7.6.14

Resenha: "O Médico e o Monstro", Robert Louis Stevenson


Autor: Robert Louis Stevenson
Editora: Hedra
Páginas: 114
Avaliação: ★★★★


O Médico e o Monstro” é um livro que estava há muito tempo na minha estante, pedindo para ser lido. O receio de ler clássicos sempre fala alto, porém a grandeza que essa leitura traz é enorme. Não me arrependo em momento algum ter começado e ter terminado esse exemplar. O Médico e o Monstro me lembra muito O Retrato de Dorian Gray, as histórias são totalmente diferentes, mas algo as uni: o dualismo do ser humano em suas atitudes e ações sobre o mundo ou até mesmo sobre si.

A grande questão para o livro ser tão bom é o suspense. Encontramos escancarada uma história estranha logo de cara, e quando menos percebemos já estamos numa arriscada procura por alguém, que teoricamente não existe. Henry Jackyll é um médico que está afundando em pesquisas e experimentos, com o objetivo de separar o bem entre o mal. Mas a história não é narrada pelo médico e, sim pelo seu amigo advogado, Sr. Utterson, que foi confinado a ler seu testamento. Eis que surge do nada o Hyde, o esquisitão e diabólico jovem. Hyde é horrível, dá para sentir repulsa só em ler. Na perseguição de Utterson, para saber a origem de Hyde, percebe que tanto Hyde quando Henry estão conectados muito mais além do que por simples bens ou títulos. 
“Era isso que, preso em sua carne, murmurava e lutava para nascer. Era o que a cada hora de fraqueza, ou de leve sono, prevalecia sobre ele e o destituída da vida.” 
Clássicos como esse têm grande poder sobre a humanidade e especialmente sobre as nossas ações. Em “O Médico e o Monstro” é defasado o cerne do homem, a sua essência e composição: de que ele é feito de um lado bom e do lado ruim. Sem um peso igual esses dois lados o homem acaba se destruindo. Pertencente a uma longa linhagem de gótico romance, Stevenson cria uma margem entre a loucura e sóbrio; entre o bem e o mal. 

A verdade é: existe um Hyde em cada um de nós, assim como também existe um Henry. Somos criados e “esculpidos” dessa forma, um pouco do bem e um pouco do mal. Uma leitura recomenda!

“Meus demônios haviam ficado presos por muito tempo e saíram da jaula rugindo. Quando tomei a droga, estava consciente de uma propensão para o mal, ainda mais furiosa e capaz de maiores audácias.” 

2 comentários

  1. Eu já ouvi falar desse livro, no entanto, nunca tinha visto essa capa e apesar de ter me dado uma aflição imensa, hahaha, é maravilhosa!
    Mas em relação à sua resenha, acho que quando um livro nos mostra essas diversas facetas que o ser humano pode ter, é incrível, talvez a mais incrível das coisas que a gente pode ler. Que o mundo e os seres humanos são incrivelmente voláteis e mutáveis, a relação entre o bem e o mal não tá só na sociedade, tá na gente. Isso é um assunto muito delicado pra se falar, mas é incrível quando um livros faz também que a gente recomende. Ótima resenha!

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  2. Nunca tinha relacionado esse livro com Dorian Gray, mas o dualismo realmente existe! Li "O Médico e o Monstro" uns anos atrás para escola e gostei bastante, foi um dos primeiros clássicos que eu li e foi uma ótima experiência. Não é difícil de ler e com certeza o suspense torna a leitura mais envolvente.

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