Resenha: "O Grande Gatsby", de F. Scott Fitzgerald

F. Scott Fitzgerald
Editora Geração
252 páginas
Obra-prima de Scott Fitzgerald, O Grande Gatsby é o romance americano definitivo sobre os anos prósperos e loucos que sucederam a Primeira Guerra Mundial. O texto de Fitzgerald é original e grandioso ao narrar a história de amor de Jay Gatsby e Daisy. Ela, uma bela jovem de Lousville e ele, um oficial da marinha no início de carreira. Apesar da grande paixão, Daisy se casa com o insensível, mas extremamente rico, Tom Buchanan. Com o fim da guerra, Gatsby se dedica cegamente a enriquecer para reconquistar Daisy. Já milionário, ele compra uma mansão vizinha à de sua amada em Long Island, promove grandes festas e aguarda, certo de que ela vai aparecer. A história é contada por um espectador que não participa propriamente do que acontece - Nick Carraway. Nick aluga uma casinha modesta ao lado da mansão do Gatsby, observa e expõe os fatos sem compreender bem aquele mundo de extravagância, riqueza e tragédia iminente.

Ainda não consigo acreditar que “O Grande Gatsby” é um clássico, ainda com aquele pequeno asco de que clássicos possuem uma narrativa ultra chata e difícil, fico imensamente feliz em falar que a leitura de “Gatsby” foi uma grande surpresa, com a escrita de Fitzgerald não existe barreiras ou palavreados difíceis, tudo muito bem explicado, explícito e contemporâneo – levando em conta que este clássico retrata a alta sociedade de Nova York no século XX.

Uma surpresa deliciosa. “O Grande Gatsby” acaba tão rápido que nem percebemos a velocidade em que as páginas correm: os personagens entram e saem de cena, armam o circo e fazem seu espetáculo pelos olhos de Nick, o nosso protagonista, que de longe e de perto vê todas as façanhas que a sociedade dessa década, 1920, é capaz de cometer.

Nick ao mesmo tempo em que descreve de um modo tão rápido consegue tornar tudo tão palpável, personificando os verdadeiros personagens do show: mostrando não somente o lado encantador e irresistível, mas também os defeitos de cada um, o lado mesquinho, vulgar, feio e, por fim, o destrutivo. Dessa forma observamos a sutileza com que F. Scott Fitzgerald orquestra seu enredo, como ele entrelaça a vida de várias pessoas em uma situação, remetendo à Gatsby intrigas, paixões e conflitos.
“Antes de criticas alguém, lembre-se de que nem todos tiveram as oportunidades que você teve.”
A Geração Editorial fez um ótimo trabalho e que torna esse espetáculo ainda mais delicioso, a capa dura trás menções ao que o livro aborda – jazz, música, bens materiais..., também dá para perceber as cortinas, como se um show estivesse abrindo (e realmente está). A diagramação não poderia ser diferente da capa: simples, porém linda, contendo imagens tanto de autor e sua esposa quanto das demais adaptações para o cinema que o livro já fez acontecer. A tradução de Humberto Guedes torna tudo ainda mais mágico e leve, com certeza ele conseguiu capturar o que Fitzgerald quis dizer. Sinceramente, tenho que agradecer esse luxo que a Geração teve o cuidado de tomar, dando valor a um livro que realmente necessita ser valorizado.

O final de “O Grande Gatsby” é surpreendente, assim como quando me deparei com o início da leitura. Talvez seja uma final que não agrade muitos leitores e inicialmente não me agradou, mas após refletir, decidi que o livro não poderia tomar outro rumo. O objetivo deste livro não é um final feliz, mas sim uma vazão para criticar insensibilidade e imoralidade que acontecia na década 20. Através de danças, comidas sofisticadas e vinho tinto obtemos o que realmente se passavam dentro das mansões mostrando o lado sujo dos homens e das mulheres, quais poderiam comprar tudo desde roupas de ceda à carros personalizados e até mesmo (por que não?) o amor. Talvez essa o pior mal, achar que pode comprar tudo ou talvez o pior mal seja o homem que é insensível e horroroso. Se eu recomendo? Ah, meu chapa, não tenha dúvida disso.

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