11.10.14

Resenha: "Estudo Independente", de Joelle Charbonneau

Joelle Charbonneau
O Teste, volume 2.
Editora Única
320 páginas
★★★★
Cia Vale tem dezessete anos e tem tudo o que sempre sonhou: um amor perfeito, um lugar na universidade e um futuro como uma das líderes da Comunidade das Nações Unificadas. No entanto, apesar de todos os esforços do governo para apagar a memória de Cia, ela ainda lembra o que aconteceu. Ela precisa escolher entre ficar em silêncio e proteger a si mesma e as pessoas que ama ou expor o Teste e o que ele na verdade é, um programa assassino que deve ser impedido. O futuro da Comunidade depende dela.

No segundo volume da saga de Joelle Charbonneaau, a chance de fazer parte da revitalização de uma civilização pós-guerra colide com o desejo de fazer o que o coração manda.

Engraçado como não gostei da narrativa do primeiro livro e como gostei tanto da narrativa no segundo volume da série de Joelle Charbonneu – o que me fez continuar a ler a trilogia, mesmo não gostando do primeiro livro, foi: que a última página de O Teste, tira o fôlego do leitor, fazendo-o criar tantas expectativas, elaborar tantas tramas do que acontecerá com Cia, e não somente com ela, mas com o Thomas, Will e outras pessoas que estão fora do teste (como a família de Cia). Graças a última página, que me arrepiei e que me deparei com uma escrita maravilhosa, em Estudo Independente. 

Após a Terra passar pelos Setes Estágios de destruição, após grandes perdas e tubulações, chegou a hora de concertar o que sobrou e criar novamente um ambiente para se viver, para alcançar esse objetivo o governo criou a Universidade – aonde os alunos aprendem certos "cursos" para poder ajudar com a reconstrução, quando um aluno é formado em cada curso ele tem a possibilidade de se tornar um líder e poder, dessa forma, liderar adequadamente para a melhoria do país. Quando Cia é aprovada para entrar na Universidade, seu mundo de despeçada em alegria, mas também em medo, agonia e incertezas – os testes nunca acabam, as mortes também não cessam após o teste. Ao passar para lecionar na carreira dentro de Governo, ela passa a descobrir coisas que estão por baixo do pano d'O Teste  Dr. Banes o idealizador do teste e do controle (mão de ferro) da educação, não está disposto a perder seu cargo facilmente e fará qualquer coisa para tirar os empecilhos do seu caminho e objetivo, porém ele não contava com Malencia Vale.   
"A nostalgia e o desânimo se insinuam dentro de mim. Lágrimas pinicam no fundo dos meus olhos. O desejo de estar com minha família, de voltar a um tempo que antes fosse selecionada para o Teste, quando ainda acreditava que nossos líderes eram bondosos e justos é acachapante."
O que me deixa mais extasiado com a leitura de Estudo Independente é a mudança de  na narrativa, creio que no primeiro livro tivemos uma leitura um tanto quanto passiva – cansativa e monótona –, enquanto neste passamos para uma leitura mais ativa, com ação (e mortes) em supremacia, cujo personagem não fica somente sentada, lendo e escrevendo – apesar de ela ainda fazer essas coisas, aliás, fazer ainda mais, pois a universidade e o estágio exige ainda mais da protagonista. Vale ressaltar que a protagonista não é totalmente o foco do livro, deixa eu explicar: diferente de Jogos Vorazes, Cia não é o pontapé inicial para uma revolução ou a criação de uma rebeldia, na verdade os rebeldes há algum tempo já se reúne para colocar o teste por água abaixo e desvendar o que realmente acontece por trás das provas e avaliações – ou a quantidade de vidas que foram desperdiçadas. 

Posso dizer que minhas expectativas foram supridas nesse volume, Charbonneau ainda descreve tudo de uma forma inteligente e original, cujo seu objetivo não é matança – por mais que esse seja uma das consequências –, mas sim derrubar uma ditadura de mão de ferro de forma inteligente, estratégia e eficaz. Com isso deparamos logo com uma personagem que conversa muito com si mesmo, criando verdadeiros monólogos e pensamentos inteligentes, afinal, como confiar nas pessoas que estão a sua volta

Eu simplesmente estou adorando cada segundinho da série, apesar de não gostar do primeiro livro. Sem dúvidas é uma série distópica que merece ser lida por quem gosta do tema (como eu), não vá esperando mortes sem parar (aka. Divergente), pois a tática desse livro é te fazer pensar junto com a Cia, destruir de forma inteligente e "poupar mortes". Estou louco para a continuação, A formatura, que já está disponível para compras  – uhuuuuuuuuuuuuuuuul. 

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