28.10.13

Resenha: "São Bernardo" de Graciliano Ramos

Autor: Graciliano Ramos
Editora: Record, 2011
Páginas: 220
Avaliação: ★★★★★

São Bernardo veio com uma proposta de escrita crua e com frieza sentimental, os traços detalhistas e descritivos são bem fracos e poucos. São Bernardo é sem dúvidas uma história breve, objetiva e sem floreios. Um homem simples, movido por uma ambição sem limites, que acaba por se transforma em um fazendeiro do sertão, em busca de um casamento: não por amor, mas por riquezas. 

Graciliano faz parte da geração dos 30, marcando a segunda fase do Modernismo no Brasil. Onde a linguagem rebuscada e a busca da perfeição formal, trazida pelos parnasianos, foi de vez extinta pelo regionalismo, que busca expor as múltiplas faces da população brasileira. Graciliano Ramos usa técnicas de narrativa de maneia direta de tratar do assunto. Se existe algo para ser dito ele diz logo, se há um projeto a ser cumprido ele tenta cumpri-lo de imediato.

Nas primeiras páginas, é uma leitura chata, o leitor dança entre os personagens, nomes, profissões que vão surgindo uma em cima da outra. O leitor foi empurrado para um mundo totalmente desconhecido e confuso. Paulo Honório é o típico homem empreendedor, severo, dominador, obstinado e além de tudo bruto. Para ele não tem espaço para sentimentos e laços afetivos, tudo o que ele é quer é dinheiro e conquistar bens. Paulo Honório é o tipo de homem prático que tende só a crescer na vida: nasceu da pobreza e passou a ler e escrever mais ou menos na prisão, por esfaquear um homem. Após sair da cadeia, passou a trabalhar bastante e juntar dinheiro para poder comprar as terras de onde já trabalhara, São Bernardo. Adquirindo bastantes riquezas sem desanimar com os fracassos, ele percebe que o tempo passou e está envelhecendo sua nova conquista será um herdeiro...
“Amanheci um dia pensando em casar. Foi uma idéia que me veio sem que nenhum rabo-de-saia a provocasse. Não me ocupo com amores, devem ter notado, e sempre me parece que mulher é um bicho esquisito, difícil de governar” Página 57.
... Em busca de uma esposa, Honório casa-se com Madalena, mas é incapaz de entender os sentimentos de uma mulher e saber por quais motivos ela age, assim ele se demonstra autoritário e obter êxito constante sobre a mulher. Através de cada capítulo conhecesse um pouco a mais do seu perfil se demonstrando ainda mais rude e egoísta, onde não há espaço nem para amizade e nem para o amor. 

Quem não tem receios de algo clássico? Ainda mais que o livro foi escrito há 80 anos. Pensei que odiaria o livro com todas as minhas forças, mas a sutileza e a frieza que o “pseudônimo”, de Graciliano Ramos, aborda ao retratar uma vida triste e solitária. Por se tratar de um livro mais regionalista, não tem dificuldades enormes na leitura, visto nos clássicos anteriores. Por fim: fui taxado como estranho por te gostado da leitura, já que alguns amigos meus não gostaram. Mas explicação é: quando fui apresentado a figura de Paulo Honório e o mundo que roda a seu favor, está sendo desgraçado e desobediente. 
“Conheci que Madalena era boa em demasia, mas não conheci tudo de uma vez. Ela se revelou pouco a pouco, e nunca se revelou inteiramente. A culpa foi minha, ou antes, a culpa foi desta vida agreste, que me deu uma alma agreste. E, falando assim, compreendo que perco o tempo. Com efeito, se me escapa o retrato moral de minha mulher, para que serve esta narrativa? Para nada, mas sou forçado a escrever.” Página 100

2 comentários

  1. Tenho muita vontade de ler São Bernardo. Tenho ele há muitos anos e nunca sentei para ler. Culpada!
    Adoro livros dessa época da nossa literatura, e acredito que vá gostar bastante desse também. Amo a escrita do autor! Vou tentar encaixa-lo nas leituras do ano que vem.

    bjus
    terradecarol.blogspot.com

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    1. Oi Carol, esse é o primeiro livro que leio do autor! E já sinto vontade de continuar lendo mais romances dele...

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