Resenha: "O Ladrão de Crianças" de Brom

Autor: Gerald Brom
Editora: Benvirá
Páginas: 432
Avaliação: ★★★★★
"Ás vezes, as menores coisas são as que mais ferem."
Em abril de 2014 foi lançado uma versão moderna de Peter Pan, escrita por Gerald Brom, ambientado em Nova York e com um mundo totalmente diferente da que conhecemos escrito, originalmente, por James Barrien. Brom cria um mundo espetacular que envolve o leitor num arriscado triller do início ao fim: com bastante drama, suspense, fantasia e muito sangue. 

Apesar de ter falado de Brom cria um mundo totalmente inovador ele não muda tanto o personagem, visto que a versão original de Peter Pan não é fofinha e bela como vemos pelas diversas adaptações da Disney. Brom usa o lado mais frio, cruel, egoísta e sanguinário de Peter Pan para criar o seu próprio Peter: o ladrão de crianças, que faz promessas para crianças desiludidas e problemáticas, falando que existe um lugar totalmente sem restrições, obrigações, adultos e o melhor: você nunca vai envelhecer. Por parte as promessas de Peter estão certas, porém o lugar ou mundo prometido por Peter não é tão simples e feliz assim, Avalon é um lugar mágico reinado por criaturas desconhecidas, habitada por seres do mal, bruxas, bestas e monstros carniceiros. Mas o pior de tudo é: que Avalon está passando por maus momentos e logos as crianças terão que travar guerras que poderão custar suas vidas. 

Como em qualquer outra releituras queremos ser surpreendidos, afinal, qual a graça de ler a mesma história? Brom surpreende bastante em sua narrativa, porque você não sabe o que esperar dos próximos capítulos ou dos seus personagens, além de estar adicionando diversos seres mitológicos e temas reflexivos. A cada compasso da história é despejado mais conteúdo em cima do leitor - de uma forma singela que não deixa o leitor, em momento algum, perdido -, entramos cada vez mais para o mundo de Brom e, a medida que vai lendo, é impossível acreditar que O ladrão de crianças não tem continuação. 

O livro mesmo sendo narrado em terceira pessoa o autor demonstra, impecavelmente, os sentimentos dos seus personagens desde a os momentos mais felizes até a crueldade que o homem pode chegar. Confiança, a lealdade, selvageria e liberdade são sinônimos cabíveis ao romance estrelado por um personagem astuto, egocêntrico e forte. Vale ressaltar que mesmo Peter parecendo o foco central da história, ele não é o personagem principal; na verdade cada personagem da história ganha um momento heroico e também um momento vilão, no final da história não se pode chegar a conclusão estereotipada de que existem personagens do bem ou personagem do mal. 
"Eu queria poder voar. Sonho com isso às vezes. Se pudesse voar, eu ia atravessa essa maldita neblina, passaria pelas nuvens agora mesmo. Flutuaria lá em cima e olharia as estrelas a noite toda. Eu era marinheiro e conheço as estrelas melhor do que as tetas da minha mulher. Só de velas mais uma vez... ah, as estrelas, não sei mais se eu iria querer ver as tetas da minha mulher essas dias, só de ver as estrelas mais uma vez seria suficiente para mim. Eu morreria feliz."
Encontramos em O ladrão de crianças uma aventura de tirar o fôlego e pedir bis, um romance macabro voltado para as saliências do homem desde a magia infantil à descrença adulta. Uma leitura recomenda para amantes de fantasia e um pouco de terror, aliás, um livro recomendado para todo mundo, pois um livro como esse que tira suspiros e nos faz querer mais devia aparecer sempre quando precisamos de uma aventura que nos faz viajar em um mundo novo e ser um dos personagens. 

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