8.12.14

Caro Elvis Presley,


Creio que o seu corpo já esteja decomposto e só reste alguns ossos, também creio que essa folha esteja mais intacta que suas mãos, e olho que esta folha já está bem acabadinha. Devido a isso acabo refletindo, não no estado da folha e nem no seu túmulo - não sei se você está em um, já que sumiu tão rapidamente. 

Querido Elvis, fico pensando em como as nossas vidas são tão distintas e às vezes tão iguais: você encontrou um modo de inovar a música da sua época requebrando a pélvis e com um ritmo tão negreiro. Eu? Eu encontrei pouca coisa, afinal, ainda estou nos meus dezoito anos, mas já descobri que o amor pode estar ao lado e que rebolar o bumbumzão ajuda bastante. Talvez essa seja a finalidade da arte, nos roubar do mundo real. Dançando eu consigo me divertir e acho que você também, bom, isso é o que diziam as várias biografias lidas sobre você.

Na maioria das suas músicas, pelo menos as dezenas que tenho no meu celular, falam de amor seja tráfico, seja com um final feliz. Percebi que mesmo encontrando o amor ele continua sendo surpreendente e, não tem como ser explicado, você tentou e conseguiu à seu modo, mas, ah, cada vez que você se apaixona é de um modo diferente, será que você sentiu isso também? 

Um abraço, do Igor. 

*está é uma carta feita para um mini-concurso cultural da Seguinte, cujo consistia em escrever a carta para uma pessoa que já morreu, basicamente a ideia do livro "Cartas de amor aos mortos", resolvi escrever para um dos meus cantores favoritos, Elvis, e com isso acabei ganhando o prêmio, ficando em primeiro lugar. Aproveito para deixar uma recomendação, leiam este livro,  ele é tragicamente gostoso.  

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