Resenha: "A Ilha dos Dissidentes", de Bárbara Morais

Bárbara Morais
Anômalos, volume 1.
Editora Gutenberg, 2013
304 páginas
★★★★
Ser levada para uma cidade especial não estava nos planos de Sybil. Tudo o que ela mais queria era sair de Kali, zona paupérrima da guerra entre a União e o Império do Sol, e não precisar entrar para o exército. Mas ela nunca imaginou que pudesse ser um dos anômalos, um grupo especial de pessoas com mutações genéticas que os fazia ter habilidades sobre-humanas inacreditáveis. Como única sobrevivente de um naufrágio, ela agora irá se juntar a uma família adotiva na maior cidade de mutantes do continente e precisará se adaptar a uma nova realidade. E logo aprenderá que ser diferente pode ser ainda mais difícil que viver em um mundo em guerra.

Quando Sybil Varuna é a única sobrevivente do naufrágio do Titanic III (risos), sua vida muda completamente: após uma série de exames somente o que explicar a sobrevivência de Sybil é o fato de ela ser uma mutante, logo ela é transferia da sua cidade Kali, a qual vive no meio de uma zona de guerra, para Pandora, uma cidade em que os anômalos podem ser normais e aceitos (afinal, todos são mutantes). Com a chegada em Pandora, Sybil ganha uma família, um lar, uma escola, amigos... mas enganada ela está, se estiver pensando que tudo são rosas e jasmins, existem muitas outras questões por trás da suposta perfeição.

"A Ilha dos Dissidentes" é uma das distopias que eu mais queria ler esse ano, pelo simples fato de ser uma distopia (dã) e por ser um livro de caráter nacional. As expectativas foram altas, não posso negar, e sim, grande parte dessas mesmas expectativas foram realizadas (para nossa alegria?). O primeiro livro da trilogia Anômalos não exibe tanta originalidade, mas faz o uso orquestrado de ótimos diálogos, criatividade  e uma narrativa introdutória, mas que não deixa de ser gratificante ou inteligente.  

Os personagens, cada um com seu valor, roubam a cena a todo instante, além de Sybil conhecemos personagens bem desenvolvidos e com um punhado de história que irá se desenrolar nos outros volumes (eu espero!), assim como também conhecemos personagens pouco desenvolvidos e que não ganham tanto a cena, mas que dê alguma forma tem importância revelante a história. Para ser mais exato, acabamos sendo apresentados a diversos personagens - o que causa até um pouco de descarrilhamento (ficamos um pouquinho confusos ou perdido em meio a tantos nomes) -, mas logo nos acostumados com cada um, pois todos são  construídos com personalidade divergente da outra. 

Ler algo brasileiro, e ainda mais conterrâneo, foi estritamente animador, o livro não possui as travas que costumamos encontrar no livro de estréia de autores nacionais. Bárbara Morais, ou Bell, é criativa (aka eventos organizados pela amiga, leitora e autora), logo saberia que eu encontraria uma trama infalível, inteligente e com o jeito da própria Bell.  A leitura desse exemplar me surpreendeu de uma forma inimaginável, uma narrativa fluída e nada massante (em momento algum) e lembra muitas outras distopias - vulgo, lembrar não é parecer ou ser igual.

O final de A ilha dos dissidentes me fez lembra MUITO Jogos Vorazes, o final é perigoso e se o leitor não tiver cuidado pode dar um treco (aka. eu), logo, estou ansiando para começar a ler A Ameaça Invisível (termine logo esse livro Bu!) para saber o que acontece com Sybil e todos os personagens que "perderam" cena durante o primeiro volume, não só os que ficaram em segundo plano, mas também os que estão em conjunge com Sybil, cabe também falar que a série não tem aquele quê romântico - pelo menos o primeiro livro -, cuja narrativa é voltada para algo mais político. Não deixa de ser uma leitura recomendada! 
“Ele pisca duas vezes antes de encostar a testa na minha, fazendo meu coração bater mais rápido.”

  1. Cada vez mais aparecem livros nacionais interessantes. E esse eh um que eu realmente tenho curiosidade em ler e quero urgentemente na minha estante.
    Eu sei que estou bobeando demais mas eh que tenho tantos não lidos que fico ate perdida.

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