11.3.14

Resenha: "Quando Tudo Volta", de John Corey Waley

Autor: John Corey Whaley
Editora: Novo Conceito, 2014
Páginas: 222
Avaliação: ★★★★★ 
"Porque eu estou acordado em um mundo de pessoas que dormem."
Segura coração, nesse post vou falar de um livro que consideravelmente muitas pessoas não vão gostar (já sinto isso), cuja a história não é grande coisa, mas que me conquistou de cara e coração, me empolgou desde o início com um grande cinismo e sinceridade. 

Cullen Winter é um jovem de dezessete anos cujo verão está muito louco. Na cidadezinha pacata Lily, em Arkansas, nada acontece, as pessoas são sempre iguais e levam a mesma vida tediosa para sempre, porque elas esperam que algo possa aparecer do nada e deixar a vida de todo mundo melhor; isso acontece quando supostamente um pássaro, o pica-pau Lázaro, é visto por um dos moradores nos arredores da pequena cidadezinha. Após a aparição do pica-pau de 70 centímetros a vida na cidade muda completamente, tudo se volta para a procura do pássaro - porém, acho que a busca do pássaro é a busca por algo maior. Tudo perde o foco - pelo menos para Cullen Winter - quando o seu irmão mais novo, Gabriel, desaparece do nada.

Em contrapartida o jovem Benton Sage é apresentado como um missionário com o objetivo maior da sua vida de ajudar as pessoas, em rumo a pregação e amparar as pessoas, ele está na África, mas algumas coisas perdem o foco também para o jovem, e ele parte em busca do seu verdadeiro propósito junto com seu companheiro de quarto cheios de filosofia, Cabot. 

Além disso, encontramos perdidos na história uma garota do ensino médio, cujo todos os namorados têm o hábito de morrer. Um louco depressivo a procura de algo que talvez não exista. Um amigo que pode se chamar de amigo, daqueles que te dá soco na cara ou um abraço apertado. Mas, o que mais encontramos nesse livro é: sentimento. 
"O Dr. Webb diz que a maioria das pessoas vê o mundo em bolhas. Isso as mantém confortáveis em seus lugares e no lugar dos outros. O que ele quer dizer é que muitas pessoas, para se sentir bem consigo mesmo e em relação às outras, automaticamente dispões todo mundo em pequenos grupos de estereótipos." 
Com a indagação: "Uma morte por overdose. Um fanático estudioso da Bíblia. Um pássaro lendário. Pesadelos zumbi. Coisas tão diferentes podem habitar a vida de uma única pessoa?" escrita no verso do livro, imaginei que nenhuma história poderia se construir de coisas tão distintas quanto essas. Corey Whaley não apenas cria uma conexão entre os dois mundo distantes, mas também para com o leitor; com sua escrita envolvente e um protagonista tão carismático, que logo você o ama. 

Creio que ultimamente eu esteja precisando de livros que me façam isso, que me façam não entender e me faça reler e reler e que por fim tente ou me arranque lágrimas. A verdade é que não sei explicar a forma como esse livro me tocou e me fez apaixonar por ele, não foi só a capa bonita, foi o destrinchar da história, foi o sofrimento alheio - não da forma insana, não adoro ver o sofrimento alheio - visto pelos olhos de um irmão apaixonado pelo outro, que daria tudo para ser corrigido quando falasse algo errado ou simplesmente brincar de "e se..." mais uma vez. 
"Com isso, aprendemos que a morte pode nos ferir.
A morte pode nos surpreender.
Pode nos assustar.
Pode tirar o sono à noite.
Mas também aprendemos as coisas que a morte não pode fazer.
Não pode destruir nossas esperanças.
Não pode tirar o amor e o apoio de nossos amigos e de nossa família.
Não pode nos fazer perder nossa fé sem fim no mundo e em Deus.
A morte nos entristeceu, mas não vai prevalecer." 
"Quando tudo volta" contém a imaginação e variados questionamentos, na tentativa de reconstruir sua vida e também da sua família, o livro acaba se passando por um diário. E não só Cullen como todos os personagens parecem transmitir uma sinceridade sem fim, e eu digo: sinceridade é uma coisa poderosa. Esse é um daqueles típicos livros que me encontro e chego a assustar com a facilidade que essa escrita ou esse sentimento me toma.  
"Todo mundo espera que finjamos que está tudo bem e que tudo vai ficar bem. Bom, não está tudo bem. Nada mais está bem. Odeio esta casa. Odeio esta cidade. Odeio o maldito carteiro que sempre espia pela janela da frente." 
Esse é um livro com personagens divertidos e, por que não únicos? Que implantam suspense e comoção. Contado em um estilo alternado, é difícil (pelo menos para mim) não gostar desses personagens, descritos em pouquíssimas páginas. Mas como eu já disse, eu não sei explicar porquê eu gosto tanto desse livro, eu apenas gosto e quero que outras pessoas também gostem e sintam o que senti (eu não sei falar o que estou sentindo em relação a Quando tudo volta).  
"Cullen, as pessoas não podem desistir umas das outras ainda. Todos merecemos uma segunda chance, sabe? Podemos começar de novo, como Noé depois do dilúvio. Por pior que um homem seja, ele sempre ganha uma segunda chance, de um jeito ou de outro."  
E acabo essa resenha recomendando esse livro e se você não achar o livro isso tudo o que falei, pode vir reclamar comigo, porque eu vou tentar encontrar uma forma de você ver esse livro com os mesmos olhos que eu vi. Para ser sincero, eu vi esse livro de três formas: 1. no começo, que livro legal, engraçado 2. ok, esse livro possui algo que me faz querer mais e 3. esse livro faz eu compreender um pouco mais sobre a vida, mas também me faz compreender nada.
 "Porque sempre acabamos estragando as coisas antes de elas começarem."

2 comentários

  1. Fui presenteado com esse livro, logo de cara também achei-o lindo e diferente. Fiquei um pouco receoso em ler, pois não conhecia o autor e nunca vi muitos comentários, no entanto é sempre bom conhecer coisas novas. Quando comecei a ler disse "que livro chato, sem desenvolvimento", pois inicialmente o Culen nos apresenta todo o contexto, ele relata de sua vida, os dia-a-dia de Lily. Porém ,com o passar dos capítulos a história torna-se interessante. É um pouco chato às vezes pois há muita quebra no raciocínio quando o autor vai contando a história de todos os eixos, entretanto é isso que nos instiga a ler mais e não fica monótono apenas com o eixo principal. Como vocês do blog eu não sei o que despertou toda paixão pela história, mas eu recomendo. Com o livro podemos rir, também chorar, e principalmente refletir sobre a vida, e o legal desse livro é a nova forma de nos levar a esse caminho de reflexão, tratado por chatos livros de auto-ajuda e trato aqui de forma maravilhosa.

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    1. Gabriel é engraçado não é? Poucas páginas oferecem tanto, rir, chorar e refletir bastante. É um livro que tem que ser lido por todo mundo!

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