Resenha: Garota, interrompida

Autora: Suzanna Kaysen
Editora: Única, 2013
Páginas: 190
Avaliação: ★★★★★

Eis que surge mais uma proposta literária, lançado em 2013, pela Editora Única. Garota, interrompida vem com uma realidade totalmente diferente do que estou acostumado - fantasia, ficção, romance, aventura, distopia... -, o livro é pura biografia, porém não é monótono, muito menos chato. 
Interrompida durante a música dos 17 anos, um momento congelado no tempo mais importante que todos os outros momentos, quaisquer que fossem ou que viessem a ser. Quem pode se recuperar disso?
Sempre hesito em começar uma biografia, por achar que esse campo literário ser bastante boring. Mas o livro de Suzanna não parece com um livro não-ficção, muito pelo contrário, se não fosse por pesquisas acho que nem saberia que era uma história vivenciada pela própria autora.  No começo do livro achei algo muito pitoresco e perturbador, a autora não poupou em revelar sua rotina dentro do hospício: suas amigas e suas atividades. Mas logo acostumamos com a vida da autora e de suas 'loucuras'.


A transparência entre a lucidez e a loucura fica evidente após a leitura deste exemplar. Para as garotas que vivem diariamente no Hospital McLean, ninguém é capaz de perceber o mundo como elas. Mas dentro do hospital as meninas, inclusive a própria Kaysen, encontram um mundo e um lugar que entendem elas e elas entendem. Quando Suzanna começa se tratar, acha que é a pessoa mais problemática e que tem a vida pior do mundo, mas ao ver tantas outras garotas com distúrbios/problemas mentais, enfatiza que existe problemas muito piores que o seu.

   
“Transtorno de personalidade limítrofe: uma das características desse transtorno é um padrão invasivo de instabilidade da autoimagem, das relações interpessoais e do estado de espírito e que se manifesta no início da idade adulta e em diversos contextos.”
Kaysen vai direto ao ponto, não demora com muitas discrições e sentimentalismo. Possibilitando uma leitura rápida e um livro bastante curto, ao meu ver, a autora não quis que você se apegasse em um de seus personagens,  sim, transmitir um mundo que está dentro do nosso mundo, que é negado por nossos olhos. É uma realidade totalmente diferente da nossa e, concluo que Suzanna Kaysen conseguiu cumprir com a sua proposta. 

Tem livros que são criados para tirar os olhos dos nossos próprios umbigos, para nos fazer conhecer outras pessoas, lugares e culturas. Garota, interrompida é isso! É a vida de uma pessoa contada por olhos de uma realidade distorcida. 

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