Resenha: "Quando eu era Joe", de Keren David

Autora: Keren David
Editora: Novo Conceito, 2014.
Páginas: 318
Avaliação: ★★★★★
Série: Joe, volume 1.

Quando eu era Joe é o primeiro livro de uma trilogia que promete bastante. O primeiro livro nocauteia o leitor logo nos primeiros capítulos com um suspense intrigante e delicioso. A ficção de Keren David se aproxima e enrola com a realidade, é inevitável não sentir algo sobre a escrita incrível que retrata a angústia de uma família londrina. 
"Como é possível viver mentindo sobre todas as coisas?" 
Ty não me conquistou no começo, e vocês podem encontrar uma contradição entre o primeiro paragrafo e este. Mas eu falo de Ty, o personagem principal, quando o progresso das páginas começou a me extasiar percebi que não devo julgar antes de conhecer. O livro conta a história de um garoto que foi obrigado a esquecer sua vida e passar a viver como outra pessoa após ser colocado em uma programa de proteção à testemunha, logo o leitor é inserido na sua trágica história, o que, ao meu ver, é um bom augúrio para se aproximar do protagonista instantaneamente. Ao receber um novo visual, novo nome, nova ID e ter que começar a estudar numa nova escola, ele vê a oportunidade de começar uma vida totalmente diferente. Deixando Ty-o-nerd-solitário-rejeitado para trás e passando a ser Joe: o descolado, namorador e o desejado por todas as meninas da sua escola. No começo Ty acha ruim a ideia de constituir um novo ser, mas logo ao ver a fama e poderio sob os outros, vê-se impossibilitado de algum dia deixar de ser Joe-o-que-tem-tudo-o-que-quer. 
"E naquele momento, ainda não entendia como ou por quê, mas um pouco da minha certeza interior, da minha felicidade, morreu naque dia. Não foi a melhor maneira de começar em uma nova escola."
Esse não é um tema que agrada todo mundo, mas acho que quando a pessoa ler vai quebrar os preconceitos logo de cara: somos inseridos na realidade de gangues, gangster e tudo mais. Com direito a assassinato no começo do livro que instiga o leitor deixando-o atordoado — você não sabe o que realmente aconteceu, por mais que o Ty tenha estado perto de assassinado, ele conta e desconta para você o que viu ou fez. 

Tyler/Joe é um personagem que se destaca de longe de todos os outros criados por David. Um. Por a história ser abordada em primeira pessoa e. Dois. Mesmo que seus personagens sejam bem elaborados e envolventes nenhum se iguala a Ty, mas isso também pode se dever porque o protagonista não ofusca muito o que acontece ao seu redor, somos encaminhados num 'young adult' sob os olhos do menino Ty e do quase homem Joe.   
"Ela se senta e gesticula para eu me sentar ao lado dela. O que faço agora? Coloco o braço em volta dela?"
Karen David acabou de entrar para o ramo literário com esse livro? Estou impressionado como a escrita dessa autora faz com que a leitura seja tão voraz e feroz, que tira sono e deixa você pensando e pensando. O que me intriga também é o fato de ser uma autora mulher, o fato de ela incorporar um personagem homem e dar a ele vida, virtudes e defeitos. E isso, por encontrar um personagem tão humano e misterioso é impossível largar esse livro antes de terminá-lo. Tyler/Joe é um personagem bastante confuso, proporciona horas de acolhimento e repudiamento. O leitor fica ali na sensação de gostar e odiar, de chorar ou espancar. 

Altamente recomentado, uma leitura incrível apresentada por um protagonista de apenas quatorze anos. 

  1. 10.450.487

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  2. Quais os títulos dos outros dois livros da trilogia

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    1. Oi Júh.
      Ainda sem tradução:
      Almost True #2
      Another Life #3

      Muito bom, já leu o primeiro?

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