O mundo é uma grande bomba de câncer


O mundo é uma bola gigante de meleca que é limpo periodicamente pelos dedos cheios de germe e com sujeira em baixo das unhas. O mundo é uma explosão congruente de efeitos positivos e negativos orquestrada pela poeira dos caminhos já desgastados. As pessoas são como prótons, elétrons e nêutrons, se repelem, se juntam ou apenas ficam na dela. Buscando nos meus anexos filosóficos, que se encontram encaixotados e atualizados em dias de chuva dentro do ônibus, descobri que o mundo é como uma doença de lúpus, não só o mundo, mas os seres que nele habitam. É simples: as pessoas que têm lúpus já vêm com ela em seu gene e a qualquer hora podem dar um treco e morrer, fácil assim. Se você olhar com olhos mais realísticos perceberá que qualquer pessoa, animal, extraterrestre ou coisa que respira pode dar um treco e morrer, fácil assim. 

Então: quando vemos pessoas com uma doença contável (que dá para saber mais ou menos o tempo estimado de quando ela pode viver ou, que ela vai morrer duma hora para outra) pensamos que 1 vamos viver mais que ela por 2 ela tem um tempo estimulado para viver. Mas a verdade é que não precisamos saber o dia em que vamos viver ou morrer – por mais que o avanços médicos e científicos sejam (ou tentam ser) precisos. Afinal, quem gostaria de saber que dia vai morrer? O nosso pensamento é ineficaz, já que você, eu ou o ser misterioso da casa ao lado não sabe o que pode acontecer amanhã ou daqui a quinze dias. Pode acontecer de eu morrer primeiro que uma pessoa que tem uma doença contável e pode acontecer dela morrer nem por causa doença contável, mas sim porque enquanto tentava arrumar a cortina da sala, caiu da cadeira e acabou tento traumatismo craniano (que história trágica).

Saber quando vai morrer não é legal, menos que: você possa largar a escola, não precisar ter tantas responsabilidades e poder viver cada segundinho. Pera! Que pensamento errado, nem preciso estar doente para poder viver, para poder aproveitar cada segundinho; quem vai saber até que dia estou vivo? 

Estou meio que vivendo assim: segundo por segundo, minuto por minuto. Aproveitando. Lendo durante o dia e saindo durante a noite. Estudando nos dias de feira e sorrindo com os amigos no final de semana, dando escapadas do dia a dia e de tanta responsabilidade para dar uns beijos na boca ou apenas sentir o momento. Afinal eu tenho uma doença enorme dentro de mim: de não saber quando vou morrer ou medo de que: será que eu vou acordar amanhã? 

Cheguei à conclusão de que se todo mundo tivesse um dia contado para morrer, o que elas fariam? Será que andariam menos zangadas, deixariam de brigar, de entristecer as pessoas, de machucar ou de querer usar pessoas e amar coisas. Será que finalmente elas iriam aproveitar os poucos momentos que têm com a família, com os amigos do ensino médio ou quem sabe com os amigos da uma infância que não volta mais? Poderia acontecer de elas sorrirem mais, amarem mais e simplesmente aceitassem que não precisa ficar nervoso com pouca coisa ou poderiam jogar os problemas para o alto, não esquecer deles, claro, mas não deixar que eles afetassem tanto a vida boa que a gente tem. 

É isso, esse texto quer dizer que você, quando nasceu, ganhou uma doença contável. Meu Deus! Você tem uma doença contável e agora? Fique louco, sorria e corra por aí. Se descabele, você descobriu que nasceu em um mundo onde todos nascem doentes. Isso talvez fosse uma merda, mas não é! Simplesmente, porque agora você pode enxergar que tem o tempo definido e a partir desse instante tem que viver cada segundo, cada sorriso e cada lágrima como se fossem os últimos. Não é sair metendo o “foda-se” em tudo e dizendo que vai morrer a qualquer momento, porém parar de ligar para tantos problemas que a vida empoe e as duras realidades do dia-a-dia. 

A cada dia você vive e a cada dia você morre, caminhamos em sentindo a vida e a morte. É estranho falar sobre isso, mas é a pura verdade. A única solução que encontrei até agora foi: viver, viver bastante enquanto morro.

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