.
Os miseráveis faz parte da coleção Germinal, que reúne adaptações de grandes clássicos da literatura para o público infantojuvenil. A edição traz uma série de apêndices, com textos sobre a vida do autor, o contexto histórico e o Romantismo na França e no Brasil.
Sempre senti uma necessidade enorme em ler Os Miseráveis; várias pessoas falaram da adaptação cinematográfica é incrivelmente fantástica, mas assim como qualquer leitor: prefiro ler antes de ver. Resolvi começar por uma leitura mais leve: uma adaptação com menos páginas e com uma linguagem bem menos rebuscada. A adaptação publicada pela Seguinte, faz parte da coleção Germinal, e para minha sorte, é ótima e perfeitos encaixes. Para quem não conhece e não sabe, a obra original de Victor Hugo tem mais de 1500 páginas e fiquei meio receoso a ler esse tanto de páginas, mas após a leitura deste livro a qual faço resenha sinto a necessidade de assistir o musical e ler o livro nas palavras originais de Victor Hugo.

O livro conta a história de não um personagem, mas de vários. O ex-presidiário Jean Valjean foi preso pelo motivo mais boboca do mundo e me casou até certa indignação: roubar um pão; após passar mais de quatorze anos nas Galés trabalhando escravamente, após cumprir todos esses anos à trabalhos forçados Jean tentará enfim sair da sua redenção e conseguir algo para sua vida, nas primeiras noites fora da prisão, ele tenta buscar algum lugar para dormir e comer, mas não encontra, pois ninguém é capaz de confiar e acreditar nas coisas que um forçado de Galés diz ou faz. No rumo contrário de Valjean, temos o rigoroso e maquiavélico inspetor Javert, que está sempre observando, no escuro, os passos de Valjean e sempre tentando modos de incriminar o pobre coitado; dessa forma, estes personagens constroem uma história principal que abre várias vertentes e caminhos para outras histórias.
"De sofrimento em sofrimento, chegou à conclusão de que a vida era uma guerra e que ele era o perdedor. A única arma que possuíra era o ódio."
Encenado em dois momentos históricos e importantíssimos da França - a Batalha de Waterloo, em 1815, representou o fim do império de Napoleão Bonaparte e os vários motins em Paris, em 1832, quando estudantes republicanos, tentaram, sem êxito, derrubar o regime de Luis Filipe I. Dentro desse período, entre 1815 e 1832, conhecemos outros personagens além de Veljean e Jarvet; Fantine após ser abandonada pelo namorado descobre que está grávida, após os meses de gestação ela percebe que não tem como cuidar da menina e dá  Cosette ainda nos primeiros anos de vida para outra família cuidar, mas ela compromete-se ajudar todos os meses com certa quantia, mal era sabe o que o casal Thénardier seria capaz de fazer com a pobre Cosette. Após vários acontecimentos e anos, Cosette cresce e as histórias começam a se interlaçar, novos personagens vão entrando em cena na medida certa, como Marius Pontmercy e o seu coração transtornadamente apaixonado.


Não tem como explicar como as histórias se entrelaçam e deixam o leitor atordoado a cada novo capítulo; a história, queria eu dizer que é simples, mas não é, muito pelo contrário. O livro é contato através de muita tristeza e em certos momentos é doloroso lidar com tudo o que estes personagens passam a cada dia de sua vida; Nesta adaptação. conseguimos conhecer um pouco de cada personagem, uma passagem bem rápida pela vida de cada um, pelo que já passou e pelas experiências, também vamos observar o quanto são capazes de mudar se tiverem força e além de tudo vontade, ficaremos também torcendo para que coisas acontecem e deixem acontecer, e é claro, sempre ficar na expectativa a cada término de capítulo.
"As pessoas que se dedicam a observar a vida alheia gastam mais tempo com isso do que se praticassem boas ações. São capazes de passar dias seguidos atrás de uma pessoa, montar guarda numa esquina por horas a fio, subornar empregados, embebedar cocheiros e funcionários e seduzir porteiros."
Sem dúvidas o melhor desse exemplar é: tudo. Ok, eu simplesmente não sei como me expressar diante de um livro tão rico em personagens, tramas, cenas e dramas. Sinto uma necessidade enorme em ler a versão original e poder passar mais tempo com esses personagens tão cheios e incríveis, todos, nenhum escapa do detalhadismo e intrinsidade que os compõe. Eu poderia dizer, que amo esse livro, pois eu realmente amo a miserável história não miserável de Os Miseráveis.

Se você procura um livro sobre realidade, acho que esse é uma boa indicação. Além disso o apogeu da história se passa em momentos muito importantes num país, vamos lidar com a cultura e costumes diferentes, uma obra altamente história, listando lugares, ruas e fatos que realmente aconteceram. Mas o que realmente vale a pena é a composição de toda essa obra, de como é dosado a aparição de todos os personagens e como cada um entra na vida do outro, sem querer ou forçado.

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